Um grande mosaico de conhecimento, partilha, aprendizado, orgulho e gratidão. Assim foi desenhado o encontro da Fiocruz em homenagem aos contemplados na edição 2021 dos Prêmios Capes de Teses, Oswaldo Cruz de Teses e Medalha Virgínia Schall de Mérito Educacional. A cerimônia, marcada pela emoção, aconteceu no Dia do Mestre, 15 de outubro, e foi também uma homenagem a todos que diariamente dedicam-se à educação brasileira, especialmente ao desenvolvimento e fortalecimento da saúde, ciência e tecnologia, áreas que tanto sofrem restrições neste país. A íntegra do evento, que contou com abertura e encerramento feitos pela Orquestra de Câmara do Palácio Itaboraí, está disponível no canal da Fiocruz no Youtube.
“Hoje deveria ser um dia apenas de congraçamento, mas que ele seja também parte da mobilização em defesa da Ciência”, conclamou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, evidenciando que a mobilização sem o efetivo reconhecimento por meio de recursos que garantam essas atividades é apenas discurso vazio.
Além da presidente, integraram a mesa de abertura, a Coordenadora-Geral de Educação, Cristina Guilam, o coordenador de Articulação Política da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG-RJ), Emanuel Rodolpho Moura Batista de Oliveira; a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN), Mychelle Alves Monteiro e a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Cristiani Vieira Machado, que falou sobre o quanto as premiações e também esse momento de celebração com os estudantes e docentes são especiais para a Fiocruz.
Professor, pesquisador e referência na saúde coletiva brasileira
O contemplado na edição 2021 com a Medalha Virgínia Schall de Mérito Educacional foi o docente e pesquisador aposentado do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco) e professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Eduardo Maia Freese de Carvalho. A sua homenagem foi conduzida pela coordenadora-geral adjunta de Educação da Fiocruz, amiga, aluna e grande admiradora de Freese, Eduarda Cesse, que na ocasião, trouxe também diversos depoimentos de ex-alunos e colegas de trabalho que tem em Freese uma grande referência.
O ganhador da Medalha Virginia Schall nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1950. Formou-se em Medicina pela UFPE, especialista em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), mestre em Medicina Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Ciências Sociossanitárias pela Universidad Complutense de Madrid, Espanha. Eduardo é pai de cinco filhos e avô de oito netos.
Em sua trajetória acadêmico-científica e na gestão, Eduardo empregou sua capacidade de articulação junto a lideranças nacionais, participou de projetos e se engajou no movimento sanitário nas décadas de 1970 e 1980, que foram determinantes para o desenvolvimento da área da Saúde Coletiva e da Saúde Pública no país. Foi o principal articulador da fundação do Departamento de Saúde Coletiva (Nesc) do Instituto Aggeu Magalhaes, liderando-o de 1987 a 1989 e de 1995 a 2000. Ele também fundou o Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da instituição em 1996, foi vice-diretor de Ensino de 1999 a 2007 e dirigiu do IAM de 2007 a 2013. Produziu conhecimentos ao realizar e coordenar pesquisas no Laboratório de Avaliação, Monitoramento e Vigilância em Saúde (LAM-Saúde), em áreas como epidemiologia das doenças crônicas não transmissíveis, avaliação de programas e serviços de saúde e transição epidemiológica, demográfica e nutricional em parceria com instituições nacionais e internacionais.
Freese orientou ainda 33 dissertações de mestrado e 18 teses de doutorado, contribuindo para a formação de profissionais para o Sistema de Saúde do Nordeste, especialmente para Pernambuco. Publicou 90 artigos, organizou e publicou cinco livros e teve 35 capítulos divulgados em obras da área da Saúde Pública. Em 2002, recebeu a Medalha Hortênsia Hurpia de Hollanda como reconhecimento ao seu pioneirismo e inovação do ensino no IAM. E neste ano de 2021, recebeu a Medalha Virginia Schall de Mérito Educacional ao professor Eduardo Freese.
“Eduardo, você é um grande professor e nenhuma medalha seria tão adequada. Você tem nosso respeito, carinho e enorme gratidão por tudo que realizou e continuará a realizar”, disse a presidente da Fiocruz ao amigo Eduardo Freese, que agradeceu a Nísia e toda equipe gestora, docentes e pesquisadores que vem trabalhando de forma unida neste difícil momento de enfrentamento da pandemia. "Agradeço especialmente aos gestores dos vários centros regionais, que são fundamentais para garantir a dimensão nacional da Fiocruz, em particular o IAM/Fiocruz Pernambuco pela formação de recursos humanos na região para a área biológica e da saúde pública", disse ele.
Em consonância às falas apresentadas na mesa de abertura, Eduardo destacou também a importância de mais investimentos para o Sistema Único de Saúde nos diferentes níveis de atenção para, assim, garantir o atendimento adequado às necessidades da população de forma descentralizada. Ele finalizou agradecendo a todos os responsáveis por sua formação em saúde pública, à coordenação de pós-graduação e a todos os alunos "com os quais também aprendi muito durante as aulas e orientações dos vários estudos e pesquisas".
