Descrição: Aula Pública de 14h00 às 16h00 no Auditório da Fiocruz Ceará onde será lançada a versão em português do livro : Epidemiología crítica y la salud de los pueblos: ciencia ética y valiente en una civilización malsana. Os diálogos também irão abordar os processos da determinação social da saúde e as estratégias do campo da Epidemiologia Crítica para a defesa da vida. Será realizada uma reflexão sobre as aproximações entre a estratégia do Monitoramento Participativo e da Vigilância Popular em Saúde. Realização: Fiocruz Ceará e Universidad Andina Simón Bolívar CAAPS - Coordenação de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz Ceará. CEIC - Coordenação de Educação da Fiocruz Ceará. Programa de Pós Graduação em Saúde da Família Rede Nordeste de Saúde da Família - RENASF Participatório em Saúde e Ecologia de Saberes SERPOVOS - Saúde, Cuidado e Ecologia de Saberes CILAB Salud - Centro de Investigación y Laboratorios en Salud Coletiva - Universidad Andina Simón Bolívar Apoio: Vice Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde - VPAAPS/Fiocruz Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente Coordenação: Fernando Ferreira Carneiro (Fiocruz Ceará) e Jaime Breilh (Universidad Andina Simón Bolívar/CILAB Salud)
Objetivo Geral: O curso permitirá a formação e intercâmbio de discentes e docentes de diferentes programas de pós-graduação, trabalhadoras e trabalhadores dos Sistemas de Saúde e movimentos populares para o desenvolvimento de metodologias participativas de Vigilância para a defesa da vida. Consolidar uma rede de estudos e aplicação da Vigilância Popular em Saúde e do Monitoramento Participativo com perspectivas de expansão para a América Latina.
Justificativa: Diversos saberes e práticas são desconsiderados pelas concepções e ações de vigilância do campo sanitário do Estado. Todavia, existem movimentos e iniciativas nascidos nos territórios e da organização popular na defesa do direito à saúde e à vida, que tem sido denominada de Vigilância Popular em Saúde. É necessário a compreensão das bases conceituais e metodológicas da vigilância popular em saúde que, em diálogo com a Vigilância em Saúde do SUS, pode vir a potencializar as ações dessa Vigilância ao ampliar a participação popular, seu protagonismo e autonomia, evitando, com isso, a segregação e a exclusão nas decisões e ações no âmbito do SUS. A Vigilância Popular em Saúde, pode potencializar as ações intersetoriais voltadas para a articulação com atenção primária à saúde e a vigilância em saúde e provocar movimentos que promovam a vida e a equidade para as populações do campo, da floresta, das águas, periferias urbanas e comunidades tradicionais. No contexto da saúde e ambiente, experiências inovadoras no âmbito local frequentemente se apoiaram na articulação entre grupos acadêmicos, o SUS e setores da sociedade, incluindo movimentos sociais urbanos e do campo, com profissionais engajados na saúde conquistando e mantendo espaços para implementá-las. Exemplos internacionais também demonstram a relevância do chamado conhecimento situado e dos saberes populares na gestão de problemas de saúde extremamente complexos. Na América Latina e no Brasil, vêm sendo formuladas diversas propostas nos últimos vinte anos em busca de sistematizar conceitos, métodos e ações em torno da Vigilância Popular em Saúde. Dentre elas, destacamos a vigilância popular (Alves, 2013), a vigilância civil (Sevalho, 2016), o monitoramento participativo desenvolvido pelo equatoriano Jaime Breilh (2003), a vigilância articulada à concepção de uma promoção emancipatória da saúde (Porto, 2017, 2019) e, mais recentemente, a proposição da vigilância popular em saúde no contexto da relação saúde, ambiente e trabalho representadas no Guia Vigia, Povo! (Carneiro & Dantas (org), 2023). Todos esses esforços visam à incorporação de diversos referenciais, atores, movimentos sociais e minorias para se permitir uma vigilância baseada no diálogo e na articulação de saberes e que permeie uma prática com valores democráticos rumo à sustentabilidade e à justiça social, sanitária, ambiental e cognitiva (Porto, 2019).
O curso tem por objetivo central aprofundar, na perspectiva da Determinação Social da Saúde, as discussões em torno da Vigilância Popular em Saúde e do Monitoramento Participativo proposto pela Epidemiologia Crítica.