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Publicado em 25/03/2026

Centro de Estudos debate protagonismo de meninas e mulheres frente às mudanças climáticas

Autor(a): 
Ensp/Fiocruz

O próximo Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcelos da Escola nacional de Saúde Pública Segio Arouca (Ensp/Fiocruz) terá como tema “Meninas, mulheres e mudanças climáticas: Para onde caminha a Ciência?”. Marcado para o dia 25 de março, às 14h, o Ceensp reunirá pesquisadoras e lideranças indígenas e quilombolas para discutir ciência, justiça social e equidade de gênero. A atividade integra a agenda institucional que marca o Dia Internacional de Luta das Mulheres e o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, reforçando o compromisso da Ensp/Fiocruz com a promoção da equidade de gênero no campo científico. A atividade é aberta a todos os interessados e será realizada em formato online, com transmissão pelo YouTube e tradução para Libras. Participe!

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Mudanças climáticas e desigualdades: um debate necessário

Consideradas um dos maiores desafios do século XXI, as mudanças climáticas impactam diretamente a saúde das populações e a sustentabilidade dos territórios. No entanto, seus efeitos não são distribuídos de forma igual. O encontro propõe uma reflexão a partir de perspectivas interseccionais, reconhecendo que diferentes grupos sociais - especialmente mulheres, meninas e populações historicamente marginalizadas - vivenciam de forma desigual os impactos ambientais. Ao trazer essas vozes para o centro do debate, o CeEnsp busca contribuir para a construção de respostas mais justas, inclusivas e eficazes.

A mesa reunirá convidadas com trajetórias diversas, que dialogam diretamente com ciência, território e justiça social. Entre elas: Maria Aparecida Matos, professora da Universidade Federal do Tocantins; Yuri Consuelo Rodriguéz, mulher indígena Cubana, enfermeira e mestra em Saúde Pública; Rayane Oliveira, liderança quilombola; e Siana Leão Guajajara, mulher indígena do povo Guajajara/Tentehar, ativista e defensora dos direitos das pessoas indígenas com deficiência. A coordenação será de Cristiane Andrade, pesquisadora do Claves/Ensp/Fiocruz e membro do Grupo de Trabalho (GT) Mais Meninas e Mulheres na Ensp.

A iniciativa é organizada pelo GT Mais Meninas e Mulheres na Ensp, que reúne trabalhadoras e estudantes da Escola e integra o GT Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz. "Ao articular ciência, gênero e clima, o CEEnsp reafirma a importância de fortalecer a participação de meninas e mulheres na produção do conhecimento e nos processos de decisão, contribuindo para políticas públicas mais representativas e transformadoras", destaca a coordenação da atividade.

 

Publicado em 22/10/2025

Trabalho, cuidado e violências: centro de estudos aborda mulheres migrantes no Brasil e brasileiras no exterior

Autor(a): 
Ensp/Fiocruz

Nesta quarta-feira, dia 22 de outubro, às 14h, será realizada a próxima edição do Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos (CeEnsp), que abordará o tema “Mulheres migrantes no Brasil e brasileiras no exterior: trabalho, cuidado e violências”. A atividade será transmitida pelo canal da Ensp no Youtube e contará com tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Coordenada pela pesquisadora do Claves/Ensp Cristiane Batista Andrade, a conversa será mediada por Camila Athayde, Ensp/Fiocruz, e terá como palestrantes: Margarita Campos, Sabores do Mundo e Claves/Ensp; Claudia Araújo de Lima, UFMS e Ministério da Saúde; Mariana Holanda, Universidade do Porto; e Mairê Carli, Femigrantes BR Podcast.

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A proposta deste encontro é discutir as migrações de mulheres no Brasil, nas regiões de fronteiras e de brasileiras no exterior, compreendendo as complexidades dos fluxos migratórios e os desafios enfrentados por elas. As mulheres em deslocamentos enfrentam múltiplas formas de violência, tendo seus corpos atravessados pelas opressões do racismo, do patriarcado, do sexismo e das desigualdades socioeconômicas, existindo, portanto, a possibilidade de vivenciarem situações de tráfico de pessoas com fins de exploração sexual e trabalho escravo contemporâneo, o que as expõe continuamente a riscos graves à saúde e à própria vida. Neste contexto, lidam com os desafios impostos pelo trabalho reprodutivo do cuidado familiar, das complexidades da maternidade transnacional e dos arranjos familiares que emergem no contexto migratório. Para tanto, essas mulheres recorrem aos serviços públicos de Saúde, Educação e Assistência Social, bem como aos movimentos sociais de migrantes e às Organizações da Sociedade Civil em busca de atividades que lhes permitam cuidar de si e de suas famílias.

