O curso ‘Gestão Integrada: Processos Riscos e Indicadores’, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), convida a todos para sua aula inaugural. A palestra “Fundamentos das Metodologias Ativas de Ensino com Ênfase na Aprendizagem Baseada em Problema”, proferida pelo professor Renato Matos Lopes, pesquisador do Laboratório de Comunicação Celular do IOC, será no dia 7 de agosto, às 9h. O encontro será na sala 410 da Ensp. Haverá transmissão online pelo canal da Escola no Youtube. Para participar, inscreva-se neste formulário.
Além da palestra de abertura, o evento terá um minisseminário com mensagem de boas-vindas e apresentação do curso. Haverá ainda, apenas para os estudantes e equipe pedagógica, uma apresentação dos participantes e mais detalhes do curso. À tarde, na sala de convívio do 2º andar da Ensp, será realizada a “Oficina de integração: trabalhando com sucata”, apenas com os alunos. Confira a programação aqui.
O curso é oferecido pelo Serviço de Gestão da Qualidade da Ensp e busca contribuir ativamente para a melhoria, eficácia e efetividade da gestão pública. Destinada aos trabalhadores da Ensp e da Fiocruz, a formação pretende capacitar os profissionais para atuarem como facilitadores na gestão integrada de processos, riscos e indicadores.
Sob coordenação de Murilo Barbosa e Carlos Reis, ambos do SGQ/Ensp, o curso tem carga horária de 105 horas e 30 minutos, com 54 horas síncronas e o restante dedicado a atividades assíncronas. As aulas presenciais serão alternadas entre os turnos matutino e vespertino, com término em 13 de novembro.
Nesta nova edição, o curso utilizará metodologias ativas, abordagens pedagógicas que dão protagonismo ao aluno durante o processo de aprendizagem. Os métodos das aulas se basearão na construção da situação-problema, Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), sala de aula invertida, aprendizagem coletiva e em estudos de caso.
Assista à transmissão ao vivo da aula inaugural:
A Fiocruz Mato Grosso do Sul e a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) oferecem 30 vagas para a residência médica em medicina da família e comunidade. O objetivo é ampliar a assistência à saúde, através da atenção primária em saúde. As inscrições vão até o dia 15 de novembro.
A medida foi anunciada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, em julho deste ano. Na ocasião, o Ministério e a Fundação anunciaram uma parceria para criar um laboratório de residência médica, a fim de qualificar os serviços na atenção primária, bem como para ampliar e qualificar o monitoramento dos indicadores na APS.
O público principal da residência são preceptores especialistas em medicina da família e comunidade. A bolsa prevista na seleção é de R$ 11.865,60. Clique aqui e inscreva-se já!
O que Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Paraguai, Peru, Portugal e Uruguai têm em comum? Todos esses países integram o Observatório Iberoamericano de Políticas e Sistemas de Saúde (OIAPSS), no qual os países membros partilham de um sistema que lhes permite realizar uma abordagem que relacione “determinantes sociais, condicionantes e desempenho, além de incorporar nós críticos pouco explorados em matrizes”, podendo, a partir daí, produzir uma análise dos resultados e das tendências apresentadas “numa perspectiva comparada que procura destacar desafios comuns no contexto da crescente internacionalização das relações sociais e de produção”.
O OIAPSS é formado por uma rede marcada pela diversidade de parcerias que variam conforme o país: observatórios, universidades, Federación en Defensa dela Sanidad Publica, entre outros. Como uma iniciativa inter-institucional e intergovernamental, se notabiliza por ser um espaço de comunicação e intercâmbio de informações, com o propósito fundamental de defender e fortalecer os sistemas públicos e universais de saúde. O projeto sempre contou com o apoio do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
Os pesquisadores do Laboratório de Informação em Saúde (LIS) do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict/Fiocruz) Diego Xavier e Heglaucio Barros foram os responsáveis pela continuidade e finalização da matriz de indicadores para esse sistema, que havia sido iniciado pelos pesquisadores Francisco Viacava e Josué Laguardia, do Programa de Avaliação do Desempenho do Sistema de Saúde (Proadess). Segundo eles, este trabalho “possibilitou ao LIS o desenvolvimento de ferramentas de consulta e análise em ambiente web, capazes de acelerar o processo de interpretação e resumo dos dados. Além disso, o processo de elaboração dos bancos de dados e das aplicações demandaram novas estratégias dentro do processo de trabalho, o que seguramente será aproveitado em projetos correntes e em futuros trabalhos”, explica Heglaucio Barros.
