Coordenadoras-gerais de Educação da Fiocruz comentam medidas atualizadas, a experiência acumulada e a expectativa para o novo ano letivo na instituição

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Publicação : 31 DE MARçO DE 2021

Autor(es) : Isabela Schincariol Domingues

 Coordenadoras-gerais de Educação da Fiocruz comentam medidas atualizadas, a experiência acumulada e a expectativa para o novo ano letivo na instituição Procuramos manter a conexão entre os diversos segmentos da comunidade Fiocruz. Há uma necessidade essencial em prosseguir com aulas e outras tarefas acadêmicas. No entanto, para além disso, a conexão nos permite fortalecer laços, formas de comunicação e outros elementos para não nos sentirmos tão isolados, compartilhando conhecimento científico e também esperança.

Passado um ano do início da pandemia causada pela Covid-19, e diante da gravidade do atual cenário epidemiológico, a Fiocruz decidiu prorrogar as orientações relativas à Educação Remota Emergencial na instituição até o mês de julho de 2021. Como resultado, publicou a versão 6 do documento de recomendações complementares ao Plano de Convivência para a pós-graduação Strictu sensu, cursos Lato sensu e outras modalidades, de 16 de março de 2021.  

+Acesse o documento: Recomendações Complementares ao Plano de Convivência – Educação (versão 6, de16/3/2021)

As novas orientações trazem apontamentos sobre atividades educacionais coletivas; qualificação e defesas finais ; mobilidade de estudantes e pesquisadores bolsistas; atividades práticas Residentes e de estudantes de pós-graduação em laboratórios; sobre a Educação Básica e Educação Profissional em Saúde; Pibic, Pibiti e Provoc; sobre a atuação do Centro de Apoio ao Discente (CAD) e outras estratégias de apoio aos alunos, e demais ações.  

A nova versão do documento foi produzida com a colaboração das equipes da Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic), Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas, Coordenação-Geral de Laboratórios de Referência, Gerência Regional de Brasília (Gereb) e Gabinete da Presidência. Todos os planos e diretrizes da instituição sobre as estratégias de convivência com a Covid-19 já publicados estão disponíveis no Portal Fiocruz, em  https://portal.fiocruz.br/coronavirus. As orientações são pertinentes a gestores, trabalhadores, estudantes, estagiários e bolsistas.

Novamente, a Fiocruz reconhece e considera a diversidade de suas unidades técnico-científicas e escritórios, bem como a variedade de modalidades educacionais e chama atenção para a viabilidade de aliar as recomendações às especificidades da situação epidemiológica, das orientações das autoridades sanitárias (municipais e estaduais, além da nacional), das condições de infraestrutura e das características das unidades, assim como dos cursos e estudantes em cada contexto específico. Ensejando, assim, que os mesmos adaptem recomendações e adotem medidas complementares quando necessário.  

Para saber mais detalhes sobre as medidas atualizadas, a experiência acumulada e a expectativa para o novo ano letivo da instituição, o Campus Virtual Fiocruz conversou com Cristina Guilam e Eduarda Cesse, que são, respectivamente, coordenadora-geral e coordenadora-geral adjunta de Educação da Fiocruz. Confira a entrevista:

Campus Virtual Fiocruz: O que deve ser destacado na sexta versão do documento "Estratégias complementares ao Plano de Convivência com a Covid-19 – Educação?

Cristina Guilam: As aulas teóricas e outras atividades educacionais coletivas devem permanecer no regime de Educação Remota Emergencial até julho de 2021. No entanto, recomenda-se a adoção, pelas unidades, de estratégias de apoio, capacitação e troca de experiências entre os docentes, de modo complementar às iniciativas já promovidas pela Coordenação-Geral de Educação (CGE/Vpeic) para adaptação às especificidades das atividades.