O CeEnsp apresentará os resultados parciais da pesquisa “Mulheres migrantes nas fronteiras brasileiras: interfaces entre trabalho, cuidado e violências”, coordenada por Cristiane Batista Andrade (Claves/Ensp/Fiocruz), que está sendo realizada em oito cidades (cinco capitais e três cidades de fronteiras brasileiras), com financiamento do CNPq e do Ministério da Saúde.

Publicado em 10/09/2025

Centro de Estudos debate conflitos de interesse e determinantes comerciais da saúde

Autor(a): 
Ensp/Fiocruz

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) realiza mais uma edição do Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcelos, com o tema 'Conflitos de Interesse e Determinantes Comerciais da Saúde'. O CeEnsp será realizado no dia 10 de setembro, às 14h, com transmissão ao vivo pelo YouTube e contará com intérprete de Libras.

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O encontro será coordenado por Ana Natividade, pesquisadora do Cetab/Cesteh/Ensp, e terá como palestrantes: Camila Maranha, docente da Faculdade de Nutrição Emília de Jesus Ferreiro da Universidade Federal Fluminense (FNEJF/UFF) e coordenadora do Observatório Brasileiro de Conflitos de Interesse em Alimentação e Nutrição (ObservaCoI); Beatriz Gouveia, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde do INU/Uerj e pesquisadora-gestora do ObservaCoI.

O debate propõe uma reflexão sobre como as atividades comerciais influenciam os ambientes sociais e físicos, nesse contexto, estratégias de marketing e interesses comerciais afetam diretamente as escolhas dos indivíduos. Esses determinantes não apenas impactam a saúde e o meio ambiente, mas também aprofundam desigualdades, sobretudo em países e populações que não se beneficiam economicamente dos produtos ou serviços que geram danos.

Participe!

Serviço

CeEnsp – 'Conflitos de Interesse e Determinantes Comerciais da Saúde'

Data: 10/09/2025

Horário: 14h

Formato: Online, com intérprete de Libras.

Transmissão: www.youtube.com/user/Enspcci

 

Publicado em 08/10/2024

Centro de Estudos debate a nova Lei de Ética em Pesquisa com Seres Humanos

Autor(a): 
Informe Ensp

Na próxima quarta-feira, 9 de outubro, o Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), debaterá “A nova Lei de Ética em Pesquisa com Seres Humanos”. A atividade promoverá uma conversa sobre a Lei n.º 14.874/2024 e as perspectivas de pesquisadores, patrocinadores e discentes de pós-graduação. O evento será realizado às 14h, na sala 410 da Escola, e terá transmissão pelo canal da Ensp no Youtube. Haverá tradução para Libras.   

Coordenado por Cassius Schnell Palhano Silva, coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/Ensp), o Centro de Estudos contará com a participação de Robson Leite de Souza Cruz, pesquisador do Bio-Manguinhos/Fiocruz, Roseli Nomura, coordenadora adjunta da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), e Renata da Silva Antunes, doutoranda da Ensp/Fiocruz. A pesquisadora Jennifer Braathen Salgueiro, membro do CEP/Ensp, será a mediadora do Centro de Estudos.

Assista à transmissão do Centro de Estudos:

Publicado em 24/09/2024

Centro de Estudos discute ‘Direito à maternidade e (des)encarceramento feminino’

Autor(a): 
Informe Ensp

Na próxima quarta-feira, 25 de setembro, o Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), debaterá o tema “Direito à maternidade e (des)encarceramento feminino no Brasil” sob as perspectivas éticas e jurídicas da punição criminal. A atividade será às 14h na sala 410 da Escola, com transmissão ao vivo pelo canal da Ensp no YouTube. Haverá tradução para Libras.