A equipe do LIS, juntamente com a Coordenação do projeto, avaliou, revisou e supervisionou as informações que compõem a matriz de indicadores: “foram examinadas as bases de dados internacionais utilizadas pela matriz de indicadores, como por exemplo, as do Banco Mundial, OCDE, Cepal, WHO, Eurostat, PAHO, WIPO, WTO e Unesco”, explica Diego Xavier. Mais do que mostrar o panorama das políticas públicas e sistemas de saúde em alguns países da América Latina, além de Portugal e Espanha, com arranjos de indicadores e sistemas de saúde,o OIAPSS, vai muito além, pois como explica Vanderlei Pascoal, "(o OIAPSS) mostra os arranjos de indicadores entre os países que enfrentam limitações materiais significativas – mas, que possuem expertise, relativa capacidade material e potencialidades de cooperação em saúde entre eles."
O Observatório tem um sistema de indicadores (66 ao todo), com dados a partirda primeira década do século 21, distribuídos da seguinte forma: Determinantes Sociais (Demográficos, Sócio-econônomicos e Condições de vida); Construção Social de Política de Saúde (Marco legal); Condicionantes (Complexo produtivo, Financiamento e Atenção Primária); e Desempenho (Acesso, Efetividade e Adequação Técnica), que são comparados entre os países que o compõem, utilizando o sistema de comparação entre os dados dos países como um recurso para “identificar as tendências de blocos regionais ou intervenções que contribuam para a qualidade dos serviços”.
Além de comparar os indicadores, “o OIAPSS enfoca a análise de temáticas e desafios no contexto da crescente internacionalização das reações sociais e de produção com suas repercussões no âmbito da saúde”, conforme está descrito no projeto Desenvolvimento de matriz analítica para acompanhamento dos países do OIAPSS: história, fundamentos e metodologia, escrito por Eleonor Minho Conill, coordenadora do projeto e uma de suas fundadoras. Conill é professora aposentada do Departamento de Saúde Pública do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Para a construção do Observatório, a participação dos países membros na formação da base de dados foi fundamental. Heglaucio Barros destaca que os países integantes contribuíram na elaboração dos indicadores e no processo de escolha das fontes de dados – “e com isso se construiu uma rede interdisciplinar de colaboração”, afirma.
Uma das estratégias usadas pelos pesquisadores do Icict foi a construção da matriz de indicadores do OIAPSS com softwares de licença livre, garantindo assim, “a possibilidade de continuidade sem ônus extras, decorrentes de pagamento de mensalidades ou licenças de uso de softwares pagos”, como explica Barros. O modo de utilização pelo usuário também é facilitado por um acesso dinâmico e distribuído de forma intuitiva ao usuário, como exemplifica Diego Xavier: “por exemplo, uma consulta do sistema do OIAPSS conta com ferramentas capazes de realizar o cruzamento de indicadores de diferentes dimensões de análise e países em ambiente web.”
Em entrevista ao site do Icict, Elonor Conill faz um panorama geral do OIAPSS, explica que a ideia do Observatório baseou-se no Programa de Avaliação do Desempenho do Sistema de Saúde (Proadess) e as suas perspectivas. Ouça aqui.
Anos de vida perdidos. Este é um dos indicadores que fazem parte do trabalho de quem atua na área da saúde e que será tema do curso de atualização em Aspectos Teóricos e Práticos do Processo de Estimativa da Carga de Doença. A iniciativa é da Fiocruz Amazônia, que está oferecendo 20 vagas para profissionais de saúde, alunos de mestrado, doutorado e pesquisadores com atuação na área de saúde pública. Os interessados podem se inscrever até o dia 12 de junho.
E você, já ouviu falar no estudo da carga global de doenças?
A metodologia do estudo da carga global de doença é um esforço científico sistemático, que visa quantificar a magnitude da perda de saúde devido a doenças, lesões e fatores de risco por idade, sexo, localidades geográficas. Envolvendo pesquisadores e especialistas em todo o mundo, essa cooperação permite a geração de dados comparáveis, padronizados e atualizados anualmente desde 1990. São informações fundamentais para a adoção de medidas para o planejamento em saúde.
