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Publicado em 29/06/2023

Fiocruz realiza sessão científica online sobre leucemias agudas e imunofenotipagem

Autor(a): 
Lucas Leal*

O Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) convida a Drª Raquel Matavele, do Instituto Nacional de Saúde (INS) de Moçambique, para a palestra de tema "Implementação de imunofenotipagem de leucemias agudas por citometria de fluxo em Moçambique". O evento online ocorrerá em 30 de junho, às 9h, através da plataforma Zoom

Participe!

Com licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique, Raquel Matavele é mestre em Ciências de Saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Instituto Nacional de Saúde, e doutora em Ciências Biomédicas pela Universidade de Antuérpia (UA), na Bélgica.

Participou da implementação de uma nova forma de contar as células CD4 em Moçambique através da técnica de citometria de fluxo. Também coordenou a parte laboratorial em dois ensaios clínicos de vacinas contra o HIV, além de ter gerenciado um projeto para estabelecer um Laboratório de Pesquisa Clínica para a Rede de Ensaios de Vacinas contra o HIV, do Centro de Investigação e Treino em Saúde da Polana Caniço (Cispoc), associado ao Instituto Nacional de Saúde. Desde 2013, o laboratório participou em mais de 30 estudos clínicos.

A partir de 2019, ela liderou um serviço nacional de diagnóstico de leucemias agudas usando a citometria de fluxo, visando melhorar as chances de sobrevivência das crianças com HIV em seu país. No mesmo ano, assumiu a coordenação do Programa de Endemias de Alta Importância Sanitária, do Instituto Nacional de Saúde, diretamente envolvido em mais de 50 projetos focados principalmente em HIV, tuberculose e Covid-19.

 

*Com informações da Fiocruz Bahia

*Lucas Leal é estagiário sob supervisão de Isabela Schincariol

 

#ParaTodosVerem Banner com fundo majoritariamente na cor branca, no centro do banner está o nome do evento: Implementação da imunofenotipagem de leucemias agudas por citometria de fluxo em Moçambique (2020-2023). Abaixo, o nome da palestrante, Drª. Raquel Matavele Chissumba. Ao lado direito inferior do banner, uma foto dela, uma mulher negra de cabelos curtos escuros, óculos de armação preta e brincos compridos, ela sorri para a foto. Ao lado esquerdo inferior do banner, horário, dia e link do evento.

Publicado em 04/08/2017

Fiocruz forma novos mestres em Moçambique

Apesar de um oceano de distância, há quase uma década Brasil e Moçambique atuam juntos na formação de uma geração de novos cientistas africanos, dedicados às questões de saúde locais. O Programa de Cooperação Internacional de Pós-graduação em Ciências da Saúde é resultado de uma parceria entre o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique (INS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A iniciativa, que oferece mestrado e doutorado nos Programas de Pós-graduação Stricto sensu do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), formou mais 14 estudantes em julho. Com isso, soma mais de 40 alunos ao longo dos nove anos de parceria. O coordenador do programa, Renato Porrozzi, destaca a importância da cooperação: "Levar nossos cursos de mestrado e doutorado para Moçambique é um ato de solidariedade a um país carente de formação em pós-graduação, além de ser muito gratificante. Isso se traduz em melhorias na qualidade da pesquisa realizada localmente, com impactos diretos na saúde do povo moçambicano”.

O perfil dos estudantes é variado, incluindo profissionais que atuam na saúde pública em diferentes províncias. Tendo em vista essa pluralidade de origens, os projetos de pesquisa dos alunos compõem um verdadeiro mosaico. “Os estudos desenvolvidos no contexto das dissertações e teses dos estudantes contribuem para preencher lacunas no conhecimento científico, com destaque para investigações acerca de doenças infecciosas como malária, Aids e parasitoses intestinais”, explica Renato. Vírus influenza e sincicial, enterovírus, hepatite B, malária, dengue, HIV, leptospirose e hantavírus foram alguns dos temas escolhidos pelos estudantes da quarta turma de mestrado da parceria Brasil-Moçambique.

