Dando seguimento ao 2º Ciclo de Treinamentos Virtuais da Biblioteca de Manguinhos, foi divulgado pela biblioteca o calendário do mês de agosto, articulado em parceria com a Elsevier. Os treinamentos ocorrerão nos dias 2, 9 e 16 de agosto, a partir das 14h. Realize aqui a sua inscrição para o evento online.
O primeiro treinamento será realizado no dia 2 de agosto e será focado na Embase, uma base de dados de pesquisa e de literatura biomédica internacional. É versátil, multipropósito e sob constante atualização. Na Embase, poderá elaborar revisões sistemáticas abrangentes e tomar decisões bem informadas para a medicina baseada em evidências. Além de acompanhar estudos de farmacovigilância e toxicologia, o desenvolvimento de dispositivos médicos, entre outros. Todos os artigos são indexados em profundidade através do Emtree®, o tesauro de Ciências da Vida da Elsevier.
O segundo ocorrerá no dia 9 de agosto e abordará a Scopus e a Science Direct. A Scopus é a maior plataforma referencial de resumos e citações do mercado, com mais de 84 milhões de registros provenientes de mais de 7.000 editoras. A plataforma tem poderosas ferramentas de descoberta e análise nas mãos de pesquisadores, bibliotecários, gerentes de pesquisas institucionais e financiadores. Já a ScienceDirect é a plataforma líder de textos completos de literatura científica revisada por pares que ajuda você a avançar em sua pesquisa contando com mais de 4.300 periódicos e 39.000 títulos de livros publicados pela Elsevier.
O treinamento será encerrado no dia 16 de agosto com a Mendeley, um gestor de referências gratuito que apoia no armazenamento, organização e compartilhamento de documentos/referências contidos em uma biblioteca pessoal. Com os plugins, Mendeley Cite-O-Matic & Mendeley Cite, é possível inserir citações e a lista de referências em diferentes estilos para apoiar na escrita científica.
Inscreva-se já para o 2º Ciclo de Treinamentos Virtuais da Biblioteca de Manguinhos!
A Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) informa que estão abertas as inscrições para a segunda edição do evento internacional Zebrafish as Experimental Model for Research. O objetivo é apresentar as atualizações e avanços em diferentes campos experimentais utilizando o zebrafish. O webinar é direcionado a estudantes de graduação e pós-graduação que trabalham com o zebrafish. O evento será realizado de 3 a 7 de outubro. Faça a inscrição no site do evento.
O webinar é uma iniciativa do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, com a participação da Fiocruz por meio do Laboratório de Fisiologia e do Biotério Zebrafish do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS). O encontro contará com pesquisadores de destaque representando a América Latina, Europa, América do Norte, Ásia e Oceania para uma discussão do uso do zebrafish em diferentes áreas do conhecimento
Os estudantes interessados em apresentar seu trabalho no webinar podem gravar um vídeo de dois minutos descrevendo seu trabalho. Os melhores serão selecionados para uma apresentação de 40 minutos.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) anunciou sua adesão ao primeiro edital da Iniciativa Amazônia+10, um programa de desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) na Amazônia Legal criado pela Fapesp, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de C,T&I (Consecti) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). A Iniciativa Amazônia+10 foi anunciada durante o último Fórum Nacional Consecti & Confap 2022, realizado em Manaus, capital amazonense. O objetivo da chamada é apoiar a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico sobre os problemas atuais da Amazônia que tenham como foco o estreitamento das interações natureza-sociedade para o desenvolvimento sustentável e inclusivo da região. O período de submissões estará aberto no SisFaperj até o dia 10 de agosto.
Nesta edição, participam até agora, pelo menos 18 FAPs e outros órgãos de fomento, totalizando um investimento de mais de R$ 50 milhões. As propostas devem ter a participação de pesquisadores responsáveis de pelo menos três Estados das FAPs que aderiram à chamada, um deles sendo obrigatoriamente vinculado a ICTs situadas nos Estados da região amazônica. Os projetos deverão ter duração de 36 meses e deverão propor soluções voltadas para a comunidade e produzidas junto à população local.
O presidente da Faperj, Jerson Lima, destacou a importância da Iniciativa Amazônia+10. "A Iniciativa deverá mobilizar os pesquisadores fluminenses a se juntarem aos pesquisadores da Amazônia legal e ainda de outros estados da Federação, de forma a estudarem e proporem soluções concretas baseadas no conhecimento científico e na experimentação, atendendo assim aos diferentes desafios da região, sempre priorizando o desenvolvimento sustentável das populações locais", disse.
A Faperj, portanto, aportará um total inicial de R$ 5 milhões, destinados a apoiar até 17 projetos de pesquisa nos moldes do Auxílio à Pesquisa (APQ 1). As propostas envolvendo equipes fluminenses devem ser compostas por pelo menos três pesquisadores vinculados a pelo menos duas instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) do Rio de Janeiro. O período de submissões estará aberto no SisFaperj até o dia 10 de agosto.
Dúvidas e esclarecimentos deverão ser enviados através do email oficial da chamada: amazonia10@faperj.br
Confira, a seguir, as orientações aos proponentes das FAPs participantes, publicadas no site do Confap. Os interessados devem se atentar às regras de elegibilidade e submissão, pois a não aderência às regras descritas tornará a proposta não elegível para prosseguimento às demais etapas de análise: https://confap.org.br/pt/editais/59/chamada-de-propostas-n-003-2022-iniciativa-amazonia-10
Veja, igualmente, as diretrizes para submissão de propostas pela Faperj: CHAMADA DE COOPERAÇÃO CONJUNTA - INICIATIVA AMAZÔNIA +10 – CONFAP 2022 – DIRETRIZES FAPERJ
A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fundação Oswaldo Cruz (VPEIC/Fiocruz), Cristiani Machado, falou sobre o funcionamento dos sistemas de saúde públicos em alguns países. A temática foi tratada no programa Sala de Convidados, em 14 de julho. A entrevista está disponível no site do Canal Saúde e também no canal do Youtube.
Durante a pandemia, percebemos a importância de se ter um sistema universal de saúde. Também vimos que muitos países com economia forte não ofereceram amparo igualitário no acesso ao atendimento médico e à vacinação.
Como o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, não há igual, cerca de 80% da população depende exclusivamente dele. O sistema de saúde pelo mundo enfrenta muitos desafios, mas também pode servir de exemplo para o aprimoramento da nossa saúde pública.
Cristiani Machado destaca que um sistema universal significa que a saúde é conhecida como um direito de todos. “Todas as pessoas podem acessar serviços e ações de saúde conforme a sua necessidade, sem ter que pagar por isso, independentemente do problema de saúde que ela tenha”, afirma Cristiani.
O sistema de saúde do Brasil foi inspirado no sistema de saúde inglês, criado no pós-guerra, por ser um sistema universal, abrangente, financiado por impostos gerais. Mais do que isso, o SUS foi criado no âmbito de uma concepção de seguridade social, com a lógica de direito e não de caridade.
“O SUS foi proposto no meio dos debates de redemocratização do país, com a participação de movimentos sociais, do movimento sanitário brasileiro, que fazia uma crítica das políticas sociais e daquele sistema de saúde que era ineficiente, caro e atendia só uma parte da população brasileira”, explica Cristiani.
“Temos que enfrentar os desafios do SUS para aprimorá-lo, para superar os problemas. A perspectiva de um sistema universal que nós temos é muito relevante para o nosso país, orienta Cristiani Machado.
A Fiocruz recebeu uma comitiva da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, composta pelo diretor do Programa de Saúde Global da instituição, Gilbert Collins, da coordenadora de Mobilidade e Estágios, Meaghan Tohill, da pesquisadora Arbel Griner e de Aimee Bronfeld, da equipe de comunicação. O grupo foi recepcionado por representantes da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz) e visitou unidades da Fundação nas quais estagiários da instituição norte-americana desenvolvem trabalhos como parte de um programa de intercâmbio entre Princeton e a Fiocruz.
No primeiro dia de visita foi realizada uma reunião de trabalho, coordenada pela vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Cristiani Vieira Machado, e pela coordenadora-geral de Educação, Cristina Guilam, e que contou com as presenças de Pedro Burger, do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), e de outros membros da VPEIC. O diretor do Programa de Saúde Global de Princeton, Gilbert Collins, demonstrou interesse em ampliar a cooperação com a Fiocruz e apresentou a possibilidade de receber na universidade norte-americana alunos de pós-graduação da Fundação já no ano que vem.
“A participação no programa de Global Health abre a perspectiva de expansão da cooperação com a Universidade de Princeton, também por meio do futuro intercâmbio de estudantes de pós-graduação e desenvolvimento de atividades de pesquisa em parceria com diversas unidades da Fiocruz, além das envolvidas nesse primeiro ano. É uma oportunidade de fortalecer a cooperação internacional com uma universidade de excelência e que trabalha com ênfase na interdisciplinaridade”, ressaltou Cristiani Machado.
A comitiva visitou os seis estagiários e seus supervisores - a sétima estagiária que compõe o grupo de alunos de Princeton vai iniciar as atividades na Fundação em agosto. Collins conheceu os locais de trabalho dos estagiários, conversou com os supervisores sobre o desempenho deles e destacou possibilidades de interação acadêmica e de pesquisa com Princeton. Os alunos da instituição norte-americana estão baseados em várias unidades da Fiocruz.
'Visão muito abrangente sobre os desafios da saúde'
O grupo de Princeton foi acompanhado por representantes da VPEIC em visita ao Instituto de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). O objetivo foi conhecer o aproveitamento dos alunos que participaram da primeira edição do programa de intercâmbio acadêmico entre as instituições. Collins disse que a universidade está muito satisfeita com essa primeira edição do programa e que tem certeza que os alunos terão a oportunidade de conhecer os desafios de saúde de um país da proporção do Brasil.
“Essa parceria vai proporcionar aos alunos uma visão muito abrangente sobre os desafios da saúde, porque aqui se faz atendimento clínico, pesquisa e trabalha-se com a saúde pública”. A equipe de Princeton também gravou vídeos com entrevistas com os estagiários, em que contam um pouco suas experiências e expectativas na Fundação.
*Fotos: Renan Melgaço
Divulgado resultado da chamada interna para apresentação de projetos que visem a organização de ações e atividades abertas à população e dirigidas ao público não especializado durante a 19ª SNCT. Ao todo, nove unidades ou escritórios regionais foram contemplados. Os projetos aprovados na chamada foram, obrigatoriamente, coordenados por profissionais lotados nas unidades e escritórios localizados fora do Estado do Rio de Janeiro. A iniciativa - organizada pela Presidência da Fundação Oswaldo Cruz, por intermédio da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic) - buscou estimular a participação das unidades técnico-científicas e escritórios regionais da Fiocruz localizados fora do Estado do Rio de Janeiro em iniciativas de divulgação e popularização da ciência durante a 19ª Semana Nacional de Ciência Tecnologia (SNCT) 2022.
A SNCT 2022 acontecerá entre os dias 17 e 23 de outubro de 2022, com o tema Bicentenário da Independência: 200 anos de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil.
A VPEIC, em consonância com as principais finalidades da SNCT, apoiará projetos que visem promover eventos e ações de divulgação e popularização da ciência que estimulem a curiosidade científica, o caráter inquiridor e o pensamento crítico dos cidadãos; elaborar ações abrangentes de divulgação e socialização de conhecimentos científicos, não apenas originários de estudos e pesquisas acadêmicas, mas dos saberes e fazeres dos povos e comunidades tradicionais; e estimular a livre circulação e apropriação do conhecimento em todas as camadas da sociedade brasileira, em especial as socialmente vulneráveis.
A chamada busca ainda fomentar a realização de atividades e a produção de material para divulgação junto a meninas e mulheres; promover ações e programas participativos e plenamente acessíveis, que visem à ampliação da abrangência, da circulação e da multiplicação de atividades institucionais de divulgação e popularização da ciência; além de valorizar eventos científico-culturais e ações de divulgação e popularização da ciência, que estimulem práticas interdisciplinares ou transdisciplinares como
palestras, cursos, oficinas, mostras, exposições, festivais, concursos, desafios, atividades que conectem arte e ciência e outras ações de divulgação para o público em geral ou setores específicos; e busca, por fim, aumentar o número de municípios e estados que desenvolvem atividades e eventos de popularização da ciência, bem como do público atendido e sua abrangência.
O total de recursos financeiros disponíveis para essa Chamada Interna é de até R$130.000,00 (cento e trinta mil reais). Os recursos solicitados pelos proponentes poderão ser atendidos no todo ou em parte. As unidades técnico-científicas e escritórios regionais participantes devem, obrigatoriamente, disponibilizar como contrapartida infraestrutura, suporte tecnológico por meio de recursos e equipes de TI (tecnologias da informação), e assessoria de comunicação social.
A Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação, por meio da Coordenação-Geral de Educação da Fundação Oswaldo Cruz (CGE/VPEIC/Fiocruz), divulga a lista de propostas homologadas à chamada para apoio à realização de cursos de curta duração com abrangência internacional. A iniciativa, cujo objetivo é oferecer recursos para apoiar a realização de cursos internacionais promovidos por programas de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz, se dá no âmbito do Programa de Excelência no Ensino e do Programa Institucional de Internacionalização (PrInt).
Acesse aqui o documento de homologação das inscrições de propostas à chamada!
+Veja também: lista completa de todos os documentos da chamada interna
A chamada visa contribuir para o processo de internacionalização da pós-graduação stricto sensu. Para tanto, busca atrair professores e outras lideranças internacionais, que tenham destacada produção científica e tecnológica, para contribuir com a inovação dos PPGs e a excelência da educação na Fiocruz, e sejam atuantes e residentes no exterior para ministrar cursos de curta duração com abrangência internacional no âmbito dos PPGs stricto sensu da Fiocruz, transformando a carga horária do curso em créditos para os alunos.
Vale ressaltar que somente serão consideradas as propostas enviadas, exclusivamente, através do formulário eletrônico disponibilizado pela chamada: https://forms.office.com/r/R97MCLwHMM com uso de endereço eletrônico (e-mail) institucional, que tenha acesso
a conta Microsoft, podendo ser do docente proponente, da secretaria acadêmica ou da coordenação do PPG, anexando todos os documentos em PDF obrigatórios à candidatura, até
a data limite prevista no cronograma, enviados em uma única inscrição por candidato.
Acesse a chamada e confira todos os requisitos para a candidatura de uma proposta:
https://campusvirtual.fiocruz.br/portal/?q=content/65330
*matéria publicada em 8/7/2022 e atualizada com a prorrogação da chamada em 5/8/2022 e com a lista de inscrições homologadas em 15/8/2022.
*imagem: montagem base Freepik
O diálogo entre os diferentes saberes, sejam eles científicos, populares ou ancestrais, pode produzir conhecimento e saúde. A educação popular no SUS atua na valorização das experiências de vida e trabalho como espaços de aprendizagem e reconhece outras áreas para além dos limites dos laboratórios acadêmicos, como a arte, a espiritualidade, e a cultura como importantes para a criação de vínculo e exercício do cuidado entre profissional e usuário.
No primeiro fim de semana de julho, os alunos da Especialização em Educação Popular em Saúde na Promoção de Territórios Saudáveis e Sustentáveis da Escola de Governo Fiocruz – Brasília apresentaram seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) e participaram do Seminário que marcou o encerramento desta formação. Em tese, pois o coordenador do curso, Osvaldo Bonetti, ressaltou que o aprendizado não se encerra, pois os profissionais construíram uma rede de conhecimento e afeto a partir de um curso que integrou várias instituições e, em formato online, possibilitou a participação de alunos de 13 estados brasileiros. “A Educação Popular tem o sentido de construção de comunidades a partir do trabalho de cada um e isso deve continuar após o curso,” ressaltou.
Este foi um dos cursos da Escola de Governo Fiocruz – Brasília que originalmente foi organizado com aulas presenciais porém, devido à pandemia foi realizado online. Estruturado em módulos denominados de Trilhas Metodológicas, os conteúdos seguiram os seguintes eixos da Política Nacional de Educação Popular em Saúde no SUS: Participação, controle social e gestão participativa; Formação, comunicação e produção de conhecimento; Cuidado em saúde e intersetorialidade e diálogos multiculturais. Ao longo das 450 horas de atividades (sendo uma parte teórica – metodológica e outra parte chamada de Tempo Comunidade, com as atividades de dispersão e atuação nos territórios) os alunos puderam aprender mais sobre a determinação social e qualidade de vida, as singularidades dos seus locais de atuação, as origens das situações-limite vivenciadas pelas pessoas e também identificaram as potencialidades para construir ações em diferentes realidades, relacionando a teoria da sala de aula virtual com o que acontece onde as pessoas vivem.
Mística ao vivo
Emoção, alegria, danças, cantos, rituais, muitos abraços e depoimentos fortes sobre a realização do sonho de se formar pela Fiocruz marcaram as atividades. Os relatos dos estudantes ultrapassam o que está descrito no projeto do curso e ganharam bastante espaço.
Na quinta-feira, 30 de junho, reunidos na área externa da Fiocruz Brasília, puderam conhecer pessoalmente cada um dos 31 colegas que compartilharam as diferentes janelinhas das salas online, antes dos dias de apresentação dos TCCs. Na ocasião, o responsável pela Coordenação do Colaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS) da Fiocruz Brasília, Wagner Martins destacou que a saúde não deve ser encarada só como um setor, mas como vida, e que toda iniciativa de formação deve ser implementada da melhor maneira possível, com conexão intersetorial sem ficar “encastelada no SUS”. Segundo ele, a pandemia abriu uma janela de possibilidades e mostrou que não se pode pensar na economia sem pensar na vida, pois “a economia garante as necessidades da vida”, disse, ressaltando que a virtualidade durante o curso foi potente ampliando o alcance dos conteúdos e suas conexões.
A Educação Popular é uma referência no Projeto Político-Pedagógico da EGF-Brasília e, segundo sua diretora Luciana Sepúlveda, é esperado que ela atravesse as relações de cada aluno. “Essa formação é um marco em um momento de tanta desestruturação na saúde pública. Entre tensionamentos, que possamos repetir essa experiência”, disse. A atividade contou ainda com a presença da vice-diretora da Fiocruz Brasília, Denise Oliveira e Silva, que comentou como foi rico perceber conexões entre o sagrado e o aprendizado, demonstrando uma ciência conectada com o racional mas também mais humanizada. “É interessante perceber que a educação é diferenciada quando o aluno vive a sua experiência. O grande trabalho desse curso começa agora”, ressaltou.
Da Assessoria Pedagógica, Etel Matielo destacou que a formação amplia a leitura do mundo dos estudantes, transformando não só sua prática profissional mas também o olhar para as comunidades e territórios onde estão atuando. “Ao longo do curso se perceberam como educadores populares, atuando de forma integrada com seus colegas de curso, colegas de trabalho e de outros processos formativos. O curso potencializou a importância da atuação coletiva. Enquanto educadores e participantes dos Movimentos de Educação Popular em Saúde percebemos que a formação contribui para a implantação da Política Nacional de Educação Popular em Saúde, nos diferentes territórios em que estão inseridos, assim como para a defesa do SUS”, ressaltou.
O curso é uma iniciativa da Fiocruz Brasília, por meio do Programa de Promoção à Saúde, Ambiente e Trabalho e da Plataforma de Inteligência Cooperativa com a Atenção Primária (Picaps). Após os ajustes e entrega dos TCCs para a Secretaria Acadêmica, eles serão depositados no repositório Arca, da Fiocruz. Parte deles será tema de edições do “Fala aê, especialista!”, produto de divulgação científica da Fiocruz Brasília que compartilha os resultados dos alunos em uma linguagem acessível e interessante.
Desde o primeiro trimestre do ano, pesquisadores, especialistas da área e a grande mídia vêm alertando para o aumento dos casos de dengue no país. Dados do último Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde apontam que o Brasil registrou 504 mortes pela doença até o início de junho. Além disso, o InfoDengue Fiocruz, contabilizou mais de 700 mil casos de dengue, superando o total do ano passado. Segundo a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Andrea Sobral, esse grande aumento do número de casos já configura um surto da doença em todo o território nacional, e pode estar relacionado à redução de medidas e ações de prevenção para o controle da doença durante a pandemia de Covid-19, aliada a condições favoráveis do clima, como chuvas intensas e prolongadas e o calor, além de locais com maior vulnerabilidade das habitações nas cidades, especialmente em áreas empobrecidas.
O Campus Virtual Fiocruz lembra que, em parceria com o Ministério da Saúde, disponibiliza o curso online e gratuito InfoDengue e InfoGripe: Vigilância epidemiológica de doenças transmissíveis. A formação tem foco na atualização de profissionais da vigilância em saúde das secretarias municipais e estaduais de Saúde, mas é aberto a todos os interessados na temática.
