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Publicado em 11/02/2025

Aula inaugural do ProfSaúde vai abordar justiça social e equidade em saúde

Autor(a): 
ProfSaúde Nacional

O Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde) convidamos todos os alunos, egressos, docentes e coordenadores para iniciarem juntos mais um ano acadêmico com a aula inaugural, que será realizada em 19 de março, às 18h30.

O tema da aula inaugural será "Justiça social e equidade em saúde: rumo ao SUS que queremos", com o Presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Rômulo Paes de Sousa, e com a Coordenadora Acadêmica Nacional do ProfSaúde, Carla Pacheco Teixeira.

O evento terá transmissão pelo Zoom.

Venha debater sobre o futuro do SUS e a construção de um sistema de saúde mais justo e equitativo!

Publicado em 26/12/2024

Revista Radis destaca o legado da Estratégia Saúde da Família

Autor(a): 
Glauber Tiburtino (Revista Radis)

Em 2004, quando concluiu a graduação em enfermagem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Renata Barros já sabia que a área hospitalar não era a que mais vibrava em seu coração. Ela queria interagir, tocar a vida das pessoas, se envolver de forma integral com a saúde da população que iria assistir. “Porque eu gosto da interação, de poder conversar, estar perto das pessoas”. Sabia também que dessa forma iria na contramão da maior parte de seus colegas: “A maioria disputava uma vaga em CTI [Centro de Terapia Intensiva]. Até hoje é um lugar que gosto de passar longe”, conta. 

Àquela altura, o campo da saúde da família e comunidade estava praticamente “engatinhando no Brasil”, como ela diz. O então Programa Saúde da Família (PSF) — atualmente, Estratégia — havia completado uma década. “Naquela época ainda tinha poucas oportunidades, mas as que tinham eram minhas, porque eu era a ‘colega do postinho’ [como era chamada pelos demais alunos]”, relembra. Hoje, Renata preside a Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade (Abefaco), entidade criada em 2015, que tem o objetivo de incentivar o desenvolvimento da especialidade, por meio da promoção de cursos e congressos e participação em políticas de saúde, por exemplo.

Anos depois e a cerca de 1.500 quilômetros de Porto Alegre, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Daiane Barbosa também se formava enfermeira e tinha a mesma convicção da colega gaúcha. “Desde os 14 anos eu sabia exatamente o que queria fazer”. Ambas, portanto, queriam trabalhar com pessoas, envolvendo-se na vida dos pacientes para além do ambiente hospitalar. 

Enquanto Renata, ao sair da universidade, pegou um campo em franca ascensão, com uma política recém-criada e ainda em consolidação, Daiane, formada 12 anos depois, trilhou uma estrada pavimentada pela Estratégia Saúde da Família (ESF), mas nem por isso sem percalços.

Renata e Daiane são duas dentre as mais de 50 mil profissionais de enfermagem de família e comunidade que atuam hoje no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Radis conversou com elas sobre suas vivências na saúde da família, rotinas de trabalho, desafios, perspectivas e entraves da especialidade.

Leia a reportagem completa no site da revista Radis

Confira a edição de dezembro de 2024 da revista (267) na íntegra.  

Publicado em 15/08/2024

Fiocruz abre inscrições para Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família 2025

Autor(a): 
Ensp/Fiocruz

A Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) deu início ao processo seletivo para compor a turma de 2025 da Residência Multiprofissional em Saúde da Família, curso na modalidade presencial - ensino em serviço. As inscrições estão abertas até o dia 22 de agosto de 2024. Há 28 vagas disponíveis, distribuídas conforme a categoria profissional. O programa é uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS/RJ) e o Ministério da Saúde. Interessados podem se candidatar pelo Campus Virtual Fiocruz.

Inscreva-se já!

A Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Ensp é uma modalidade de ensino de Pós-graduação Lato Sensu, sob a forma de curso de especialização, destinada a profissionais da área da saúde. A RMSF é caracterizada por formação em serviço, em regime de tempo integral, com 60 horas semanais, uma folga semanal, sob dedicação exclusiva, totalizando 5.760 horas.

