Descrição: A Formação em Educação Popular prepara educadoras e educadores populares para atuar nos territórios junto às cozinhas solidárias participantes do Programa Cozinha Solidária, iniciativa da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (SESAN/MDS). A proposta busca fortalecer educadoras(es) capazes de conduzir processos educativos junto às lideranças e trabalhadoras das cozinhas solidárias, promovendo práticas de educação popular, organização comunitária, cuidado e promoção da Segurança Alimentar e Nutricional nos territórios. O curso articula temas como sistemas alimentares, fome, cultura alimentar, comensalidade, promoção da saúde, boas práticas na manipulação de alimentos, economia solidária, sustentabilidade e organização popular, dialogando com os desafios enfrentados cotidianamente pelas cozinhas solidárias e pelas populações historicamente vulnerabilizadas. A formação combina imersão presencial, encontros remotos de preparação pedagógica e atuação prática nos territórios, integrando reflexão crítica, troca de saberes e acompanhamento das experiências desenvolvidas junto às cozinhas solidárias.
Objetivo Geral: ● Compreender como a forma de produzir, distribuir e consumir alimentos se relaciona com as desigualdades e com a fome, a má nutrição e a insegurança alimentar e nutricional. ● Reconhecer o papel das políticas públicas, como o Programa Cozinha Solidária, na garantia do direito à alimentação adequada e saudável. ● Conduzir processos formativos baseados na educação popular, valorizando os saberes e experiências das participantes; ● Articular os conteúdos do curso com as realidades dos territórios e das cozinhas solidárias; ● Mediar os tempos pedagógicos (Tempo Escola e Tempo Comunidade) de forma integrada; ● Incorporar a comensalidade como prática pedagógica transversal; ● Utilizar instrumentos como o Caderno das Educandas como ferramentas pedagógicas; ● Facilitar processos coletivos de análise da realidade, planejamento e ação; ● Atuar na promoção de direitos, equidade e transformação social nos territórios.
Justificativa: A consolidação e expansão nacional do Programa Cozinha Solidária evidenciaram a necessidade de fortalecer processos formativos comprometidos com a realidade dos territórios e com os desafios enfrentados cotidianamente pelas cozinhas solidárias no Brasil contemporâneo. A fome e a insegurança alimentar não podem ser compreendidas apenas como ausência de alimentos, mas como expressões das desigualdades estruturais que organizam os sistemas alimentares e impactam de forma desigual diferentes grupos sociais. Em um contexto marcado pelo aprofundamento das desigualdades sociais, pela precarização das condições de vida e pela ampliação de modelos alimentares predatórios e excludentes, as cozinhas solidárias emergem como experiências concretas de cuidado, solidariedade e construção de alternativas nos territórios. Mais do que espaços de distribuição de refeições, essas iniciativas fortalecem vínculos comunitários, práticas de comensalidade, redes de apoio e formas coletivas de organização popular. Ao promoverem o acesso à alimentação adequada e saudável, reafirmarem saberes alimentares e valorizarem práticas construídas nos territórios, as cozinhas solidárias contribuem para o fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional e para a construção de sistemas alimentares mais justos, sustentáveis e inclusivos. Sustentadas majoritariamente por mulheres negras e periféricas, as cozinhas solidárias também evidenciam como as desigualdades de raça, gênero e território estruturam a fome e a insegurança alimentar no país, ao mesmo tempo em que revelam o protagonismo das mulheres na sustentação cotidiana da vida, do cuidado e da proteção social nos territórios. Nesse cenário, a formação de educadoras e educadores populares torna-se estratégica para fortalecer processos educativos capazes de dialogar com as experiências concretas das participantes, articular teoria e prática e contribuir para a construção de respostas coletivas frente às desigualdades alimentares e sociais. A proposta fundamenta-se na educação popular como prática dialógica, participativa e emancipatória, reconhecendo os territórios como espaços vivos de produção de conhecimento e as participantes como sujeitas ativas do processo formativo. Busca-se, assim, fortalecer educadoras(es) capazes de mediar processos coletivos de aprendizagem, valorizar os saberes populares e promover a reflexão crítica sobre os sistemas alimentares, o cuidado, a alimentação e as desigualdades que atravessam os territórios.
Formar educadoras e educadores populares capazes de conduzir processos educativos junto às lideranças territoriais do Programa Cozinha Solidária, fortalecendo a atuação das cozinhas como espaços de organização popular, cuidado e garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada.