A campanha de 2026 do Dia Mundial da Doença de Chagas, 14 de abril, articula uma ampla agenda de ações que combina mobilização comunitária, educação em saúde e comunicação. Com presença em quatro países, o projeto reforça o compromisso com a ampliação do acesso ao diagnóstico, tratamento e cuidado integral das pessoas afetadas. O foco central da campanha, definido pela Federação Internacional de Associações de Pessoas Afetadas pela Doença de Chagas (Findechagas), é a transmissão vertical da doença, que pode ocorrer durante a gestação ou o parto, destacando a importância do diagnóstico precoce, especialmente entre mulheres em idade reprodutiva, como estratégia fundamental para interromper o ciclo de transmissão. No Brasil, a Fiocruz lidera a campanha do Dia Mundial.
A campanha vai lançar um vídeo inédito que está voltado à conscientização sobre a prevenção da transmissão vertical, incentivando a testagem de mulheres antes da gravidez. O vídeo será lançado pelo Canal Saúde em 14 de abril. Também será lançada a história em quadrinhos Berenice e a doença de Chagas, inspirada na primeira criança identificada com a enfermidade, com o objetivo de ampliar o acesso à informação e fortalecer o diálogo com diferentes públicos. O lançamento da publicação foi realizado em parceria com o Museu da Vida Fiocruz, no sábado, 11 de abril. Também nesse dia foi realizada a contação de histórias Trilhas da ciência, no Castelo Mourisco da Fiocruz, após a apresentação da história em quadrinhos ao público.
A campanha se destaca pelo fortalecimento do protagonismo comunitário. Nos quatro países, em mais de 30 municípios de atuação do CUIDA Chagas, as equipes locais e lideranças formadas pelo projeto vêm promovendo ações de testagem e ações educativas, como palestras em escolas, teatro, ações em unidades de saúde e atividades culturais, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a doença e enfrentar o estigma ainda associado a ela.
A mobilização tem gerado impactos concretos no campo das políticas públicas. Nos municípios de Janaúba (MG) e Paraúna (GO) será apresentada à votação, nesta segunda-feira (13/4), um projeto de lei voltado ao cuidado integral das pessoas com doença de Chagas. Isto é resultado da articulação entre as lideranças comunitárias e os poderes legislativos locais. A proposta estabelece diretrizes que incluem prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.
Outros municípios também avançam nesse processo. Em Igarapé-Miri (PA) está em curso uma proposta para instituir o Dia Municipal da Doença de Chagas, com foco na conscientização da população. As iniciativas foram articuladas para coincidir com o 14 de abril, ampliando a visibilidade do tema.
Mais do que resultados pontuais, o conjunto dessas ações evidencia o potencial transformador da organização comunitária na construção de respostas mais justas e efetivas para a doença de Chagas. Ao integrar diversos atores na comunicação, educação e incidência política, o CUIDA Chagas reafirma seu compromisso com a equidade em saúde e com a eliminação da doença como problema de saúde pública.
“É fundamental dar visibilidade à transmissão vertical e garantir que mais mulheres tenham acesso à informação e ao diagnóstico no momento oportuno. Essa é uma estratégia decisiva para interromper o ciclo da doença”, destaca a investigadora principal do projeto, Andréa Silvestre, que é pesquisadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). A campanha convida profissionais de saúde, gestores públicos, organizações e a sociedade em geral a se engajarem, fortalecendo ações que ampliem o acesso ao cuidado e promovam o direito à saúde nos territórios mais afetados.
O CUIDA Chagas é liderado pelo INI/Fiocruz. O projeto atua em parceria com o Instituto Nacional de Laboratorios de Salud (Inlasa) da Bolívia; o Instituto Nacional de Salud (INS) da Colômbia; o Servicio Nacional de Erradicación del Paludismo (Senepa) do Paraguai; e a FIND, a aliança global para diagnósticos. É financiado pela Unitaid e cofinanciado pelo Ministério da Saúde do Brasil.
O objetivo principal é colaborar com a eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas. O projeto está composto por um estudo de implementação que já testou mais de 60 mil pessoas, com foco em mulheres em idade fértil; um estudo de validação que estuda a melhor combinação de testes rápidos para o diagnóstico da doença de Chagas; e um ensaio clínico que avalia a eficácia do tratamento atual da doença.