Prêmio Capes de Teses e Prêmio Oswaldo Crus de Teses
Em uníssono, alunos premiados e seus respectivos orientadores e coorientadores nos Prêmios Capes de Teses e Oswaldo Crus de Teses falaram sobre dedicação, empenho e gratidão. Muitos lembraram as trajetórias percorridas, contaram histórias de vida que se entrelaçavam com a Fundação desde crianças e alguns rememoraram a entrada na Fiocruz ainda antes da graduação, por meio de programas institucionais de iniciação e vocação cientifica, como Pibic, Pibiti e Provoc.
Prêmio Capes de Tese – Menções Honrosas:
Prêmio Oswaldo Cruz de Teses
Área Ciências Biológicas Aplicadas e Biomedicina
Premiada:
Menção honrosa:
Ciências Humanas e Sociais
Premiada:
Menção honrosa:
Medicina
Premiada:
Saúde Coletiva
Premiada:
Menção honrosa:
Diálogo, participação e questionamento estão nas bases da filosofia de Paulo Freire para a educação, transformação, conscientização e emancipação do indivíduo. Essas foram também as bases da Primavera Paulo Freire, encontro realizado pela Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz para celebrar seu centenário. Durante três dias, o evento promoveu apresentações e reuniu figuras históricas em trocas e debates regados à arte e cultura. Confira as apresentações, que foram transmitidas pelo canal da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz no Youtube.
Música e esperança abrindo a Primavera
A Orquestra de Câmara do Palácio Itaboraí – um projeto do Fórum Itaboraí - Política, Ciência e Cultura na Saúde (Fiocruz Petrópolis) https://forumitaborai.fiocruz.br/ocpit – deu início ao encontro Primavera Paulo Freire, que celebrou o centenário do patrono da educação brasileira, com a interpretação de “Mourão”, de César Guerra – Peixe (1814 – 1993).
“Vê, estão voltando as flores... Vê, há esperança ainda. Vê, as nuvens vão passando. Vê, um novo céu se abrindo. Vê, o sol iluminando. Por onde nós vamos indo...”. Também com música, a coordenadora-geral de Educação da Fiocruz, Cristina Guilam, trouxe “Estão voltando as flores”, de Paulo Soledade, para as saudações iniciais do encontro. Ela contou que o Ipê, considerado a árvore-símbolo brasileira, floresce tradicionalmente no período de seca, quando “está mais estressado e recebendo menos água”. Fazendo, assim, uma analogia da biologia com a potência e força que temos de recomeçar. “A chegada dessa estação é, para mim, também um marco de regeneração e reflorescimento. Por isso quis dividir com vocês essa canção que me acompanha desde a infância, na linda interpretação de Renato Braz com a orquestra Brasil Jazz Sinfônica.
“Estamos vivendo tempos difíceis e precisando muito dessa primavera e, mais do que nunca, precisamos de Paulo Freire”, assegurou a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado. Ela falou sobre a grande influência da educação popular de Freire no Brasil e no mundo, mas destacou a necessidade de seus ensinamentos na pós-graduação. “Todo mundo tem algo a aprender e todo mundo tem algo a ensinar. Essa lógica que parece tão óbvia e, ao mesmo tempo, é tão revolucionária, é a compreensão que falta nas instituições de pesquisa e cursos de pós-graduação. Vemos a reprodução de relações de desigualdades em todos os níveis de injustiças, inclusive nos espaços acadêmicos e de formação".
Cristiani enfatizou ainda a recente aprovação da regulamentação atualizada das ações afirmativas na Fiocruz, apontando a urgência em transformar a pós-graduação de forma substantiva, dando acesso às pessoas, e tornando-a mais diversa para levar a fundo a ideia de radicalização do direito à educação, à cultura, assim como o exercício pleno do direito à cidadania, sobretudo, para transformar esses espaços que ainda são muito conservadores. “Precisamos trabalhar as ideias de Freire nos espaços acadêmicos da Fiocruz, tendo a educação como um ato de amor, um ato de coragem. Precisamos de Paulo Freire!”, conclamou a vice-presidente.
Anita Freire, que, em vídeo, participou do encontro, falou sobre a honra e emoção de ter a Fiocruz homenageando o centenário de Paulo Freire. “Vamos esperançar nessa primavera de ideias, de coisas boas e recados imprescindíveis que Paulo nos deixou. Viva Paulo Freire! Viva a Fiocruz!”.
Caminhadas educativas e libertadoras
O painel “Obra, pensamento e vida de Paulo Freire” reuniu Marcos Arruda, do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs) e Carlos Rodrigues Brandão, do Instituto Paulo Freire. A pesquisadora da Ensp/Fiocruz e uma das organizadoras do evento Katia Reis foi a mediadora da mesa e fez uma convocação-convite a todos os participantes para que permitam que floresça em nossos corações o pensamento de Paulo Freire menino.
Marcos Arruda, que é geólogo, poeta e economista, tornou-se educador popular, especialmente a partir dos quatro anos em que conviveu com Paulo Freire no Instituto de Ação Cultural (Idac), em Genebra. Arruda destacou sua intensa formação com o caminhar e a prática de Freire e ressaltou que o período parece muito maior, pois tudo que aprendeu nessa convivência vem sendo reproduzido em sua vida pessoal e profissional. “Eu tive a honra de ter participado de uma pequena parte de sua vida. No entanto, minha contribuição é modesta e faz parte de um recorte que integra um grande mosaico, que é o movimento de educação para a libertação, que é a vida e a contribuição do Paulo. Não dele sozinho, mas combinado com todos aqueles e aquelas que compartilharam com Freire e com as práticas de uma educação libertadora, além de contribuírem com ele para teorizá-las”.
Arruda contou sobre a sua trajetória, projetos, lugares por onde passou e aprendeu, e também sobre as experiências de educação popular marcadas pelo pensamento e prática de Freire, como assessorias que prestou a movimentos sociais e populares, pastorais de igrejas e inúmeras associações, instituições e governos com o compromisso democrático. Dentre elas, destacou a vivência junto a oposição sindical metalúrgica de Ipatinga, Minas Gerais, na qual buscava colaborar com o empoderamento de jovens sindicalistas. “Era uma grande troca de saberes na qual eles aprendiam comigo e eu com eles e elas. O interessante é você educar no diálogo, na pergunta, na busca de o educando descobrir a sua caminhada e assumir a responsabilidade sobre ela”.
Ele encerrou sua apresentação questionando sobre a facilidade com que todos estão usando a palavra “esperançar”. “Quando falamos isso temos que perguntar imediatamente: esperança em quê? É fundamental termos a resposta. Paulo nos trouxe uma que é revolucionária. Ele defendia o esperar no sentido de acreditar que nós, cada uma e cada um, somos capazes de sair da posição de objeto para nos tornar sujeitos do nosso próprio ver, viver e agir nessa existência. Essa visão implica em darmos um grande salto da condição de oprimido – não para opressor, o que pode acontecer e é um grande risco – para a condição de emancipado. Uma observação imediata sobre isso é que não há emancipação no campo da consciência e do bom senso que não a da teoria com a prática para a ação transformadora, crítica e criativa. É isso que está embutido na metodologia do Paulo”, descreveu Arruda.
A pedagogia do oprimido e a revolução do sujeito
O professor Carlos Rodrigues Brandão também trouxe uma poesia para iniciar a sua apresentação, segundo ele, estimulado pela emocionante abertura do encontro. “A beleza da copa do Ipê” escrito e publicado por ele no livro “Um ipê amarelo e uma paineira branca”, uma compilação de prosas “já tão poéticas” dos textos de Rubem Alves. Brandão mostrou também a biografia de Paulo Freire que escreveu especialmente para as crianças “Sem Terrinha”, meninos e meninas das escolas de lona dos assentamentos do MST: “História do menino que lia o mundo”, que ganhou até uma edição na Colômbia. Ele falou sobre outras obras que publicou ao longo da vida, mas destacou que agora todas estão disponíveis “na nuvem” para quem quiser ter acesso no site: https://apartilhadavida.com.br/.
Carlos Brandão contou histórias e rememorou fatos, como a organização do Movimento da Educação de Base (MEB), do qual ele fazia parte, e deu destaque a criatividade de seus participantes para driblar a repressão e avançar com a alfabetização pelo Brasil subdesenvolvido, incluindo a publicação de livros e cartilhas, como “Viver é lutar”. Acesse aqui outras obras publicadas no âmbito do MEB. Brandão ressaltou o impacto e abrangência das obras de Freire e a educação popular, como “A pedagogia do oprimido”, que está absolutamente vivo, sendo relido e republicado. “Além de ser o livro mais lido no mundo inteiro na área da educação, é o terceiro livro mais lido no mundo na área das humanas em geral. Não sei se há no mundo registro igual”. Brandão leu ainda a carta que Freire escreveu quando mandou os manuscritos de “Pedagogia do oprimido” ao Brasil, que o próprio avaliava como “um livro que pode até não prestar”.
Brandão terminou sua fala descrevendo que existem pedagogias que educam para você ser quem é. Outras que trabalham para que você passe da essência de quem é para a existência de quem pode ser. Mas, de acordo com ele, existe ainda uma pedagogia do oprimido, que defende que não basta que você se transforme individualmente em alguém melhor, mais esclarecido e instruído. “O lugar de aferição, de seu crescimento interior, da sua tomada de consciência, não é você mesmo. É você em seus outros, ao lado, ao redor, junto com eles enquanto sujeitos comprometidos com a transformação do mundo em que vivem. Essa é a revolução”.
