É uma inovação agregar cinco programas, de uma forma solidária, para oferecer um doutorado de alto padrão a profissionais que não tinham essa opção pela falta de oferta no Piauí.

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Publicação : 30 DE JULHO DE 2017

Autor(es) : Camila Martins

É uma inovação agregar cinco programas, de uma forma solidária, para oferecer um doutorado de alto padrão a profissionais que não tinham essa opção pela falta de oferta no Piauí. É uma inovação agregar cinco programas, de uma forma solidária, para oferecer um doutorado de alto padrão a profissionais que não tinham essa opção pela falta de oferta no Piauí.

Por Ana Furniel (Campus Virtual Fiocruz)

O Escritório Regional da Fiocruz Piauí abriu em maio desse ano a primeira turma do curso de Doutorado em Saúde, Ambiente e Sociedade, uma experiência inovadora, oferecida por consórcio entre diversos programas de pós-graduação da Fiocruz. Nessa entrevista ao Campus Virtual Fiocruz, Silvana Granado, uma das coordenadoras do curso, conta como foi construída esta parceria e a importância do doutorado no atendimento a demanda reprimida naquela região, o que ficou evidente no disputado processo seletivo, com 129 inscrições, tendo sido 28 selecionados, superando o número de vagas previstas. Leia a entrevista e conheça os programas institucionais que formam o consórcio, os objetivos e público do doutorado e seu o modelo inovador e estratégico de implantação no estado do Piauí.


Ana Furniel (Campus Virtual Fiocruz): Conte um pouco sobre a proposta do Doutorado em Saúde, Ambiente e Sociedade, na Fiocruz Piauí?
Silvana Granado:
A demanda deste doutorado nasceu junto da implantação do Escritório da Fiocruz Piauí, quando nos reuníamos com as universidades estadual e federal do Piauí, com a Faculdade Piauiense (FAP) e a Secretaria Estadual de Saúde. A proposta era de realizarmos mestrados e, depois, um doutorado, devido à demanda reprimida, já que não existia pós-graduação Stricto sensu em saúde coletiva no estado. Entre agosto de 2013 e dezembro de 2015, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde financiou o Mestrado Profissional em Epidemiologia das Doenças Transmissíveis. Também foram formadas três turmas de mestrado acadêmico oferecidas pelo Programa de Medicina Tropical do IOC. Assim, ficamos com muitos mestres aguardando a oportunidade de realizar o doutorado.

Em 2016, a Coordenação Geral de Pós-graduação da Fiocruz retomou a discussão sobre a oferta de uma turma de doutorado, e me convidou para coordenar a iniciativa junto com professor Filipe Costa. Foi formado um consórcio entre os Programas de Pós-graduação em Saúde Pública, Epidemiologia em Saúde Pública e Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), constituindo, assim, o Doutorado em Saúde, Ambiente e Sociedade.

O objetivo do curso é formar doutores capacitados a conduzir pesquisas em áreas específicas e para docência no ensino superior e na pós-graduação Lato e Stricto sensu, comprometidos com uma visão contemporânea da temática regional, nacional e internacional nas áreas de saúde coletiva, medicina tropical e saúde da criança e da mulher. Podem participar do curso mestres em áreas do conhecimento relacionadas à proposta do curso.

Ana Furniel (Campus Virtual Fiocruz): Como foi estruturar essa cooperação com diferentes instituições e parceiros, internos e externos?
Silvana Granado: A construção das parcerias foi bastante rica e compartilhada com muitos atores, desde as reuniões com o grupo do Piauí até a inserção dos programas da Ensp, IOC e IFF, que participaram ativamente já na seleção. Atualmente, formamos um colegiado com um representante e um suplente de cada programa de pós-graduação envolvido. Esse grupo tem se reunido, a cada dois meses, para discutir as mais diversas questões sobre o doutorado. Também tem sido muito importante a participação dos pesquisadores do Escritório Piauí, envolvidos desde a seleção, sendo a docente Clarissa Teixeira, coordenadora adjunta. A Universidade Federal do Piauí está cedendo espaço físico para realização das disciplinas.

Ana Furniel (Campus Virtual Fiocruz): O que você destacaria como maior inovação no curso para o modelo de pós-graduação?
Silvana Granado: A inovação é todo esse processo de solidariedade desses cinco programas de uma instituição de ensino e pesquisa que se unem para oferecer um doutorado de alto padrão a profissionais que não tinham essa opção pela falta de oferta no estado. A demanda reprimida ficou evidente no disputado processo seletivo, com 129 inscrições. Após prova de inglês, prova escrita de conhecimentos específicos e entrevista com análise de currículo e projeto preliminar de pesquisa, foram 28 selecionados . A turma tem correspondido, com participação bastante intensa e comprometida nas três disciplinas já ofertadas. Ter em uma única turma alunos com perfis tão diferenciados também contribui para discussões bastante enriquecedoras.

Ana Furniel (Campus Virtual Fiocruz): Como você avalia o papel da Fiocruz no que diz respeito à regionalização?
Silvana Granado: Trocar experiências e tecnologias com colaboradores regionais é, sem dúvida, muito importante. Docentes locais são nossos parceiros e exercem a função de segundo orientador. Eles poderão atuar como membros das bancas de qualificação e defesa das teses. Com certeza quando o curso terminar, o ensino da saúde pública do Piauí será reforçado com doutores de alto gabarito, especialmente porque uma boa parte da turma já atua como docente nas universidades do estado. Essa experiência reforça o papel da Fiocruz nacional, colaborando para o desenvolvimento local e ampliando as possibilidades de formação profissional na saúde, fortalecendo dessa forma o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) na região.

Ana Furniel (Campus Virtual Fiocruz): E o futuro? Podemos pensar em novas turmas do doutorado, dando continuidade a esta oferta?
Silvana Granado:
Há demanda para novas turmas. É possível que haja continuidade após a conclusão da turma atual, o que poderá fortalecer a equipe da Fiocruz local. No entanto, o escritório da Fundação precisa ser estruturado em termos de espaço físico, uma vez que, hoje, contamos com uma unidade ainda carente de recursos humanos e materiais, apesar de todos os esforços de seus pesquisadores e do investimento que vem sendo realizado. Contamos também com o grande apoio da Universidade do Piauí, parceira da Fiocruz.


Acesse mais informações sobre o Doutorado em Saúde, Ambiente e Sociedade aqui no Campus Virtual Fiocruz.

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