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Educação Profissional em Vigilância Popular em Saúde Ambiental e Manejo das Águas - 1º Oferta

Unidade/ofertante: Fiocruz Brasília Telefone: (61) 3329-4500 Email: secad@fiocruz.br
C Capacitação/Cursos Livres
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Sobre o curso

O Curso abrange a cooperação entre professores-pesquisadores da Programa de Promoção da Saúde Ambiente e Trabalho Escola Fiocruz de Governo da Gerência Regional de Brasília (EFG/Gereb/Fiocruz), Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde da Escola Politécnica Joaquim Venâncio (Lavsa/EPSJV), e da Fiocruz do Piauí, em articulação com as instâncias do poder público estadual e municipais do Piauí e junto às organizações da sociedade civil, inclusive dos movimentos sociais que atuam em projetos no semiárido piauiense. Destacam-se as cooperações sociotécnicas com a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e o Fórum Piauiense de Convivência com Semiárido Compreende uma das ações em desenvolvimento no âmbito do Programa Territórios Saudáveis e Sustentáveis no Semiárido brasileiro (PTSS) constituído a partir do projeto de cooperação entre a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sob coordenação da Diretoria Regional de Brasília (Direb), que tem como objetivo a implementação de ações de saneamento ambiental, por meio da aplicação do conceito de Territórios Saudáveis e Sustentáveis no semiárido brasileiro. Dentre as balizas teórico-metodológicas e epistemológicas que sustentam a construção deste curso, referencia-se o diálogo e a parceria, com o poder público e com os movimentos sociais de base territorial. Essa perspectiva parte do pressuposto de que os trabalhadores do SUS, os educadores do campo, bem como os integrantes dos movimentos sociais são sujeitos, de direito, e produtores de conhecimento, configurando-se assim a base pedagógica das formações em questão. O curso objetiva contribuir no processo de formação dos trabalhadores da saúde, incluindo os agentes comunitários de saúde e os agentes de controle de endemias/agentes de vigilância em saúde, os educadores das escolas públicas localizadas nos territórios da pesquisa-ação no âmbito do Projeto Territórios Saudáveis e Sustentáveis do Semiárido e de agentes sociais vinculados à Articulação do Semiárido Brasileiro para atuação na esfera pública/política em torno da vigilância popular em saúde ambiental, com ênfase no manejo das águas.

 


Curso de Educação Profissional em Vigilância Popular em Saúde Ambiental e Manejo das Águas direciona-se a populações do campo localizadas no semiárido piauiense.

Trata-se de uma cooperação entre professores-pesquisadores da Programa de Promoção da Saúde Ambiente e Trabalho Escola Fiocruz de Governo da Gerência Regional de Brasília (EFG/Gereb/Fiocruz), Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde da Escola Politécnica Joaquim Venâncio (Lavsa/EPSJV), e da Fiocruz do Piauí, em articulação com as instâncias do poder público estadual e municipais do Piauí e junto às organizações da sociedade civil, inclusive dos movimentos sociais que atuam em projetos no semiárido piauiense.

O curso é concebido como parte constituinte do projeto de pesquisa: Pesquisa-ação para a Promoção de Territórios Saudáveis e Sustentáveis no Semiárido Piauiense: Saúde, Saneamento, Trabalho e Saúde, devidamente registrado na Plataforma Brasil. A pesquisa-ação objetiva a promoção de territórios saudáveis e sustentáveis no semiárido piauiense, tendo como tema gerador a água, permitindo o desenvolvimento de métodos, tecnologias, parâmetros e indicadores de caracterização e análise de experiência envolvendo os eixos saúde, saneamento, educação e trabalho.

Compreende uma das ações em desenvolvimento no âmbito do Programa Territórios Saudáveis e Sustentáveis no Semiárido brasileiro (PTSS) constituído a partir do projeto de cooperação entre a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sob coordenação da Diretoria Regional de Brasília (Direb), que tem como objetivo a implementação de ações de saneamento ambiental, por meio da aplicação do conceito de Territórios Saudáveis e Sustentáveis no semiárido brasileiro.

