Para lançar o curso "Vigilância, diagnóstico, tratamento e manejo de pacientes com leishmanioses", o Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia) organizou um encontro com especialistas da área, que acontecerá no dia 18 de junho, a partir das 9h, no Auditório Aluízio Prata, na Fiocruz Bahia, em Salvador, para discutir a temática. O evento é aberto ao público, não requer inscrição prévia e conta também com transmissão ao vivo pelo canal da Fiocruz Bahia no YouTube. O curso, iniciativa da Fiocruz Bahia em parceria com o Campus Virtual Fiocruz, tem como objetivo fortalecer as competências necessárias para o enfrentamento das leishmanioses, contribuindo para a melhoria da assistência ao paciente e para a redução do impacto dessas doenças na comunidade. A formação está sob a coordenação de Patrícia Sampaio Tavares Veras, pesquisadora do IGM/Fiocruz Bahia.
As inscrições na formação terão início em 18/6, a partir das 9h, juntamente com o início do evento!
As leishmanioses são doenças infecciosas de grande relevância em saúde pública, que exigem ações integradas de vigilância, diagnóstico precoce, tratamento adequado e manejo clínico eficiente. Para tanto, o curso foi desenvolvido para capacitar profissionais de saúde e estudantes da área, oferecendo conteúdos atualizados, baseados em evidências científicas e nas recomendações mais recentes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Ao longo de quatro módulos, você terá acesso a materiais didáticos de qualidade, orientações práticas e estratégias de intervenção voltadas tanto para a atenção individual quanto para a vigilância epidemiológica.
A programação do encontro trará especialistas e gestores para discutir experiências e estratégias de formação profissional em saúde, com destaque para o papel da educação a distância na qualificação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS). A abertura contará com uma apresentação da coordenadora do Campus Virtual Fiocruz, Ana Furniel, sobre a atuação da Fiocruz Bahia e do Campus Virtual na educação a distância em saúde. Em seguida, a mesa-redonda “Experiências em formação profissional em saúde” reunirá pesquisadores e docentes com trajetórias reconhecidas na área. Ricardo Khouri abordará o impacto dos cursos autoinstrucionais na capacitação de profissionais que atuam em vigilância em saúde. Clara Mutti Vasconcellos apresentará a experiência da Fiocruz Bahia na construção de cursos autoinstrucionais voltados à formação profissional, enquanto Maria Conceição de Almeida discutirá os desafios e oportunidades da educação a distância em nível de pós-graduação.
O ponto alto do evento será o lançamento do curso "Vigilância, diagnóstico, tratamento e manejo de pacientes com leishmanioses". A iniciativa busca ampliar o acesso ao conhecimento atualizado e contribuir para a qualificação das ações de enfrentamento das leishmanioses em diferentes contextos do país. No Brasil, a doença está presente em todas as regiões do país, com maior ocorrência em áreas rurais, periurbanas e em regiões que passam por processos de expansão urbana e alterações ambientais. A leishmaniose visceral concentra casos principalmente no Nordeste, mas tem avançado para centros urbanos de outras regiões. Já a forma tegumentar apresenta ampla distribuição territorial, especialmente em áreas de floresta e de ocupação humana recente.
Diante desse cenário, a capacitação permanente dos profissionais de saúde é considerada estratégica para fortalecer a vigilância, melhorar o diagnóstico oportuno e garantir o cuidado adequado aos pacientes.
As leishmanioses são doenças infecciosas causadas por parasitas do gênero Leishmania e transmitidas pela picada de flebotomíneos infectados, popularmente conhecidos como mosquito-palha, tatuquira ou birigui. A doença apresenta diferentes formas clínicas, sendo as mais frequentes a leishmaniose tegumentar, que afeta pele e mucosas, e a leishmaniose visceral, considerada a forma mais grave e potencialmente fatal quando não tratada. A prevenção envolve medidas como controle de vetores, proteção individual contra picadas e vigilância de reservatórios animais, especialmente cães em áreas endêmicas. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para reduzir complicações e interromper a cadeia de transmissão.
Evento:
Lançamento do curso Vigilância, diagnóstico, tratamento e manejo de pacientes com leishmanioses com debate de especialistas
Data: 18 de junho
Horário: 9h
Local: Auditório Aluízio Prata – Fiocruz Bahia (Rua Waldemar Falcão, 121, Candeal, Salvador-BA)
Transmissão ao vivo: Canal da Fiocruz Bahia no YouTube
Participação presencial gratuita e aberta ao público, sem necessidade de inscrição prévia.
A democratização do conhecimento científico e o fortalecimento do diálogo entre ciência e sociedade ganham um impulso com o lançamento da nova edição do curso Ciência Aberta, oferecido por meio do Campus Virtual Fiocruz. Online, gratuito e aberto ao público, a formação foi concebida como uma ação estratégica da Fiocruz para ampliar a compreensão sobre o movimento da Ciência Aberta e para estimular práticas mais transparentes, colaborativas e acessíveis na produção científica e educacional. As inscrições já estão disponíveis! A nova edição foi revista, atualizada e ampliada e é voltada a estudantes, pesquisadores, profissionais de diferentes áreas e todos os interessados no tema.
A formação propõe uma imersão em conceitos fundamentais que vêm transformando a forma como o conhecimento é produzido, compartilhado e utilizado no mundo contemporâneo. Em um cenário em que a aproximação entre ciência e sociedade se torna cada vez mais necessária, o curso busca fortalecer a alfabetização científica, a transparência e o acesso aberto à informação. A formação é uma parceria do Campus Virtual com a Coordenação de Informação e Comunicação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Cinco/VPEIC), sendo Vanessa de Arruda Jorge e Anne Clinio, respectivamente, coordenadora e pesquisadora da Cinco/VPEIC, como responsáveis acadêmicas da formação.
Vanessa lembrou que a primeira edição do curso Ciência Aberta, com módulos lançados entre 2018 e 2020, foi pioneiro no Brasil no que se refere ao formato e ao alcance do público, tendo participação bastante expressiva e relevante em todo o país. Ela destacou ainda que a nova edição, de 2026, foi totalmente reorganizada e renovado, resultando em um curso de 100h atualizado e inovador. "Apesar de os conteúdos da primeira edição serem ainda muito importantes para a área, a discussão da ciência aberta é atual, viva e está em constante evolução. Assim, vimos a necessidade de fazer essa grande revisão, trazendo novos autores, conteúdos e a modernização da organização da oferta", comentou Vanessa.
Ao longo das aulas, os participantes terão contato com temas essenciais relacionados ao compartilhamento livre do conhecimento, incluindo fundamentos e marcos legais da Ciência Aberta, gestão e compartilhamento de dados para pesquisa, acesso aberto às publicações científicas e práticas de Educação Aberta. A proposta é incentivar o desenvolvimento de competências capazes de tornar a produção científica mais democrática, acessível e conectada às necessidades da sociedade.
A iniciativa também reforça o compromisso histórico da Fiocruz com a democratização do conhecimento e com o fortalecimento das políticas de acesso aberto. A primeira edição da formação foi oferecida em forma de pequenos cursos, lançados como módulos entre 2018 e 2020. Um total de oito temáticas publicadas que juntas somam mais de 35 mil inscritos. Além de promover o debate sobre os desafios e perspectivas da Ciência Aberta, o curso atual convida os participantes a refletirem sobre o papel social da ciência e sobre a importância de construir uma cultura científica cada vez mais inclusiva, participativa e transparente. "A expectativa é que a nova formação inspire novos modos de produzir, compartilhar e aplicar o conhecimento, ampliando o impacto social da ciência e aproximando ainda mais a pesquisa da população", frisou Vanessa.
Conheça a estrutura do curso Ciência Aberta — com 5 módulos e carga horária de 100h — e inscreva-se:
Módulo 1 - Fundamentos da Ciência Aberta
Módulo 2 - Marcos Legais
Módulo 3 - Acesso Aberto
Módulo 4 - Gestão, compartilhamento e abertura de dados para pesquisa
Módulo 5 - Educação aberta e recursos educacionais abertos
Atenção! Para realizar um dos cursos oferecidos pelo Campus Virtual é necessário que ter cadastro no Acesso Único Fiocruz ou na plataforma UNA-SUS. O cadastro pode ser criado no momento da inscrição. Depois de realizar o cadastro e login, clique no curso que deseja e inscreva-se! Você receberá a confirmação da inscrição por e-mail.
A Câmara Técnica de Educação da Fiocruz (CTE) realizou, na manhã desta quarta-feira, 20/5, uma reunião marcada por importantes avanços institucionais no campo da educação. Durante o encontro, foram aprovados quatro documentos estratégicos relacionados à formação, convivência institucional e internacionalização: Código de Conduta Discente, Regimento do Alojamento Discente, e as portarias de cotutela e de estágio internacional. Os avanços reforçam o compromisso da Fundação com a qualificação de suas políticas educacionais e com a construção coletiva de normas voltadas à comunidade acadêmica.
O Código de Conduta e o Regimento do Alojamento do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, ligado à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (CRPHF/Ensp), no Rio de Janeiro, são documento voltados aos discente dos cursos e programas de pós-graduação da Fiocruz. Ambos são resultado de um processo de construção coletiva desenvolvido ao longo de vários meses por grupos de trabalho compostos por representantes de diferentes unidades da Fiocruz. Ambas as propostas também passaram por consulta pública interna, recebendo contribuições da comunidade institucional, que posteriormente foram analisadas e incorporadas às versões apresentadas na reunião.
A coordenadora-geral de Educação da Fiocruz, Isabella Delgado, explicou que, após a aprovação na Câmara Técnica de Educação, os documentos ainda seguirão trâmites institucionais antes de sua validação definitiva. "O Código de Conduta Discente e o Regimento do Alojamento serão encaminhados para análise da Procuradoria Federal da Fiocruz, passarão por reunião da Presidência e, ao final, pela aprovação do Conselho Deliberativo da Fundação (CD). Esse fluxo minucioso reforça o caráter participativo e criterioso do processo de consolidação das normativas institucionais", detalhou ela.
Enriquecendo o encontro, a CTE recebeu a ouvidora-geral da Fiocruz, Daniela de Miranda Bueno, e a Vice-diretora de Ensino e Informação Científica do Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Bahia), Sheila Andrade de Oliveira, que compartilharam com o grupo suas experiências institucionais e contribuíram para ampliar o debate. Isabella destacou que o IAM já possui um código de conduta implementado e as contribuições trazidas por Daniela e Sheila fomentaram reflexões sobre acolhimento, convivência institucional e construção de ambientes educacionais mais seguros, éticos e participativos.
A reunião contemplou também pautas ligadas à internacionalização da educação, com a aprovação de duas portarias apresentadas pela área de Educação Internacional: de cotutela e de estágio internacional. Diferentemente dos outros dois documentos já citados, essas normativas seguem fluxo próprio e têm aprovação no âmbito da CGE/VPEIC, representando mais um passo no fortalecimento das estratégias de cooperação acadêmica internacional da Fiocruz.
Às vésperas do Dia dos Povos Indígenas, uma experiência inédita na Amazônia brasileira lança luz sobre um dos principais desafios da educação no país: transformar acesso em permanência e formação qualificada. Pela primeira vez, a Fiocruz ofertou uma turma de mestrado em Saúde Coletiva exclusiva para indígenas do Alto Solimões, sediada em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, região estratégica do ponto de vista geopolítico e sanitário. A iniciativa, conduzida pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), foi composta por 15 alunos de quatro municípios do Alto Solimões, pertencentes às etnias Marubo, Tikuna, Kokama e Kaixana. O processo seletivo, também inovador, rompeu com critérios exclusivamente acadêmicos e incorporou trajetórias de vida, vínculos comunitários e atuação em movimentos indígenas para formar a turma especial estendida do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia, coordenada pela pesquisadora sênior da Fiocruz Amazônia, a médica sanitarista Luiza Garnelo.
