Descrição: A definição de uma nova era geológica marcada pelo impacto da ação humana no planeta Terra implica desafios não só em termos de respostas às catástrofes que ameaçam os seres vivos na biosfera, mas também questões conceituais que afetam os diversos campos do conhecimento, inclusive as ciências humanas, que em face da complexidade dos fenômenos contemporâneos são chamadas para uma maior integração com a biologia, a geologia e outras ciências naturais. O objetivo deste minicurso é apresentar e discutir o impacto do Antropoceno nos diversos campos do conhecimento, principalmente nas humanidades, tendo por finalidade se familiarizar com os temas e debates que o conceito tem suscitado nesses campos por meio de especialistas brasileiros e estrangeiros que vêm se dedicando ao assunto. Com isso, espera-se promover a renovação cognitiva convocada pela emergência ecológica, a qual passa por temáticas transversais que rearticulam as tradicionais fronteiras da arquitetura do conhecimento. Esta sétima edição do curso, especial sobre o fogo, é organizada por pesquisadores da Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz, e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, em Portugal. O curso reunirá especialistas que abordam a história ambiental de comunidades e das paisagens marcadas pela presença do fogo ao longo da história, assim como as ciências, os saberes, as políticas e as práticas relacionadas ao fogo no Brasil e em Portugal.
Objetivo Geral: Debater o fogo nas ciências humanas e sociais, sobretudo na história ambiental e das ciências, a partir dos principais autores, argumentos e perspectivas, com especialistas versados nas diversas temáticas no Brasil e em Portugal.
Justificativa: O fogo está presente nas diferentes paisagens e comunidades humanas ao longo da história. Ele tem sido usado tanto nas práticas agrícolas de comunidades tradicionais quanto nos grandes incêndios provocados pela expansão do agronegócio, além de também ser oriundo de secas extremas resultantes das mudanças climáticas e ambientais. O fogo assume distintas formas, por meio das queimadas naturais e das antropogênicas nos biomas savânicos, como o Cerrado brasileiro e as paisagens mediterrâneas de Portugal, cuja flora coevoluiu com as queimadas naturais. Nesse sentido, conceitos como “Piroceno” e “pirodiversidade” representam sérios desafios para as ciências naturais e as humanidades, no debate sobre o Antropoceno, exigindo a reconfiguração da divisão entre natureza e cultura que caracteriza a paisagem cognitiva da modernidade nos últimos séculos. Torna-se imperativo familiarizar-se com as discussões que esse estado sem precedentes da história planetária tem deflagrado no ambiente acadêmico. Elas implicam na elaboração de novas ferramentas de análise capazes de dar conta da complexidade das relações humanas e não humanas trazidas pela proposta de uma nova época definida a partir da marca humana no planeta.
Compreender como o fogo e as crises ecológicas contemporâneas afetam os debates nas humanidades e nas ciências, por implicarem novas formas de conceber a interação entre a espécie humana e o ambiente e as ideias de modernidade e política no Antropoceno.