Dentre as balizas teórico-metodológicas e epistemológicas que sustentam a construção deste curso, referencia-se o diálogo e a parceria, com o poder público e com os movimentos sociais de base territorial. Essa perspectiva parte do pressuposto de que os trabalhadores do SUS, os educadores do campo, bem como os integrantes dos movimentos sociais são sujeitos, de direito, e produtores de conhecimento, configurando-se assim a base pedagógica das formações em questão.

Considerando-se estes pressupostos e sua relação de respeito, promoção e valorização dos saberes e práticas dos povos da região do semiárido brasíleiro, o curso contribui com a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta (PNSIPCF) e poderá dar subsídios para a elaboração e implementação do Programa Nacional de Saneamento Rural (PNSR), na busca de relações sociedade-natureza responsáveis e promotoras da saúde, além da extensão de ações e serviços de saúde que atendam às populações respeitando suas especificidades, valorizando a cultura local e as vocações regionais.

Deste modo, o curso tem como perpspectiva a indução da reflexão crítica com os educandos sobre sua importância nas dimensões territoriais, pública e política, buscando trazer conhecimentos que afetam as condições de vida, a situação de saúde e potencializem suas experiências de vida que expressam a forma de apropriação da realidade e as possibilidades de ações sobre ela.

Emerge também da necessidade de se retomar o debate sobre a vigilância popular em saúde com objetivo de fortalecer os direitos e a autonomia dos sujeitos em territórios vulnerabilizados, incluindo a população em ações dialógicas de saúde pública entre os diversos atores sociais e públicos presentes no território. A vigilância popular em saúde tem embasamento teórico e prático vinculado aos campos da vigilância e da educação em saúde, alicerçado na educação popular (Freire 2005; 2013) de forma a viabilizar e fortalecer a participação e a monitoração civil do manejo das águas, do saneamento e dos serviços da saúde (Sevalho 2016; Valla 1993). Com isso, abre-se a possibilidade de promover uma participação popular qualificada reorganizadora de saberes e práticas sanitárias, com foco na transformação da realidade social para promoção de territórios saudáveis e sustentáveis.

Os territórios saudáveis e sustentáveis podem ser definidos como espaços relacionais e de pertencimento onde a vida saudável se transcorre por meio de ações comunitárias de políticas públicas que interagem e se expressam ao longo do tempo no sentido do desenvolvimento global, regional e local, em suas dimensões ambientais, culturais, econômicas, políticas e sociais (Machado et al 2018).


Parcerias:
Comunidade Fornos – Município de Picos-PI
Comunidade Brejo da Fortaleza – Município de Ipiranga – PI
Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido
Articulação do Semiárido

Objetivos:
Geral

Contribuir no processo de formação dos trabalhadores da saúde, incluindo os agentes comunitários de saúde e os agentes de controle de endemias/agentes de vigilância em saúde, os educadores das escolas públicas localizadas nos territórios da pesquisa-ação no âmbito do Projeto Territórios Saudáveis e Sustentáveis do Semiárido e de agentes sociais vinculados à Articulação do Semiárido Brasileiro para atuação na esfera pública/política em torno da vigilância popular em saúde ambiental, com ênfase no manejo das águas.

Específicos (Educacionais/Aprendizagem)
- Ter noções gerais sobre ferramentas da vigilância em saúde e da vigilância popular para diagnóstico territorial, com intuito de fortalecer as ações territorializadas frente as desigualdades sociais e seus impactos na saúde humana.
- Reconhecimento e diálogo entre os conhecimentos científicos e populares.
- Contribuir na organização ou movimento social em que atua, na formulação de estratégias para territorialização das políticas públicas.
- Compreender os processos de educação contextualizada em diálogo com a educação popular em saúde visando ampliar a capacidade pedagógica e organizacional da comunidade na perspectiva da constituição de Territórios Educadores.
- Ampliar a capacidade de promoção da saúde na perspectiva dos Territórios Saudáveis e Sustentáveis.