“A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender...”
A mesa de abertura contou ainda com duas apresentações de trabalhos culturais, que foram submetidos e aprovados pela comissão avaliadora do evento. A previsão é que, futuramente, todos os trabalhos enviados e aprovados para o evento sejam publicados em um e-book.
A mestre em design da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Ana Claudia Sodré, trouxe para a “Primavera” o cordel "Zefa Quebra Coco e sua filha Moça – a dança que fortalece", iniciativa que se desenvolveu a partir da necessidade de comunicação mais eficaz com as trabalhadoras quebradeiras de coco babaçu do estado do Maranhão, buscando transmitir informações essenciais para a promoção da saúde e para a prevenção dos agravos causados pelo trabalho caracteristicamente árduo e repetitivo realizado por essa classe de trabalhadoras.
A leitura de “Carta a Paulo Freire”, foi realizada por Nilcéia Figueiredo e André Luis Oliveira Mendonça e terminou com a canção de esperança por tempos melhores “Sol de primavera”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, que diz "Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar... Já choramos muito. Muitos se perderam no caminho. Mesmo assim, não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer sol de primavera. Abre as janelas do meu peito. A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender”.
Assista a programação completa da Primavera Paulo Freire:
Quarta-feira - 22 de setembro - tarde:
Peça teatral "Paulo Freire, o Andarilho da Utopia" e Roda de conversa
Vídeo na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=HNgA93Nbjwg
Quinta-feira - 23 de setembro - manhã:
Coral do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco); Poesia; Ciranda de apresentação de trabalhos e debate
Vídeo na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=3iBQU7d1MK4
Quinta-feira - 23 de setembro - tarde
Trio Musical; Leitura: Pedagogia do Oprimido: Sonhando uma nova forma – de livro à narrativa poética performática; Ciranda de apresentação de trabalhos e debate
Vídeo na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=gkmElpaSd9I
Sexta-feira - 24 de setembro
Coral Fiocruz; Leitura de Carta a Paulo Freire “Cartografia”; apresentação de mesas; Rodas de conversa temática com debate (Educação Popular em Saúde e as ideias de Victor Valla – Marize Bastos; Ensino em saúde na perspectiva freiriana – Helena Davi; Formação, trabalho e movimento sindical – a experiência do fórum intersindical - Luiz Carlos Fadel); e Sarau COC/Museu da Vida.
Vídeo na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=T5Q7lJTUBPA
As trajetórias percorridas na educação mudaram muito nos últimos 15 meses devido à pandemia de Covid-19. Muito também se fala das tantas e diversas dificuldades que foram exacerbadas neste novo contexto que estamos vivendo. Mas o que aconteceu com o grupo que desde sempre enfrentou dificuldades para chegar, entrar e permanecer nessa estrada? No Dia da Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, o Comitê Fiocruz pela Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência realizou o encontro "Trajetória inclusivas? O que pessoas com deficiência têm a dizer sobre educação" e lançou o Guia de acessibilidade para as ações educativas na Fiocruz, que está disponível para acesso no Portal Fiocruz.
Segundo a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado, na apresentação do Guia, espera-se que o material seja um instrumento de orientação e suporte às unidades, programas e cursos na promoção de mudanças de vários tipos – de infraestrutura, pedagógicas, atitudinais – necessárias para apoio às pessoas com deficiência que estudem na Fiocruz. "Esse é um processo complexo e gradual, que requer o engajamento coletivo para garantir a todos, conforme previsto em convenções internacionais e na Constituição do Brasil, o direito à dignidade, à cidadania, à saúde e à educação".
O Guia foi elaborado por profissionais do Comitê Fiocruz pela Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência e traz orientações referentes à legislação e às normas vigentes sobre acessibilidade, além de um glossário inclusivo, elaborado com base na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, de 2015, e em outros referenciais de acessibilidade.
Confira aqui a publicação: Guia de acessibilidade para as ações educativas na Fiocruz
Assista, na íntegra, o 5° Encontro do Comitê Fiocruz pela Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência - "Trajetória inclusivas? O que pessoas com deficiência têm a dizer sobre educação", que teve como convidados João Victor Mancini Silvério, educador físico e vice-diretor de Comunicação e Relações Públicas da Associação Reviver Down; Alexandre Clecius, professor de Libras; Cecília Francini, estudante da Unifesp; Fabricio Romero Saavedra, cirurgião dentista formado na Unesa e servidor da Ensp/Fiocruz; além de Armando Nembri, professor, escritor, palestrante e PHD em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ, que foi o mediador do debate.