O objetivo do curso é promover o desenvolvimento de competências de profissionais de saúde graduados para atuarem junto às equipes de saúde da família com desempenho de excelência na organização do processo de trabalho, no cuidado à saúde (individual, familiar e coletiva) e nos processos de educação em saúde, visando à melhoria da saúde e o bem-estar dos indivíduos, suas famílias e comunidade. Os candidatos devem ter concluída a graduação nos seguintes cursos: enfermagem, odontologia, psicologia, nutrição, serviço social, farmácia ou educação física. Além disso, é preciso que tenham inscrição no Conselho Profissional correspondente.

Confira o edital

Publicado em 07/05/2024

Portfólio de Produção Técnica e Tecnológica do Profsaúde está disponível em acesso aberto

Autor(a): 
Fabiano Gama

Disponível em acesso aberto pela Editora Rede Unida, o Portfólio de Produção Técnica e Tecnológica do Mestrado Profissional em Saúde da Família (Profsaúde) apresenta uma coleção de 80 produtos técnicos desenvolvidos por egressos das três primeiras turmas do Programa.

+Acesse aqui o Portfólio de Produção Técnica e Tecnológica do Profsaúde!

Essa produção técnica e tecnológica visa responder às demandas cotidianas do trabalho na Atenção Primária, constituindo-se como uma das principais interfaces entre a produção do conhecimento – fruto das reflexões desenvolvidas durante o mestrado – e os serviços e comunidades em que os discentes estão inseridos profissionalmente.

A obra é organizada por:

Carla Pacheco Teixeira - Coordenadora Acadêmica Adjunta Nacional da Fiocruz;

Diana Gutierrez Diaz de Azevedo - Assessora da Coordenação Acadêmica Nacional do Mestrado Profissional em Saúde da Família (Profsaúde);

Adriana Medeiros Braga - Assessora da Coordenação Nacional do Mestrado Profissional em Saúde da Família (Profsaúde/Fiocruz/Abrasco);

Michael Ferreira Machado - Docente de Saúde Coletiva na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Saúde da Família e no Programa de Pós-Graduação em Ensino e Formação de Professores (PPGEFOP) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Programa forma profissionais de saúde para atuarem na Atenção Primária

O Mestrado Profissional em Saúde da Família (Profsaúde) é um programa de pós-graduação stricto sensu, organizado em uma rede nacional formada por 45 instituições públicas de ensino superior, lideradas pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) e pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). O programa tem por finalidade formar profissionais de saúde para exercerem atividades de docência, preceptoria, gestão, investigação e ensino no Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo as atividades de produção de conhecimento e ensino na Atenção Primária, nas diversas regiões do país. Ao longo de seus sete anos de criação, foram ofertadas quatro turmas, que formaram mais de 500 mestres em Saúde da Família em todo o Brasil.

 

#ParaTodosVerem Banner colorido, em tons azuis e amarelos, na parte direita do banner a imagem ilustrativa da série conhecimento em movimento, portfólio de produção técnica e tecnológica do PROFSAÚDE, ao lado os dizeres: Portfólio de produção técnica e tecnológica do PROFSAÚDE, com os Organizadores: Carla Pacheco Teixeira, Diana Gutierrez Diaz de Azevedo, Adriana Medeiros Braga e Michael Ferreira Machado, o download pode ser feito gratuitamente no site da editora.

Publicado em 16/08/2023

Residência Multiprofissional em Saúde da Família recebe inscrições. Acesse Manual do Residente

Autor(a): 
Fabiano Gama*

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, por meio da Vice Direção de Ensino, está com vagas abertas para o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família 2024/2026, na modalidade presencial - ensino em serviço. O prazo final para candidatos se inscreverem é até 1º de setembro.

Inscreva-se já!

