A programação de maio do Programa VideoSaúde, exibido no Canal Saúde, reúne documentários e curtas que abordam o Sistema Único de Saúde a partir de temas como trabalho, direitos humanos, memória e cuidado em saúde nos territórios. O mês tem início com 'Paracoco: endemia brasileira', filme exibido em diálogo com o Dia do Trabalhador, ao lançar luz sobre uma micose crônica que atinge majoritariamente trabalhadores e trabalhadoras rurais e permanece como uma doença negligenciada no país.
Em sintonia com o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, a grade dedica espaço especial à saúde mental, com produções que problematizam estigma, medo e cuidado em liberdade, como 'A casa do doido Alexandre e Reciclarte: oficina terapêutica em saúde mental'.
O mês se completa com as reflexões sobre violações de direitos e processos de reparação histórica em 'Filhos separados pela injustiça' e o registro de experiências comunitárias e tecnologias sociais desenvolvidas junto a comunidades quilombolas, durante a pandemia de covid 19. Ao articular audiovisual e saúde, a VideoSaúde reafirma o papel da comunicação pública na defesa da vida, da memória e dos princípios do SUS.
O programa VideoSaúde é exibido às segundas-feiras, às 22h30, no Canal Saúde e todos os filmes exibidos fazem parte do acervo da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, disponível para consultas e pesquisas no Banco de Recursos Audiovisuais (Bravs).
Programação
04/05, segunda-feira, 22h30
Paracoco: endemia brasileira
A paracoco, como é mais conhecida, está entre as dez doenças crônicas que mais causam mortes no país. No Brasil, ocorrem 80% dos casos da doença, que se restringe à América Latina. Trata-se de uma micose brasileira que ataca qualquer órgão ou sistema do organismo e prejudica, principalmente, a saúde do trabalhador rural. O documentário 'Paracoco: endemia brasileira' percorre quatro estados brasileiros, ouvindo pessoas que contraíram a doença e profissionais de saúde, para retratar sintomas, formas de contágio e pesquisas, destacando a importância do diagnóstico no tratamento dos pacientes.
Reprises:
06/05, quarta, às 22h30
08/05, sexta, às 22h30
10/05, domingo, às 21h30
O Centenário da Independência do Brasil foi comemorado de forma grandiosa em 1922 com a exposição internacional que ocupou parte expressiva do centro da cidade do Rio de Janeiro, desde a região do Palácio Monroe (Cinelândia) até a Praça XV e Praça Mauá. Esse espaço comemorativo foi o palco de reflexões e balanços sobre os cem anos do Brasil independente e a construção de um país moderno. Um dos temas centrais apresentados em seus pavilhões foi o da saúde, em função da importância dos temas da higiene e da salubridade para a configuração da cidade do Rio de Janeiro como um lugar civilizado e moderno. O vídeo reflete o papel da saúde na exposição, que pressupõe uma análise do projeto hegemônico, excludente e eurocêntrico de modernização e de civilização. Trata-se da busca de uma problematização da relação da sociedade brasileira com seu passado, a partir da saúde pública e da ciência.
13/05, quarta, às 22h30
15/05, sexta, às 22h30
17/05, domingo, às 21h30
A casa do doido Alexandre | Reciclarte: oficina terapêutica em Saúde Mental | Brasil, aqui tem SUS – Campos de Júlio (MT)
O mito e o medo em torno de uma pessoa com transtornos mentais que assombra crianças no interior do Nordeste. O curta-metragem de ficção foi criado durante oficinas de audiovisual realizadas pelo Ponto de Cultura e Saúde Ventre Livre.
O vídeo apresenta a iniciativa premiada na 14ª Mostra Brasil Aqui tem SUS, que utiliza a reciclagem e o artesanato como ferramentas de reabilitação psicossocial. A prática promove autonomia, acolhimento e socialização para pessoas em sofrimento psíquico, sendo desenvolvida em municípios como Campos de Júlio em Mato Grosso.