Mulheres ocupam menos cargos de liderança. Mulheres são a maioria entre os profissionais de saúde. Mulheres ganham menos. Mulheres assumem majoritariamente os cuidados não remunerados e domésticos. Mulheres sofrem mais violências físicas, psicológicas, econômicas e sexuais. Há séculos a desigualdade de gênero é uma realidade global, que foi agravada pela pandemia de Covid-19. Para discutir essa temática, o Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz (Cris) vai realizar, na próxima quarta-feira, 15 de setembro, a partir das 10h, o webinário “Mulheres na saúde global”. O encontro, que acontece no âmbito da série “Seminários Avançados Cris em Saúde Global e Diplomacia da Saúde” é aberto ao público e será transmitido pelo canal da VideoSaúde Distribuidora no Youtube – com tradução simultânea para o inglês.
A mesa de debate é formada por representantes emblemáticas e engajadas na luta pela igualdade e defesa dos direitos das mulheres: Socorro Gross, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) no Brasil; Roopa Dhatt, cofundadora e diretora-executiva da ONG Women in Global Health; Stéphanie Seydoux, embaixadora da França para a Saúde Global; Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz; além de mediação da vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado e comentários de Zélia Maria Profeta da Luz, pesquisadora do Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas) e integrante do Conselho da OMS sobre Economia da Saúde para Todos.
Cristiani lembrou que em muitas sociedades, como, por exemplo, as latino-americanas, essas desigualdades estão entrelaçadas com outras – de classe, renda, raça, territoriais – em uma dinâmica complexa, observando que “embora as mulheres tenham expandido sua participação no mercado de trabalho nas últimas décadas, persistem injustiças, como disparidades salariais e assimetrias na divisão de responsabilidades entre homens e mulheres no trabalho doméstico, cuidado com crianças e idosos, ocasionando sobrecarga importante para as mulheres e constrangimentos a sua trajetória profissional. Acrescente-se ainda o machismo estrutural, e as situações de assédio e de violência contra as mulheres”.
No tocante à pandemia, a vice-presidente ressaltou que a Covid-19 exacerbou as desigualdades de gênero de diferentes formas, entre as de maior destaque estão a sobrecarga importante de trabalho, e exposição ao risco de adoecimento e morte, visto que as mulheres representam a maior parte da força de trabalho no setor saúde na maioria dos países; a significativa redução do emprego, principalmente dos postos informais, de acordo com dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal); bem como o aumento do trabalho doméstico e cuidado com crianças e idosos, principalmente devido à suspensão de aulas e à necessidade de cuidar de familiares acometidos pela Covid-19; e ainda a maior exposição de meninas e mulheres a situações de violência doméstica.
A Fiocruz tem o compromisso com a redução das desigualdades e promoção da equidade social entre suas diretrizes institucionais, incluindo a dimensão de gênero. Muitas são as iniciativas, como a implantação do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça e o Programa Mulheres e Meninas na Ciência na Fiocruz. Para além disso, em 2017, a comunidade institucional elegeu pela primeira vez, em 117 anos, uma mulher como presidente, que foi reeleita para uma nova gestão em 2021.
Nesse sentido, Cristiani apontou como fundamental ouvir e debater esse tema com representantes envolvidas na luta pela igualdade e defesa dos direitos das mulheres. “Precisamos, sobretudo, desencadear agendas de transformação desse cenário, o que requer políticas públicas, iniciativas institucionais e compromissos coletivos. Avançamos em algumas frentes, mas ainda há muitas injustiças e muito a fazer, e isso é o que deve nos mover”, defendeu ela.
Acompanhe a transmissão do Seminário em português:
Acompanhe a transmissão do Seminário em inglês:
O projeto "Saber Comum - Educação a Distância e Divulgação Científica" está com inscrições abertas para duas novas disciplinas: Democracia, Desigualdades e Direitos e Mudanças Climáticas. Interessados podem se inscrever até 16 de setembro. As disciplinas serão realizadas em dois momentos: videoaulas semanais - exibidas na TV Alerj, na NET e no YouTube do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ - e no Ambiente Virtual de Aprendizagem - onde há material de aprofundamento, atividades, debates e interações entre os estudantes. Confira a ementa dos cursos e inscreva-se!
Estudantes da UFRJ, UFRRJ, Uerj, Fiocruz, assim como alunos de outras instituições não participantes da cooperação devem realizar a inscrição por meio de formulário disponível aqui: "Democracia, Desigualdades e Direitos" e "Mudanças Climáticas"
O projeto “Saber Comum - Educação a Distância e Divulgação Científica” é coordenado pelo Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em cooperação com instituições públicas de ensino e pesquisa do Rio de Janeiro: Uerj, UFRRJ, UFF, Unirio e a Fiocruz. Diferentemente de outras iniciativas de educação a distância, o Saber Comum foi idealizado para alunos de pós-graduação, com disciplinas de formação geral, que contam crédito de eletiva para cursos de diversas áreas do conhecimento, e para quem não é estudante e se interessa por saberes que dizem respeito à vida coletiva. Para incluir todos os públicos, além das disciplinas estarem disponíveis em ambiente virtual de aprendizagem, são exibidas como programas de televisão pelo Canal Saúde e pela TV Alerj. Elas também ficam disponíveis no site do Canal Saúde. Assista!
