O Observatório de Clima e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz (Icict/Fiocruz) divulgou nota técnica alertando para o aumento da incidência de doenças respiratórias, doenças gastrointestinais, doenças transmitidas por vetores e leptospirose entre a população. A nota analisa o cenário do desastre após tragédia em Minas Gerais, os impactos diretos e indiretos sobre a saúde da população e a rede assistencial. As chuvas extremas que atingiram a Zona da Mata mineira nos últimos dias, provocando dezenas de mortes e milhares de desalojados e desabrigados, também geram impactos significativos para o sistema de saúde da região. Elaborado com a colaboração de professores e pesquisadores dos departamentos de Saúde Coletiva e Estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o documento analisa os efeitos das inundações e deslizamentos registrados em municípios como Juiz de Fora e Ubá e apresenta estratégias e recomendações para o Sistema Único de Saúde (SUS) em suas três esferas de gestão. De acordo com o documento, o estudo também registra que "o desastre evidencia a crescente vulnerabilidade urbana a eventos climáticos extremos". A nota alerta ainda para riscos sanitários no período pós-desastre, de curto a longo prazo, que incluem surtos de doenças infecciosas, agravamento de doenças crônicas e impactos na saúde mental da população afetada.
Em publicação nas suas redes sociais, o Ministério da Saúde alerta que chuvas fortes e enchentes são um risco para a saúde, pois a água da enchente pode estar contaminada por esgoto, lixo e produtos químicos, aumentando o risco de doenças, e explica que evitar o contato com a água, cuidar da higiene, consumir apenas água potável e descartar alimentos contaminados são atitudes essenciais para se proteger.
Em todo o país, a temporada de chuvas de verão causam enchentes, enxurradas e inundações que propiciam a proliferação de doenças, especialmente as infecciosas, como problemas respiratórios, hepatite A, diarreias, dengue e leptospirose. Para ajudar no enfrentamento dessa questão, o Campus Virtual Fiocruz reforça a oferta do curso, online e gratuito, Leptospirose — Transmissão, diagnóstico, tratamento e prevenção. A formação é voltada a profissionais de saúde, mas aberta a todos os interessados. Quase 15 mil pessoas em todo o país já concluíram o curso. Faça você também parte dessa rede de formação em saúde!
O curso é dividido em três módulos, em uma carga horária total de 30 horas, e aborda questões sobre a transmissão da doença, fatores ambientais, sinais, sintomas, diagnóstico e tratamento, bem como a prevenção e a vigilância em saúde. Ele é resultado de uma parceria entre o Campus Virtual Fiocruz (CVF), o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), e foi desenvolvido em tempo recorde, cerca de 20 dias, para auxiliar na resposta ao enfrentamento dos aumentos de casos de leptospirose que vêm sendo notificados em decorrência das enchentes no Sul do país.
O curso é voltado a profissionais de saúde e estudantes, mas pode ser feito por pessoas de todo o país interessadas na temática. Conheça a estrutura da nova formação:
Módulo 1 – O que é leptospirose?
Aula 1.1 – A leptospirose;
Aula 1.2 – Fatores condutores ambientais;
Aula 1.3 – A transmissão da doença;
Módulo 2 – Sinais, sintomas, diagnóstico e tratamento.
Aula 2.1 – Os sinais e sintomas;
Aula 2.2 – O diagnóstico;
Aula 2.3 – O tratamento;
Módulo 3 – Prevenção e Vigilância em saúde.
Aula 3.1 – A prevenção;
Aula 3.2 – A quimioprofilaxia;
Aula 3.3 – A vigilância em saúde dos riscos associados aos desastres.
A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda que é transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira. O contágio pode acontecer a partir de lesões na pele, por mucosas ou mesmo em pele íntegra, se imersa por longos períodos em água contaminada. Os principais sintomas são febre, dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo (em especial, na panturrilha) e calafrios. Ao apresentar sintomas, deve-se procurar um serviço de saúde e é importante relatar se houve exposição de risco, como o contato com água de chuvas e enchentes.
Trata-se de uma zoonose de grande importância social e econômica, por apresentar elevada incidência em determinadas áreas de vulnerabilidade social, como também por sua letalidade, que pode chegar a 40%, nos casos mais graves. Sua ocorrência está relacionada às precárias condições de infraestrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados. As inundações propiciam a disseminação e a persistência da bactéria no ambiente, facilitando a ocorrência de surtos. A leptospirose tem cura, mas, sem tratamento pode causar danos renais, meningite, insuficiência hepática, dificuldades respiratórias e até a morte.
#ParaTodosVerem Banner com duas fotos, no topo está escrito o título do curso: Curso Leptospirose, transmissão, diagnóstico, tratamento e prevenção, embaixo do nome o desenho de um rato cinza. Na segunda imagem, uma rua inundada, no centro há um barco e diversas pessoas ao redor dele com a água na altura das coxas e da cintura, ao fundo prédios, na parte inferior está escrito: Inscrições abertas.
*Com informações do Observatório de Clima e Saúde (Icict/Fiocruz)