Destinada a profissionais da área da saúde e caracterizada por formação em serviço, em regime de tempo integral, o programa, que é uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS/RJ) e o Ministério da Saúde (MS), é uma modalidade de ensino de pós-graduação lato sensu, sob a forma de curso de especialização, com 60 horas semanais, uma folga semanal, sob dedicação exclusiva, totalizando 5.760 horas.

O curso tem como objetivo promover o desenvolvimento de competências dos profissionais de saúde graduados (enfermeiro, cirurgião dentista, farmacêutico, profissional de educação física, assistente social, nutricionista e psicólogo), para atuar junto às equipes de saúde da família com desempenhos de excelência na organização do processo de trabalho, no cuidado à saúde (individual, familiar e coletiva) e nos processos de educação em saúde visando à melhoria da saúde e o bem estar dos indivíduos, suas famílias e comunidade.

São ofertadas 28 vagas, distribuídas por categoria profissional, sendo vagas de Ampla Concorrência (AC) para cada categoria profissional e vagas destinadas as Ações Afirmativas (NI ou PcD), sendo: 20% Pessoas negras, 7% PcD e 3% pessoas indígenas.

O programa terá dois anos de duração, em tempo integral, com atividades teóricas, atividades práticas e teórico-práticas de formação em serviço. As aulas serão realizadas de 1º de março de 2024 a 1º de março de 2026.

Confira o edital e inscreva-se!

Manual estará disponível no Arca da Fiocruz em breve

O Programa da Residência Multiprofissional em Saúde da Família (RMSF) finalizou a revisão do Manual do Residente. O objetivo do documento é apresentar como está estruturado o Programa da Residência:

  • os direitos e deveres dos residentes;
  • o desenvolvimento do Projeto Político Pedagógico (PPP);
  • as estratégias pedagógicas;
  • os documentos do curso;
  • o sistema de avaliação;
  • e a forma como se desenvolve o Trabalho de Conclusão da Residência (TCR).

Submetido ao Repositório do Arca Fiocruz, em breve o documento estará disponível em acesso aberto.

 

 

*Com informações da Ensp/Fiocruz e RMSF/Fiocruz.

Publicado em 18/06/2019

Escola Politécnica de Saúde oferece curso de qualificação profissional no cuidado à pessoa idosa

Autor(a): 
Campus Virtual Fiocruz, com informações da Agência Fiocruz de Notícias

É preciso cuidar dos idosos, que já são mais de 30 milhões no Brasil. A cada ano, mais de 600 mil pessoas, em média, passam a integrar esta parcela da sociedade. Neste sentido, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) está oferecendo 30 vagas para o curso de qualificação profissional no cuidado à pessoa idosa. Para se candidatar, é preciso ter o ensino fundamental completo e ser maior de 18 anos. As inscrições vão até o dia 28 de junho e é necessário entregar a documentação solicitada no edital até 1º de julho.

Saúde do idoso no Brasil

Nos últimos 30 anos, a população de 60 anos cresceu 21,6%, e com mais de 80 anos, mais de 45%; 85% da população brasileira idosa é  considerada saudável. Os dados foram apresentados pela pesquisadora emérita da Fiocruz Cecília Minayo, durante palestra realizada em Brasília no dia 17 de junho. 

Ela recomendou algumas ações voltadas a pessoas desta faixa etária, como: investir no envelhecimento saudável e na positividade da contribuição do idoso, considerando-os como atores sociais de transformação, reconhecer e apoiar o papel da família nas diretrizes das políticas sociais, tornar os espaços públicos e habitações mais amigáveis, visto que o idoso precisa da rua e da convivência social, e investir fortemente em ações que beneficiem a pessoa idosa dependente. “Há uma quantidade de ações que não dependem só da família. Embora a família seja fundamental, porque é nela que mais de 90% dos idosos se ancoram, não é só ela. É a família, a sociedade e o Estado”, ressaltou.