Qualificação de projetos e defesas finais (dissertações, teses, TCC) não devem ser realizadas de forma presencial, sendo mantidas à distância, com a participação da banca e do aluno. Lembramos que estudantes e docentes não devem viajar nem se deslocar para participação em bancas. Eventos acadêmicos, como simpósios, seminários, oficinas e encontros também devem ser realizados virtualmente enquanto durar a situação de risco sanitário nos locais em que as unidades se localizam.

Ressalto ainda o Programa de Inclusão Digital, voltado a estudantes de baixa renda, com limites de conectividade e/ou equipamento, como uma opção em caso de necessidade do estudante, que terá a sua elegibilidade e a disponibilidade de apoio analisadas pelos coordenadores de curso. Além da inclusão digital, enfatizo a importância da flexibilidade e adaptação dos projetos de pesquisa e do cumprimento de prazos (embasados pela Portaria da Capes n. 36 de 19/3/2020).

Viagens internacionais e nacionais de pesquisadores e estudantes devem ser, preferencialmente, canceladas ou adiadas, sempre que possível, com base na nova orientação emitida pela Capes em 17/2/2021, por meio do Ofício Circular nº 3/2021-GAB/PR/Capes.

A CGE/Vpeic ratifica que tem monitorado e analisado, em conjunto com os coordenadores de programas de pós-graduação, vice-direções de Ensino das unidades, em diálogo com a Associação de Pós-Graduandos (APG), e em interlocução com as agências de fomento, a situação dos estudantes que ainda estão no exterior, fornecendo informações e apoio para o seu retorno ao país.

As atividades práticas dos residentes que se relacionem à atenção à saúde e outras essenciais previstas no Plano de Convivência da Fiocruz com a Covid-19 devem ser mantidas, especialmente das residências médicas e de enfermagem, mas também das multiprofissionais, respeitadas, obviamente, a situação de saúde individual, e as condições adequadas de trabalho, proteção individual, carga horária, trajetória no curso; perfil profissional; entre outros.

Estudantes de pós-doutorado e pós-graduação Stricto sensu (mestrado e doutorado), cujo projeto exija trabalho em laboratórios de caráter essencial (para o enfrentamento da Covid-19 ou imprescindível à conclusão de sua pesquisa) deverão seguir rigorosamente todas as orientações do Plano de Convivência geral e da unidade em questão. No entanto, recomendamos considerar a adaptação, revisão ou delimitação dos projetos a serem desenvolvidos.

Estudantes de Iniciação Científica (Pibic), em Desenvolvimento Tecnológico e da Inovação (Pibiti) e do Programa de Vocação Científica (Provoc) deverão substituir atividades presenciais por remotas, dentro da carga horária prevista, e conforme orientações das unidades e dos professores orientadores.

Os estudantes da Educação Básica e Educação Profissional em Saúde deverão seguir as orientações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), pareceres do Conselho Nacional de Educação (CNE) e demais diretrizes a serem divulgadas pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV). Os curso técnico de nível médio em Saúde e a Educação de Jovens e Adultos (EJA) deverão adotar atividades à distância, lançando mão de ações como o empréstimo de chips e tablets, por meio do Programa de Inclusão Digital (PIDig); a disponibilização de salas da EPSJV para estudantes que vivem em contextos de vulnerabilidade socioeconômica, sanitária ou familiar; a criação de canais de comunicação remotos para o diálogo entre a Escola e os estudantes; a distribuição da alimentação escolar sob a forma de kits.

Sobre os alojamento ou em acomodações análogas a alojamentos coletivos, está suspensa a entrada de novos estudantes, ao menos até julho de 2021.

Vale pontuar que a situação dos estudantes em alojamento tem sido acompanhada pelo Centro de Apoio ao Discente (CAD) e pela Direção do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF/Ensp), em comunicação frequente com a Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe), o Núcleo de Saúde do Trabalhador (Nust), a representação dos estudantes e as vice-direções de Ensino das unidades em que os estudantes estão inseridos.