Esta edição do Ceensp será coordenada pela pesquisadora do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos (DEMQS/Ensp), Silvana Granado. A palestrante convidada é a pós-doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Bioética Ética Aplicada e Saúde Coletiva (PPGBIOS/UFRJ) contemplada pelo Programa Jovens Doutores da Faperj Luciana Simas. A debatedora será a pesquisadora do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (Densp/Ensp) Alexandra Sanches.

Assista à transmissão do Ceensp:

Publicado em 06/08/2024

Centro de Estudos discute determinação socioambiental, território, epistemologias críticas e avaliação em saúde coletiva

Autor(a): 
Informe Ensp

Nesta quarta-feira, 7 de agosto, às 14h, o Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), vai debater o tema "Determinação socioambiental, território, epistemologias críticas e avaliação em saúde coletiva". O encontro será realizado na sala 410 da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, com transmissão ao vivo pelo canal da Ensp no Youtube. Haverá tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Sob coordenação do pesquisador Marcelo Firpo, do Núcleo Ecologias e Encontros de Saberes para a Promoção Emancipatória da Saúde (Neepes/Ensp), o Ceensp terá como palestrantes: Monica de Avelar Magalhães, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e Marly Marques da Cruz e Gil Sevalho, ambos do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (DEnsp/Ensp).

Assista à transmissão ao vivo do Centro de Estudos:

Publicado em 16/07/2024

Centro de Estudos debaterá a destruição gaúcha

Autor(a): 
Informe Ensp

O próximo Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos da Escola Nacional de Saúde Pública (Ceensp) debaterá 'A destruição gaúcha: causas e soluções'. Segundo dados da Defesa Civil Estadual, atualizados em 27 de maio, as enchentes afetaram 469 municípios e 2.345.400 pessoas, desalojando mais de 580 mil e causando 169 mortes. Tendo ainda 56 pessoas desaparecidas e mais de 55 mil abrigadas. O Ceensp está marcado para o dia 17 de julho, às 14h, com transmissão ao vivo pelo canal da Ensp no YouTube. Haverá tradução para a Língua Brasileira de Sinais. A atividade é aberta a todos os interessados. 

O evento será coordenado pelos pesquisadores do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) e Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh), Clementina Feltmann e Francisco Pedra, respectivamente. Para o debate estarão presentes o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Cortes, e o Vereador da Câmara Municipal de Porto Alegre, Giovani Culau (PCdoB). 

Sobre o desastre no Rio Grande do Sul

Desde 28 de abril, chuvas intensas, ventos fortes e enchentes generalizadas atingiram o estado do Rio Grande do Sul, matando mais de 160 pessoas e afetando 2,3 milhões de pessoas. Agências e autoridades meteorológicas previram os eventos com uma precisão assustadora. Uma semana após a enchente, especialistas apontaram as chuvas extraordinárias como a principal causa.

A diretora administrativa da empresa de previsão do tempo MetSul, Estael Sias, escreveu que "não se trata de apenas um episódio de chuva extrema", mas "um evento meteorológico cujos adjetivos são todos superlativos, de extraordinário a excepcional". A chuva aparentemente interminável, escreveu ela, "foge absurda e bizarramente ao que é normal".

Levará muito tempo para que essa região do Brasil se recupere. No ano passado, depois que uma enchente muito menos grave afetou Porto Alegre (capital do Rio Grande do Sul), a arquiteta brasileira Mima Feltrin, com base no trabalho do professor de hidrologia Carlos Tucci, alertou que o estado enfrentava um risco iminente de inundação igual ou pior do que as enchentes históricas de 1941 e 1967.

Segundo os coordenadores do Ceensp, as análises de acadêmicos como Tucci e Feltrin alertaram repetidamente sobre o impacto e as ameaças iminentes das mudanças climáticas provocadas pelas emissões de carbono em todo o mundo, bem como sobre as deficiências das políticas implementadas por políticos imprudentes que negam as mudanças climáticas. Um dos principais debates após a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul nas últimas semanas foi sobre o papel do Estado na prevenção e no enfrentamento às inundações.