Ele busca, de modo interdisciplinar, oferecer a estudantes de pós-graduação de todas as áreas do conhecimento disciplinas de formação geral, que auxiliem na reflexão sobre a esfera do comum, saberes e políticas que dizem respeito à vida coletiva, à divisão de poderes na democracia e aos laços sociais. Tudo isso de forma totalmente remota e transmitido pela TV aberta! Por isso, também é uma ação de divulgação científica, com acesso a toda a população.
No dia 13 de setembro começam as disciplinas, que irão até o dia 24 de dezembro. Já no dia 21 de setembro, ambas começam a ser transmitidas na TV Alerj: Democracia, Desigualdades e Direitos, em reprise e nova reoferta aos estudantes; e a estreia de Mudanças Climáticas. Confira os horários e dias de cada uma das disciplinas na TV Alerj, que também ficam disponíveis no canal do Youtube do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.
Democracia, Desigualdades e Direitos
Conheça a ementa completa aqui.
Horário dos programas na TV Alerj: quartas e sextas-feiras, 8h30 a 9h.
Mudanças Climáticas
Conheça a ementa completa aqui.
Horário dos programas na TV Alerj: terças e quintas-feiras, 8h30 a 9h.
*com informações do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
O mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) promove uma série de seminários virtuais sobre pesquisa nesse campo do conhecimento. A iniciativa faz parte da disciplina de Introdução à Divulgação Científica e integra a programação de 2021 da série Conexão #emCasa, faixa de eventos online promovidos pela COC/Fiocruz, sempre realizadas com transmissão ao vivo pelo Facebook.
No dia 9 de agosto, o Conexão #emCasa recebeu o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenador do INCT.DD., Wilson Gomes para debater o tema Dimensões epistêmicas das fake news. O próximo encontro está marcado para segunda-feira, 16 de agosto. Ambos são promovidos pela disciplina "Tópicos Especiais - Seminários de Metodologia" do Mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da COC/Fiocruz.
Assita aqui a aula: Dimensões epistêmicas das fake news
#emCasa
A série Conexão #emCasa foi lançada pela COC/Fiocruz em julho de 2020, sempre com transmissão ao vivo pela página da unidade no Facebook. A iniciativa tem o objetivo de promover palestras, debates e discussões virtuais, diante da restrição a atividades presenciais impostas pela pandemia de Covid-19.
Com assuntos variados, o Conexão #emCasa busca reunir pesquisadores, estudantes e interessados nas temáticas relacionadas às áreas de atuação da Casa de Oswaldo Cruz, que poderão interagir com os debatedores enviando comentários e perguntas.
Assista aqui todos os encontro promovido no âmbito da série Conexão #emCasa
Começa hoje, 9 de agosto, às 14h, a XXVII Reunião da Rede Universidade Aberta do SUS. O Objetivo do encontro anual é reunir instituições que integram a UNA-SUS para troca de experiências e apresentação de novas iniciativas. O evento, que é online, será transmitido pelo canal do Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância em Saúde (Nuteds) da Universidade Federal do Ceará no Youtube e vai até 12 de agosto com a apresentação de trabalhos que seguem os diversos eixos temáticos ligados ao tema central de 2021: Educação em Saúde Digital.
O 27º encontro contará com conferências, painéis, mesas interativas e oficinas de compartilhamento de tecnologias. O Campus Virtual Fiocruz participará do encontro no fim da tarde desta segunda-feira, 9/8, às 17h55. A coordenadora de produção de cursos do CVF, Adelia Araújo, vai apresentar o tema: "Disciplinas transversais e Moocs: Um diálogo possível".
O evento está sob a organização da Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade Federal de Goiás (UFG) e busca promover ampla discussão em prol da melhoria e transformação da saúde por meio da utilização adequada das tecnologias da informação e comunicação; e divulgar os resultados de pesquisas relacionadas à informação e informática em saúde, desenvolvidas no âmbito regional e nacional;além de trazer a Mostra de Experiências Exitosas da Rede UNA-SUS.
Confira aqui a programação completa. As inscrições são gratuitas e ainda podem ser feitas pela plataforma Sympla.
Acompanhe aqui a transmissão no canal Núcleo de Tecnologias e Educação a Distância em Saúde (Nuteds):
Em reunião ordinária, o Conselho Deliberativo da Fiocruz aprovou por unanimidade a alteração do nome do Centro de Estudos Estratégicos (CEE), em homenagem ao seu fundador, o sanitarista Antônio Ivo de Carvalho (1950-2021) . O Centro passará a se chamar, assim, Centro de Estudos Estratégicos Antônio Ivo de Carvalho.
A proposta de mudança, apresentada ao CD, de 22 de julho, pelo atual coordenador do CEE, Carlos Gadelha, considera que “em seu momento de transformação, o CEE procura fazer jus à ousadia e ao legado de Antônio Ivo, fortalecendo-se para pensar, refletir e debater o futuro do desenvolvimento, da saúde, da ciência e da democracia como norte para pensar e ousar na Fiocruz do futuro”.