Campus Virtual Fiocruz: Conte-nos sobre a experiência da seleção de alunos para o Stricto sensu e também a qualificação de projetos e defesas realizadas de maneira remota:

Eduarda Cesse: Precisamos nos adaptar para não deixar de realizar defesas, processos seletivos, seminários, debates e outras atividades acadêmicas. Lidamos com barreiras e dificuldades de uso dessas novas ferramentas virtuais. Não foi um processo fácil, mas superamos e hoje entendemos que o uso de determinadas ferramentas permite uma interação, em algumas situações, até maior do que o modelo presencial, possibilitando a participação de convidados de diferentes localidades em bancas e apresentações. Isso é muito positivo.  

Outra novidade implementada foi a realização de seleções de forma remota, atividade que, antes da pandemia, era exclusivamente presencial. Em sinergia, a CGE, o Campus Virtual Fiocruz e o uso de algumas ferramentas já disponíveis apoiaram e contribuíram para que os programas de pós-graduação se reinventassem também nesse quesito. Destaco o processo seletivo do Programa Educacional Vigilância em Saúde nas Fronteiras (VigiFronteiras – Brasil), que está em curso, e inaugura o Sistema de Integrado de Educação da Fiocruz (Sief).

De acordo com o Plano de Desenvolvimento Institucional da Educação da Fiocruz (PDIE 2021 – 2025), o novo sistema de informações integrado e unificado para a gestão acadêmica visa conferir mais agilidade e flexibilidade à integração dos diferentes processos educacionais, de vários níveis e complexidade, destacando também modelos transversais, multidisciplinares e interativos, permitindo que todo processo, desde a inscrição até a disponibilização de links para as etapas de prova e entrevista, seja realizado de forma remota.

Campus Virtual Fiocruz: Como você avalia o último ano da Educação para a instituição?

Cristina Guilam: Procuramos manter a conexão entre os diversos segmentos da comunidade Fiocruz. Há uma necessidade essencial em se manter aulas e outras tarefas acadêmicas mas, para além disso, a conexão nos permite manter laços, formas de comunicação, enfim, elementos para não nos sentirmos tão isolados. Precisamos compartilhar medos, inseguranças, mas, sobretudo, conhecimento científico e esperança.

Posso afirmar que ao longo do último ano nos superamos. Conseguimos manter as ações de educação, contando com firme apoio dos docentes, alunos, funcionários das secretarias acadêmicas (Seca) e outros envolvidos nos processos educacionais.

Entre muitas iniciativas, podemos destacar ações fundamentais para a continuidade das ações educacionais: o Programa de Inclusão Digital; a implementação de disciplinas transversais para programas de pós-graduação e para alunos estrangeiros; curso online para auxiliar planejamento escolar e gestores educacionais e sobre educação remota; disponibilização de manuais e guias sobre tecnologia educacionais e recursos educacionais abertos, entre eles sobre a Plataforma Moodle; bem como a manutenção e estímulo para a realização de debates virtuais e outros eventos, como o Fiocruz Acolhe e a série Encontros Virtuais de Educação, proporcionando a interação entre alunos e docentes no momento em que os programas de pós-graduação se organizavam para a oferta de atividades correntes.

O trabalho desenvolvido pelo Campus Virtual Fiocruz foi bastante relevante. Em menos de um ano, elaborou e publicou seis cursos online e gratuitos específicos sobre a Covid-19, fomentando também o aumento de Recursos Educacionais Abertos (REA) cadastrados na Plataforma Educare, com destaque para as inserções sobre a temática da Covid-19. A plataforma de cursos já conta com cerca de 300 mil alunos. Tais números ratificam o compromisso do Campus Virtual Fiocruz com a qualificação de profissionais de saúde para o SUS e o Sistema de CT&I.

Também precisamos destacar o papel de acolhimento aos estudantes que o CAD vem desempenhando, além do contato próximo que mantivemos com os alunos estrangeiros, por meio de uma forte parceria com o Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris).

Conheça algumas iniciativas da Fiocruz na área da Educação:

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