O Centro de Apoio ao Discente (CAD/Fiocruz) promoveu, na quarta-feira, 24 de junho, o debate com o tema "Corpo e Saúde Mental na Pós-graduação". Com a ideia de que a produção científica não acontece apesar do corpo, mas por meio dele, o encontro contou com a participação da psicóloga do CAD, doutora e mestra em Psicologia, Marianna Araújo, e do psicólogo, professor de danças brasileiras, mestre-sala e comunicador popular, Jackson Senhorinho, para falar sobre a importância do movimento corporal para a saúde mental e pensar, através do diálogo com o público, estratégias cotidianas para o cuidado com a saúde.
A experiência na pós-graduação é uma maneira de lidar com um sofrimento que pode impactar a saúde mental do estudante. Marianna Araújo elucidou que, além do acolhimento, a proposta do debate é pensar o cuidado na coletividade: "O adoecimento e a saúde não são questões apenas do indivíduo, é também uma questão coletiva. Muitas vezes a gente escuta o quanto a pós-graduação adoece, por isso a proposta é pensar na pós-graduação que produz saúde. É construir coletivamente essa pós-graduação pensando na dimensão da vida coletiva, que os processos de adoecimento não têm uma relação apenas do indivíduo, mas também de todo o nosso entorno e de como a gente constrói esse mundo, essa vida, essa sociedade".
Correlacionando movimento e saúde, Jackson Senhorinho iniciou sua apresentação com uma aula de preparação de corpo através de exercícios de respiração guiada para criar uma conexão entre os participantes. Segundo ele, "existem vários estudos que falam sobre pessoas que contornam a depressão e crises de ansiedade através do trabalho de respiração. Se fizermos isso todos os dias, já estamos contribuindo de alguma forma com a nossa saúde mental e física".
"O que estamos entendendo sobre corpo e sobre saúde mental?". A partir deste questionamento, Marianna afirmou que é importante uma concepção da saúde não apenas como posição de doença, um corpo saudável e um corpo adoecido. A ideia de saúde e doença pode ser vista como um processo, e não como duas coisas separadas: "Saúde é também o processo de se recuperar. Corpo e mente não são coisas opostas, o corpo é o movimento, e o processo da mente é o pensamento". Jackson complementou que todos os processos suportados ao longo do dia são respondidos pelo corpo: "O corpo vai somatizando tudo e vai responder de alguma forma. No momento que você deveria estar descansando da sua pós-graduação, do mestrado, do doutorado, do seu trabalho, ele está demonstrando o sofrimento que você passou ao longo do dia todo".
Diante de dificuldades apresentadas por estudantes presentes que contaram suas histórias e vivências durante a pós-graduação, as medicações entraram em pauta. Marianna provocou todos a pensarem em qual pós-graduação queremos, para que não seja um momento vivido à base de remédios, convidando todos a pensarem coletivamente em outras possibilidades. Jackson ratificou que não é desejável que a sociedade viva totalmente medicalizada, e indagou o que podemos fazer para reduzir as medicamentações e como agregar terapias multiprofissionais e práticas de exercícios como aliadas à saúde mental.
Além do debate, as pessoas presentes no auditório participaram de atividades de movimentos, experimentando uma caminhada livre dentro da sala, conectando o ritmo das músicas tocadas no ambiente à respiração e à mente. Ao final do evento, que foi realizado no dia de São João, os participantes colocaram o corpo em ação em uma dança de quadrilha junina.