A turma estendida surgiu a partir de uma análise da realidade brasileira, que indicou que cotas e incentivos para indígenas não eram suficientes, evidenciando a necessidade de descentralizar o curso e ancorá-lo no território. Para Luiza, o resultado desse movimento é uma turma multidisciplinar, composta por profissionais com formações que vão desde a enfermagem até a antropologia, sempre direcionados à saúde coletiva com foco no território.
Ofertado em regime modular e presencial em Tabatinga, no Amazonas, o curso manteve o rigor do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), mas adaptou conteúdos e metodologias para incluir a saúde indígena como eixo estruturante. Também foram incorporados apoios pedagógicos específicos, como acompanhamento em língua portuguesa e matemática, além de capacitação para uso de bases de dados e ferramentas acadêmicas. “Não se tratou de flexibilizar a qualidade, mas de criar condições reais para que esses estudantes se apropriassem do ambiente acadêmico”, explicou a coordenadora da turma.
Iniciada em 2023, a primeira turma de mestrado fora da sede do ILMD/Fiocruz Amazônia é também um marco da interiorização das ações afirmativas da pós-graduação da Fiocruz, que se tornou possível a partir de parcerias e do apoio fundamental das vice-presidências de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz) e de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS). O PPGVIDA é coordenado pela pesquisadora Ani Matsuura, e a turma especial estendida está sob a responsabilidade de Luiza Garnelo.
A vice-presidente adjunta de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Eduarda Cesse, destacou o processo de negociação e adaptação junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para a realização desta turma, afirmando que a instituição tem expertise em políticas inclusivas e está em constante aprendizado neste sentido. "A realização da turma especial elevou o PPGVIDA a uma categoria diferenciada, saindo dos padrões, o que tornou possível fortalecer práticas primordiais à Fundação. Isso é política inclusiva e isso a Fiocruz sabe fazer!", apontou ela, orgulhosa da turma especial.
Permanência, apoio e transformação social
Os resultados já começaram a aparecer. Com defesas previstas até junho de 2026, a maioria dos estudantes já concluiu ou está finalizando seus trabalhos. Paralelamente a isso, observa-se um aumento da empregabilidade dos egressos, muitos dos quais passaram a atuar em suas áreas de formação ou como sanitaristas, ampliando a capacidade técnica nos próprios territórios.
Temas como logística em distritos sanitários indígenas, alimentação tradicional em escolas e itinerários terapêuticos no Vale do Javari evidenciam uma produção científica diretamente conectada às vivências dos próprios territórios. “Os projetos foram construídos de forma negociada, buscando responder a problemas concretos das comunidades de origem dos estudantes, refletindo o compromisso dessa iniciativa”, destacou Luiza, afirmando que tal abordagem dialoga ainda com outras frentes da Fiocruz voltadas à saúde indígena, que articulam pesquisa, formação e políticas públicas.
"Ao não ocuparem uma posição de minoria étnica, os estudantes relataram maior conforto emocional, potencializando as relações de solidariedade e aprendizado interpares, o que amenizou o estresse que habitualmente incide sobre os estudantes de pós-graduação", contou Luiza, destacando ainda que a infraestrutura também foi decisiva: bolsas de estudo, equipamentos e acesso à internet, além de suporte institucional contínuo.
Vivências e aprendizados para o futuro das ações afirmativas
A realização desta turma estendida de mestrado trouxe importantes aprendizados, experiências e evidenciou desafios estruturais, entre eles, a necessidade de financiamento adicional, maior tempo para maturação das pesquisas — especialmente aquelas realizadas em áreas remotas — e estratégias de devolutiva dos resultados às comunidades. “Formar mestres indígenas implica reconhecer tempos, modos de produzir conhecimento e compromissos que vão além da academia”, afirmou a coordenadora do curso.
Mais do que uma experiência localizada, a turma de Tabatinga fomenta o debate institucional sobre ações afirmativas. Ao articular acesso, permanência e pertinência social da formação, a iniciativa aponta caminhos para uma política mais robusta e efetiva, que esteja alinhada às demandas dos povos indígenas e aos desafios do Sistema Único de Saúde (SUS) em territórios historicamente invisibilizados.
Cabe destacar que essa experiência caminha em articulação com pesquisas sobre a política de ações afirmativas no ensino superior (graduação e pós-graduação), cujos resultados estão sendo analisados e serão, em breve, objeto de publicação de artigos e livros.
Em um cenário em que a desinformação e a desconfiança colocam em risco conquistas históricas da saúde pública, a vacinação volta ao centro do debate. Para fortalecer a atuação dos profissionais diante desse desafio crescente, a Fiocruz lança o curso “Hesitação vacinal: uma ferramenta para auxiliar os profissionais de saúde”, uma formação estratégica que busca preparar trabalhadores para lidar com recusas, dúvidas e inseguranças da população. Mais do que um tema técnico, este curso trata de uma questão urgente de saúde pública! O curso é uma promoção do Núcleo Interdisciplinar sobre Emergências em Saúde Pública (Niesp), ligado à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e ao Centro de Estudos Estratégicos Antônio Ivo de Carvalho (CEE), em parceria com o Campus Virtual Fiocruz. As inscrições já estão abertas!
Dados recentes do Ministério da Saúde indicam esforços para recuperar essas coberturas, mas o desafio permanece. A hesitação vacinal — fenômeno complexo que envolve fatores culturais, sociais, políticos e informacionais — é hoje reconhecida como uma das principais ameaças à saúde pública global. Nesse contexto, o preparo dos profissionais de saúde, especialmente na Atenção Primária, torna-se decisivo para reverter esse quadro. O curso foi estruturado para oferecer uma abordagem crítica e contextualizada sobre a hesitação vacinal, articulando conhecimento técnico-científico com a experiência cotidiana dos profissionais. Com carga horária de 30h e autoinstrucional, a formação é voltada a trabalhadores da saúde e demais interessados no tema.