Entre as métricas, destacamos aqui o cálculo do DALY (Disability adjusted life year, ou anos de vida perdidos ajustados por incapacidade), que será abordado no curso da Fiocruz Amazônia. O DALY é um indicador composto pelo YLL (years of life lost to premature death, anos de vida perdidos por morte prematura), que diz respeito à mortalidade, e pelo YLD (years of life lost to disability, anos vividos com incapacidade), que se refere à morbidade. Assim, os participantes terão condições para estimar a carga de doença.
Se interessou em atualizar e recarregar seus conhecimentos em saúde?
Processo seletivo
Para participar da seleção, os candidatos devem preencher o formulário de inscrição disponível aqui no Campus Virtual Fiocruz. É necessário inserir o link do Currículo Lattes atualizado, no local indicado, já que que o mesmo será importante no processo de avaliação.
As aulas acontecerão no período de 24 a 28 de junho, em horário integral, totalizando a carga horária de 40h, na sede da Fiocruz Amazônia, situada à Rua Teresinha, 476, Bairro Adrianópolis.
*Colaborou Ana Carla Longo (estágiária supervisionada do Campus Virtual Fiocruz)
Bons professores são também aqueles que nunca perdem a vontade de aprender, não é? Sempre em busca do conhecimento, 23 docentes e gestores da educação experimentaram o papel de alunos no curso Tecnologias e Metodologias para a Docência na Saúde, na modalidade híbrida. As aulas terminaram em novembro do ano passado e, agora, eles estão recebendo seus certificados. E o curso também recebeu o aval dos participantes: cerca de 95% se sentem mais confiantes na inclusão de tecnologias para promover a aprendizagem ativa e 90,5% deles recomendariam a formação para outro professor ou colega. Um resultado excelente!
O curso é uma iniciativa do Programa de Qualificação de Docentes Fiocruz, conduzido pela Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz). O objetivo da formação é capacitar professores e gestores do ensino para utilizar e promover o uso de tecnologias digitais no contexto da educação, estimulando a reflexão crítica. Na prática, os profissionais se desenvolvem para elaborar e atuar como multiplicadores de projetos de mudança na educação presencial e online.
Seguindo o Plano de Ensino e Aprendizagem, os professores-alunos participaram de atividades que refletem a própria metodologia do curso. Eles tiveram aulas on-line, por web conferência, no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Campus Virtual Fiocruz, e dois encontros presenciais. Os docentes e gestores, também puderam, claro, se integrar mais, trocar experiências, contribuir com ideias e até ajudaram a atualizar a plataforma Moodle Fiocruz. Além disso, trocaram de papeis, contando, eles mesmos, com orientação pedagógica individual. Tudo isso a fim de desenvolver projetos inovadores.
Avaliação do curso: uma experiência positiva para os docentes
Ao final do curso, os participantes responderam a uma pesquisa. A turma reuniu, majoritariamente, mulheres (95,2%) com mais de cinco anos de experiência na área de educação (85,7%). Uma consulta preliminar com os participantes do curso, mostra que quase 70% dos profissionais têm experiência na área de saúde, presencialmente, mas apenas 44,2% na modalidade EAD.
O professor José Moran, que é também um dos coordenadores do curso, conta que a intenção era justamente a de que os profissionais se familiarizassem com as tecnologias e tivessem mais contato com ambientes virtuais e aplicativos. A pesquisa mostra que 52,4% dos profissionais concordam totalmente sobre o alcance deste objetivo e os outros 47,6% concordam. "Minha avaliação é positiva, porque o curso surtiu o efeito desejado", diz Moran. A professora Dênia Falcão de Bittencourt, que também coordena a iniciativa, reforça este aspecto: “Após esta primeira experiência, com os indicadores e processos avaliativos dos participantes, teremos bons subsídios para que o curso seja qualificado como um importante instrumento de formação para a docência na saúde. Por isso, recomendo que seja disseminado para todos os professores da Fiocruz”.
A pedagoga e pesquisadora em saúde pública Silvia Helena Mendonca de Moraes, que atua na área de educação da Fiocruz Mato Grosso do Sul, aprovou a iniciativa: “Para mim foi superimportante ter a oportunidade de conhecer novas tecnologias e saber como utilizá-las nos processos de ensino-aprendizagem”, conta. Ela também elogia a qualidade dos textos e do material disponibilizado. “Achei excelente. Os temas foram bem distribuídos, com uma bibliografia muito adequada”. Silvia também considera que a experiência com educação à distância (EAD) também foi positiva, porque a modalidade possibilita que diversas pessoas possam fazer o curso. Como pontos de melhoria, a pedagoga sugere que os tutores ofereçam mais feedbacks sobre as atividades desenvolvidas e que haja mais tempo para a instrumentalização no uso das tecnologias. “Desenvolvemos um blog (webportfolio), tivemos a oportunidade de gravar vídeos, enfim, entramos em contato com diversas tecnologias. Mas fiquei com o gostinho de ‘quero mais’”, diz.
