Descrição: O curso visa contribuir com a formação de agentes sociais da comunidade e profissionais para identificar a sinergia entre o conhecimento local, sagrado e conhecimento técnico-científico, identificando problemas e soluções com base nos recursos existentes sejam recursos naturais, humanos e culturais visando fortalecer a capacidade de autogestão do terreiro. Para isso, será utilizado como instrumento a Cartografia Social, que é uma potente ferramenta e serve para dar visibilidade a situações especificas vivenciadas por grupos sociais que foram esquecidos pela ciência e pelo poder público. Os mapas da cartografia social abordam situações que jamais foram contempladas na cartografia oficial, tais como conflitos, desafios elementos míticos entre outros. Vários grupos utilizam a cartografia social, especificamente os mapas como instrumento de resistência e vigilância do território. Dentro do processo da cartografia social serão discutidos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 para que os agentes sociais dos terreiros para refletir sobre a contribuição das ações do projeto no alcance das metas, bem como possam identificar desafios e soluções a serem enfrentados nas ações futuras do projeto. Serão abordados os 17 (dezessetes) ODS da agenda 2030 e analisada a contribuição do projeto para os 3 (três) ODS anunciados pelo governo brasileiro, que dizem respeito à igualdade racial; à arte, cultura e comunicação; e aos povos originários e tradicionais. O curso finaliza com uma oficina no terreiro/território para aplicação da metodologia e construção do mapa participativo com a comunidade do terreiro.
Objetivo Geral: O egresso irá desenvolver a sua competência para atuar no território no âmbito da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) com maior domínio das ferramentas de mensuração da SAN, compreendendo os aspectos sociais, econômicos e culturais dos povos e comunidades tradicionais de matrizes africana e de terreiros.
Justificativa: A constituição de Territórios Saudáveis e Sustentáveis (TSS) para potencializar oportunidades e conceber estratégias de governança para a execução de ações de promoção da Soberania, Segurança Alimentar e Nutricional de base territorial, na potencialização dos “espaços políticos-institucionais existentes” é a diretriz fundamental do projeto. No contexto social, político e econômico do Brasil em que os indicadores de insegurança alimentar são expressivos, o II Inquérito de Insegurança Alimentar da Rede PENSSAN/2021 revelou uma piora do quadro, com 33,1 milhões de pessoas convivendo com a fome. Quando a pessoa de referência do domicílio se autodeclara preta ou parda a insegurança alimentar ocorre em 65% dos lares. O percentual de aumento da fome desde o I Inquérito representa um crescimento de 70%, passando de 10,4% para 18,1%. O I Inquérito de insegurança alimentar no contexto da pandemia da Covid – 19 realizado pela Rede PENSSAN em 2020, constatou que em meio à pandemia, o Brasil vivia um pico epidêmico da fome, atingindo cerca de 19,1 milhões (9% da população) com os maiores percentuais na população negra (pretos e pardos). Esta condição adversa e hedionda criou estratégias de preservação de elementos essenciais de identidade cultural. Cabe ressaltar que as diretrizes do projeto estão alinhados as teses 1,3,6,9 e 10 dos congressos interno, destacando “Desenvolver, em cooperação com atores sociais dos territórios e populações em situação de vulnerabilidade, ações de pesquisa, educação, prevenção, atenção e promoção da saúde, comunicação, divulgação científica e popularização da ciência, conservação ambiental, regeneração socioambiental e ecossistêmica, e valorização do patrimônio cultural, para enfrentamento, mitigação e superação das violências e da exclusão social, econômica, comunicacional e digital, e para promoção da acessibilidade, contribuindo para a estruturação de territórios saudáveis e sustentáveis com protagonismo local.”; “Fortalecer ações relacionadas ao conhecimento, à conservação ex situ, à preservação e à restauração da biodiversidade e do ambiente, para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável, de forma a transcender os aspectos terapêuticos e preventivos de doenças e agravos, considerando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030 da ONU; a perspectiva da promoção da saúde; a articulação de políticas públicas promotoras de ambientes saudáveis, cidades saudáveis e sustentáveis; a seguridade fundiária; a qualidade da habitação; o acesso ao saneamento básico e à água; e os determinantes sociais da saúde.” Dessa forma, o curso e a oficina contribuirão para identificação desafios e soluções que servirão como ancoragem para o alcance dos objetivos, metas e ações a serem desenvolvidas no âmbito do projeto.
fornecer subsídios para atuação dos antenas, agentes sociais e profissionais que atuam na constituição das comunidades de matrizes africanas e terreiros como equipamento público de saúde, soberania e segurança alimentar e nutricional.