20/05, quarta, às 22h30
22/05, sexta, às 22h30
24/05, domingo, às 21h30
Narrado por pessoas retiradas de seus pais, quando crianças, pelo Estado Brasileiro, de forma compulsória, porque os familiares eram pessoas atingidas pela hanseníase. O filme revela fatos verdadeiros, fortes e tristes, que mostram um passado marcado por lágrimas de crianças, hoje adultas, que tiveram e têm seus direitos negados, que sofreram e sofrem todo tipo de injustiça, violência, abuso e que hoje lutam por justiça e exigem reparação.
27/05, quarta, às 22h30
29/05, sexta, às 22h30
31/05, domingo, às 21h30
Programa VideoSaúde Especial - 30 anos em 30 minutos: a história da implantação do PSF em Campina Grande-PB | Comunidades quilombolas e Covid- 19: desenvolvimento de tecnologias sociais para a saúde - Programa Institucional de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Fiocruz
O documentário conta a história do Programa Saúde da Família (PSF) em Campina Grande, na Paraíba, que foi um dos 14 primeiros municípios a implantarem essa política pública no país. O trabalho desenvolvido na cidade serviu de referência para outras cidades. Em pouco mais de 30 minutos, o filme busca resgatar os 30 anos do PSF, desde o seu início, em 1994, até a sua conjuntura em 2004. É um importante registro da história do SUS na cidade e no país.
O vídeo registra o projeto que auxiliou na melhoria das condições de saúde e da qualidade de vida de duas comunidades quilombolas localizadas na região do Jequitinhonha, em Minas Gerais, no contexto da pandemia de covid-19. Por meio de implementação de tecnologias sociais de baixo custo e de reaproveitamento de recursos hídricos, o objetivo do projeto foi garantir a sustentabilidade e a autonomia desses territórios. Este vídeo é um produto do edital Inova do Programa Institucional de Territórios Sustentáveis e Saudáveis (PITSS) da Fiocruz.
28/05, quinta-feira, às 23h
A V Semana de Enfermagem Fiocruz, em 7 de maio, reunirá cerca de 300 profissionais de diferentes unidades da Fundação. Inspirada pelo tema nacional proposto pela Associação Brasileira de Enfermagem (Aben), Técnica, ética e política: pilares inegociáveis do cuidado de enfermagem, a edição de 2026 traz como eixo central Enfermagem Fiocruz: ciência e SUS como expressões técnicas, éticas e políticas do cuidado. Acesse a programação completa.
A abertura do evento contará com as presenças do vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel, que representará o presidente da Fundação, e dos diretores do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Antônio Flávio Meirelles, do Hospital Federal da Lagoa (HFL/Fiocruz), Lívia Menezes, do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Estevão Portela, e da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Marco Antônio Menezes. A representante das responsáveis técnicas de enfermagem será a enfermeira Paloma Acioly, do IFF/Fiocruz. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) terá como representante a segunda-tesoureira, Ellen Peres.
A V Semana de Enfermagem Fiocruz busca ampliar reflexões sobre três dimensões indissociáveis do exercício profissional. A técnica, sustentada pela produção científica; a ética, como base da segurança do paciente e da responsabilidade profissional; e a política, como elemento estruturante da gestão e da governança do cuidado.
Desde 2022 a iniciativa é incentivada pela Presidência da Fiocruz como parte das ações voltadas à valorização da enfermagem no âmbito do SUS. Este ano, o evento ganha um significado especial com a integração da equipe de enfermagem do HFL ao corpo institucional da Fiocruz, oficializada pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria nº 1.357, de 28 de setembro de 2023. O momento marca a união de experiências e saberes que fortalecem a capacidade de resposta do SUS diante dos desafios contemporâneos da saúde pública.
O encontro reforça a liderança do enfermeiro não apenas na organização do cuidado à beira do leito, mas também nos espaços estratégicos de tomada de decisão, reafirmando a importância da participação qualificada da enfermagem nas instâncias superiores de gestão. Em um cenário de crescente complexidade assistencial, a valorização da liderança técnica e ética da enfermagem torna-se elemento central para a sustentabilidade do cuidado, contribuindo para maior resolutividade, humanização e eficiência no cuidado prestado à população.
Na Fiocruz, estão envolvidas com a organização da Semana o Instituto Nacional de Infectologia (INI), o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), o Hospital Federal da Lagoa (HFL), o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), o Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, o Centro de Referência Professor Hélio Fraga e o Núcleo de Saúde do Trabalhador da Coordenação de Saúde do Trabalhador (Nust/CST), em uma articulação da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) e da Diretoria Executiva da Fiocruz. O evento se insere no contexto de integração dos hospitais federais do Rio de Janeiro, promovido pelo Ministério da Saúde.
Serviço
Evento: V Semana de Enfermagem Fiocruz
Data: 7 de maio
Local: Hotel Windsor Florida (Rua Ferreira Viana 81, Flamengo, Rio de Janeiro)
Horário: 8h às 17h
Transmissão: YouTube
#ParaTodosVerem Banner com fundo azul com bolinhas brancas, no topo direito há diversas figuras de perfis de pessoas conectadas entre si, no centro está escrito: 5ª semana de enfermagem - Fiocruz 2026.
Nesta quarta-feira, dia 22 de outubro, às 14h, será realizada a próxima edição do Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos (CeEnsp), que abordará o tema “Mulheres migrantes no Brasil e brasileiras no exterior: trabalho, cuidado e violências”. A atividade será transmitida pelo canal da Ensp no Youtube e contará com tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Coordenada pela pesquisadora do Claves/Ensp Cristiane Batista Andrade, a conversa será mediada por Camila Athayde, Ensp/Fiocruz, e terá como palestrantes: Margarita Campos, Sabores do Mundo e Claves/Ensp; Claudia Araújo de Lima, UFMS e Ministério da Saúde; Mariana Holanda, Universidade do Porto; e Mairê Carli, Femigrantes BR Podcast.
A proposta deste encontro é discutir as migrações de mulheres no Brasil, nas regiões de fronteiras e de brasileiras no exterior, compreendendo as complexidades dos fluxos migratórios e os desafios enfrentados por elas. As mulheres em deslocamentos enfrentam múltiplas formas de violência, tendo seus corpos atravessados pelas opressões do racismo, do patriarcado, do sexismo e das desigualdades socioeconômicas, existindo, portanto, a possibilidade de vivenciarem situações de tráfico de pessoas com fins de exploração sexual e trabalho escravo contemporâneo, o que as expõe continuamente a riscos graves à saúde e à própria vida. Neste contexto, lidam com os desafios impostos pelo trabalho reprodutivo do cuidado familiar, das complexidades da maternidade transnacional e dos arranjos familiares que emergem no contexto migratório. Para tanto, essas mulheres recorrem aos serviços públicos de Saúde, Educação e Assistência Social, bem como aos movimentos sociais de migrantes e às Organizações da Sociedade Civil em busca de atividades que lhes permitam cuidar de si e de suas famílias.
O CeEnsp apresentará os resultados parciais da pesquisa “Mulheres migrantes nas fronteiras brasileiras: interfaces entre trabalho, cuidado e violências”, coordenada por Cristiane Batista Andrade (Claves/Ensp/Fiocruz), que está sendo realizada em oito cidades (cinco capitais e três cidades de fronteiras brasileiras), com financiamento do CNPq e do Ministério da Saúde.
Nesta quinta-feira, 10 de julho, o Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), recebe a enfermeira obstetra, membro do Departamento de Educação Permanente da Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade (Abefaco), Cristiane Vicente; a enfermeira de Familia e Comunidade, diretora de Educação Permanente da Abefaco, Patrícia Muller; e a enfermeira especialista em Saúde da Família, Assessora Técnica da Coordenadoria-Geral de Atenção à Saúde das Mulheres (CGESMU/DGCI/Saps/MS), Susane Silva, para uma conversa sobre os Aspectos do Cuidado Pré-natal na APS e a Rede Alyne. O Encontro acontece às 18h, com transmissão ao vivo pelo Portal de Boas Práticas e pelo canal no Youtube do Portal.
Criado para oferecer conteúdo de alta qualidade, voltado para a prática clínica e baseado nas melhores evidências científicas, o Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente é integrado por instituições de ensino e pesquisa de todo o Brasil. Toda semana um conteúdo inédito é publicado em cada área do Portal e transmissões ao vivo são realizadas com Especialistas dos melhores congressos. É conteúdo gratuito e aberto para profissionais que cuidam da saúde de milhões de mulheres e crianças em nosso país.