Este foi, aliás, um dos resultados mais expressivos da avaliação: todos os participantes demonstraram interesse em realizar novos cursos oferecidos pelo programa. E 90% dos docentes recomendariam a formação para outro professor ou colega.
A demanda por novas turmas é grande. Para atendê-la, a VPEIC está discutido novas iniciativas junto ao Fórum EAD Fiocruz. Ana Furniel, que é uma das coordenadoras da Vice, há a possibilidade de uma nova versão do curso. "Vamos ampliar o escopo, para tratar de temas como conteúdo para EAD, montagem de equipes, fluxos de construção de cursos e outros", comenta. "Desta vez, vamos desenvolver o curso num formato autoinstrucional, pensando numa escala maior, com oficinas presenciais nas unidades”. Então, que venham novos cursos e outros profissionais da educação!
A diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, assinou novo acordo de cooperação da instituição com a Universidade de Brasília (UnB), a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF)e a Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), no dia 27 de dezembro. O plano de trabalho envolve atividades de cooperação técnico-científica entre as instituições, para o compartilhamento de dados e a troca de informações para o desenvolvimento, a institucionalização e o fortalecimento da Sala de Situação da SES-DF. Espera-se que o compartilhamento de dados, estudos, ensino, pesquisas e projetos de interesse comum na área de ciência, tecnologia e inovação, aprimore as políticas públicas associadas ao desenvolvimento saudável e sustentável no âmbito do DF e da Região integrada de Desenvolvimento Econômico do DF e entorno.
O acordo também busca a implementação da Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) associada aos determinantes sociais da saúde no território, além da implementação e desenvolvimento tecnológico das salas de cooperação social como radares de territórios saudáveis e sustentáveis.
Na cerimônia, no auditório da Fiocruz Brasília, Fabiana ressaltou que este é o primeiro acordo firmado conforme o novo marco de ciência e tecnologia, e é o resultado de um trabalho que vem sendo construído ao longo dos últimos dois anos, com a instalação da Sala de Situação do DF. Segundo ela, o acordo reforça as ações colaborativas entre as instituições e fortalece a ciência cidadã.
O secretário de saúde do DF, Humberto Fonseca, agradeceu ao ex-ministro da Saúde, Agenor Alvares e ao ex-diretor da Fiocruz Brasília Gerson Penna, em cuja gestão o projeto foi iniciado. Segundo ele, mensalmente são inseridos no ambiente virtual os dados relacionados ao Samu, à atenção psicossocial, os óbitos e também a força de trabalho da secretaria. Semanalmente também são apresentadas online as informações sobre os casos de aids, sífilis, os indicadores dos ODS, além do acompanhamento da saúde e bem-estar na Cidade Estrutural, após a desativação do seu lixão. No portal, diariamente também é atualizada a lista de espera por leitos de UTI e a execução orçamentária da saúde.
O próximo passo é a divulgação de todos os dados de regulação sanitária, para democratizar o acesso da população e organizar os serviços assistenciais. O portal da Sala de Situação traz informações estratégicas sobre a saúde pública do DF em diversos formatos, possibilitando maior transparência das ações em saúde, o que conferiu à SES um prêmio da Controladoria Geral do DF.
A diretora da Fepecs, Maria Dilma Teodoro, lembrou iniciativas exitosas da instituição em parceria com a Fiocruz, como o Programa de Residência Multiprofissional. Já a reitora da UnB, Márcia Abraão reforçou que a universidade deve avançar nesta colaboração e demarcou o interesse da UnB em pesquisar a realidade do Distrito Federal, vide a quantidade de pesquisadores da instituição presentes no evento.
Clique aqui para acessar a sala de situação, desenvolvida em parceria com a Fiocruz Brasília.
Por Mariella de Oliveira-Costa (Fiocruz Brasília)
Um sistema de avaliação que não se repensa pode nortear os rumos da pós-graduação brasileira? Esta foi a tônica geral da crítica de três grandes pesquisadores sobre o assunto: Rita Barradas Barata, Maurício Barreto e Kenneth Camargo. Reunidos no 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão 2018), eles integraram a mesa redonda Avaliação da pós-graduação em saúde coletiva: que caminho seguir? O encontro, que aconteceu no dia 27 de julho, foi mediado por Guilherme Werneck, coordenador da área de Saúde Coletiva na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) entre 2014 e 2018.
A professora Rita Barradas Barata, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa da Casa de São Paulo, presidente da Abrasco (1996-2000) e ex-diretora da Capes, abriu o debate, trazendo questões importantes sobre a Avaliação Quadrienal 2013-2016. Segundo ela, este modelo, utilizado desde 1998, sofreu poucos ajustes, impossibilitando à agência de fomento acompanhar o crescimento exponencial dos programas de pós-graduação (PPG), as mudanças no setor científico e os desafios contemporâneos da ciência.
O principal objetivo da pós-graduação, de acordo com Rita, deveria ser a busca por excelência e qualidade. “Mas o tempo exíguo para a avaliação e o predomínio de indicadores quantitativos fazem com que os coordenadores dos programas usem os indicadores de uma forma ineficiente”, afirmou.
Mais qualidade, menos regulação
Usando o lema “Menos pode ser mais”, Rita disse que a mudança no sistema avaliativo da Capes deve estar calcada em buscar um papel menos regulatório e mais avaliativo, de fato. Além disso, ela comentou questões como a formação insuficiente e deficiente dos doutores e o trabalho mecânico de publicação. A professora destacou, ainda, que a autoavaliação deve mostrar a relevância dos Programas para o campo científico e também sua inserção social. Ou seja: sua contribuição para a sociedade brasileira. “Precisamos de um parecer circunstanciado, contextualizado. A ficha de avaliação produziu um algoritmo, que não funcionou”, disse.
Neste sentido, apontou para a definição de um conjunto de indicadores qualitativos para as áreas, para mudança de critérios para Programas de Excelência (a partir de candidaturas e com a participação de avaliadores internacionais de forma complementar) e transformações urgentes no Qualis Periódicos.
Criação de órgão multiagencial para transformar um sistema estagnado
Em seguida, o coordenador geral do Centro de Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), Maurício Barreto, expandiu a discussão. Para ele, o sistema nacional de pós-graduação é parte do sistema científico e tecnológico do país, mas opera numa lógica invertida. “A avaliação da Capes passou a ser o instrumento para medir tudo”, criticou.
Barreto acredita que o Brasil sofre as consequências de não produzir estudos de avaliação do próprio sistema, estagnado por décadas. Além disso, não há no país um plano de longo prazo para avaliar a pós-graduação – atualmente assentada na análise de cada curso. “O principal erro foi manter inalterado este sistema por 30 anos. Afinal, avaliar é uma ciência”, lembrou. Para ele, a mudança depende de modelos de avaliação aplicados aos seus contextos, isto é, capazes de entender como operam as estruturas de poder das comunidades científicas do país.
O coordenador do Cidacs também disse que é necessário criar estruturas para lidar com grandes volumes das avaliações, adotar sistemas que relacionem elementos quantitativos e qualitativos e avaliar o próprio sistema de avaliação da Capes. Para que isso aconteça, Barreto propôs a criação de um órgão multiagencial: “A Capes não comporta mais essa tarefa. A avaliação é autonomia, é independência. O sistema tem que ter a capacidade de se autotransformar”.
Ciência, um empreendimento coletivo
Destacando os pontos de contato de Barradas e Barreto, o professor do Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ), Kenneth Camargo iniciou sua apresentação dizendo que a avaliação não acompanhou as mudanças do contexto. “Hoje, a ciência está sob ataque e vivemos num momento de pós-verdade”, afirmou, citando os movimentos antivacinais e outros que questionam o conhecimento científico. O professor atentou para o fato de que o campo da ciência também é altamente influenciado por interesses econômicos, que acabam induzindo seus atores a só investirem na produção do que pode ser financiado e lucrativo, em detrimento de interesses coletivos.
Kenneth acredita que os cientistas precisam se articular politicamente para voltarem a ser legitimados pela sociedade. Para isso, segundo ele, é preciso promover os valores da Ciência, mostrar sua importância e a quem se destina, reduzir a ênfase no modelo de hipercompetição e atuar de forma mais colaborativa e solidária. “Temos que estimular o trabalho cooperativo para disseminar o conhecimento científico, e expressar nossa diversidade como cientistas”.
Debate
O vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Manoel Barral, prestigiou o debate. Durante as intervenções do público, ele comentou sobre a necessidade de repensar o modelo de formação do cientista para que seu olhar seja também o de um cidadão capaz de fazer esta ponte com a sociedade.
