O Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia) e o Campus Virtual Fiocruz lançam curso sobre leishmanioses e reforçam o papel da educação na qualificação do cuidado em saúde. A formação, online e gratuita, é voltada especialmente a profissionais de saúde e estudantes, mas aberta a todos os interessados na temática. Com 25h de carga horária e quatro módulos, o curso Vigilância, diagnóstico, tratamento e manejo de pacientes com leishmanioses já está disponível. A identificação precoce dos sinais e sintomas é determinante para evitar complicações graves, reduzir a letalidade e garantir o tratamento adequado.
As leishmanioses seguem como importante desafios à saúde pública brasileira, exigindo diagnóstico rápido, manejo clínico adequado e ações permanentes de vigilância para o controle da doença. Assim, a formação visa contribuir com a qualificação dos profissionais que atuam na linha de frente do SUS. Este curso é marcado por um lançamento especial presencial na sede da Fiocruz Bahia, com palestras e debates com especialistas da área sobre a doença e a importância da educação permanente em saúde. O evento, com transmissão ao vivo pelo canal da Fiocruz Bahia no Youtube, pode ser visto aqui:
Formação estratégica para o SUS
O curso busca ampliar o acesso ao conhecimento atualizado sobre a doença, além de fortalecer a capacidade de resposta dos serviços de saúde diante de um agravo que permanece presente em todas as regiões do país. A formação foi concebida a partir de conteúdos baseados em evidências científicas, protocolos assistenciais e recomendações nacionais e internacionais. Organizada em quatro módulos, aborda a vigilância epidemiológica, o diagnóstico, o tratamento, a prevenção e o manejo clínico das diferentes manifestações da doença.
A formação permanente dos trabalhadores da saúde, especialmente dos profissionais que atuam na ponta do sistema, é considerada um componente estratégico para o enfrentamento das leishmanioses. Segundo o Ministério da Saúde, em muitos casos, a identificação precoce dos sinais e sintomas da doença é uma questão determinante para minimizar as possibilidades de complicações graves, diminuir a letalidade e garantir o tratamento adequado. Além disso, profissionais qualificados e sensíveis ao tema contribuem para fortalecer a vigilância epidemiológica, ampliar a notificação dos casos e promover ações educativas junto às comunidades expostas ao risco da doença.
Leishmanioses: um desafio para o Brasil e para o mundo
As leishmanioses estão entre as doenças tropicais negligenciadas de maior relevância em saúde pública no mundo. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), a doença permanece como um importante problema de saúde pública nas Américas, África, Ásia e região do Mediterrâneo, estando fortemente associada a fatores socioeconômicos, ambientais e climáticos. Nas Américas, o Brasil concentra grande parte dos casos registrados, especialmente das formas tegumentar e visceral da doença. A leishmaniose tegumentar apresenta incidência significativamente maior nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a forma visceral, considerada a mais grave, registra importante circulação em estados como Bahia, Maranhão, Piauí e Ceará, além de avançar para áreas urbanas e periurbanas de diferentes regiões do país.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o país registra aproximadamente 13 mil casos anuais de leishmaniose tegumentar e cerca de 2 mil casos de leishmaniose visceral. Para fortalecer o monitoramento epidemiológico, o MS conta com painéis interativos que acompanham indicadores das duas formas da doença, reunindo informações sobre incidência, óbitos e letalidade por estados e municípios. As ferramentas foram desenvolvidas em parceria com a Fiocruz Brasília e integram as estratégias nacionais de vigilância e controle das leishmanioses.
As leishmanioses são causadas por protozoários do gênero Leishmania e transmitidas pela picada de flebotomíneos infectados, insetos popularmente conhecidos como mosquito-palha, birigui, tatuquira ou cangalhinha. A doença não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra. O ciclo envolve a participação de vetores e de diferentes reservatórios animais, incluindo mamíferos silvestres e domésticos. As manifestações clínicas variam de acordo com a forma da doença. A leishmaniose tegumentar provoca lesões na pele e nas mucosas, podendo causar deformidades quando não tratada. Já a leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, afeta órgãos internos como fígado, baço e medula óssea, apresentando sintomas como febre prolongada, perda de peso, anemia, aumento abdominal e imunossupressão. Sem tratamento, a forma visceral pode evoluir para óbito. Entre as principais medidas de prevenção estão o controle dos vetores, o manejo ambiental, a proteção individual contra picadas, o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno dos casos.
Educação permanente e novas oportunidades de aprendizagem
O lançamento do novo curso amplia um conjunto de iniciativas educacionais que já vêm sendo desenvolvidas pela Fiocruz para fortalecer o enfrentamento das leishmanioses. Entre elas está o curso autoinstrucional, também lançado pelo Campus Virtual, em dezembro de 2025, "Leishmanioses, e eu com isso? Ações educativas intersetoriais na saúde e na educação", em parceria com o Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas). A formação aborda conceitos fundamentais sobre a doença, diagnóstico, prevenção, vigilância, fatores socioambientais e a abordagem de Saúde Única. Saiba mais sobre a formação aqui: Leishmanioses, e eu com isso? Ações educativas intersetoriais na saúde e na educação.
Conheça a nova formação e inscreva-se:
Vigilância, diagnóstico, tratamento e manejo de pacientes com leishmanioses
Módulo 1 - Vigilância Epidemiológica
Aula 1: Introdução às leishmanioses, epidemiologia e controle da doença.
Aula 2: Vigilância epidemiológica e os métodos de vigilância – importância da visão de Uma Só Saúde no controle da transmissão.
Módulo 2 - Vigilância Vetorial e Aspectos Ecoepidemiológicos
Aula 1: Principais espécies de flebotomíneos e ciclo biológico do vetor.
Aula 2: Ferramentas digitais para a identificação de flebotomíneos e a importância da vigilância entomológica.
Aula 3: Principais reservatórios, as diferentes espécies de Leishmania e sua distribuição geográfica.
Aula 4: Leishmanioses e sua distribuição geográfica – fatores socioambientais associados às leishmanioses tegumentar e visceral.
Módulo 3 - Patogênese e Diagnóstico das Leishmanioses Visceral e Tegumentar
Aula 1: Diagnóstico clínico e o contexto no SUS.
Aula 2: Diagnóstico diferencial das leishmanioses.
Aula 3: Imunopatogênese das leishmanioses.
Módulo 4 - Tratamento das Leishmanioses Visceral e Tegumentar
Aula 1: Abordagem atual do tratamento da leishmaniose tegumentar.
Aula 2: Abordagem atual do tratamento da leishmaniose visceral.