Acompanhe ao vivo:
#ParaTodosVerem Banner com fundo branco e informações sobre o Encontro com Especialistas: Aspectos do Cuidado Pré-natal na APS e a Rede Alyne, será no dia 10/7 às 18 horas, quinta-feira. No canto direito do banner há uma foto de duas pessoas, uma em cada lado de uma mesa, uma mulher está de frente para um computador, com um teclado e diversos documentos em cima da mesa, do outro lado da mesa há outra pessoa que está com as duas mãos juntas.
Nesta terça-feira, 28 de janeiro, às 15h, o Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), vai realizar o Encontro com Especialista abordando o assunto "O Cuidado da Criança com Doença Falciforme na APS: rastreio, acompanhamento e cuidado compartilhado com outros níveis de atenção". Interessados em participar podem acompanhar pelo Portal de Boas Práticas ou no canal do Portal de Boas Práticas IFF/Fiocruz no Youtube.
O convidado é o o especialista Paulo Ivo Cortez, médico pediatra e hematologista do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Criado para oferecer conteúdo de alta qualidade, voltado para a prática clínica e baseado nas melhores evidências científicas, o Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente é integrado por instituições de ensino e pesquisa de todo o Brasil. Toda semana um conteúdo inédito é publicado em cada área do Portal e transmissões ao vivo são realizadas com Especialistas dos melhores congressos. É conteúdo gratuito e aberto para profissionais que cuidam da saúde de milhões de mulheres e crianças em nosso país. Acompanhe as Postagens do Portal, materiais curtos e voltados para a prática clínica, Encontros com Especialistas: Portal de Boas Práticas.
Acompanhe ao vivo:
O Mestrado Profissional em Atenção Primária à Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) promoverá sua aula inaugural no dia 2 de maio. A atividade contará com a participação de Luiz Antônio Simas, professor, historiador, escritor, educador e compositor, com mais trinta anos de experiência em sala de aula. Simas é bacharel, licenciado e mestre em História Social pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A aula terá como tema 'As sociabilidades das ruas, dos morros e do ser carioca: O que a história e o cuidado e saúde nos constroem para um olhar multicultural' e contará com a participação de Adriana Coser, como moderadora, e Adriana Castro, como debatedora. O evento será transmitido, ao vivo, pelo canal da Ensp no Youtube. Participe!
A atividade é aberta aos interessados e não necessita de inscrição prévia.
Assista à transmissão ao vivo no canal da Ensp:
O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) realiza, nesta sexta-feira, 3 de fevereiro, das 14h às 16h, o simpósio “Inovação em Saúde: A Enfermagem na Cocriação do cuidado no INI/Fiocruz”. O evento acontece no Auditório do Ensino do Instituto e terá transmissão ao vivo pelo canal oficial do INI no Youtube.
O Simpósio vai discutir a implementação do projeto “Cocriação em Saúde: Estímulo ao espírito inovador na rede de cuidado em saúde”, que tem por objetivo ampliar a percepção das ações de melhoria e inovação de processos e de serviços de Enfermagem. O evento é voltado para profissionais de saúde, com destaques para as equipes de enfermagem, e gestores que atuam na rede de cuidados no INI e seus parceiros.
A coordenação do Simpósio é das pesquisadoras do INI/Fiocruz, Mirian Miranda Cohen, assessora de Inovação Tecnológica; e de Mariana Machay, coordenadora geral de Enfermagem.
Confira a programação prevista:
Tema I - A Inovação em Saúde como valor no INI Fiocruz
Drª. Mirian Miranda Cohen, especialista em Educação em Saúde Pública (UFF) e em Gestão de Organizações de Saúde, mestre e doutora em Saúde Pública – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), com ênfase na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas de Saúde. Servidora Pública federal, Assessora de Inovação Tecnológica, responsável pelo Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (NIT/INI/Fiocruz) e Pesquisadora e Docente permanente do stricto sensu INI/Fiocruz.