Curso de qualificação profissional

Essa é a proposta do curso da EPSJV/Fiocruz, que qualifica trabalhadores para que possam atuar junto a pessoas idosas que necessitam de cuidados na rede de serviços, na família e na comunidade, promovendo a qualidade de vida, a participação social e contribuindo para a defesa dos direitos da pessoa idosa. Para isso, são promovidas diversas atividades, como aulas teóricas, oficinas, estágio, entre outras. As aulas acontecem entre 3 de setembro e 17 de dezembro.

Para saber mais e se inscrever, acesse o edital aqui no Campus Virtual Fiocruz.

Publicado em 10/04/2019

IFF investe em ações intersetoriais para melhor atender às crianças e famílias afetadas pelo zika

Autor(a): 
IFF/Fiocruz e Campus Virtual Fiocruz

Na última semana (4/4), o Instituto Nacional de Saúde de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) promoveu o evento Construir a intersetorialidade para promover a saúde: o que existe e o que podemos fazer para melhor atender às crianças e famílias afetadas pelo zika. A proposta foi trocar conhecimentos sobre o tema, a fim de promover ações intersetoriais de atenção das crianças com condições crônicas de saúde, com ênfase na Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCVZ). 

Três anos após a epidemia, os usuários e suas famílias continuam a lutar por acesso à saúde numa concepção integral. Entre suas diversas necessidades, destacam-se: serviços de reabilitação, medicamentos anticonvulsivantes, cadeira de rodas, suplementos nutricionais, entre outros, assim como o acesso aos direitos sociais de modo geral.

Segundo a organizadora do evento e assistente social do IFF/Fiocruz, Alessandra Gomes Mendes, o adoecimento crônico na infância incide de forma dramática no orçamento das famílias. Assim, um dos familiares — quase sempre a mãe — tem que deixar o mercado de trabalho para prover os cuidados necessários, o que também inclui peregrinar em busca de serviços e direitos. “Essa mulher acaba por perder direitos trabalhistas e previdenciários e muitas dessas famílias não conseguem sequer se inserir no Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto pela Lei Orgânica de Assistência Social, de 1993, dados os critérios restritivos de renda previstos pelo benefício”, afirma. Neste sentido, Alessandra ressalta também a urgência de discutir as relações entre gênero e cuidado, uma vez que é a mulher, na maioria dos casos, a responsável pela criança com condição crônica.

O objetivo do evento foi aproximar pessoas e promover o diálogo, visando construir a atenção a essas crianças no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa contou com a participação de representantes de Secretarias Estaduais de Saúde, Assistência Social e Educação, Ministério Público, associações de mães e pesquisadores.

Curso livre e gratuito

Entre as várias ações da Fiocruz para ampliar a atenção a crianças em condições crônicas, está disponível o curso Atenção Integral às Crianças com Alterações do Crescimento e Desenvolvimento, relacionadas às Infecções Zika e Storch.

Gratuito, livre e à distância, o curso pode ser acessado até o dia 19 de setembro. A formação visa qualificar profissionais de saúde que atuam em atenção primária ou Estratégia de Saúde da Família (ESF), para que estejam aptos a apoiar crianças com alterações motoras relacionadas às infecções virais Zika e Storch. 

Trata-se de uma iniciativa do Ministério da Saúde, por meio das Secretarias de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, de Atenção a Saúde e de Vigilância em Saúde, em parceria com a Fiocruz Pernambuco, a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS), o IFF/Fiocruz e o Campus Virtual Fiocruz.

Inscreva-se já através deste link.

