Em 2026, o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) realiza a aula inaugural, na quinta-feira, 16 de abril, às 9h, no contexto de celebrações do seu aniversário de 40 anos, no Salão de Referência - Biblioteca de Manguinhos. Como convidada, a antropóloga, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e autora de O Mundo do Avesso, Leticia Cesarino, com a aula 'Entre dados, narrativas e inteligência artificial: integridade informacional como fundamento para a saúde'.
9h – Café de boas-vindas
9h30 – Mesa de abertura
Mario Moreira – presidente da Fiocruz
Marly Marques da Cruz – vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz
Adriano da Silva – diretor do Icict
Kizi Araújo – vice-diretora de Ensino do Icict
10h – Aula inaugural
12h – Encerramento (previsão)
*A atividade contará com intérprete de Libras.
O Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS), da Casa de Oswaldo Cruz, realiza, no próximo 15 de abril, às 14h, sua aula inaugural de 2026. O convidado é o historiador Leonardo Marques, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), que ministrará a palestra Braudel Selvagem: observações historiográficas sobre capitalismo colonial e o colapso ambiental de nossa época.
A atividade será realizada no Salão de Conferência Luiz Fernando Ferreira (CDHS), no campus Fiocruz Manguinhos e propõe uma reflexão sobre as conexões entre história, colonialismo, capitalismo e crise ambiental, a partir de um olhar historiográfico.
Leonardo Marques é professor de História da América Colonial na Universidade Federal Fluminense (UFF) e desenvolve pesquisas sobre escravidão, tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, colonialismo, capitalismo e história do mundo atlântico. Doutor em História pela Emory University, nos Estados Unidos, é autor de trabalhos com foco na relação entre escravidão, circulação de mercadorias e capitalismo. Entre suas publicações recentes, consta a coorganização do livro Colonial Commodities in Historical Capitalism: Brazil for Export, publicado pela editora Routledge.
Aula inaugural do PPGHCS/COC/Fiocruz
Braudel Selvagem: observações historiográficas sobre capitalismo colonial e o colapso ambiental de nossa época
Expositor: Leonardo Marques (UFF)
Data: 15/04/2026
Horário: 14h
Local: Salão de Conferência Luiz Fernando Ferreira, CDHS,Campus Fiocruz Manguinhos, Rio de Janeiro.
Diante do avanço das mudanças climáticas, a preservação do patrimônio cultural passou a exigir soluções inovadoras, colaborativas e socialmente responsáveis — com novos materiais, práticas e modelos de gestão capazes de responder a um cenário de riscos cada vez mais intensos. Diante deste cenário, a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) promove a terceira edição do Seminário Internacional de Valorização do Patrimônio Cultural, entre os dias 21 e 25 de setembro, no campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio de Janeiro.
Tendo como tema central a sustentabilidade na preservação de bens culturais, o encontro reunirá pesquisadores, estudantes e profissionais para discutir estratégias inovadoras de enfrentamento aos impactos ambientais e climáticos sobre o patrimônio. A iniciativa tem como objetivo fortalecer o trabalho colaborativo, estimular a formação de redes internacionais e promover o diálogo interdisciplinar em torno da temática. Os interessados podem submeter trabalhos entre 1º e 30 de abril. Já as inscrições para participantes serão realizadas entre 20 de julho e 15 de setembro. Saiba mais pelo site, clique aqui.
O evento contará com conferências e mesas temáticas voltadas à inovação em materiais e práticas de conservação; à gestão de riscos que envolvem pessoas, lugares e acervos; às mudanças climáticas e às estratégias de adaptação, resiliência e enfrentamento; além das relações entre patrimônio cultural e tecnologias sociais. A agenda inclui ainda oficinas teóricas e práticas, que acontecerão em formato remoto e presencial. Como desdobramento do encontro, será produzida uma publicação com artigos relacionados aos temas debatidos durante o evento.
De acordo com os organizadores, ao articular patrimônio cultural e sustentabilidade, o seminário dialoga diretamente com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, reforçando o papel do patrimônio como recurso estratégico para respostas resilientes e socialmente inclusivas.
O Seminário é promovido pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), em parceria com Universidade de Évora, Universidad Politécnica de València, Universidade Católica de La Plata, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Universidade Estadual de Campinas, International Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property (ICCROM), International Council on Monuments and Sites (ICOMOS-Brasil), International Council of Museums (ICOM-Brasil) e Climate Heritage Network – Latin America & Caribe, e conta com o apoio da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).