Tema II - Enfermagem como chave para inovação em saúde: protagonismo na saúde 4.0
Drª. Clarice Araújo Rodrigues, enfermeira graduada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), possui 14 anos de experiência na gestão em saúde, atuando nos temas: liderança, gestão do cuidado, gestão de projetos, gestão da qualidade e gestão de produtos para a saúde. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa sobre Desenvolvimento, Complexo Econômico Industrial e Inovação em Saúde (GIS/Ensp/Fiocruz) e Doutoranda em Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) com ênfase na Sustentabilidade do Subsistema de Serviços do Complexo Econômico Industrial da Saúde (Ceis). Servidora pública, coordenadora de Atenção à Saúde e do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats) do Complexo Hospitalar e da Saúde (CHS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Tema III – Inovação no Cuidado à saúde: Linha de Tempo na Enfermagem INI Fiocruz
Profª. Mariana Machay Pinto Nogueira, graduada em Enfermagem pelo Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam, 2007). Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio, 2010). Especialista em Gestão Hospitalar (2017). Mestre em Pesquisa Clínica INI/Fiocruz (2019). Gerente de Enfermagem no INI/Fiocruz. Docente no programa de especialização de enfermagem em doenças infecciosas.
*Bárbara Clara é estagiária sob supervisão de Alexandre Magno (INI/Fiocruz)
A partir de análises e explorações feitas em celebração ao mês do Idoso,comemorado em outubro, a socióloga e pesquisadora do Instituto de Comunicação e Informação Científica em Saúde (Icict/Fiocruz), Dalia Romero, apontou que envelhecer em nosso país é perigoso. Segundo ela, o envelhecimento vai chegar mais cedo no Brasil em virtude da grande perda de qualidade de vida que temos, fato que já era realidade desde antes da pandemia. Nesse âmbito, o Campus Virtual Fiocruz lembra de dois cursos lançados neste ano de 2021 voltados aos cuidados com essa população: "Pessoa idosa e a Covid-19: prevenção e cuidados em domicílio" e "Cuidado de Saúde e Segurança nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) no contexto da Covid-19", ambos online, gratuitos e com inscrições abertas! Leia sobre as reflexões feitas por Dalia Romero e inscreva-se nos cursos do Campus Virtual Fiocruz!
A formação foi desenvolvida em parceria entre o Campus Virtual Fiocruz, o Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e a Segurança do Paciente (Proqualis) e o Comitê de Saúde da Pessoa Idosa, ambos ligados ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). Ela é composta de seis aulas, com um total de 12h de carga horária. Entre os temas abordados nas aulas estão: medidas de prevenção e controle da disseminação de doenças; cuidados em áreas comuns; fragilidade e violência; vacinação para proteção da Covid-19 nas ILPIs; contatos sociais em tempos de isolamento; estratégias de comunicação para garantir o contato da pessoa idosa com a sua família ou comunidade; recomendações para a comunicação de notícias difíceis; entre outros.
+curso Pessoa idosa e a Covid-19: prevenção e cuidados em domicílio - Inscreva-se já!
A formação também foi desenvolvida pelo Campus Virtual Fiocruz em parceria com o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e busca atualizar as pessoas envolvidas no cuidado de pessoas idosas em ambiente domiciliar e demais interessados nessa temática. O curso, online e gratuito, tem carga horária de 20h e está organizada em sete aulas. A ideia é que, ao final do curso, os participantes sejam capazes de compreender e realizar as medidas sanitárias preconizadas para a prevenção e controle da infecção por Covid-19 no contato com pessoas idosas que necessitam de apoio ou auxílio para a realização de suas atividades cotidianas. Também é objetivo do curso que os alunos conheçam os serviços de saúde no território que prestam atendimento em casos de suspeita e/ou confirmação de infecção por Covid-19. Além do conteúdo programático, os alunos terão acesso à bibliografia utilizada no curso, a materiais complementares e a um conjunto de Perguntas e Respostas sobre o tema (FAQ).
Leia a matéria na íntegra: Mês do idoso: pesquisadora analisa o envelhecimento no Brasil
Os apontamentos da pesquisadora, que é chefe do Laboratório de Informação em Saúde (LIS/Icict/Fiocruz) foram desenvolvidos a partir de décadas de pesquisas e seminários com foco no envelhecimento e saúde do idoso.
