Por que as chamadas “comunidades terapêuticas” (CTs) são um alerta para as políticas de saúde mental no Brasil? Na fachada, elas se apresentam como espaços de acolhimento e recuperação para pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e substâncias. Na realidade, porém, as CTs são instituições asilares, a maioria delas com orientação religiosa, que perpetuam violências e violações de direitos.
Relatórios de inspeções realizadas por órgãos públicos em todo o país revelam um cenário de privação de liberdade, ausência de projetos terapêuticos, violência física e religiosa e exploração do trabalho, por vezes em condições análogas à escravidão.
Mesmo com as denúncias, a presença das CTs se expande pelo país — com apoio e financiamento público. Em contrapartida, a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do SUS, que possui alternativas de cuidado para essas pessoas, sofre com a falta de recursos. No marco dos 25 anos da Lei 10.216 de 2001 e no mês da luta antimanicomial, Radis mostra como as comunidades terapêuticas ferem os princípios da chamada Lei da Reforma Psiquiátrica e atualizam o passado manicomial.
Na edição, você também confere: o legado da 8ª Conferência Nacional de Saúde, que completa 40 anos e mostra que, sem participação social, as conquistas da saúde não seriam possíveis; tratamentos fantasiosos sem comprovação científica proliferam na internet e colocam a saúde em risco. Leia aqui.