A quem se destina o Curso:
Indivíduos alfabetizados e que tenham pelo menos 16 anos até a data da matrícula. O curso destina-se prioritariamente a:
- Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Vigilância em Saúde;
- Agentes de Controle de Endemias;
- Educadores da rede pública de ensino;
- Agricultores familiares;
- Lideranças locais;
- Agentes sociais, técnicos de organizações não governamentais, de associações de trabalhadores rurais, integrantes da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)
-- Integrantes da rede territorial do Piauí do Projeto Territórios Saudáveis e Sustentáveis do Semiárido

Referências
Dias AP. Tecnologias sociais em saneamento e educação para o enfrentamento da transmissão das parasitoses intestinais no Assentamento 25 de Maio, Ceará [tese]. [Rio de Janeiro]: Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz; 2017. 
Dias AP. Saneamento ecológico, produção e habitação saudáveis: promoção da saúde ambiental no campo. Instituto Técnico de Estudos Agrários e Cooperativismo. Ministério da Saúde/FNS/ITAC. Revista Saúde do Campo: por uma saúde que se planta. 2010;1(1):42-47.
Campos, GWS. A mediação entre conhecimento e práticas sociais: a racionalidade da tecnologia leve, da práxis e da arte. Cien Saude Colet. 2011;16(7):3033-3040.
Campos, J. N. N. B. Secas e políticas públicas no semiárido: ideias, pensadores e períodos. Estudos Avançados, v. 28, n. 82, p.65-88, 2014.
Cunha, U. A. N.; Ferreira, L. C. IDHM dos Estados da Região Nordeste do Brasil: Histórico e Análise entre 1991 e 2010. Id on Line Revista de Psicologia, v.10, n. 30, Supl. 1., 2016.
Dagnino, R, organizador. Tecnologia Social – Ferramenta para construir outra sociedade. 2 ed. Campinas: Koedi; 2010. 297 p.

Freire P. Extensão ou Comunicação?. 16ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2013, 131p.
Freire P. Pedagogia do Oprimido. 44ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2005, 213p.
Lima, E. S.; Melo, K. R. A. Educação do campo: reflexões políticas e teórico-metodológicas. Publicação da Editora da UFPI - 256p., 2016.
MACHADO, J. M. H. et al. Territórios saudáveis e sustentáveis: contribuição para saúde coletiva, desenvolvimento sustentável e governança territorial. Comunicação em Ciências da Saúde, v. 28, n. 2, 2017.
Monken, M; Barcellos, C. O território na promoção e vigilância em saúde. In: O território e o processo saúde-doença. Rio de Janeiro: EPSJV/FIOCRUZ, 2007.
Sevalho, G. Apontamentos críticos para o desenvolvimento da vigilância civil da saúde. Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 26 [ 2 ]: 611-632, 2016
Valla, V.V. (Org.) Participação Popular e os Serviços de Saúde: o controle social como exercício da cidadania. Rio de Janeiro: Pares, 1993
Valla, V.V. Educação popular e conhecimento: a monitoração civil dos serviços de saúde e educação nas metrópoles brasileiras. In: STOTZ, E. N.; VALLA, V. V. (Org.). Participação popular, educação e saúde: teoria e prática. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993b. p. 103-112.
Ventura, A. C.; García, L. F.; Andrade, J. C. S. Tecnologias sociais: as organizações não governamentais no enfrentamento das mudanças climáticas e na promoção de desenvolvimento humano. Cadernos EBAPE.BR, v.10, n. 3, p.605-629, 2012.
Viegas, A. P. B.; Carmo, R. F.; Luz, Z. M. P. Fatores que influenciam o acesso aos serviços de saúde na visão de profissionais e usuários de uma unidade básica de referência. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 24, n. 1, p.100-112, 2015.

 
Organização Curricular
Estratégias pedagógicas


O Curso contempla uma carga horária total de 128 horas, com 64 horas em sala de aula e 60 horas em trabalho de campo. As aulas presenciais serão dividias em 4 módulos de 16 horas/aula cada, em dois dias consecutivos por mês, no horário de 8h ao 17h, durante 04 meses.

Cada educando terá uma pasta denominada “Diário de Campo”, na qual serão organizados todos os trabalhos produzidos individualmente e coletivamente, tanto nas salas de aula como na etapa do trabalho de campo.