Reconhecido internacionalmente por seu robusto Programa Nacional de Imunizações (PNI), o país construiu, ao longo de décadas, uma trajetória exemplar no controle de doenças imunopreveníveis. Até 2016, o Brasil alcançava altas coberturas vacinais de forma consistente, sendo referência global. No entanto, nos anos seguintes, esse cenário sofreu uma brusca mudança de rota: queda generalizada nas taxas de vacinação e aumento da desconfiança em relação à segurança e à eficácia das vacinas.
Com o curso, os participantes terão contato com conteúdos que abordam desde a história das vacinas e seu funcionamento até aspectos éticos, estratégias de comunicação e políticas públicas relacionadas à imunização. A proposta é ir além da informação. Busca-se desenvolver habilidades práticas para o manejo da hesitação no cotidiano dos serviços. Entre os principais aprendizados, destacam-se a compreensão do papel das vacinas na saúde global, o reconhecimento das características do PNI, a análise dos diferentes tipos de imunizantes e suas fases de desenvolvimento, além da construção de estratégias de diálogo que fortaleçam a confiança da população. Em um contexto em que a circulação de informações falsas impacta diretamente as decisões em saúde, saber alcançar o outro e se comunicar é tão importante quanto dominar o conteúdo técnico, estabelecendo diálogo e vínculo com a população. A vacinação, nesse sentido, não é apenas uma medida de proteção individual, mas um pacto coletivo que sustenta a proteção de comunidades inteiras.
A vacinação sempre foi o coração do SUS, mas, nos últimos anos, temos observado um fenômeno novo nas salas de vacina: a hesitação vacinal. Segundo o coordenador da formação e pesquisador da Ensp, Sergio Rego, o que antes era uma decisão quase automática para muitas pessoas, passou a ser atravessado por dúvidas, medos e, em alguns casos, recusa. Esse cenário é complexo e está diretamente relacionado a sentimentos de insegurança, receio de reações adversas e, sobretudo, à circulação intensa de desinformação e notícias falsas nas redes sociais”, afirmou ele.
Sergio, que divide a coordenação do curso com a pesquisadora Ester Paiva Souto e com a docente Lenir Nascimento da Silva, ambas da Ensp, apontou que enfrentar esse desafio passa, necessariamente, pelo fortalecimento do vínculo entre profissionais de saúde e a população em geral. “O trabalhador da saúde, especialmente aquele que atua na ponta, tem um papel central nesse processo, uma figura de confiança para as famílias e comunidades. Assim, sua fala e posicionamento podem transformar dúvidas em segurança. Por isso, iniciativas de formação como esta são tão estratégicas. Não se trata apenas de transmitir conteúdo teórico, mas de promover reflexão a partir da prática e integrar esse saber com o que há de mais atualizado na ciência”, defendeu.
O lançamento do curso representa, portanto, uma resposta concreta a um dos desafios mais urgentes da atualidade. Em tempos de incertezas e disputas informacionais, fortalecer a confiança nas vacinas é fortalecer a vida. Assim, preparar os profissionais de saúde é o primeiro passo para garantir que essa confiança seja reconstruída.
A Fiocruz, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a Universidade Federal de Rondônia (Unir), instituições que integram a Rede Capes Global para o desenvolvimento sustentável, ciência e saúde, estiveram na sede da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em Brasília, nos dias 8 e 9 de abril para o seminário Marco Zero. O encontro deu início às atividades dos projetos aprovados no âmbito do Programa Redes para Internacionalização Institucional (Capes-Global.edu) e reuniu representantes de instituições de ensino em torno da ampliação da cooperação acadêmica internacional e do fortalecimento da internacionalização da educação superior no país.
A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz, e a coordenadora-geral de Educação, Isabella Delgado, estiveram presentes no evento, estreitaram laços com os representantes da Capes e das outras iniciativas que compõe o Programa, receberam orientações técnicas e operacionais voltadas à execução, monitoramento e concessão dos benefícios previstos na iniciativa e apresentaram a Rede Capes Global para o desenvolvimento sustentável, ciência e saúde, e está sob a coordenação da Fundação.
"Esse foi um dia muito importante para o Sistema Nacional de Pós-Graduação brasileiro", disse a coordenadora-geral de Educação da Fiocruz, ratificando que a participação da Fiocruz nesta iniciativa reforça seu compromisso com a cooperação internacional e com o fortalecimento da formação e da produção científica em saúde, contribuindo para o desenvolvimento de redes colaborativas e para a qualificação da pós-graduação brasileira em diálogo com o cenário global.
A vice-presidente comentou que foi fundamental para a educação da Fiocruz estar nesse seminário como líder de uma das redes de internacionalização. Segundo ela, participar desse processo foi compreender que muito se progrediu até aqui com a internacionalização nos programas de pós graduação de excelência e com o PrInt Fiocruz-Capes. No entanto, apontou que "ainda temos muito mais a avançar com o Capes Global no sentido do protagonismo na cooperação Sul-Sul, de redução das assimetrias regionais e do compartilhamento de conhecimentos e práticas para o fortalecimento dos sistemas de saúde. Importante destacar ainda que a construção desta Rede, sob a liderança da VPEIC, foi coletiva e muito colaborativa, e que teremos muito a realizar nos próximos cinco anos", disse Marly Cruz.
Capes-Global.edu: Fiocruz aprovada em 1° lugar
Número 1 entre 33 aprovadas e com mais de 50 submissões concorrentes de todo o país, a proposta da Fiocruz, segundo a Capes, não apenas cumpre os requisitos do edital, mas "estabelece um modelo inovador de internacionalização solidária no Brasil. A rede estabelecida demonstra que é possível aliar alta produtividade científica com justiça social" e aponta que a "aprovação é estratégica para a soberania científica brasileira e para a construção de uma pós-graduação mais equilibrada e inclusiva". Entre os critérios avaliados pela Capes no edital de chamamento ao Programa estavam: Excelência científica como âncora de desenvolvimento, alinhamento estratégico com políticas de Estado, redução real e prática de assimetrias, compromisso estrutural com a diversidade, e governança robusta e gestão de riscos.
