Descrição: Theodosius Dobzhansky foi uma das mais importantes personagens no desenvolvimento da Teoria Sintética da Evolução, isto é, o uso da genética para explicar a teoria de Darwin da seleção natural. Ele começou suas pesquisas com moscas Drosophila na União Soviética, nos anos 1920, e, em 1927, recebeu um financiamento da Fundação Rockefeller para prosseguir seu trabalho como integrante do laboratório de Thomas Hunt Morgan na Universidade de Columbia. Logo depois, os dois pesquisadores se deslocaram para o Instituto de Tecnologia da Califórnia, até 1940, quando Dobzhansky retorna a Nova York. Na Califórnia, ele havia expandido o escopo de seus estudos sobre Drosophila para investigar como os genes se propagam entre as espécies na natureza. Seu campo de pesquisa com as moscas da fruta selvagens, que o levou a cunhar o termo “gene pool”, foi essencial para articular como a genética poderia explicar a evolução. Mais tarde, ele veio a se tornar um radical oponente do racismo e da eugenia, argumentando que a evolução era um processo contínuo e que a diversidade era essencial para o desenvolvimento da raça humana. De volta a Nova York, Dobzhansky recebeu financiamento da Fundação Rockefeller para estender suas pesquisas ao Brasil, onde veio a desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da genética nas décadas de 1940 e 1950. Um dos objetivos do curso será explorar o período da carreira de Dobzhansky relacionado aos estudos de genética na América Latina. O segundo objetivo será o de desenvolver uma compreensão ampla sobre o impacto da genética na América Latina, ao mesmo tempo em que traçará um paralelo com seu desenvolvimento nos Estados Unidos e na União Soviética.
Objetivo Geral: Abordar a atração que a eugenia exerceu sobre muitos geneticistas, o que levou, em alguns casos, a afirmação da desigualdade intrínseca entre os seres humanos e mesmo ao racismo, posturas que foram críticas por Dobzhansky com afinco; Dialogando com o curso de William e pensando em histórias alternativas da genética, o curso reunirá alunos e pesquisadores que têm desenvolvido investigações acerca da história da genética e da eugenia. Por um lado, há um conjunto de pesquisas que giram em torno de questões sobre a importância das controvérsias entre mendelianos e neolamarckistas dentro do movimento eugenista, a disseminação de teorias mendelianas nas escolas agrícolas desde o início do século XX, bem como as resistências a estas teorias e a elaboração de explicações alternativas acerca do mecanismo da genética e da hereditariedade. De outro lado, seguindo um campo aberto por Dobzhansky, o da genética das populações, pesquisadores envolvidos com o tema apresentarão trabalhos sobre os desdobramentos destes estudos a partir da segunda metade do século XX, bem como investigações sobre educação e divulgação das ciências biológicas e suas implicações éticas.
Justificativa: Os impactos sociais das pesquisas em genética desenvolvidas desde 1900 estão entre os mais intensos que a ciência moderna já produziu. Não é possível compreender a agricultura nas últimas décadas sem analisar o melhoramento de plantas, sementes e animais por meio de técnicas da genética. Nós não podemos discutir a medicina contemporânea sem nos referir as pesquisas sobre a origem genética de doenças. Atualmente, alimentos geneticamente modificados e debates sobre aborto de bebês com desordens genéticas são exemplos de como o desenvolvimento científico na área levanta temas controversos. Ao lado do enorme impacto econômico e social, a genética implica em complexas questões éticas. Assim, o estudo da sua história e dos usos da hereditariedade humana – frequentemente com propósitos eugênicos – é crucial para historiadores da ciência e da saúde, tanto quanto para professores e educadores da biologia.
Uma reflexão sobre a história da genética em geral e, especialmente, no Brasil, tendo por fio condutor Dobzhansky;