Nas 64 horas em sala de aula durante duas semanas serão produzidos mapas falantes, fluxograma dos caminhos das águas, matriz DAFO, sistematização de narrativas, inventário de tecnologias sociais e de agroecologias dentre outros. O módulo 4 permitirá uma revisão e produção de síntese de conteúdos abordados nos módulos 1 a 3 Nas 60 horas de trabalho de campo, serão realizados por meio de mapeamento das tecnologias sociais nas comunidades abrangidas, entrevistas com membros da comunidade; produção de cartografias sociais e elaboração de planos com supervisão e apoio da equipe de tutores aplicação dos questionários, registro fotográfico.

O trabalho de campo também prevê um momento de sistematização e apresentação das atividades ao final de cada módulo, havendo um processo de avaliação final ao término do curso com uma mística. O trabalho de campo dos educandos terá a supervisão da equipe de pesquisadores do projeto de pesquisa-ação.

Essa metodologia engloba o processo de territorialização em saúde que possibilita o reconhecimento e identificação dos riscos, vulnerabilidades e potencialidades relacionados à saúde ambiental dos territórios[1].

A territorialização em saúde pressupõe análise de contextos, o que impõe desenvolvimento de estratégias de investrigação e elaboração de instrumentos de coletas de dados para a realização de diagnósticos, de planejamento, de intervenções sanitárias e consistem em coleta e análise sistemátca de dados e produção de informações (social, econômica, política, cultural, epidemiolóigca, sanitária e do sistema de saúde, bem como a localização e distribuição de riscos, vulnerabilidades e potencialidades de territórios[2].
  
A territorialização em saúde é simultaneamente um método pedagógico, de pesquisa e de trabalho da vigilância em saúde, que engloba as etapas de diagnóstico e mapeamento das condições de vida e situação de saúde, bem como um prognóstico, por meio da elaboração de um plano de intervenção a ser exercitado pelo curso. Para isso a pedagogia da alternância, compreendendo tempos-aula e tempos-comunidade permite as abordagens teóricas dos conteúdos e o exercício prático nos territórios contemplados pelo projeto, lugar de moradia dos educandos na perspectiva da educação popular em saúde territorializada[3].    

Nesse processo, o uso das ferramentas diagnósticas e analíticas é capaz de mobilizar conhecimentos, práticas e os diversos atores para executar ações e procedimentos técnicos, complementares e compartilhados, no sentido da proteção, prevenção e controle de doenças, de agravos e riscos relacionados à vigilância da qualidade das águas.

Os módulos estão estruturados em eixo temáticos os quais dialogam com as diversas dimensões (multidimensionalidade) e escalas distintas (multiescalaridade) dos caminhos das águas para as diversas necessidades das populações do campo, das florestas e das águas, no contexto do direito humano ao acesso à água e a segurança hídrica e alimentar no Semiárido Brasileiro. Trata-se de um referencial teórico, pedagógico e político em construção por organizações vinculadas a Articulação do Semiárido, associado ao acesso e usos múltiplos da água e à segurança hídrica e alimentar no Semiárido brasileiro. Relaciona-se as cinco linhas de abastecimento de água[4] e ao processo de mobilização social articulado as “linhas de luta pela água”[5] como estratégias de Convivência com o Semiárido. De acordo com este referencial são cinco essas águas:

água para família ou domiciliar (água para consumo humano, higiene pessoal e preparo de alimentos): associada a tecnologias sociais das cisternas de placas de águas de chuva domiciliares, acompanhadas de dispositivos de separação das primeiras águas de chuva e de filtros cerâmicos de vela.

água da comunidade (água para demais usos familiares, tais como tomar banho, lavar roupas, lavar louças, limpeza das casas, vaso sanitário etc.). Em geral são reservatórios naturais ou artificiais de uso coletivo de água, tais como açudes, cisternas coletivas, barragens etc. e envolve a mobilização da comunidade na construção e gestão dessas tecnologias.