Estrutura da Rede Capes Global para o desenvolvimento sustentável, ciência e saúde
Os temas centrais da rede são: Sistemas de saúde, doenças socialmente determinadas e desigualdades (1); Saúde global e emergências em saúde (2); Biodiversidade, ambiente e mudanças climáticas (3); Ciclo de vida, transformações demográficas e envelhecimento saudável (4); e Inovação em ciência e tecnologia para a saúde (5). Vale destacar que os cinco eixos temáticos estabelecidos estão rigorosamente alinhados às prioridades nacionais e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, sendo a Rede uma matriz de intervenção pública, conectando a ciência e tecnologia de ponta às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Cada um dos eixos busca um objetivo específico:
Os planos de ação da Rede envolvem dois tópicos centrais: formação discente, docente e técnica, e pesquisa e produção. No âmbito da formação discente, docente e técnica estão previstos: mobilidade internacional e nacional entre as associadas, cursos de curta duração e disciplinas em parceria com as instituição de ensino superior (IES) associadas e com a participação de professores estrangeiros, realização de missões, aprimoramento do processo de formalização e o desenvolvimento de cotutelas, e a realização de cursos de idiomas. Já no que se refere ao tópico pesquisa e a produção, estão desenhadas ações para estímulo à formação de redes de pesquisa, à publicação científica conjunta e ao desenvolvimento de produtos técnicos e tecnológicos, a realização de seminários conjuntos e a indução de atividades de comunicação e divulgação científica.
Para o desenho, elaboração e alinhamento de todas as etapas que constroem a rede, foi realizada uma oficina de trabalho na Fiocruz, no Rio de Janeiro, com a participação de representantes das cinco instituições de ensino que integram a iniciativa Fiocruz no Programa Capes-Global.edu.
A Fiocruz dá mais um passo estratégico na consolidação das políticas afirmativas em sua oferta educacional. Acaba de ser publicada a nota técnica Nº 01/2026/CGE/VPEIC/Fiocruz, de 2 de abril de 2026, que orienta a elaboração de chamadas públicas dos cursos de qualificação profissional e programas de pós-graduação lato e stricto sensu oferecidos pela instituição. Seu objetivo é garantir a aplicação da reserva de vagas no âmbito das ações afirmativas nos processos seletivos, respeitando a legislação vigente e atual no que se refere ao acesso e à inclusão de grupos historicamente excluídos e discriminados. A nota é fruto de um trabalho coletivo que vem sendo desenvolvido por diferentes instâncias da educação na Fiocruz, sob coordenação da Vice-Presidência de Educação Informação e Cominação (VPEIC) e no âmbito da Comissão de acompanhamento de afirmativas na educação da Fiocruz.
Ao longo dos últimos anos, a Fiocruz vem fazendo esforços voltados ao desenvolvimento de políticas nessa área e ao fortalecimento de tais princípios na instituição, como a publicação da Política para Acessibilidade e Inclusão das Pessoas com Deficiência, em 2019, e da Política de Equidade Étnico-Racial e de Gênero da Fiocruz e a consolidação da Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa), em 2023.
A proposta da Comissão de acompanhamento de ações afirmativas na educação é enfrentar lacunas ainda existentes na operacionalização das ações afirmativas, oferecendo subsídios para gestores educacionais, docentes e equipes técnicas, especialmente diante de dúvidas recorrentes mesmo após a institucionalização dessas políticas por meio de normativas internas.
Expansão, aperfeiçoamento e fortalecimento das políticas afirmativas na promoção da equidade e enfrentamento das desigualdades no campo da saúde
Segundo a coordenadora-geral de Educação da Fiocruz, Isabella Delgado, este documento inaugura um novo ciclo de orientações práticas para apoiar cursos, programas e unidades na implementação qualificada dessas políticas. "Este é um movimento que traduz, na prática, diretrizes institucionais já estabelecidas e responde a demandas concretas da nossa comunidade acadêmica", disse ela, detalhando ainda que a construção dessa primeira nota técnica é resultado direto do trabalho da comissão responsável pelo acompanhamento das ações afirmativas na educação, que reúne representantes da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), da Coordenação-Geral de Educação (CGE), da Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa), do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça e do Comitê de Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência, e pesquisadores da Fiocruz.
A composição da Comissão de acompanhamento das ações afirmativas na educação da Fiocruz e seus próximos passos
A atuação do grupo apresenta uma dinâmica de trabalho colaborativa e contínua, baseada na criação de subgrupos temáticos que aprofundam aspectos específicos das políticas da área. Essa organização permite avançar simultaneamente em diferentes dimensões — normativa, pedagógica, comunicacional e de gestão — consolidando uma abordagem sistêmica das ações afirmativas. São autores da nota: Ana Lúcia Pontes, Bárbara Aires, Diádiney Helena de Almeida, Francisco Silva Pinto, Hilda Gomes, Ionara Garcia, Isabella Delgado, Luciana Lindemmayer, Lucilene Freitas, Mariana Souza, Paula Bevilacqua, Rosane Marques de Souza, Roseli Rocha, Tatiane Nunes e Ynaê Lotito.
O intuito é divulgar amplamente as ações da comissão, bem como as notas técnicas elaboradas entre todos os atores da educação na Fiocruz. "Mais do que um produto isolado, a nota técnica integra um conjunto amplo de iniciativas que vêm sendo estruturadas pela Fiocruz nos últimos anos, consolidando um campo estratégico da política educacional institucional", disse Isabella.
No âmbito da comissão, foram definidos grupos de trabalho responsáveis por avançar em frentes prioritárias. Entre elas, destacam-se a atualização da portaria institucional sobre ações afirmativas; a formulação de estratégias de comunicação e captação de novos estudantes de pós-graduação, com foco em populações indígenas e pessoas trans e travestis; e a criação de uma disciplina transversal sobre diversidade e equidade, voltada à formação de discentes, docentes e profissionais que atuam na gestão acadêmica.