Publicado em 06/12/2018

Pesquisa mostra impactos sociais do vírus zika em famílias do Brasil

Tão vulneráveis quanto as crianças nascidas com microcefalia em decorrência da zika nos últimos três anos, são suas mães e outras mulheres envolvidas em seus cuidados diários. Numa rotina sistemática de consultas médicas, atividades de estímulo e de recuperação de suas crianças, elas tiveram que largar o trabalho - o que impacta na renda da família -, abandonar projetos pessoais e enfrentar as dificuldades de um sistema de saúde despreparado para atender seus filhos. Esses dados são parte dos resultados da pesquisa Impactos Sociais e Econômicos da Infecção pelo Vírus Zika, que foram apresentados no dia 30 de novembro, na Fiocruz Pernambuco. O estudo foi desenvolvido em conjunto pela Fiocruz PE, pelo Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e também contou com a cooperação da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

Como a doença afeta as famílias

Para a realização da pesquisa foram entrevistadas mães e outros cuidadores de crianças com SCZ, mulheres grávidas, homens e mulheres em idade fértil e profissionais de saúde, totalizando 487 pessoas. Foram coletados dados de maio de 2017 a janeiro de 2018, nas cidades do Recife (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE) e Rio de Janeiro (RJ).

Os resultados mostram que avós, tias e irmãs adolescentes também são figuras importantes na rotina de atendimentos terapêuticos e nas atividades domésticas. Os pais, quando presentes na vida cotidiana dessas crianças, são responsáveis por manter o sustento da família e ajudar em atividades domésticas que visam tornar mais leves os cuidados centrados nas mães. A pesquisa, além de descrever o impacto da Síndrome Congênita da Zika (SCZ) nas famílias, estimou o custo da assistência à saúde das crianças com SCZ para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para suas famílias – 50% tinham renda entre um e três salários mínimos. Além disso, identificou os impactos nas ações e serviços de saúde e na saúde reprodutiva.

Em relação às despesas, verificou-se que o custo médio com consultas em um ano foi 657% maior entre as crianças com microcefalia ou com atraso de desenvolvimento grave causado pela síndrome (grupo 1) do que com crianças sem nenhum comprometimento (grupo 3 ou controle). A quantidade de consultas médicas e com outros profissionais de saúde foram superiores em 422% e 1.212%, respectivamente. Já os gastos das famílias com medicamentos, hospitalizações e óculos, entre outras coisas, ficaram entre 30% e 230% mais elevados quando comparados com as crianças sem microcefalia, mas com manifestações da SCZ e com atraso de desenvolvimento (grupo 2) e com as do grupo 3, respectivamente.

Entre as dificuldades do dia a dia, essas famílias também esbarraram numa assistência de saúde insuficiente e fragmentada, com problemas no cuidado, ausência de comunicação entre os diversos serviços especializados, assim como entre níveis de complexidade.

Zika, síndromes congênitas e o medo de engravidar

Para os profissionais de saúde, a epidemia deu visibilidade às dificuldades de acesso de outras crianças com problemas semelhantes, determinados por outras patologias/síndromes congênitas. Revelou, ainda, que as ações governamentais continuam centradas no mosquito transmissor e na prevenção individual, sem atuação sobre os determinantes sociais.

Nas entrevistas, a maioria das mulheres em idade reprodutiva expressou sentimento de pânico em referência à gravidez durante a epidemia de zika. Elas temiam, principalmente, o impacto sobre a criança, embora não compreendessem totalmente o termo Síndrome Congênita da Zika. Por isso, utilizavam frequentemente o termo microcefalia. Incertezas sobre como elas ou os bebês podiam ser infectados foram comuns. Assim como preocupações e expressões de sofrimento em relação à deficiência e ao impacto disso sobre suas vidas.

Outro medo delas era uma gravidez não planejada, pois estavam insatisfeitas com a oferta de métodos contraceptivos disponíveis nos serviços de saúde. A maioria usava contraceptivos hormonais injetáveis no momento das entrevistas e relataram falta de informação e falhas nos métodos utilizados. O DIU não apareceu como opção e os homens mostraram-se ausentes do planejamento reprodutivo. Quase todos os entrevistados desconheciam a possibilidade de transmissão sexual do vírus zika e alguns ouviram informações sobre isso na televisão, mas não deram importância porque não era um assunto recorrente na mídia.