Acesse a apresentação da nova designação do CEE.
Acesse a Carta-proposta de alteração de designação do CEE aos membros do CD
Assista à defesa da incorporação do CEE ao Estatuto da Fiocruz, feita por por Antônio Ivo de Carvalho, em 2015:
"As ações afirmativas falam de justiça, reparação e memória, mas falam especialmente de futuro. E as ações afirmativas são a cara da Fiocruz no século XXI”, disse, confiante, a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e coordenadora do GT de Saúde Indígena da Abrasco, Ana Lúcia Pontes, durante a primeira edição aberta de 2021 do Encontros Virtuais da Educação. O debate tratou das “Ações afirmativas e povos indígenas: avanços e desafios” e está disponível, na íntegra, no canal do Campus Virtual Fiocruz no Youtube.
Ana Lúcia foi moderadora do debate que reuniu o professor Gersem Baniwa, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a pedagoga e representante do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena Rita Potyguara, a docente da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integrante do Projeto "Vozes Indígenas na Produção do Conhecimento", ligado à Ensp/Fiocruz, Joziléia Kaingang e a professora e pesquisadora do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) Luiza Garnelo.
Inclusão, acolhimento da diversidade e busca da redução das desigualdades sociais foram alguns dos atributos citados pela vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fundação, Cristiani Vieira Machado, para descrever diretrizes que permeiam decisões da Fiocruz nas mais diversas áreas. Já Ana Lúcia, lembrou da trajetória histórica da Fiocruz na luta social no campo da saúde e defendeu a perspectiva de futuro que abrange o tema da discussão: “as ações afirmativas terão papel estratégico numa dimensão não apenas de representação, mas também de um conjunto de questões que estão colocadas ao se falar da presença indígena na academia, na produção do conhecimento e no sistema único de saúde”.
A abertura de espaços acadêmicos para o diálogo intercultural e intercientífico é irreversível
O professor Gersem Baniwa contou sua história desde o nascimento, passando por escolas e a inserção em programa de vanguarda de implementação de ações afirmativas, até a entrada na pós-graduação e questionou: “Qual seria minha chance sem apoio externo? É só pensar na minha trajetória que teremos a resposta”. Segundo ele, são diversas as iniciativas e formas criativas, dinâmicas e interessantes para promover o acesso desses segmentos historicamente desprivilegiados, excluídos e discriminados.
Gersen apontou ainda que a abertura de espaços acadêmicos para o diálogo intercultural e intercientífico é um desafio, mas “que está em andamento e, para mim, é irreversível. Além disso, o uso de línguas indígenas na produção, defesa e validação de conhecimentos acadêmicos já são realidade, assim como as inovações teórico-metodológicas, os processos de coteorizações ou pesquisa colaborativa e de coautorias porque quem quiser pesquisar indígena vai ter que participar o povo, a etnia e outros. Não existe mais a "minha tese sobre eles", advertiu Gersem.
Rita Potyguara, descreveu que o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI) trata desde a educação básica até a educação superior e pós graduação. De acordo com ela, a preocupação com as ações afirmativas vem de longa data, mas, nos últimos anos, tais questões estão perdendo espaço e o campo educacional como um todo sofre com inúmeras ações de retrocesso. Rita apresentou uma carta do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena, dirigida à Fiocruz, detalhando que o texto é um apelo à Fundação para auxílio no enfrentamento dessas perdas e regressões para a área. O texto, na íntegra, pode ser lido aqui.
Escola como ferramenta de luta
“A escola não chegou para nos acolher ou construir coletivamente, mas para nos oprimir, impor línguas e modos de escolarização”, lamentou a professora Joziléia Kaingang, ressaltando essa grande violência como um ponto de mudança: “Ao longo da trajetória da escola dentro dos nossos territórios aprendemos a nos apropriar. Tomamos a escola para nós e hoje ela é uma ferramenta de luta. E tão importante quanto isso é termos também uma caminhada dentro das instituições universitárias do nosso país”.
Joziléia falou ainda sobre a Universidade ao qual ela é ligada. Lembrou desafios e outras lutas, mas ressaltou, por exemplo, a aceitação da língua espanhola como uma língua de proficiência para entrada na pós-graduação e, “para além disso, em 2018, a aceitação da língua indígena como uma segunda língua aceita dentro do programa. Essas são conquistas importantes que devem ser destacadas para inspirar diferentes grupos e novas conquistas em outros espaços e iniciativas”.
Encerrando as apresentações, Luiza Garnelo, enfatizou a pluralidade de experiências trazidas para o debate, que reuniu questões da Amazônia, Nordeste e Sul do país, mostrando a diversidade de luta e avanços na escolaridade indígena brasileira com a articulação de ações afirmativas e políticas de inclusão social.