Dados da Defesa Civil Estadual, atualizados em 27 de maio, apontam que as enchentes afetaram 469 municípios e 2.345.400 pessoas, desalojando mais de 580 mil e causando 169 mortes, tendo ainda 56 pessoas desaparecidas e mais de 55 mil abrigadas. "O entendimento do papel do estado capitalista neste momento de avanço do neoliberalismo e do 'capitalismo de catástrofe' é fundamental para entendermos a reação dos diferentes governos à tragédia climática no Rio Grande do Sul", destacaram os coordenadores do Ceensp.

Assista à transmissão do Ceensp:

Publicado em 18/06/2024

Centro de Estudos debate Consórcios Públicos Intermunicipais de Saúde

Autor(a): 
Informe Ensp

Os avanços e desafios para a regionalização do SUS serão tema do próximo Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos (Ceensp), da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Coordenado pela Vice-Diretora de Pesquisa e Inovação (VDPI/Ensp), Luciana Dias de Lima, o evento discutirá “Consórcios Públicos Intermunicipais de Saúde no Brasil: avanços e desafios para a regionalização no SUS”. O Ceensp ocorrerá no dia 19 de junho, às 14h, na sala 410 da Ensp e contará com transmissão ao vivo pelo canal da Escola no Youtube. O evento contará com tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).  

Os palestrantes convidados são o professor José Ângelo Machado, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a professora e pesquisadora Patty Fidelis de Almeida, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (UFF), e a pesquisadora e participante do Programa Inova Fiocruz Pós-Doutorado Júnior (PDJ) Silvia Karla Azevedo Vieira Andrade, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz). 

Os consórcios públicos de saúde surgiram no Brasil na segunda metade dos anos de 1980 e se constituíram como instrumentos de apoio à implementação de políticas e ações de interesse comum por meio de associações, em geral, entre municípios. Em 2005, a partir da Lei dos Consórcios Públicos, os consórcios de saúde diversificaram sua composição e escopo de atuação, e inovaram em estratégias de organização regional e prestação de serviços. Desde então, o número de municípios que participam de consórcios de saúde praticamente quadruplicou. Atualmente, cerca de 68% dos municípios brasileiros integram consórcios, que se localizam na maioria das regiões de saúde existentes (cerca de 79%).  

Pesquisas apontam que os arranjos consorciais possibilitam avanços na cooperação intergovernamental, contudo, observam-se tensões a partir de sua atuação na organização regional do SUS. Esta edição do Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcelos (Ceensp) tem como objetivo possibilitar um debate crítico e problematizador sobre a atuação dos consórcios públicos de saúde a partir de estudos recentes, conduzidos em âmbito nacional e regional, envolvendo pesquisadores de diferentes instituições. 

Publicado em 09/04/2024

Conferência Livre na Fiocruz: Centro de Estudos integrará ciclo de debates sobre acesso aberto

Autor(a): 
Tatiane Vargas (Informe Ensp)

Na próxima quarta-feira, dia 10 de abril, a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) realizará uma edição especial do Centro de Estudos Miguel Murat Vasconcellos com o tema ‘O mercado da publicação científica e a plataformização da ciência: riscos e desafios’. O Ceensp integrará a programação da Conferência Livre “Acesso Aberto: Possibilidades e Limites dos Acordos Transformativos e APCs”, organizada pela Fiocruz, com o objetivo de debater as atuais tendências e disputas ao redor deste movimento internacional e influenciar as definições da próxima Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2030. A Conferência Livre da Fiocruz acontecerá em dois momentos, dias 9 e 10 de abril, como etapa preparatória para a 5ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia & Inovação, que ocorrerá em junho, em Brasília.

Inscreva-se já na Conferência Livre!

O Ceensp ‘O mercado da publicação científica e a plataformização da ciência: riscos e desafios’ é organizado pelo Núcleo de Ciência Aberta da Ensp (NCA) e será transmitido, ao vivo, pelo canal da Escola no Youtube. O evento discutirá a prática científica e seus rumos. De acordo com o coordenador do NCA/Ensp, Leonardo Castro, a transformação digital mudou as formas de produção e circulação do conhecimento científico e o mercado da publicação. Para ele, sem dúvida, trata-se de um mercado, e essa é face mais visível dessa mudança. “Observamos um aumento exponencial do número de periódicos e de artigos publicados nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, há uma enorme concentração do mercado em alguns poucos grandes grupos editoriais com faturamento bilionário”, analisou. 