“Cada vez mais, o envelhecimento vai chegar mais cedo no Brasil, devido à grande perda que temos em qualidade de vida em geral, que já vem de antes da pandemia”, comentou Dalia, lembrando que há dois anos, em 2019 – bem antes da chegada da Covid-19, portanto – já eram sentidos os indicadores de uma perda da qualidade de vida para as pessoas idosas.
“Em 2019, perto do Dia Mundial do Idoso, já falávamos inclusive em gerontocídio, ocasionado pelo abandono das políticas públicas e serviços de saúde como foi o corte do investimento em saúde e a recente reforma da previdência que, na prática, acabou com a possibilidade de aposentadoria, reduziu as pensões e feriu de morte o sistema previdenciário. A volta do Brasil ao mapa da fome também anunciava o gerontocidio. Passar fome para uma pessoa idosa que sofre com a diversas doenças e limitações é reduzir acentuadamente sua capacidade de sobrevivência", comentou.
Dalia reforçou ainda que o principal obstáculo para garantir a saúde do idoso é a falta de um suporte social. A pandemia mostrou que ser rico ou de classe média não garante à pessoa idosa ter ajuda e cuidados adequados, que é preciso um pacto social para defender a Estratégia de Saúde da Família e o SUS para todas e todos façam prevenção, com visitação em casa para evitar doenças crônicas que afetam a qualidade de vida. A tecnologia médica do século 21 teve avanços para que a gente sobreviva a muitas doenças que antes matavam, mas são as políticas de estado que irão garantir uma sociedade inclusiva, que permita envelhecer sem medo. A pandemia para as pessoas idosas poderia ter sido menos ameaçadora se a atenção básica estivesse fortalecida, se tivesse mapeamento dos endereços e contatos das pessoas idosas e tivéssemos feito, como em alguns países, redes de atenção telefônica, visitas domiciliares para atenção, promoção e prevenção. No Brasil, nem ricos nem pobres tiveram essa atenção.
Familiares que cuidam de pessoas idosas também sofrem muito, sentem-se isolados, tristes, como verificamos com a Pesquisa ConVid – Pesquisa de Comportamento, realizada em 2020 durante a pandemia e coordenada pelo Icict. “No Rio, em algumas favelas, como Maré e Manguinhos, por conta da iniciativa de instituições como a Fiocruz, vimos capacidade de organicidade de solidariedade – com grupos de mulheres negras, de jovens já acostumados a resistir, que tentaram proteger à população idosa. Não conheço iniciativa similar em bairros nobres e de classe média”, afirma. Segundo Dalia, a pandemia trouxe um elemento novo, e ruim, para idosos e idosas: o isolamento na hora da morte.
“A maioria das pessoas tem a fantasia de que irá morrer bem, dormindo e de infarto. Mas, essa não é a realidade. A pandemia nos ensinou um novo medo de morrer, que não é exatamente o medo da morte, mas, sim, do tipo de morte que se aproxima. Hoje, temos muito medo de morrer mal – que é terminar a vida sozinho e isolado num quarto de hospital. A pandemia ilustrou bem isso. No futuro, quando virmos as fotos do que foi a pandemia, a imagem mais forte será a de pessoas morrendo sozinhas num quarto, muitas vezes intubadas, mas principalmente sozinhas, isoladas, porque todos em volta tinham medo do contato, da proximidade.”
A pesquisadora, que trabalha com questões do envelhecimento há quase duas décadas, acredita que a pandemia aumentou a ignorância sobre o processo de envelhecimento e a saúde do idoso.
A chefe do LIS critica também a falta de atenção da comunidade científica em relação à saúde dos idosos e idosas. “Acho que as instituições de fomento de pesquisa têm que incorporar o envelhecimento e a saúde do idoso em suas iniciativas. Entre os editais de pesquisas realizadas em 2020 e 2021, são muito poucas, poucas mesmo, que têm alguma frase relativa ao envelhecimento. Vejo uma resistência cultural por parte dos grupos organizados que definem as pautas das pesquisas e dos investimentos em Saúde.”
Dalia enfatiza a necessidade de se envolver, por força de lei, o Estado e a sociedade na proteção das pessoas idosas, defesa da dignidade e bem-estar, garantindo-lhes o direito à vida, como promulga o artigo 230 de nossa Constituição.
E chama a atenção para a desigualdade do envelhecimento: “Não é qualquer um que chega a idoso no Brasil. Alta proporção de população pobre, indígenas e negras, morrem antes de fazer sessenta anos”. Então, quem tem direito a envelhecer no Brasil?
Finalizando, Dalia lembra a adesão, do Brasil, em 2020, ao plano “Década do Envelhecimento Saudável 2020-2030”, lançado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que tem quatro áreas de atuação: 1) Mudar a forma como pensamos, sentimos e agimos com relação à idade e ao envelhecimento; 2) Garantir que as comunidades promovam as capacidades das pessoas idosas; 3) Entregar serviços de cuidados integrados e de atenção primária à saúde centrados na pessoa e adequados à pessoa idosa; e 4) Propiciar o acesso a cuidados de longo prazo às pessoas idosas que necessitem.
Dalia Romero participou no lançamento dos resultados do mais recente trabalho – a Pesquisa Nacional sobre as Condições de Trabalho e Saúde das Pessoas Cuidadoras de Idosos na Pandemia, no qual é coordenadora adjunta com o professor e pesquisador Daniel Groisman, da EPSJV-Fiocruz, enfatizando que numa sociedade digna deve-se cuidar de quem cuida.
*com informações de PH de Noronha (Icict/Fiocruz)
Na próxima semana, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) debaterá a potência terapêutica das histórias de vida. Durante o encontro, que acontecerá no âmbito do Centro de Estudos da Ensp, será realizado também o lançamento do e-book “Histórias de Vida, Vozes da Rua”, fruto da pesquisa 'O cuidado às pessoas em situação de rua na Rede de Atenção à Saúde'. A sessão online é aberta ao público, e está marcada para o dia 29 de julho, às 14h, ao vivo no canal da Ensp no Youtube.
Além das apresentações e debates – que serão realizadas por Cláudia Brito, pesquisadora que apresentará a pesquisa que deu origem ao livro e mediará o debate; Valeska Antunes, médica que atuou no Consultório na Rua atendendo à população em situação de rua, Lilian Leonel, representando pessoas em situação de rua e liderança local; e Eliana Claudia Ribeiro, educadora que pesquisa e reflete sobre os processos de aprendizagem significativa –, o webinário terá leituras de breves trechos do livro, e permitirá que os participantes perguntem e proponham questões ao debate.
A pesquisa “O cuidado às pessoas em situação de rua na Rede de Atenção à Saúde”
A pesquisa de Saúde Coletiva que deu origem às narrativas teve como objetivo principal analisar a dinâmica e os modos de vida das pessoas em situação de rua e sua relação com os cuidados em saúde. Ela foi coordenada por Cláudia Brito e contou com a médica Lenir Nascimento da Silva e o antropólogo Caco Xavier, todos vinculados à Ensp.
Histórias de Vida, Vozes da Rua
Segundo o site da pesquisa, a ideia do livro nasceu do impacto que a beleza e a delicadeza que os relatos da população em situação de rua trouxeram aos pesquisadores da Ensp, quando estes se reuniram para analisar os depoimentos coletados durante a pesquisa.
À medida em que a leitura coletiva das entrevistas avançava no desvelar da experiência dessas pessoas e nos procedimentos de descrição, síntese e análise dos fenômenos estudados, os pesquisadores percebiam como seria importante compartilhar esse material na íntegra, de modo a permitir que a população em situação de rua se mostrasse e se apresentasse por meio de sua própria linguagem.
O ebook reúne, de forma escrita e na íntegra, narrativas orais gravadas com a população em situação de rua, que abordam histórias de vida, atividades do cotidiano, sentimentos, desejos, sonhos e estratégias e cuidados de saúde das pessoas entrevistadas, todas vivendo em situação de rua naquela ocasião.Para a coordenadora da pesquisa e debatedora do webinário, Cláudia Brito, o livro traz histórias repletas de riqueza e pluralidade, por vezes surpreendentes, sobre suas percepções de vida e do mundo. “Pensando no atual contexto de intensificação da agenda neoliberal e de indivíduos autocentrados em favor de seus interesses ou intolerantes às diferenças, o compartilhamento dessas histórias reafirma a preocupação com o outro, com direitos e cidadania, em favor da construção de projetos de pesquisa, de cuidado de saúde e de educação solidários e afetivos”, defendeu Cláudia.
