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Publicado em 30/04/2026
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Dinâmica do capital na produção de tecnologias de saúde analisa impactos no acesso a medicamentos no Brasil e no mundo

Autor(a): 
Paulo Bellardi (Editora Fiocruz)

A Editora Fiocruz lança Dinâmica do capital na produção de tecnologias em saúde, obra organizada pelas pesquisadoras Maria de Fátima Siliansky de Andreazzi, Gabriela Costa Chaves e Luisa Arueira Chaves, que propõe uma análise crítica sobre a organização do setor farmacêutico e seus efeitos no acesso a medicamentos e tecnologias em saúde.

O livro investiga como a dinâmica contemporânea do capital na produção de tecnologias de saúde se articula com políticas públicas implementadas em âmbito nacional e internacional, questionando em que medida essas políticas são capazes de alterar estruturas que resultam em problemas como o desabastecimento de medicamentos e as desigualdades no acesso a tecnologias essenciais.

A publicação está estruturada em cinco capítulos, que articulam abordagens teóricas e análises de casos concretos. Nos três primeiros, o foco recai sobre fundamentos conceituais e estruturais do setor. A obra parte de uma crítica às bases teóricas do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), frequentemente apresentado como estratégia para enfrentar a desindustrialização brasileira e ampliar o acesso às tecnologias em saúde.

Na sequência, o livro examina os efeitos da financeirização nas estratégias das corporações farmacêuticas contemporâneas, destacando como decisões relacionadas à inovação, produção e descontinuidade de produtos estão cada vez mais orientadas pela lógica de acumulação de capital. Também é abordado o papel da propriedade intelectual como elemento central para compreender as dinâmicas de produção e acesso a medicamentos, com um panorama histórico de sua implementação e seus impactos no Brasil e no mundo, incluindo o acesso a vacinas contra a covid-19 durante a pandemia.

Os dois capítulos finais aprofundam a análise a partir de situações concretas. O desabastecimento de medicamentos é discutido como resultado da forma de organização das grandes corporações farmacêuticas, evidenciando seus impactos nos sistemas de saúde e apontando caminhos para garantir o acesso a medicamentos essenciais. Já o último capítulo apresenta uma análise histórica sobre a produção de antibióticos, com ênfase nas benzilpenicilinas, demonstrando como a lógica do capitalismo contemporâneo tem levado ao abandono de determinados produtos, mesmo diante de sua relevância sanitária.

“O livro aborda a dinâmica atual do capital na produção de tecnologias em saúde, refletindo sobre o quanto as políticas públicas [...] têm capacidade de realmente modificar essa estrutura e, assim, minimizar problemas como o desabastecimento de medicamentos e as injustiças no acesso”, destacam as organizadoras.

Ao reunir análises teóricas e evidências empíricas, a obra busca contribuir para o debate sobre políticas públicas voltadas à soberania nacional e à garantia de acesso equitativo às tecnologias em saúde. A proposta é oferecer subsídios para que pesquisadores, gestores e formuladores de políticas compreendam os limites das estratégias atuais e avancem na construção de alternativas que respondam às necessidades sanitárias da população.

Segundo as organizadoras, a expectativa é que o livro “suscite reflexões teóricas e analíticas para que políticas públicas sejam implementadas em prol da soberania brasileira e do acesso equitativo a tecnologias essenciais ao cuidado em saúde”.

A coletânea resulta de pesquisas, teses e dissertações desenvolvidas nos últimos anos e se insere em um campo de discussão que articula saúde coletiva, economia política e saúde global, trazendo contribuições para a compreensão das relações entre mercado, Estado e direito à saúde.