Crédito das fotos:
Luísa Kiefer/Divulgação CCMQ
Museu de Telecomunicações da UPV
Eduardo Brantes
J. Mendonça (COC/Fiocruz)
A primeira edição do Fiocruz Acolhe 2026 foi realizada nesta terça-feira, 31 de março, com a participação de 73 pessoas (60 presencialmente e 13 remotamente), estudantes estrangeiros e de diversos estados do Brasil que receberam as boas-vindas da Fundação. O evento tem o objetivo de proporcionar um ambiente acolhedor, promover a integração entre os ingressantes nos programas de pós-graduação e facilitar a adaptação dos recém-chegados, que vieram para estudar nas unidades da instituição, seja no Rio de Janeiro ou nas unidades regionais. Além disso, colabora com adaptações culturais e oferece as orientações necessárias para que saibam a qual instância ou profissional podem recorrer em qualquer eventualidade, disponibilizando orientações essenciais e informações necessárias e relevantes sobre os recursos disponíveis e auxiliando-os a iniciar sua jornada acadêmica da melhor forma possível. Para favorecer a participação de alunos por todo o Brasil que não puderam comparecer presencialmente, o encontro também foi transmitido remotamente via plataforma Zoom.
A mesa de abertura foi formada pela vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz, a coordenadora-geral de Educação, Isabella Delgado, o coordenador-geral da Associação de Pós-Graduandos (APG-Rio/Fiocruz), Pablo González, a assessora da Vice-Presidência de Saúde Global e Relações Internacionais, Liliane Menezes, e a coordenadora do Centro de Apoio ao Discente (CAD), Etinete Nascimento.
A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz, expressou alegria e satisfação ao falar sobre a Fiocruz, destacando a importância do acolhimento aos novos alunos: "Isso tem feito uma diferença para nós quando queremos aperfeiçoar mais esse nosso diálogo, esta nossa interlocução, porque assim, a gente reconhece todas as nossas potencialidades, mas a gente reconhece também os nossos problemas e nos colocamos à disposição para enfrentá-los. Então, por isso é importante, para quem chega nessa instituição, conhecê-la, interagir mais para vocês poderem ouvir e fazer também as escolhas de vocês".
Além das potencialidades da Fiocruz, Marly enfatizou seu reconhecimento mundial e o crescimento da instituição, impulsionado pela internacionalização: "A nossa tendência é cada vez essa sala estar mais cheia, porque a Fiocruz está trabalhando muito na sua política de internacionalização, que passa também pela educação", e concluiu citando o apoio à estruturação da Escola de Saúde Pública de Moçambique e o projeto para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): "Recentemente nós recebemos uma delegação de Moçambique, estamos ajudando na estruturação da Escola de Saúde Pública de Moçambique. Nós já estamos formando muitos moçambicanos, tanto no mestrado quanto no doutorado, então é uma expectativa nossa que Moçambique tenha a sua Escola de Saúde Pública. Isso vai ser muito bom para o Moçambique e também para o Fiocruz. E uma outra coisa é que já temos um grupo de trabalho formado para a Escola de Saúde Pública da CPLP, isso significa que vai se estender para outros países que fazem parte da CPLP, pois hoje são vocês que estão aqui, mas talvez, mais adiante, a gente vai ter um número muito maior de pessoas com oportunidade de fazerem mestrado e doutorado que hoje não teriam condições de estarem aqui no país".
A vice de Educação deu as boas-vindas aos novos alunos da Fiocruz, ressaltou a importância da diversidade e da troca de conhecimentos trazidos por eles e destacou o compromisso da instituição com a atualização constante, a sociedade e os sistemas de saúde: "Vocês, que chegam de diferentes partes, vêm para agregar, para trazer novos saberes, novos conhecimentos, novas formas de pensar e de fazer pesquisa também. Porque é isso, a Fiocruz, a gente busca estar sempre se atualizando, porque o nosso compromisso é com a sociedade, com os sistemas de saúde". Ela também mencionou, em seu discurso, a criação de relações próximas, o apoio às ações afirmativas para garantir a permanência e conclusão dos alunos, e a importância de enfrentar os desafios com apoio e parceria. Por fim, ela desejou sucesso aos alunos, encorajando-os a compartilhar suas experiências e navegar pela jornada acadêmica com o suporte da Fiocruz.
A coordenadora-geral de Educação, Isabella Delgado, ressaltou a diversidade e riqueza da Fiocruz e a importância da participação dos estudantes: "Procurem conhecer a Fiocruz na sua plenitude. A Fiocruz é muito rica, não fiquem só nas suas unidades, nos seus programas, nos seus cursos. Conheçam todas as políticas apresentadas pelo CAD, engajem na luta da APG, a gente teve bons avanços recentemente, então é importante que vocês conheçam. Aproveitem ao máximo esse tempo na Fiocruz, que é muito diversa, é muito rica e vocês trazem mais riqueza, a Fiocruz tem certeza disso, por isso vocês são tão esperados, porque vocês é que trazem essa diversidade, essa riqueza à nossa instituição".
Centro de Apoio ao Discente (CAD)
O Centro de Apoio ao Discente (CAD) é uma instância de diálogo e acolhimento da Fiocruz com todos os seus estudantes, vinculado à Vice-Presidência de Educação Informação e Comunicação (VPEIC), responsável por propor e realizar ações que favoreçam o bem-estar e a integração entre estudantes e apoio em situações que possam interferir no desempenho acadêmico e profissional dos alunos. Destacam-se ações como orientação de alunos e docentes para a resolução de problemas, escuta qualificada e encaminhamento para suporte psicológico e/ou social, participação no Grupo de Acolhimento a estudantes estrangeiros e brasileiros de fora do Rio de Janeiro, realização de pesquisas sobre expectativas e satisfação dos alunos em relação às necessidades acadêmicas, comunicação ativa com estudantes por meio de debates, rodas de conversa, redes sociais e outras estratégias, entre outras muitas ações.