água para a produção de alimentos e dessedentação animal. Trata-se da água em quantidade suficiente para a produção agrícola e criação de pequenos animais. Associa-se a tecnologias sociais das cisternas de calçadão, barragem subterrânea e barreiro de salvação. Compreende estratégias de conservação como o manejo sustentável da irrigação e microirrigação, visando diminuir o desperdício e a preservação qualiquantitativa das coleções hídricas, considerando a capacidade de recarga, bem como as funções ecológicas das coleções hídricas superficiais e subterrâneas. Inclui estratégias de plantação nas margens dos açudes e próximos as fontes de água sem utilização de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos.

água para emergência; associado a ações a ações preventivas e discussões prévias na comunidade sobre a melhor solução em situação de emergência, envolve elaboração de planos e devendo estar associados aos planos de segurança da água. Considera-se aqui o uso de mananciais alternativos e de sistemas de fornecimento de água em decorrência de situação de desastre, que se configura com o prolongamento das estiagens que alcancem níveis de severidade que possam gerar, para além da seca climatológia, a seca hidrológica e a seca agrícola que comprometa as condições de subsistência das populações do Semiárido e seus limites de resiliência gerando impactos à saúde. Os carros-pipas só devem ser utilizados como última alternativa e devem ser submetidos a medidas de proteção de manancial, controle e vigilância em saúde, considerando todo o seu percurso da captação à alimentação.

água para o meio ambiente. Associado a conservação e manejo integrado da terra e da água. Abrange a a água necessária para conservação e recuperação dos ecossistemas, incluindo os habitantes que moram nos territórios, as funções ecológicas que permita a preservação do ciclo hidrológico, a proteção e recarga das águas superficiais e subterrâneos. Inclui estratégias de reuso, tratamento e reciclagem. Traz a perspectiva de uma visão integrada do manejo de água da chuva.

Requisitos de acesso ao curso:
Indivíduos alfabetizados, e que tenham pelo menos 16 anos até a data da matrícula. O curso destina-se prioritariamente a:
- Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Vigilância em Saúde;
- Agentes de Controle de Endemias;
- Educadores da rede pública de ensino;
- Agricultores familiares;
- Lideranças locais;
- Agentes sociais, técnicos de organizações não governamentais, de associações de trabalhadores rurais, integrantes da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)
-Integrantes da rede territorial do Piauí do Projeto Territórios Saudáveis e Sustentáveis do Semiárido.

Vagas
Duas turmas, com 50 vagas cada. Uma turma a ser realizada na Comunidade de Fornos, município de Picos e a outra, na Comunidade de Brejo de Fortaleza, município de Ipiranga no Piauí, ambos localizados no semiárido piauiense.      

Seleção
A seleção terá como base os critérios já descritos no público alvo.  Caso o número de interessados, aptos ultrapasse o número de vagas, será realizada uma seleção a partir da avaliação de informações contidas nos currículos dos candidatos e de carta de apresentação.

Componentes Curriculares:
Eixo 1: Território, Trabalho e Tecnologia – Águas do Meio Ambiente
Aula 1
 (carga horária – 8h)
Apresentação do curso, Território, lugar, história Convivência com o Semiárido
Análise multiescalar e multidimensional das águas, água do ambiente
Tecnologia e Tecnologias sociais
Trabalho e determinação social da saúde
Aula 2: (carga horária – 8h)
Vigilância em saúde
Vigilância popular em saúde
Territorialização em saúde – Questionário do Sertão
Construir o Mapa Falante

Eixo 2: Saúde e Saneamento Rural – Água Domiciliar, Comunitária e de Emergência
Aula 3: 
(carga horária – 8h)
Saneamento básico e ambiental
O caminho das águas no território
Vigilância da água
Plano de Segurança da Água Vigilância da água
Unidade Móvel de Controle de Qualidade de Água
Aula 3: (carga horária – 8h)
Educação contextualizada dialogando com educação popular em saúde ambiental
Manejo dos resíduos e reuso de água
Fluxograma: Caminho das águas e fatores de risco
Matriz DAFO das tecnologias sociais das águas
 