O cenário apresentado pelo InfoDengue - sistema de monitoramento de arboviroses desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz e pela Fundação Getúlio Vargas - ressalta a importância de observar o comportamento do mosquito e manter o controle para evitar os focos da dengue e combater o vetor. O curso do CVF busca disseminar conceitos teóricos do monitoramento de doenças transmissíveis, assim como instrumentalizar profissionais para a tomada de decisão em salas de situação dedicadas à vigilância de arboviroses urbanas e de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG).
Em entrevista ao Informe Ensp, Andrea Sobral, que também é coordenadora acadêmica do Programa VigiFronteiras-Brasil, falou sobre os motivos para o atual surto, a influência da pandemia de Covid-19 na notificação e nas ações de prevenção e controle, além das ações para redução do número de casos da dengue e outras arboviroses. Para ela, dados do InfoDengue (sistema de monitoramento de arboviroses desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz e pela Fundação Getúlio Vargas), tem-se observado que a doença vem se espalhando em áreas onde não havia registro, em especial nas cidades da região Sul do país.
Na opinião de Andrea, é extremamente relevante intensificar as ações de prevenção de responsabilidade do poder público que envolvam a eliminação dos criadouros do mosquito, com atuação importante das equipes de endemias/vigilância de campo dos municípios monitorando os domicílios, e também campanhas que mobilizem a população a revisar, de forma periódica, suas casas/domicílio (medidas que apontem a necessidade de evitar acúmulo de lixo e água parada que contribuem para a proliferação do mosquito). A lógica é reduzir focos para reduzir o número de casos da doença. Além disso, é necessário reforçar os serviços públicos de saúde a fim de conseguir acolher os pacientes com complicações da dengue.
+Leia aqui a entrevista completa: Brasil tem alta de casos de dengue, zika e chikungunya
Os módulos desenvolvidos no curso compreendem textos, vídeos e áudios, organizados com bastante dinamismo e interação. Por meio de todos esses recursos, aliado ao fórum permanente de interação entre alunos, a ideia da formação é proporcionar um ambiente agradável e rico para o estudo e a compreensão de conceitos teóricos e práticos aplicados ao monitoramento de doenças transmissíveis, incluindo número reprodutivo, receptividade ambiental, limiares epidêmicos, e nowcasting, novo conceito que busca identificar cenários de risco e a leitura-interpretação dos boletins dos sistemas InfoDengue e Infogripe em diferentes contextos.
O curso é dividido entre as bases da epidemiologia e vigilância, e as práticas específicas dos sistemas de Vigilância e de Informação. Aos participantes, ainda é possível se aprofundar nos aspectos mais técnicos das metodologias analíticas desenvolvidas e adaptadas para a geração de alertas epidemiológicos para arboviroses e SRAG implementadas no Infodengue e Infogripe pelo e-book “Métodos analíticos dos sistemas Infodengue e Infogripe”.
A coordenação acadêmica do curso está a cargo da pesquisadora da Fiocruz, Cláudia Torres Codeço, que também é coordenadora do InfoDengue. A formação integra uma iniciativa do Ministério da Saúde para a capacitação de profissionais da saúde que trabalham em vigilância de arboviroses e síndromes gripais.
Segundo Cláudia, muitas doenças de importância em saúde pública foram de certo modo negligenciadas em 2020 e 2021 por razões óbvias como consequência da pandemia de Covid-19. No entanto, arboviroses urbanas e outras síndromes respiratórias, como a Influenza, são agravos com potencial epidêmico em nosso país. Ela apontou ainda que "alguns sistemas de alerta, como o Infodengue e o Infogripe, têm contribuído para o monitoramento desses agravos, porém, é possível explorar muito mais deles para a vigilância epidemiológica dos municípios e estados brasileiros". Um projeto para avaliar mudanças no padrão de temperatura do país e possível associação com o aumento da temporada de dengue também já está em desenvolvimento pelo InfoDengue.
A Fiocruz vai receber um grupo de estudantes americanos vindos da Universidade de Princeton, Estados Unidos. O intercâmbio é fruto de um memorando de entendimento entre as instituições e receberá, ao todo, sete estudantes que atuarão em cinco de nossas unidades. Os quatro primeiros integrantes da comitiva chegaram à Fundação em 9 de junho e foram recepcionados com uma aula sobre a história da Saúde no Brasil, proferida pelo pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) Gilberto Hochman, que é também professor do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde e pesquisador (PPGHCS/COC). Os estudantes ficarão na Fiocruz por oito semanas. Os outros três integrantes da missão chegarão na instituição no mês de julho.