Também foram registradas incertezas sobre as possibilidades de transmissão e poucos receberam informações de profissionais de saúde. A pesquisadora da Fiocruz Pernambuco Camila Pimentel, que participou do estudo, lembra que os epidemiologistas já alertaram: uma nova epidemia de zika pode ocorrer. Sendo assim, é cada vez mais importante ampliar a reflexão e a ação sobre os efeitos da doença. "Há outras questões ligadas à zika que continuam sem serem trabalhadas, como aquelas relacionadas aos direitos reprodutivos. A falta de informações e de acesso aos métodos contraceptivos gera um questionamento sobre como a mulher vai exercer sua autonomia reprodutiva, escolher se ou quando engravidar". Além disso, ela destaca que é fundamental pensar no apoio psicológico e na geração de renda para as mães desses bebês.


Por Fabíola Tavares (Fiocruz Pernambuco)

Publicado em 26/06/2018

Guia educacional aborda o uso de drogas entre jovens e adolescentes

Em alusão ao Dia Internacional Contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas (26/6), o Campus Virtual Fiocruz destaca o guia educacional Drogas: as histórias que não te contaram, guia para auxiliar pais e professores a abordarem o tema na família e na escola junto a adolescentes e jovens. Com ilustrações, personagens e uma leitura didática, o material, publicado pelo Instituto Igarapé, levanta questões sobre prevenção e proteção contra o uso de drogas.  

O guia, de autoria de Ilona Szabó, foi criado para promover a reflexão, o questionamento e o desenvolvimento sócio-emocional na juventude. A ideia é compreender os comportamentos coletivos e individuais na sociedade, a fim de provocar um pensamento crítico sobre o uso das drogas.

Questão de saúde: uso de medicamentos contra dor cresce 465% no Brasil

O lançamnento do guia contou com a participação do pesquisador Francisco Inácio Bastos, do Laboratório de Informação em Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnologia em Saúde (Icict/Fiocruz). Ele abordou uma questão preocupante em relação ao uso e abuso de drogas: o alto índice de vendas de opiáceos, a partir de prescrições médicas entre 2009 e 2015 no Brasil.

Mas o que são opiáceos?

Opiáceos (ou opióides) são utilizados em especial para combater dores crônicas e debilitantes de pacientes com câncer ou lúpus, também são encontrados diluídos na formulação química de medicamentos como os analgésicos (medicamentos que aliviam a dor), anestésicos (aqueles que reduzem ou eliminam a sensibilidade geral ou local) e até em xaropes para controlar a tosse, podendo ser usados para tratar dores de coluna, enxaqueca, dores nas articulações, dentre outras. O uso constante pode levar à dependência e o abuso desse tipo de drogas, à morte.

Neste sentido, Bastos alertou sobre a disseminação do consumo deste tipo de droga na adolescência. “E é apenas uma fração do problema, que o governo consegue capturar. Nos surpreendemos também com o crescimento no uso de opiáceos e opióides sem prescrição entre os jovens”, relatou.

Um alerta mundial

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou hoje o relatório internacional World Drug Reportque apontou a propagação do uso dos opiáceos em todo o mundo. Os dados são alarmantes: com uma produção de aproximadamente 87 toneladas em 2016, a substância é a grande responsável por 76% das mortes em transtornos por uso de drogas. Por isso é cada vez mais importante refletir e difundir o tema. 

Por Thaís Dantas (Campus Virtual Fiocruz)
* Com informações do Icict/Fiocruz

Publicado em 06/06/2017

Zika vírus: Fiocruz desenvolverá cursos on-line sobre atendimento

Microcefalia, distúrbios neurológicos, auditivos e visuais, epilepsia e danos nos ossos e nas articulações são algumas das características da Síndrome Congênita do Zika (SCZ) descritas pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS). No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 2 mil bebês foram confirmados com deficiências graves, como resultado da zika, desde o início da epidemia em 2015. Diante desse cenário, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com Centro Internacional de Evidência em Deficiência da London School of Hygiene & Tropical Medicine (Iced/SHTM), criou o projeto Auxiliando profissionais da saúde a prover os cuidados necessários às famílias de crianças com síndrome congênita relacionada ao Zika vírus no Brasil.