As aulas são ministradas por pesquisadores das duas instituições, sendo a maior parte dos encontros realizada na sede do INS, em Maputo, capital de Moçambique. Já nos Laboratórios do IOC, no Rio de Janeiro, os estudantes desenvolvem aspectos práticos dos projetos, como a análise de amostras.

Contribuição para os esforços de eliminação da filariose linfática

Do trabalho de pesquisa nas bancadas dos laboratórios, nascem projetos como o de Henis Mior, um dos mais novos mestres da parceria, que apresentou resultados de um estudo sobre a filariose linfática. Considerada doença negligenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a filariose linfática faz vítimas tanto em Moçambique quanto no Brasil. Henis investigou um tema com interface direta com a saúde pública: a eficácia do protocolo de tratamento em massa, que vem sendo preconizado nos esforços de eliminação da doença. Segundo esse protocolo, um conjunto de pessoas recebe a medicação mesmo sem diagnóstico individual tendo em conta o alto índice de transmissão na localidade.

O estudo foi baseado em um levantamento realizado na cidade de Murrupula, província de Nampula, em Moçambique, com a participação de mais de 670 pessoas. Os testes consideraram aspectos que indicam a persistência da infecção no paciente seis meses após a administração da primeira dose do tratamento. Os resultados sugerem que a dose única da medicação não proporciona redução significativa da presença de parasitos nas fezes dos pacientes tratados e nem do antígeno no organismo. O pesquisador do IOC Adeilton Brandão orientou a apresentação dos resultados do projeto, junto com Ricardo Thompson, pesquisador do INS e coordenador do projeto em Moçambique. Segundo Adeilton, os dados da pesquisa poderão ser utilizados para avaliar o alcance de metas da campanha, que é de grande importância para a saúde pública em Moçambique. "Há, ainda, a oportunidade de mensurar o impacto de grandes programas de tratamento em áreas carentes de recursos, que apresentam grandes dificuldades logísticas”, afirma.

Henis, por sua vez, celebra a inciativa e a conquista do título. “O mestrado é bem-vindo para os profissionais de saúde e pesquisadores em geral, por trazer melhorias no desempenho da pesquisa e docência na área de saúde. Pretendo continuar os estudos a partir do monitoramento da infecção pela filariose linfática, até a declaração da eliminação da doença no país”, conta.

Veterano elege a genética em estudos sobre tuberculose e hepatites

A trajetória do estudante Nédio Jonas Mabunda é um exemplo do estímulo à produção científica e acadêmica em Moçambique por meio da cooperação internacional. Pesquisador do Instituto Nacional de Saúde, Nédio é um veterano da iniciativa: concluiu o mestrado em 2013 e, agora, está no doutorado.

No projeto de mestrado, investigou a associação entre as características genéticas do hospedeiro e o desenvolvimento das manifestações da tuberculose. O estudo observou, em especial, o comportamento de algumas citocinas, moléculas responsáveis pela sinalização entre as células durante reações imunes. Os resultados apontaram que algumas características da citocina ‘fator de necrose tumoral’ estão relacionadas a um maior risco na evolução da doença.

No doutorado, o tema do projeto também é genética: as mutações que influenciam no desenvolvimento da infecção por hepatite B, doença endêmica em Moçambique, e uma das principais causas do câncer de fígado no país. “Iniciei minha atividade profissional no Laboratório de Virologia Molecular do INS e sempre tive paixão por genética. Olhei para o mestrado como uma oportunidade de aprendizado específico na área de pesquisa, aliado à minha área de trabalho e paixão. Hoje, o doutorado é um instrumento importante para a fortificação da minha carreira científica”, destaca Nédio.


Fonte: Lucas Rocha e Raquel Aguiar (IOC/Fiocruz) | Foto: INS-Moçambique

 

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