O objetivo do memorando de entendimento entre a Universidade de Princeton e a Fiocruz é estabelecer um ambiente cooperativo e definir, em comum acordo, as bases da cooperação internacional a ser desenvolvida nas áreas de ensino, pesquisa e intercâmbio de estudantes no campo da saúde.
Neste primeiro ano, cinco unidades da Fiocruz receberão estudantes
A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado, destacou o fato de Princeton ter um Programa de Saúde Global bastante expressivo e de caráter interdisciplinar, lembrando que os estágios de verão (summer internship) estão entre suas ações. “Nessa estratégia de fortalecimento da nossa parceria, a expectativa é que os estagiários conheçam o trabalho desenvolvido pela Fiocruz em suas diversas áreas de interesse, tenham a vivência da inserção em projetos de pesquisa, além de colaborarem com elas, sendo uma experiência profissional rica e de muito aprendizado para esses estudantes”, disse Cristiani entusiasmada.
Neste primeiro ano, os estagiários desenvolverão pesquisas no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), sob a coordenação de Leticia Lery e Roberta Olmo; na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) com Carlos Machado; na Casa de Oswaldo Cruz com André Felipe Cândido da Silva; no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) com Marcos Nascimento, Adriana Castro e Paula Gaudenzi; e no Instituto Nacional de Doenças Infecciosas Evandro Chagas (INI/Fiocruz) com Claudia Valete e Rodrigo Menezes. Os temas tratados serão Resistência antimicrobiana; Pesquisa em hanseníase; Redução de riscos de desastres na saúde; História, ecologia e saúde no antropoceno; e saúde pública e pesquisa aplicada na área da saúde da mulher, criança e adolescente.
Outro propósito da iniciativa, segundo Cristiani, é estreitar a nossa cooperação com a Universidade, “envolvendo outras ações de mobilidade de estudantes, de lá pra cá e daqui pra lá. Essa é a primeira experiência da Summer School de Princeton com a Fiocruz, mas, para além disso, pretendemos ampliar essas estratégias de intercâmbio e de mobilidade e, se possível, em um momento futuro, avançar para outras iniciativas conjuntas mais profícuas, como temos com diversas outras instituições internacionais, incentivando a mobilidade de estudantes de pós-graduação e abarcando o intercâmbio de pesquisadores visitantes”, comentou.
Após quase um mês do início desta ação, em 11/7, a Fiocruz receberá o diretor dos Programas de Pós-graduação de Saúde Global da Universidade de Princeton, Gilbert Collins, para uma agenda estratégica que prevê uma série de reuniões de acompanhamento dos estagiários, visando o debate conjunto de novas iniciativas, e, sobretudo, o fortalecimento da parceria entre as instituições.
A cooperação internacional com a Universidade de Princeton
A iniciativa surgiu a partir de uma visita da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, em outubro de 2021, à Universidade de Princeton, quando ela quando participou de um colóquio sobre saúde global na instituição. O memorando de entendimento foi acordado pela presidência da Fiocruz, mas a condução de todo o processo está a cargo da Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fundação.
Já no âmbito desta cooperação, em abril de 2022, dois pesquisadores da Fundação, um do INI e um do IOC, estiveram em Princeton participando de um seminário sobre resistência microbiana. Após o convite de Princeton para a Summer School, Cristiani contou que diferentes áreas foram mobilizadas para receber os alunos neste estágio de verão, pelo período de dois meses. As vagas foram desenhadas nos campos de interesse manifestados por Princeton, que selecionou os estudantes num processo anual tradicional da instituição.
A vice-presidente salientou ainda que a iniciativa está em consonância com a Política de Internacionalização da Fiocruz, que visa fortalecer laços e parcerias com instituições acadêmicas de excelência e cooperações Norte-Sul e Sul-Sul, e, mais especificamente, com as políticas de internacionalização do Ensino e com o envolvimento do maior número possível de programas de pós-graduação e unidades. “Neste momento, os estagiários estão na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, como uma primeira experiência, mas já adiantamos para Princeton o nosso interesse em estender os summer internship para unidades da Fundação de outros estados do Brasil”, concluiu Cristiani.
Imagens: Jeferson Mendonça, fotógrafo da COC/Fiocruz