Segundo Leonardo, a prática crescente de cobrança de taxas de publicação coloca os pesquisadores diante de situações paradoxais como pagar para publicar ou pagar para ter acesso às publicações, além de contribuir com a produção de pareceres sobre artigos de terceiros sem os quais o sistema não funciona. “Essas práticas estão sendo naturalizadas. Isso se deve a sistemas obsoletos de avaliação da produtividade científica com base em um conjunto limitado de indicadores, que incentivam um produtivismo meramente quantitativo. O resultado é a inflação generalizada de publicações, para não falar da coautoria. É um sistema que gera efeitos colaterais graves, desde problemas de integridade da pesquisa e da informação científica, até a proliferação de periódicos predatórios, que priorizam a arrecadação, sem qualquer preocupação com qualidade e integridade”, detalhou o coordenador do NCA. 

Para debater essas questões, o Ceensp será coordenado pela Vice-Diretora de Pesquisa e Inovação da Ensp/Fiocruz e editora-chefe de Cadernos de Saúde Pública, Luciana Dias de Lima. Contará com a participação da analista da Capes e pesquisadora da UFRJ, Tatiana Pacanaro Trinca, que abordará a ‘Ciência Aberta e Plataformização Acadêmica’; além da coordenadora de Informação e Comunicação da Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz (VPEIC), Vanessa Jorge, que abordará o ‘Pagamento de Taxas de Processamento de Artigos na Fiocruz: Panorama e Recomendações’.  

Também participam do evento, como debatedoras, a pesquisadora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio e coordenadora do Fórum de Editores de Saúde Coletiva da Abrasco, Angélica Ferreira Fonseca; e a pesquisadora do Instituto Fernandes Figueira e editora Associada de Cadernos de Saúde Pública, Suely Deslandes. O Ceensp discutirá achados de um importante grupo de pesquisadores brasileiros que se debruçam sobre o tema da plataformização da ciência, além de discutir os resultados do levantamento realizado pela equipe da Coordenação de Informação e Comunicação da VPEIC/Fiocruz, sobre gastos com taxas de processamento de artigos na fundação. Para o coordenador do NCA, Leonardo Castro, será uma grande oportunidade para debater temas que afetam as instituições científicas e buscar soluções. 

Conferência Livre na Fiocruz: primeiro evento acontecerá em 9/4, com transmissão ao vivo 

O primeiro momento da Conferência Livre “Acesso Aberto: Possibilidades e Limites dos Acordos Transformativos e APCs” acontecerá no dia 9 de abril. O tema do debate será ‘Lições Aprendidas e novas perspectivas do acesso aberto’. O evento, organizado em parceria pela Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) e pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), acontecerá no Museu da Vida, das 9h às 12h, e contará com transmissão ao vivo pelo canal VídeoSaúde no YouTube.   

Saiba mais sobre o evento do dia 9 de abril

*Com informações da VPEIC.

Acompanhe ao vivo:

 

Publicado em 26/02/2024

Ceensp discute 'metodologias sensíveis co-labor-ativas' para 'coracionar' a saúde coletiva

Autor(a): 
Ensp/Fiocruz

Os desafios e avanços para unir a objetividade científica à subjetividade na produção e transmissão de conhecimentos serão tema do próximo Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos (Ceensp), da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Coordenado pelo pesquisador Marcelo Firpo, o evento discutirá Metodologias sensíveis co-labor-ativas: encontros entre ciência, arte e transformação social para coracionar a saúde coletiva. O Ceensp ocorrerá no dia 28 de fevereiro, às 14h na sala 410 da Ensp e contará também com transmissão ao vivo pelo canal da Escola no Youtube, além de tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os palestrantes serão o pesquisador Paulo Amarante, do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps/Ensp); Marina Fasanello, do Núcleo Ecologias e Encontros de Saberes para a Promoção Emancipatória da Saúde (Neepes/Ensp); e Marcelo Tingui-Botó, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) e mestrando na Ufal.  