Assista ao debate Ações afirmativas e povos indígenas: avanços e desafios, realizado em 14 de julho de 2021:
Para debater a “Residência Multiprofissional como possibilidade educacional para a Indústria Farmacêutica Pública”, o Centro de Estudos do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) recebeu a coordenadora adjunta das Residências em Saúde da Fiocruz, Adriana Coser, e o coordenador da Residência do Instituto, Eduardo Sousa. O encontro virtual, mediado pela coordenadora do Departamento de Educação, Mariana Souza, foi realizado em 7 de julho e está disponível no canal de Farmanguinhos no Youtube.
O conceito desta especialidade de ensino que traz a vivência da prática
“Residência não é exclusivamente para médicos, é também para os profissionais da Saúde de maneira geral. Cada vez mais, as residências têm se apresentado como uma formação sequente à graduação em áreas das mais diversas especialidades. Ou seja, é uma especialização atualmente reconhecida no Ministério da Educação como Lato Sensu, mas com muita especificidade, porque traz a vivência da prática. É a possibilidade que o egresso de uma graduação tem de vivenciar o mundo do trabalho de forma supervisionada e em uma área de escolha que tenha interesse”, esclareceu Adriana.
A palestrante fez um panorama sobre as residências em saúde da Fiocruz. Além de divulgar informações gerais sobre os cursos, como carga horária, tempo de duração, diretrizes, entre outras, ela ressaltou a finalidade da especialização. Segundo Adriana, o diferencial das Residências da Fundação está na tríade assistência, pesquisa e ensino.
“As residências buscam qualificar jovens profissionais da Saúde para inserção no mercado de trabalho, particularmente em áreas prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS), utilizando-se para isso, não somente das suas unidades técnico-científicas, caso de Farmanguinhos, como também de parcerias com instituições de excelência dentro e fora do país para realizarem atividades que agreguem nesse campo de conhecimento”, assinalou.
Durante a apresentação, a coordenadora adjunta reforçou que todos os programas da Fundação para esse tipo de especialização estão de acordo com a legislação da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e com a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional (CNRMS), ambas do Ministério de Educação (MEC). Tais entidades também são responsáveis por seus credenciamentos e avaliações.
Índice de aproveitamento
Com o objetivo de mostrar os resultados do curso, a palestrante expôs dados de uma pesquisa feita com egressos de 2013 a 2019. De acordo com a avaliação, 72% responderam que as suas atividades profissionais atuais estão relacionadas à especialização e 17% que estão razoavelmente ligadas, indicando que 89% dos egressos consideram a correlação positiva entre o trabalho atual e o curso realizado.
Pioneirismo na formação intensiva para atuação na área de insumos para o SUS
Aprovada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), a residência multiprofissional de Farmanguinhos é a primeira do Brasil com um escopo voltado para formação intensiva de profissionais para atuarem na área de insumos para o SUS. Em março de 2020, cinco alunas ingressaram na primeira turma da Residência Multiprofissional em Tecnologias Aplicadas à Indústria Farmacêutica (ResidTAIF), destinada a recém-graduados em Farmácia, Medicina Veterinária e Biologia.
O coordenador do curso, Eduardo Sousa, relembrou o processo de lançamento da especialidade ressaltando os desafios de sua implementação, especialmente no contexto da pandemia. "Nossa residência está funcionando e é a única totalmente pública nesta área e feita em um dos laboratórios oficiais do Governo Federal. Temos muito orgulho dessa residência e de atender às expectativas, tanto das políticas nacionais como das regionais do SUS”, observou.
Quanto aos objetivos, Sousa detalhou que o curso visa capacitar os egressos a planejarem e executarem ações na Indústria Farmacêutica pertinentes à qualidade da população. Desta forma, o curso também busca interagir com as diversas áreas que envolvem a cadeia farmacêutica, bem como atuar na promoção da saúde, de acordo com os princípios do SUS, e estimular o pensamento crítico e a capacidade inovadora com vistas ao desenvolvimento do Complexo Econômico e Industrial da Saúde.
O coordenador descreveu ainda que o diferencial do curso está na educação, por meio do serviço das residentes nos diversos departamentos de Farmanguinhos, em regime de dedicação exclusiva, sob supervisão docente assistencial. “O curso é 80% prática e 20% teoria. As aulas são ministradas por profissionais da unidade e convidados. Já na parte prática, os estudantes têm a chance de se aprofundarem nas rotinas dos setores do Instituto durante toda a cadeia produtiva, começando pela Vice-diretoria de Gestão da Qualidade, em áreas como Controle e Garantia da Qualidade, Metrologia, Validação, Laboratório Físico-Químico, Produção, dentre outros”, destacou.
Perspectivas para o próximo ano
Um novo edital está previsto para ser lançado em 2022. O documento está em elaboração, mas precisará ter disponibilidade de bolsas para que seja viabilizado.