Outras ações em curso incluem a elaboração de um documento orientador para diplomação de pessoas trans, o desenvolvimento de ações e iniciativas específicas em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) voltada à ampliação do acesso de pessoas trans e travestis, e a organização de comissões e bancas de heteroidentificação. Soma-se a isso a construção de um plano de acessibilidade — requisito fundamental, inclusive, para o processo de recredenciamento da Fiocruz como Escola de Governo — reforçando o compromisso com a inclusão de pessoas com deficiência em todos os níveis da educação institucional.
Como próximo passo, está prevista a realização de um seminário que reunirá representantes da pós-graduação stricto sensu, lato sensu e das residências em saúde, com o objetivo de debater avanços e desafios das ações afirmativas na instituição. A iniciativa reforça o compromisso da Fiocruz com a construção coletiva e permanente de políticas educacionais mais inclusivas, alinhadas às demandas sociais e aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
"Ao consolidar instrumentos orientadores e fortalecer sua governança na área, a Fiocruz reafirma sua trajetória histórica na promoção de uma educação pública comprometida com a justiça social, a diversidade e o direito à saúde — transformando diretrizes em práticas concretas e ampliando o acesso de grupos historicamente sub-representados à formação em saúde", concluiu Isabella.
Acesse aqui a nota técnica Nº 01/2026/CGE/VPEIC/Fiocruz, de 2 de abril de 2026
A atividade mineradora segue como um dos pilares da economia brasileira, com destaque para o estado de Minas Gerais, protagonista histórico na produção de minério de ferro. No entanto, junto à relevância econômica, cresce um passivo socioambiental de grande magnitude: a enorme quantidade de rejeitos gerados, frequentemente armazenados em barragens, representando uma ameaça constante à saúde humana e ao meio ambiente. Diante do crescente risco e exposição a metais em regiões de mineração — agravados por desastres como o de Brumadinho e a presença de mais de 900 barragens no país — o Campus Virtual Fiocruz apresenta um novo curso voltado ao enfrentamento de uma lacuna crítica no sistema de saúde, a Formação continuada em toxicologia aplicada a metais. A iniciativa visa preparar profissionais para identificar, diagnosticar e agir precocemente diante de agravos relacionados à exposição e à contaminação por metais. O curso é resultado de uma parceria entre o Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas), o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS).
Voltado especialmente a profissionais de saúde que atuam em territórios impactados pela atividade mineradora, mas aberto a todos os interessados na temática, o curso busca qualificar trabalhadores do SUS para uma resposta mais rápida, segura e baseada em evidências frente a um problema que segue impactando silenciosamente a saúde da população.
O Brasil contabiliza mais de 900 barragens cadastradas, cerca de 37% em território mineiro, estado que também concentra a maior parte dos empreendimentos de grandes empresas do setor. O secretário de Vigilância em Saúde do Estado, Eduardo Campos Prosdocimi, falou sobre as expectativas com a nova formação e celebrou a parceria com a Fiocruz, apontando que essa iniciativa certamente contribuirá para fortalecer o sistema de saúde do estado. Segundo ele, após as enormes tragédias ligadas à mineração que acometeram Minas, o estado vem estruturando uma série de ações e atividades, a fim de entender melhor seus territórios e construir políticas públicas mais eficazes e aderentes às atividades minerárias.
Ao fortalecer competências técnicas e ampliar a capacidade de atuação dos profissionais, o curso contribui diretamente para a prevenção de agravos, a identificação precoce de doenças relacionadas à mineração e a promoção de ambientes mais seguros. Em um cenário em que os riscos persistem e novos eventos não podem ser descartados, investir na qualificação da força de trabalho do SUS é uma medida estratégica e urgente para proteger a saúde pública e reduzir os impactos de um problema que, embora muitas vezes invisível, continua presente no cotidiano de milhares de brasileiros.
Formação estratégica para resposta qualificada em territórios expostos
O curso tem a coordenação compartilhada pelos pesquisadores Enrico Mendes Saggioro, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Tatiana Ázara, que também é vice-diretora de Pesquisa, Inovação e Referência do IRR/Fiocruz Minas. Tatiana ratificou o esforço conjunto e muito próximo entre a SES/MG e a Fiocruz e disse que o processo de construção da formação foi intenso. "Unimos o rigor da ciência aos desafios que os profissionais enfrentam no dia a dia, especialmente após desastres, como o de Brumadinho, que mostram de forma muito dura que os profissionais da vigilância e atenção à saúde precisam estar preparados para lidar com emergências em saúde pública e seus efeitos, imediatos e a longo prazo", disse Tatiana, defendendo ainda que a expectativa é que o curso seja uma oportunidade para que os alunos compreendam como o histórico da vigilância, perpassando a instituição de sua Política Nacional, traduz-se em tomada de decisão baseada em evidências.
"É sobre dar sentido aos sistemas de informação e transformar notificações em ações que garantam a segurança do ambiente, da água e do que as pessoas comem. Esperamos que o profissional se sinta seguro para operar a linha de cuidado: saiba acolher, triar e monitorar quem chega com suspeita de intoxicação. Queremos que o egresso saia da formação com o olhar atento ao seu território para identificar sinais de exposição crônica e interpretar indicadores biológicos antes que o dano seja irreversível", detalhou Tatiana, demonstrando esperança frente ao fortalecimento da rede do SUS a partir da parceria estabelecida: "Que os profissionais possam transformar o aprendizado de tragédias passadas em ferramentas poderosas de prevenção. Nosso desejo é que essa iniciativa fortaleça a vigilância em Minas e inspire práticas em todo o território nacional, assegurando que a ciência e o cuidado cheguem de forma oportuna a quem necessita".