Respondendo às perguntas dos participantes, a professora Rita Barradas lembrou que o modelo brasileiro é criticado por avaliadores internacionais. “Eles logo percebem que avaliamos a ciência, mas não a formação dos docentes. Este é um grande ponto de virada. E não se trata de abandonar a pesquisa, mas de agregar a formação para termos professores mais completos”.
Maurício Barreto, por sua vez, comentou a questão da complexidade e diversidade de perfis. “O cientista não é um super-homem”, resumiu. Fora do Brasil, segundo ele, há mais distinção entre os diferentes perfis (professor, pesquisador, profissional etc.), maior valorização da identidade de cada um e, portanto, menos hierarquização entre os diferentes papeis. Além disso, apontou para um componente muito importante: a valorização da missão das universidades. “A Capes pasteuriza as instituições”, criticou.
Outras questões foram levantadas: Como a comunidade da saúde coletiva pode contribuir para liderar a discussão na Capes junto a outras áreas? De que forma os alunos podem se envolver mais na discussão destas mudanças, para que o processo contemple também suas necessidades, já que são diretamente afetados pela avaliação? Como reduzir desigualdades regionais e promover maior articulação entre os programas?
Ao final, numa reflexão coletiva de excelente qualidade, ficou evidente que a avaliação não pode ser um fim em si mesma e que são necessárias mudanças urgentes no sistema da pós-graduação brasileira.
Por Flávia Lobato* (Campus Virtual Fiocruz)
*Com informações de Catarina Schneider, estudante do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/ ICICT/Fiocruz), que participou do projeto de cobertura colaborativa para o Abrascão 2018 – Edição Bruno C. Dias
A Revista Trabalho, Educação e Saúde (REVTES) comemora os resultados da avaliação pelo sistema Qualis Periódicos, mantido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação. O sistema Qualis classifica artigos publicados em periódicos científicos utilizados pelos programas de pós-graduação para a divulgação da sua produção. Para refletir a importância dos diferentes periódicos para uma determinada área, são formados comitês de consultores, que seguem critérios de avaliação previamente definidos pela área. Na classificação, divulgada no final de junho deste ano, a REVTES, que é editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) saltou de B1 em ensino e sociologia de 2010 a 2012 para A2 entre 2013 e 2016 (sendo A1 o estrato mais elevado na escala A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5, C - com peso zero).
Segundo os editores da revista, apesar das inúmeras controvérsias sobre os sistemas avaliativos desse tipo de publicação, como a dependência do seu desempenho nessa classificação para concorrer em editais de financiamento da produção editorial, estes resultados devem ser considerados, já que refletem a importância relativa que essas duas áreas vêm conferindo ao periódico científico.
Dez coisas que você deveria saber sobre o Qualis
A edição n. 30 da Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG) – publicação que divulgação de estudos, experiências e debates sobre a pós-graduação, sua situação, desafios, políticas e programas – traz o artigo Dez coisas que você deveria saber sobre o Qualis. No texto, assinado pela diretora de Avaliação da Capes, Rita de Cássia Barradas Barata, são abordados dez pontos essenciais para se compreender o Qualis Periódicos, esclarecendo dúvidas frequentemente apresentadas aos coordenadores de área por editores científicos, docentes e alunos de programas de pós-graduação.
O sistema de avaliação é destaque de outros dois artigos da mesma edição. O Qualis Periódicos e sua utilização nas avaliações, de autoria de Nei Yoshihiro Soma, Alexandre Donizeti Alves e Horacio Hideki Yanass; e Qualis: implicações para a avaliação de programas de pós-graduação das diferentes áreas do conhecimento” – uma análise preliminar, assinado por André Luiz Felix Rodacki. Acesse a edição completa.
Sobre a Revista Trabalho, Educação e Saúde
Editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), a REVTES debate, analisa e investiga questões ligadas à educação como área do conhecimento em saúde. Publicada a cada quatro meses, tem como temas centrais a formação e a qualificação profissional e o processo de trabalho na saúde, sendo voltada a pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação, profissionais vinculados aos serviços de saúde, além de docentes e gestores da educação profissional neste setor. Os artigos e ensaios da revista são avaliados com base no sistema de revisão por pares.
Acesse a edição atual da REVTES (vol. 15, n. 2, maio/2017) no Portal de Periódicos Fiocruz.
Flávia Lobato, com informações da Capes