Aprovado pelo Fundo Newton, por meio do edital institucional Links Zika Virus, o projeto busca desenvolver cursos educacionais on-line de acesso aberto para capacitar profissionais de saúde com intuito de ajudar a atender as necessidades de crianças com SCZ e outras síndromes, bem como apoiar seus familiares. O trabalho é conduzido pelo Iced, um centro de pesquisa com vasta experiência no desenvolvimento de ferramentas de treinamento on-line e que investiga as necessidades de saúde de pessoas com deficiência. Principal parceira do projeto no Brasil, a Fiocruz está atuando com o auxílio dos profissionais de saúde e famílias afetadas pela SCZ. Além disso, o projeto conta com a colaboração da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepesc), que irá auxiliar na difusão das ferramentas desenvolvidas e do Hospital Infantil de Brasília, que também vai colaborar com o desenvolvimento das ferramentas de formação e participar ativamente das oficinas que serão realizadas ao longo do projeto.

Segundo a coordenadora do Programa de Educação, Cultura e Saúde (Pecs) da Fiocruz Brasília e coordenadora projeto no Brasil, Luciana Sepúlveda, trata-se de um projeto agregador que pretende buscar soluções e respostas para uma situação muito complexa. “O projeto é ambicioso, na medida em que busca integrar no currículo da formação permanente questões basilares da prática cotidiana vivenciadas pelos profissionais. Estas questões vão além da divulgação das normativas e protocolos do Ministério da Saúde, embora seja importante garantir que tais informações sejam compreendidas pelos profissionais. Além disso, esta é uma oportunidade de abertura de diálogo, compartilhamento e aprendizagem com a Dra. Hanna Kupper e sua equipe, da London School of Hygiene and Tropical Medicine”, avalia.

Pesquisa em três etapas

A pesquisa terá três etapas: análise situacional; desenvolvimento do programa de treinamento; e avaliação da viabilidade e aceitabilidade e finalização do programa. Durante a análise situacional, serão realizadas entrevistas qualitativas em profundidade e criação de grupos focais com famílias de bebês com SCZ, em Brasília. Também serão feitas entrevistas com especialistas-chave do Brasil e de outros países para identificar possíveis métodos de como os profissionais de saúde podem apoiar ainda mais as necessidades de crianças com SCZ. Já no desenvolvimento do programa de treinamento, os parceiros do Iced e do Brasil realizarão workshops sobre os planos para o programa de treinamento e definição de conteúdo e métodos de ensino. Na última etapa, o curso de formação será liberado e divulgado amplamente e um questionário será distribuído para todos os participantes do treinamento, a fim de avaliar o impacto da formação.

No momento, o plano de trabalho do projeto encontra-se em fase de detalhamento e no final de maio está prevista a primeira oficina local que contará com a participação da Fiocruz, do Hospital da Criança de Brasília, da Fepecs, do Fundo de População das Nações das Nações Unidas (UNFPA) e da Secretaria de Estado de Saúde do GDF, que irão discutir sobre a etapa de análise situacional do projeto.

Luciana ressalta que, embora a SCZ não represente, até o momento, uma emergência de saúde pública no DF, o serviço de saúde precisa estar preparado para acolher e cuidar destes casos quando ocorrerem. “Estamos acostumados a apagar incêndio, no entanto, precisamos mudar esta cultura e nos prepararmos antes da emergência em saúde pública acontecer. Assim, acredito que o curso vai contribuir para a melhoria do atendimento das necessidades de famílias com crianças com problemas sensoriais, motores e cognitivos, causados ou não pelo vírus Zika”, afirma. 

Fonte: Fernanda Miranda (Fiocruz Brasília)

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