Descrição: Capacitar os profissionais de saúde que atuam, ou que pretendam atuar, em laboratórios de saúde pública, para a correta realização do diagnóstico laboratorial de micoses, possibilitando o desempenho de suas atividades na rotina laboratorial com qualidade e segurança e, dessa forma, apoiando as ações de atenção e vigilância das micoses de relevância em saúde pública no Brasil.
Objetivo Geral: Módulo 1: Micoses endêmicas no Brasil e seus agentes Objetivo de aprendizagem (o mesmo para todos os subtemas elencados neste módulo): • Apresentar as doenças fúngicas de relevância em Saúde Pública no Brasil e no mundo (aspergilose, candidíase invasiva, coccidioidomicose, criptococose, cromoblastomicose, esporotricose, feohifomicose, fusariose, histoplasmose, micetomas, mucormicose, outras hialohifomicoses, paracoccidioidomicose, paracoccidiodomicose lobogeorgi, tricosporonose) • Relacionar e diferenciar os principais agentes etiológicos das micoses de relevância em saúde pública no país no Brasil e no mundo. • Descrever a biologia, incluindo estrutura de reprodução, dos principais agentes etiológicos das micoses de relevância em saúde pública no país e no mundo. Subtema 1: Micoses superficiais e cutâneas Subtema 2: Micoses subcutâneas Subtema 3: Micoses sistêmicas Subtema 4: Micoses oportunistas Módulo 2: Principais métodos diagnósticos em Laboratórios de Micologia Objetivo de aprendizagem ((o mesmo para todos os subtemas elencados neste módulo): ● Elencar e descrever os principais tipos de amostras biológicas utilizadas no diagnóstico laboratorial de micoses. ● Descrever as técnicas de coleta, transporte e armazenamento das amostras biológicas com vistas a garantir a qualidade da amostra biológica. ● Identificar e descrever os procedimentos para o processamento das amostras biológicas. ● Identificar e descrever os meios de cultura para identificação dos agentes etiológicos. ● Identificar e descrever os tipos de coloração para identificação dos agentes etiológicos. ● Conhecer e realizar/ reproduzir as técnicas de preparo dos reagentes, meios de cultura e realizá-las (simulação). ● Descrever e demonstrar a execução dos métodos utilizados para o exame direto, para o exame de cultura, para os exames de suscetibilidade a antifúngicos, para os exames histopatológicos e imunoensaios. ● Identificar e descrever os reagentes para realização dos testes convencionais de suscetibilidade. ● Conhecer os testes convencionais de suscetibilidade utilizados no Brasil. ● Interpretar os resultados. ● Relatar a importância da biossegurança no desempenho das atividades de rotina de diagnóstico laboratorial das micoses. Subtema 1: Fase pré-analítica dos métodos de diagnóstico Subtema 2: Exame micológico direto Subtema 3: Exame de cultura Subtema 4: Testes de suscetibilidade a antifúngicos Subtema 5: Exame histopatológico Subtema 6: Exame de imunodiagnóstico: imunodifusão Subtema 7: Exame de imunodiagnóstico: imunoenzimático Subtema 8: Exame de imunodiagnóstico: imunocromatografia Módulo 3: Gestão da Qualidade laboratorial Objetivo de aprendizagem: ● Reconhecer e explicar a importância da implantação de um sistema de gestão da qualidade em laboratório de diagnóstico. ● Identificar as práticas de gestão da qualidade. Subtema 1: Sistema de Gestão da Qualidade Módulo 4: Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL) Objetivo de aprendizagem: ● Reconhecer e explicar a importância do sistema GAL para a implementação das ações de vigilância em saúde. ● Conhecer e descrever o sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial - GAL (cadastro da requisição do exame no sistema, processamento da amostra, liberação do laudo, consultas e relatórios). ● Praticar a rotina de uso do GAL (simular o uso do GAL). Subtema 1: Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL) na rotina do laboratório como ferramenta de Qualidade e Vigilância Laboratorial.
Justificativa: As micoses são infecções causadas por fungos - cujas formas infectantes estão intimamente relacionadas ao bioma e aos fatores geoclimáticos (solo, vegetação, clima, umidade, altitude, etc.), além de apresentar potencial zoonótico - e são classificadas em grupos de acordo com o envolvimento no tecido e o modo de aquisição (mecanismo de infecção). Os sintomas dessas doenças dependem do tipo da micose e do estado imunitário do indivíduo. Logo, variam desde uma simples lesão na pele até quadros graves, com comprometimento sistêmico, podendo evoluir para óbito. Apesar desse grupo de doenças ser um grave problema de saúde pública no Brasil, ainda são doenças subestimadas e negligenciadas pelos serviços de saúde. Os riscos de infecção fúngica dependem primordialmente da combinação entre a suscetibilidade do hospedeiro e a sua exposição tanto ao meio ambiente, quanto a ambientes de assistência à saúde. O estado imunológico é talvez um dos principais fatores determinantes no desenvolvimento da doença. Por outro lado, os riscos ambientais também estão presentes, podendo ocasionar até mesmo surtos. A incidência das infecções fúngicas tem aumentado no mundo, como resultado da associação entre fatores de risco próprios dos pacientes e aqueles resultantes de intervenções diagnósticas, terapêuticas e profiláticas. Doenças de base ou condições crônicas como câncer, transplante de medula óssea ou de órgãos sólidos, infecção por HIV ou administração prolongada de corticosteroides tornam os pacientes vulneráveis às infecções fúngicas oportunistas. Procedimentos cirúrgicos complexos, uso difundido de dispositivos implantáveis e administração de antibióticos de amplo espectro aumentaram dramaticamente a incidência de infecções fúngicas hospitalares, sobretudo as sepses fúngicas. Em pessoas imunossuprimidas, podem manifestar-se com sinais e sintomas inespecíficos, acarretando, portanto, demora no diagnóstico. No mundo estima-se que mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram de uma infecção fúngica grave a cada ano, das quais, mais de 1.350.000 evoluem para o óbito. A Associação Médica Mundial (WMA) aprovou uma declaração sobre a relevância das infecções fúngicas no contexto da saúde pública, sejam elas as de inoculação/implantação, as sistêmicas ou as oportunistas, bem como sobre a necessidade dos serviços de saúde e governos de oferecerem condições para que indivíduos portadores de micoses invasivas possam ser adequadamente diagnosticados e tratados. No Brasil estimativas apontam quase 4 milhões de pessoas com infecções fúngicas a cada ano. Desse total, 2,8 milhões são infecções causadas por Candida sp. e um milhão por Aspergillus sp., que avançam principalmente em pessoas imunocomprometidas em razão do uso de medicamentos contra rejeição de órgãos transplantados, do câncer, do HIV e de doenças respiratórias, como tuberculose e fibrose cística, do uso prolongado de antibióticos ou de procedimentos invasivos, como sondas e cateteres, em Unidades de Terapia Intensiva. Desde 2017, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVSA/MS), coordena o processo de estruturação da Vigilância e Controle das Micoses Endêmicas Sistêmicas (paracoccidioidomicose, histoplasmose, criptococose e coccidioidomicose), de implantação (cromoblastomicose, esporotricose, paracoccidioidomicose lobogeorgi e micetomas) e oportunistas (candidíase invasiva , aspergilose, feohifomicose, mucormicose, outras hialohifomicoses, tricosporonose e fusariose), principais micoses de ocorrência no país, com vistas a conhecer a sua real magnitude para subsidiar a adoção de políticas específicas de prevenção, assistência e controle. Ademais, com a pandemia de covid-19, algumas infecções fúngicas foram evidenciadas, principalmente devido ao risco aumentado para o desenvolvimento dessas infecções frente a um cenário de internação hospitalar prolongada, uso indiscriminado de corticoterapia ou a semelhança em sintomatologia com a covid-19, tais como aspergiloses, candidemias e mucormicose. Diante desse cenário no país, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), junto com o Ministério da Saúde (MS), elaborou a Nota Técnica GVIMS/GGTES/ANVISA N° 04/2021 com as orientações para vigilância, identificação laboratorial, prevenção e controle de infecções fúngicas invasivas em serviços de saúde no contexto da pandemia da Covid-19. No Brasil, as micoses em geral não são doenças de notificação compulsória, portanto não se dispõe de dados precisos sobre sua incidência e prevalência, bem como de informações acerca de áreas endêmicas. As análises de dados são retrospectivas, baseadas em séries de casos ou estudo de isolados/linhagens de coleções de apoio à pesquisa, sem registro regular de dados clínicos e epidemiológicos, e em registros do Sistema de Internações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS). Ainda, representam importante problema de saúde pública devido ao seu alto potencial incapacitante e número elevado de mortes prematuras, quando não diagnosticadas e tratadas oportunamente. Nesse sentido, o diagnóstico micológico laboratorial precoce e de qualidade é capaz de auxiliar não só no monitoramento dos casos, mas também proporciona um início de terapêutica mais rápido e a escolha do antifúngico adequado, levando à melhoria do manejo clínico das pessoas acometidas e consequentemente, à prevenção do agravamento do quadro clínico, resultando em aumento de sobrevida dos pacientes.
Desenvolver as habilidades e competências para o diagnóstico laboratorial básico das micoses de relevância em saúde pública no país, com segurança e qualidade, visando apoiar as ações de vigilância e assistência.