O curso oferece uma base sólida em conceitos de toxicologia, vigilância em saúde e análise de riscos, além de capacitar para o diagnóstico clínico, a notificação de casos e a investigação de fontes de exposição. A formação também orienta a atuação em ações educativas junto às comunidades, o monitoramento de populações expostas e a tomada de decisão baseada em evidências científicas, elementos essenciais para uma resposta integrada e eficaz. A literatura e os próprios estudos de campo indicam que muitos profissionais não possuem formação específica para reconhecer, diagnosticar e manejar casos de intoxicação por metais, o que pode resultar em subnotificação, diagnósticos tardios e intervenções inadequadas. Em municípios com intensa atividade mineradora — especialmente aqueles diretamente impactados por barragens — essa limitação compromete a adoção de medidas oportunas de prevenção, monitoramento e cuidado, ampliando os riscos à população. É nesse contexto que se insere a nova formação, voltada prioritariamente a profissionais do SUS que atuam em territórios mineradores.
Para Enrico, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), a formação representa uma oportunidade para que os alunos adquiram conhecimentos fundamentais sobre as bases da toxicologia, as vias de exposição e os principais agentes causadores de intoxicação — com destaque para os metais. O curso abrange desde os mecanismos de intoxicação até aspectos clínicos, incluindo sinais, sintomas, exames e a abordagem ao paciente exposto. “Essa formação surgiu a partir de uma demanda da Secretaria de Estado de Saúde de Minas, com o objetivo de capacitar profissionais da linha de frente e gestores para a identificação de exposições a metais, especialmente aquelas relacionadas à mineração e aos desastres ocorridos no estado. Esperamos que os participantes construam uma base sólida em toxicologia — que este curso seja apenas o início de uma trajetória na área — e que possam aprofundar seus conhecimentos, transferindo tabém conhecimentos à população atendida, ampliando sua capacidade de reconhecer sinais e sintomas de intoxicação em diferentes contextos de exposição, como na sua moradia ou trabalho”, destacou.
O rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019, é um marco trágico dessa realidade. Considerado o maior acidente de trabalho do país, o desastre resultou em centenas de mortes e liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, que se espalharam por cursos d’água, atingindo ecossistemas e comunidades ao longo de centenas de quilômetros. Além das perdas humanas irreparáveis, houve comprometimento da biodiversidade, contaminação do solo e da água e inviabilização de atividades essenciais, como agricultura, pesca e abastecimento. Os efeitos da exposição a metais pesados presentes nesses rejeitos são, muitas vezes, silenciosos e prolongados. Substâncias como chumbo, mercúrio, cádmio e arsênio possuem elevada toxicidade e podem provocar danos neurológicos, respiratórios, renais e até câncer. Dados de estudos produzidos pelo IRR/Fiocruz Minas apontam que entre os principais agravos relatados estão doenças respiratórias, alergias e problemas de pele, com maior incidência nas áreas mais próximas ao desastre. Esses dados evidenciam não apenas a extensão da contaminação, mas também a necessidade de vigilância contínua e qualificada.
Módulo 1: Bases conceituais e políticas da Vigilância em Saúde
Aula 1 - Vigilância em Saúde: trajetórias globais e o percurso brasileiro
Aula 2 - Política Nacional de Vigilância em Saúde e Planejamento
Aula 3 - Sistema Nacional de Vigilância em Saúde
Aula 4 - Emergências em Saúde Pública
Módulo 2: Conceitos básicos da Toxicologia: caracterização de exposição e qualificação da ação
Aula 1 - Introdução à Toxicologia e Contaminantes Químicos
Aula 2 - Fundamentos da Toxicocinética e toxicodinâmica dos agentes tóxicos e sua relação com a epidemiologia
Aula 3 - Toxicologia dos medicamentos e tabagismo
Aula 4 - Toxicologia dos alimentos e dos agrotóxicos
Aula 5 - Toxicologia Ocupacional
Módulo 3: Toxicologia Clínica aplicada aos Metais
Aula 1 - Toxicologia aplicados aos metais
Aula 2 - Abordagem inicial ao paciente potencialmente intoxicado e exames físicos para identificação de sinais e sintomas clínicos
Aula 3 - Interpretação de testes laboratoriais e de imagem para avaliação de intoxicação
Aula 4 - Vigilância epidemiológica e gestão da informação
Aula 5 - Exposição por metais e os determinantes sociais de saúde
Aula 6 - Comunicação de risco à saúde
A expansão da mineração no Brasil, especialmente em Minas Gerais, tem intensificado desafios à saúde pública. O cenário preocupante e também marcado por tragédias, como o rompimento da barragem em Brumadinho, que liberou milhões de metros cúbicos de rejeitos contaminados e resultou em centenas de mortes, acende um alerta diante dos riscos associados à exposição a metais, como chumbo, mercúrio, arsênio e cádmio — substâncias capazes de provocar danos silenciosos e duradouros ao meio ambiente a à saúde humana —, é urgente que profissionais de saúde estejam qualificados para identificar, diagnosticar e agir precocemente diante de agravos relacionados à exposição e à contaminação por metais.
A partir desse contexto, acontece nesta terça-feira, 31/3, às 9h, o lançamento presencial da Formação continuada em toxicologia aplicada a metais, com a realização da mesa-redonda 'Saúde, meio ambiente e desastres: A importância de discutir contaminação e intoxicação por metais no cenário atual'. O debate, fechado a convidados representantes de 90 secretarias municipais de saúde de regiões envolvidos com intensa atividade mineradora, gestores da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e pesquisadores da Fiocruz, será transmitido ao vivo pelo canal da SES-MG no youtube.
Acompanhe aqui o debate e o lançamento do curso:
As inscrições para o curso começam na terça-feira, 31/3!
Desenvolvido pelo Campus Virtual Fiocruz em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a SES-MG e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), o curso surge como resposta estratégica para fortalecer a capacidade do SUS na identificação, monitoramento e manejo de agravos relacionados à contaminação por metais.
