O Sextas de Poesia desta semana homenageia o Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente, comemorado em 24 de janeiro, data que marca a valorização dessas culturas e populações ao redor do mundo. Instituída pela Unesco em 2019, essa celebração busca reconhecer e promover a contribuição dos povos africanos e afrodescendentes para a história global, além de reforçar a importância da preservação de suas tradições e da luta contra o racismo e as desigualdades. Também nesta data, em 1835, aconteceu na cidade de Salvador a Revolta dos Malês, a maior revolta de escravos da história brasileira, mobilizando 600 africanos escravizados que lutaram pela sua liberdade.
Assim, o poeta escolhido para ilustrar o Sextas de hoje é o baiano de Salvador José Carlos Limeira, nascido no bairro de Nazaré, em 1° de maio de 1951. Com origens no Recôncavo Baiano, escreve poemas, contos, crônicas e artigos desde 1971. O poema "Meu sonho jamais faz silêncio" é uma defesa radical de sua ancestralidade, da fúria incansável na luta pela liberdade.
Segundo o portal Geledes, suas incursões poéticas valorizam motivos que representam a beleza e o drama cotidiano pela lente de um homem que acumula a experiência de transitar pela adversidade racial brasileira na condição de negro consciente de si, ciente da grandeza de sua história e admirador da inesgotável beleza de sua gente. José Carlos faleceu em março de 2016, deixando uma vasta obra e uma história de luta, tendo a Literatura Negra como ferramenta de insubmissão social, de contestação ao racismo, de valorização da mulher negra e da religiosidade de matriz africana.
#ParaTodosVerem Banner com fundo escuro, no centro a figura ilustrativa de uma mão negra cerrada, com as cores amarela, vermelha e verde ao seu redor. No canto esquerdo do banner, o trecho do poema "Meu sonho jamais faz silêncio", de José Carlos Limeira:
Meu sonho
jamais faz silêncio
E a ninguém caberá calá-lo!
Trago-o como herança que
me mantém desperto
Como esta cor não traduzida em versos...
É a fúria sem arreios,
Terra farta dos anseios,
Desacato,ato, sem freios!
Vôo livre da águia que não cansa,
Me faz erê, me faz criança.