A pandemia de Covid-19 acometeu drasticamente toda a população, mas afetou especialmente as pessoas de mais idade. Os idosos representam uma parcela da sociedade que vem crescendo a passos largos nas últimas décadas. Dados do IBGE apontam que o número de familiares que se dedicavam a cuidados de indivíduos de 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões em 2016 para 5,1 milhões em 2019. Os números mostram que a convivência no domicílio de diferentes gerações é algo muito comum em nosso país. Com o objetivo de atualizar as pessoas envolvidas no cuidado de pessoas idosas em ambiente domiciliar e demais interessados nessa temática, o Campus Virtual Fiocruz, em parceria com o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), lança o curso Pessoa idosa e a Covid-19: prevenção e cuidados em domicílio.
A formação, online e gratuita, tem carga horária de 20h e está organizada em sete aulas. A ideia é que, ao final do curso, os participantes sejam capazes de compreender e realizar as medidas sanitárias preconizadas para a prevenção e controle da infecção por Covid-19 no contato com pessoas idosas que necessitam de apoio ou auxílio para a realização de suas atividades cotidianas. Também é objetivo do curso que os alunos conheçam os serviços de saúde no território que prestam atendimento em casos de suspeita e/ou confirmação de infecção por Covid-19.
Além do conteúdo programático, os alunos terão acesso à bibliografia utilizada no curso, a materiais complementares e a um conjunto de Perguntas e Respostas sobre o tema (FAQ).
O curso visa fornecer instrumentos para que indivíduos cuidem de pessoas sob sua responsabilidade da melhor forma possível, facilitando, assim, seu dia a dia, minimizando a ansiedade na realização desse cuidado, para o qual não sentem-se capazes em todos os aspetos, incluindo o emocional, apontou a coordenadora acadêmica do curso, que é pesquisadora e chefe do Laboratório de Informação e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (LIS/Icict), e coordenadora do Grupo de Informação em Saúde e Envelhecimento da Fiocruz (Gise-Fiocruz), Dália Elena Romero.
Para Dalia - que divide a coordenação acadêmica do curso com o também pesquisador da Fiocruz, ligado à Esccola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, José Luiz Telles, especialista na área de envelhecimento e saúde do idoso -, a partir do lançamento dessa formação, “espera-se que os cuidadores familiares tenham maior conhecimento sobre as medidas de proteção necessárias para prestar cuidados adequados às pessoas idosas em situação de pandemia”.
De acordo com os organizadores do curso, o envelhecimento populacional no Brasil acontece de forma intensa e rápida. A associação entre maior longevidade da população e a ocorrência de múltiplas doenças crônicas, além da incapacidade funcional, está bem fundamentada em evidências científicas. Mas, apesar delas, são escassas as estratégias de capacitação para promoção do autocuidado nas fases de envelhecimento e para o cuidado dos idosos dentro de seu ambiente domiciliar.
A coordenadora do Campus Virtual Fiocruz, Ana Furniel, lembrou que esse curso trata do cuidado ao idoso na pandemia, mas, segundo ela, essa formação vai além, "levantando questões sobre fatores de risco que colocam essa parcela da sociedade como o grupo mais vulnerável. Além disso, nele também são abordados temas relevantes para a área da saúde das pessoas idosas, como o papel do SUS no envelhecimento saudável, a compreensão dos cuidados necessários em domicílio, o contato com pessoas idosas e suas vulnerabilidade, entre outros.
No contexto da pandemia, passa a ser mais urgente as medidas de cuidado da pessoa idosa no ambiente domiciliar. Não só pela maior gravidade e letalidade da doença (73% dos óbitos correspondem a pessoas de 70 anos ou mais), mas também porque é no ambiente domiciliar que muito dos contágios acontecem entre essa população. Partindo desse princípio, as medidas sanitárias e os comportamentos dentro do coletivo domiciliar assumem relevância capital para a sobrevivência e saúde das pessoas idosas.