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Publicado em 11/08/2026
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Pesquisadores da Fiocruz e UFRJ debatem a internacionalização da ciência na Rio Innovation Week

Autor(a): 
Clarissa Monteagudo (Rede Capes Global)

A ampliação das parcerias internacionais, a formação de redes de pesquisa e os desafios da internacionalização da pós-graduação estiveram em pauta no painel "Ciência sem Fronteiras: como a cooperação internacional impulsiona soluções para grandes desafios globais", realizado na quarta-feira, 6/8, no estande Inclusive Talks, da Rio Innovation Week. Com uma mesa formada pelo coordenador de educação internacional da Fiocruz (CGE/VPEIC), André Perissè, a ex-vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz) e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Cristiani Vieira Machado, e a professora de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fernanda Mello, o encontro discutiu como a atuação em redes colaborativas fortalece a produção científica e contribui para o desenvolvimento de soluções voltadas a desafios relaconados às mudanças climáticas, às emergências em saúde, aquecimento global, desigualdades no acesso a sistemas de saúde entre as populações, entre outros.

Durante o encontro, os participantes destacaram que a internacionalização da pós-graduação vai além da mobilidade acadêmica, representando uma estratégia para fortalecer redes colaborativas de pesquisa e afinar laços de solidariedade entre países, ampliar a circulação do conhecimento e fomentar a construção de soluções inovadoras para problemas que ultrapassam fronteiras.

Nesse contexto, foi ressaltada a importância da Rede Capes Global para o Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Saúde, coordenada pela Fiocruz. A iniciativa reúne a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a Universidade Federal de Rondônia (Unir), promovendo a internacionalização da pós-graduação por meio da cooperação científica, da mobilidade acadêmica e da formação de redes de pesquisa.

Os participantes do debate também enfatizaram que o fortalecimento das parcerias internacionais, especialmente entre países do Sul Global e do Brics, amplia a democratização das oportunidades de cooperação científica, valoriza diferentes experiências e fortalece a produção de conhecimento voltada às necessidades da sociedade.

Gestão compartilhada como um dos pilares da iniciativa

Ao abordar os objetivos da Rede Capes Global, André Périssé destacou que a iniciativa busca reduzir desigualdades históricas entre instituições e regiões do país.

"Na Capes Global, há uma preocupação com a redução de assimetrias regionais. O espírito é de solidariedade entre as instituições parceiras. Os países do Sul Global, por exemplo, terão peso maior, assim como as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Faremos também ações afirmativas. A ideia é incentivar a mobilidade e construir uma gestão o mais inclusiva possível. A Fiocruz coordena, mas todas as etapas da gestão são discutidas e executadas com os núcleos. A coordenação é feita por instituições com uma experiência mais consolidada em internacionalização, no entanto, a ideia é deixar um legado para as parceiras, estabelecendo conexões, dividindo processos e implementando as ações em conjunto."

Para Cristiani Vieira Machado, a cooperação internacional deve ser compreendida como uma estratégia de fortalecimento da ciência, soberania e acesso à saúde das populações, da formação de profissionais com uma visão mais ampla e solidária em sua atuação na área e seu reflexo na política externa brasileira.

"São quatro principais pilares ao estabelecer cooperação: a relevância para a política externa, não apenas pela visão socioeconômica e geopolítica, mas também pela construção de vínculos de solidariedade; a Educação e a Ciência, que sempre caminham juntas, formando profissionais, deixando legado e ampliando a visão dos nossos pesquisadores". A pesquisadora ressaltou ainda os impactos da experiência internacional na formação acadêmica e atuação profissional. Segundo ela, nossos pesquisadores voltam transformados, com uma perspectiva nova, práticas e visões impactadas por essa experiência tão profunda de troca cultural, de saberes e de experiências.

Com uma vivencia ligada à internacionalização na universidade em que atua, a UFRJ, Fernanda Mello destacou que a internacionalização precisa envolver estudantes desde a graduação e reforçou que os desafios contemporâneos exigem respostas construídas coletivamente. "É preciso enfrentar juntos as questões que impactam o mundo inteiro. O aquecimento global, as pandemias e as mudanças climáticas não respeitam fronteiras. Somente pela cooperação, que também pode ser triangular, com países do Norte empregando recursos e compartilhando tecnologias e saberes, teremos como responder às demandas da vida atual e do futuro. E as respostas também precisam vir de todos. Todos são atingidos"

A professora da UFRJ afirmou que o intercâmbio de conhecimentos fortalece a formação acadêmica. "As respostas a todas essas questões precisam vir da ampla troca de conhecimento entre as nações e da sensibilização de alunos e professores sobre a importância da integração para aprimorar nossa visão dos aspectos sociais, culturais, e também dos próprios métodos e práticas de ensino. Quando um pesquisador ou estudante vivencia essa experiência, ele volta transformado."

O debate também enfatizou a importância da construção de parcerias internacionais sólidas, da preservação da memória institucional para garantir o legado das ações de cooperação e da responsabilidade do Brasil em compartilhar sua experiência em saúde pública. Os participantes destacaram que o Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma referência para países que estruturam seus próprios sistemas nacionais de saúde

Outro ponto ressaltado foi a escuta ativa. Ouvir experiências nascidas em diferentes realidades e aprender com elas é um dos aspectos mais ricos da internacionalização. A construção de redes de cooperação resilientes, capazes de enfrentar crises sanitárias, instabilidades econômicas e mudanças políticas, fortalece a produção científica, contribui para reduzir assimetrias e amplia a soberania sanitária e de saúde das populações.

A participação da Rede Capes Global na Rio Innovation Week reforça seu compromisso com a internacionalização da ciência brasileira e com a construção de uma comunidade científica mais colaborativa, inclusiva e preparada para responder aos desafios contemporâneos.