Eixo 3: Agroecologia e Soberania Alimentar – Água da Produção Animal e Vegetal
Aula 5
 (carga horária – 8h)
Agroecologia
Soberania, segurança alimentar e nutricional
Sementes da fartura
Insegurança alimentar e seus determinantes. Processo saúde-doença-cuidado
Vigilância na produção e alimentação
Cuidado em saúde dos sujeitos e do território. Promoção da saúde e Soberania alimentar
Aula 6 (carga horária – 8h)
Doenças e sua relação com a água e ambiente
Monitoramento popular multiescalar das águas
Território educador. Tecnologias sociais de educação popular em saúde
Revisão dos instrumentos de pesquisa-ação

Eixo 4: A Vigilância dos Territórios Saudáveis e Sustentáveis no Semiárido
Aula 7
 (carga horária – 8h)
Organização social – centralidade do TSSS
Estado, políticas públicas, participação social
Construindo a vigilância popular de base territorial
Informação como instrumento de poder local, Comunicação social
Aula 8 (carga horária – 8h)
Economia Solidária
Formas de intervenção – Plano de ações no território
Validação do questionário e dos instrumentos de pesquisa ação

Sistema de Avaliação
A avaliação dos alunos é contínua, realizada durante todo o processo de ensino/aprendizagem, compreendendo as dimensões da aprendizagem individual e participação coletiva.  Os recursos para avaliar podem ser os mais diversos compreendendo a participação e trabalhos em sala de aula e as atividades de campo, consignados nos diários de campo. Será exigida a frequência mínima de 75% dos encontros.
A avaliação final resultará de uma nota que deve expressar o grau de aproveitamento obtido pelo aluno:
 - 8,0 a 10 – Grau de aproveitamento pleno
 - 6,0 a 7,9 – Grau de aproveitamento satisfatório
 - 0 a 5,9 – Grau de aproveitamento insatisfatório
Para efeito de certificação, serão considerados aprovados os alunos que cumprirem os seguintes requisitos:
- Comparecimento com um mínimo de 75% de frequência;
- Desenvolvimento de todas as atividades escolares solicitadas com grau de aproveitamento ≥ 6,0.

[1] Gondim, G M. M.; Monken, M.; Iñiguez Rojas, L.; Barcellos, C.; Peiter, P.; Navarro, M. B. M A.; Gracie, R. O território da saúde: a organização do sistema de saúde e a territorialização. In: Miranda, A. C.; Barcellos, C.; Moreira, J. C.; Monken, M. Território, ambiente e saúde. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2008. p.237-255. 
[2] Gondim, G M. M. (Org.). Técnico de Vigilância em Saúde – Contexto e Identidade. Vol 1. 2017.  
[3] Búrigo, A.C. Metodologias. vol.3. Búrigo, A.C.; Castro,G.; Braga, L.Q.V.; Barcelos, E.A.S. (Org.) In. Curso Técnico em Meio Ambiente – Tramas e Tessituras, 2017.  
[4] Gnadlinger, J.; Rocha, A. A.; Menezes, A. S.; e, Nascimento, D.S.  As Cinco Linhas de Águas Vivenciadas na Comunidade de Cachoeirinha. X Simpósio Brasileiro de Captação e Manejo de Água de Chuva Belém – PA, 2016.
[5] IRRPA. A Busca da Água no Sertão. Cartilha. Convivendo com o Semiárido. 5 edição, 2011. 
 

 Cronograma Previsto:
Período de Realização Presencial do Curso:
Turmas setembro outubro novembro dezembro
Turma 1 10 e 11 15 e 16 05 e 06 03 e 04
Turma 2 12 e 13 17 e 18 07 e 08 05 e 06

Local de Realização do Curso:
Turma 1: Comunidade Fornos, município Picos-PI
Turma 2: Comunidade Brejo da Fortaleza, município Ipiranga-PI
 Cooperações Sociotécnicas que integram o curso:

Articulação no Semiárido Brasileiro

A ASA, constitui-se em uma rede formada por mais de três mil organizações da sociedade civil de distintas naturezas, sindicatos rurais, associações de agricultores e agricultoras, cooperativas, ONGs, Oscips. Vem construindo ao longo de mais de 30 anos uma proposta política pedagógica integradora, articulada às discussões sobre a emergência de um novo paradigma de sustentabilidade, a convivência com semiárido. Trata-se de racionalidades contra hegemônicas imbuídas em um projeto político regional, sustentável e adaptado a diversidade e singularidades da região. Tem em sua missão fortalecimento da sociedade civil na construção de processos participativos para o desenvolvimento sustentável e a convivência com o Semiárido referenciados em valores culturais e de justiça social. Parte da valorização das experiências locais, dos saberes e práticas dos agricultores familiares, das experiências sociais comunitárias que envolvem o acesso à água, a luta pela terra, o fortalecimento da agricultura familiar, a agroecologia, segurança alimentar e a educação contextualizada. Tal perspectiva dialoga com o campo da promoção a saúde e a concepção de Territórios Saudáveis e Sustentáveis que tem implicações num conhecimento inter e transdiscilplinar, numa abordagem de base territorializada, intersetorial e na articulação de saberes. São conhecidos os resultados do trabalho da articulação da rede ASA na construção de iniciativas adequadas a convivência com o Semiárido, como o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido por meio do Programa Um Milhão de Cisternas  (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Tais iniciativas inclusive foram incorporados e financiadas pelo governo federal desde o ano de 2003 e transformadas em política pública, portanto, com gestão, responsabilidades interfederativas e orçamentos específicos (BRASIL, 2013). Esses programas abrigam tecnologias sociais de captação e armazenamento de água de chuva para consumo humano e para a produção de alimentos, fortalecendo outras iniciativas de convivência com o semiárido brasileiro, como a construção do conhecimento agroecológico; as casas de sementes crioulas; as cooperativas de crédito voltadas para a agricultura familiar e camponesa; os fundos rotativos solidários; a criação animal; a educação contextualizada; o combate à desertificação, dentre outras.

Fórum Piauiense de Convivência com Semiárido
O Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido (FPCSA) é uma articulação que abrange 21 (vinte e uma) organizações da sociedade civil, que atua em prol do desenvolvimento social, econômico, político e cultural do semiárido brasileiro, com atuação no estado do Piauí. Criado em 1990, como Fórum da Seca teve como o objetivo inicial discutir políticas de enfrentamento dessa problemática. Em 1997 a rede foi rearticulada a partir de novas estratégias de atuação na perspectiva da convivência com Semiárido, quando recebeu a denominação de Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, integrando-se a partir de então a rede ASA. Abrangendo toda região semiárida do estado desde então já construí em articulação com as comunidades e organizações locais diversos projetos envolvendo a implantação de 204 cisterna escolares; 50.337 cisterna para consumo humano;  92 barragem subterrânea; 192 barraguinhas; 897 barreiros Trincheira;  9.870 Cisternas de produção; 57 Banco de sementes; 76 tanques de pedras;  42 bombas populares associadas as cisternas.O Educando deverá ao primeiro dia de aula entregar uma carta de apresentação, na qual deverá discorrer brevemente sobre as seguintes questões:

1) Fale um pouco sobre você. Onde mora, onde já trabalhou, estudou, se participa de alguma organização na comunidade, atividades coletivas, quais os assuntos de seu interesse?

2) Por que você quer fazer este curso? 
Coordenação
Jorge Mesquita Huet Machado – Fiocruz Brasília – Coordenador
Alexandre Pessoa Dias – Fiocruz EPSJV – Coordenador Adjunto

Equipe Técnica
André Luiz Dutra Fenner
Elaine A. Nogueira Martins
Fabiana Vaz de Melo
Gislei Siqueira Knierim
Missifany Silveira

Equipe Tutoria
Jessica P. dos Santos
Jussara Cristina Veiga Rego
Poliana A. A. Bacelar

Apoio Pedagógico 
Genival Araújo do Nascimento - FETAG – ASA PI
Joyce Samara de Holanda Maia - FETAG – ASA PI

Apoio - Articulação e Comunicação
Raimundo João da Silva - Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido – ASA
Hana Raquel Leal de Sousa -  Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido – ASA
 


Editais

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