A nova formação, que terá as inscrições liberadas durante o evento, em 31/3, oferece uma base sólida em conceitos de toxicologia, vigilância em saúde e análise de riscos, além de capacitar para o diagnóstico clínico, a notificação de casos e a investigação de fontes de exposição. O curso também orienta a atuação em ações educativas junto às comunidades, o monitoramento de populações expostas e a tomada de decisão baseada em evidências científicas — elementos essenciais para uma resposta integrada e eficaz. O curso tem a coordenação compartilhada pelos pesquisadores Enrico Mendes Saggioro, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Tatiana Ázara, que também é vice-diretoria de Pesquisa, Inovação e Referência do IRR/Fiocruz Minas.
A programação conta com a mesa-redonda 'Saúde, meio ambiente e desastres: A importância de discutir contaminação e intoxicação por metais no cenário atual' e terá a participação de pesquisadores do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e ainda a presença do subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais, Eduardo Campos Prosdocimi.
Disseminar modelos, estratégias e possibilidades de intervenções para a promoção do autocuidado voltados à qualificação de profissionais de nível médio e superior, especialmente os que atuam na Atenção Primária à Saúde. Esse é o objetivo do curso Autocuidado em Saúde e a Literacia para a promoção da saúde e a prevenção de doenças crônicas na Atenção Primária à Saúde, que acaba de abrir inscrições para uma nova edição. A formação, uma parceria entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde, é online e gratuita, e já conta com mais de 70 mil inscritos! Mais uma vez, este curso é oferecido em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS), iniciativa que amplia o alcance e a abrangência da formação.
Inscreva-se já!
A formação é dividida em cinco módulos, tem carga horária total de 60h, é autoinstrucional, e certifica os participantes mediante avaliação dos conhecimentos adquiridos!
O curso surgiu de uma demanda do Ministério da Saúde, e foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com o grupo de estudos e pesquisa Promoção em comunicação, educação e Literacia para a Saúde no Brasil (ProlisaBr), vinculado ao Instituto de Educação, Letras, Artes, Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). A formação está sob a coordenação-geral da médica sanitarista Ana Luiza Pavão, pesquisadora do Laboratório de Informações em Saúde (Lis/Icict/Fiocruz) e docente colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (Ppgics/Icict), além de contar com a coordenação adjunta de Rosane Aparecida de Sousa, da UFTM e coordenadora do ProLisaBR.
Segundo Ana Luiza, a temática abordada nesta formação estimula o profissional a se questionar, refletir durante a assistência cotidiana do trabalho sobre o que pode fazer para promover a saúde naquele indivíduo atendido. Com o curso, a ideia é fomentar uma visão focada na saúde e não na doença e suas complicações, buscando uma visão positiva sobre o cuidado e lançando mão de novas estratégias para melhorar a saúde, com foco na qualidade de vida, bem-estar, saúde mental, e outros aspectos que influenciam fortemente o dia a dia das pessoas.
A proposta do curso é trazer uma série de conceitos e reflexões a respeito do autocuidado em saúde e da literacia para a saúde, incluindo também a questão da comunicação em saúde, e a importância da literacia digital em saúde — que é a influência da internet e da capacidade das pessoas de obterem e manejarem informações de saúde provenientes da internet —, além dos fundamentos da promoção da saúde, e da Política Nacional de Promoção da Saúde do Ministério da Saúde. A formação conta também com o guia principal sobre Autocuidado e Literacia para a saúde, voltado aos profissionais de saúde, publicado pela editora do Ministério da Saúde.
Mais uma vez, esta edição é oferecida com a parceria da UNA-SUS, da Coordenação-Geral de Prevenção de Condições Crônicas na Atenção Primária à Saúde, que integra o Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (CGCOC/Deppros/SapsS/MS) e o Departamento de Gestão da Educação na Saúde da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (Deges/SGTES/MS). Segundo o Deppros/Saps/MS, a proposta do curso é estratégica no que diz respeito à operacionalização da gestão colaborativa do cuidado, possibilitando, especialmente aos profissionais de saúde que atuam na APS, o aprimoramento da abordagem sobre a promoção do autocuidado, com atenção à literacia para a saúde, considerando ainda os determinantes sociais da saúde e sua relação complexa com a produção de saúde e adoecimento.
O curso oferece instrumental técnico que dá ênfase nas habilidades individuais e comunitárias de fazer saúde, fomentando reflexões sobre a atuação na APS, e como os conceitos de território, orientação familiar e comunitária se interrelacionam com o reconhecimento da autonomia e trajetória das pessoas, suas comunidades e pertencimentos. Tal referencial qualifica a relação de cuidado baseada no compartilhamento de decisões, o que aumenta a probabilidade de adesão ao tratamento e a modos de viver mais saudáveis, fatores fundamentais à melhoria da qualidade de vida e à prevenção das condições crônicas não transmissíveis, com afirmação do direito à vida e à saúde.
Recursos Educacionais Abertos
O conceito de literacia para a saúde (LS) versa sobre o conhecimento, as motivações e as competências dos indivíduos para acessar, compreender, avaliar e aplicar informações sobre saúde, a fim de fazer julgamentos e tomar decisões na vida cotidiana relacionadas aos cuidados de saúde, à prevenção de doenças e à promoção da saúde para manter ou melhorar sua qualidade de vida ao longo dos anos. A LS vem do termo em inglês health literacy, mas existem outras traduções utilizadas para o conceito, como literacia em saúde, letramento em saúde e até mesmo alfabetização em saúde.
A partir da relevância da temática, foram desenvolvidos inúmeros materiais especialmente para este curso. No total, cinco guias estão disponíveis como material de apoio à formação: um sobre autocuidado e literacia e outros quatro voltados para o manejo de doenças específicas, como hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica e diabetes tipo 2. O curso disponibiliza ainda oito vídeos relativos às características das referidas doenças e suas formas de prevenção e controle, videoaulas e outros recursos educativos; além, é claro, do já citado guia principal sobre Autocuidado e Literacia para a saúde publicado pelo MS.