A proposta deste Ceensp é refletir sobre como o campo científico pode compreender formas de ser, viver e se relacionar com o mundo que transcendem a objetividade. Para isso, é preciso pensar metodologias interdisciplinares e coletivas que valorizem a sensibilidade dos saberes do senso comum, da arte e da consciência, presentes nos territórios indígenas, quilombolas, camponeses ou nas periferias urbanas. Nesse sentido, o desafio é estabelecer pontes, flexíveis e sutis entre a objetividade e a subjetividade num trabalho conjunto com os territórios e as pessoas. 

Ao Informe Ensp, a pesquisadora e o coordenador do Neepes/Ensp, Marina Fasanello e Marcelo Firpo, explicaram que as metodologias sensíveis co-labor-ativas, que estão desenvolvendo, buscam reconhecer o conhecimento sensível como episteme. “São centradas em encontros e confluências e buscam integrar dimensões epistemológicas, dimensões éticas, ontológicas e afetivas na produção de conhecimentos emancipatórios”, disseram. “Nós entendemos que os critérios de qualidade e objetividade científica na produção de conhecimento dos últimos séculos acabou gerando um afastamento entre ciência e os objetivos de transformação social. E esses afastamentos costumam se expressar por paradoxos mal enfrentados por modelos intelectuais da ciência que priorizam uma perspectiva em detrimento da outra, como por exemplo: pensar-sentir, exterior-interior, análise científica-consciência, desenvolvimento-envolvimento, razão especializada-senso comum, ciência-arte, e vários outras”, completaram os pesquisadores. 

Ainda de acordo com Marina Fasanello e Marcelo Firpo, o termo ‘sensível’ que caracteriza as metodologias que estão propondo estabelece “pontes, flexíveis e sutis, entre esses polos que marcam esses paradoxos”. Já o co-labor-ativo, propositalmente com hifens, “transcende a ideia de participação quando enfatiza a co-presença, com trabalho e ação conjuntos integrando a produção de conhecimentos com transformação social.  Esse movimento implica um esforço teórico e político de descolonizar e coracionar a academia”. Uma pergunta estratégica para a transição paradigmática da saúde coletiva, segundo os pesquisadores, seria: “como podemos compreender o papel da ciência e a dimensão metodológica em termos de limites, necessidades, desafios e avanços que têm sido feitos para se trabalhar com os territórios, as organizações comunitárias e os movimentos sociais voltados à transformação social?” 

Por que colocar esse tema em debate no Centro de Estudos? Os pesquisadores explicam: 

Temos uma crise planetária com múltiplas dimensões que esgarçam os limites da modernidade e seus projetos utópicos, e que se concretizam de diferentes maneiras: crise da democracia, concentração de renda e poder político, crise do Estado Moderno de Direito, crises socioambientais como a climática e a destruição dos ecossistemas.  

No caso do Sul Global e de nosso país, temos a emergência das vozes, conhecimentos e lutas cada vez mais visíveis de povos originários, quilombolas, de matriz africana, das mulheres e da juventude em periferias urbanas que apresentam outras reivindicações e alternativas. Criticá-las por serem questões identitárias e fragmentadoras implica num certo reducionismo que não enxerga que temos pela frente uma crise mais ampla de uma era que exige processos de transição paradigmática e civilizatória. A crítica à ciência moderna feita por escolas pós-coloniais e vários movimentos sociais têm a ver com falta de sensibilidade da ciência e dos cientistas de lidar com diferentes temas, populações, culturas e sistemas de conhecimentos. Ou seja, busca-se outra objetividade para pensar o conhecimento e a transformação social, os processos de desenvolvimento e “crescimento econômico”, mais voltados à ética, à política e à vida. Não se trata de pedir apenas por mais ciência dita objetiva, mas que continue desconectada da vida, das pessoas e das lutas sociais por dignidade. 

Para enfrentar tudo, acreditamos que o desafio atual do conhecimento passa pelo resgate da epistemologia com sabedoria. Para isso, precisamos aliar dimensões ontológicas, metodológicas, pedagógicas, artísticas e afetivas. Nesse sentido, a dimensão metodológica impulsionada por pesquisas interdisciplinares e qualitativas, obviamente vinculadas a dimensões também quantitativas da realidade, passa a ter uma nova centralidade no desafio de apoiar movimentos de transição paradigmática, seja no âmbito da saúde coletiva ou de outros campos interdisciplinares do conhecimento, como as ciências ambientais e sociais. 

Assista à transmissão abaixo:

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