A coordenadora do Centro de Apoio ao Discente, Etinete Nascimento, explicou o que é o CAD, e fortaleceu a informação que a Fiocruz oferece suporte abrangente aos estudantes, incluindo auxílio em diversas áreas, como permanência, moradia, cursos de inglês, apoio acadêmico e pedagógico. Etinete reforçou que instituição incentiva a integração e o aproveitamento de todas as oportunidades, buscando uma formação completa e duradoura, e falou sobre a importância da participação dos estudantes para que se sintam acolhidos: "O mais importante é vocês saberem que existe um lugar dentro da Fiocruz que, a qualquer momento que vocês sentirem qualquer desconforto, qualquer tipo de questionamento, qualquer dúvida em relação ao futuro, em relação ao seu curso de pós-graduação, algum tipo de dificuldade acadêmica pedagógica, problema com a língua portuguesa, tudo isso a gente trabalha com vocês, entre outras coisas, que são muitas".
Embalados ao som de funk, novos estudantes da Fiocruz interagem em dinâmica
Para finalizar o evento, representantes do corpo discente da Fiocruz compuseram uma roda de conversa sobre suas trajetórias estudantis, compartilhando as sensações e vivências, tanto dentro da Fundação quanto na cidade, assim como suas adaptações a uma nova cultura. Eles destacaram dicas de como aproveitar o Rio de Janeiro e tornar o ambiente da pós-graduação mais proveitosa para seus aprendizados.
Em seguida, a Dinâmica de Integração dos Estudantes serviu como um momento para os novos estudantes contarem suas histórias de vida. À frente de um painel com um mapa, os ingressantes se apresentaram falando seus nomes, cursos e estado do Brasil ou outro país do qual vieram, indicando no mapa a sua região de origem. Encerrando a dinâmica, uma alegre e divertida aula de dança ensinou os novos estudantes a dançarem funk, estilo musical popular no Brasil e, principalmente, no Rio de Janeiro.
A atividade mineradora segue como um dos pilares da economia brasileira, com destaque para o estado de Minas Gerais, protagonista histórico na produção de minério de ferro. No entanto, junto à relevância econômica, cresce um passivo socioambiental de grande magnitude: a enorme quantidade de rejeitos gerados, frequentemente armazenados em barragens, representando uma ameaça constante à saúde humana e ao meio ambiente. Diante do crescente risco e exposição a metais em regiões de mineração — agravados por desastres como o de Brumadinho e a presença de mais de 900 barragens no país — o Campus Virtual Fiocruz apresenta um novo curso voltado ao enfrentamento de uma lacuna crítica no sistema de saúde, a Formação continuada em toxicologia aplicada a metais. A iniciativa visa preparar profissionais para identificar, diagnosticar e agir precocemente diante de agravos relacionados à exposição e à contaminação por metais. O curso é resultado de uma parceria entre o Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas), o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS).
Voltado especialmente a profissionais de saúde que atuam em territórios impactados pela atividade mineradora, mas aberto a todos os interessados na temática, o curso busca qualificar trabalhadores do SUS para uma resposta mais rápida, segura e baseada em evidências frente a um problema que segue impactando silenciosamente a saúde da população.
O Brasil contabiliza mais de 900 barragens cadastradas, cerca de 37% em território mineiro, estado que também concentra a maior parte dos empreendimentos de grandes empresas do setor. O secretário de Vigilância em Saúde do Estado, Eduardo Campos Prosdocimi, falou sobre as expectativas com a nova formação e celebrou a parceria com a Fiocruz, apontando que essa iniciativa certamente contribuirá para fortalecer o sistema de saúde do estado. Segundo ele, após as enormes tragédias ligadas à mineração que acometeram Minas, o estado vem estruturando uma série de ações e atividades, a fim de entender melhor seus territórios e construir políticas públicas mais eficazes e aderentes às atividades minerárias.
Ao fortalecer competências técnicas e ampliar a capacidade de atuação dos profissionais, o curso contribui diretamente para a prevenção de agravos, a identificação precoce de doenças relacionadas à mineração e a promoção de ambientes mais seguros. Em um cenário em que os riscos persistem e novos eventos não podem ser descartados, investir na qualificação da força de trabalho do SUS é uma medida estratégica e urgente para proteger a saúde pública e reduzir os impactos de um problema que, embora muitas vezes invisível, continua presente no cotidiano de milhares de brasileiros.
Formação estratégica para resposta qualificada em territórios expostos
O curso tem a coordenação compartilhada pelos pesquisadores Enrico Mendes Saggioro, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Tatiana Ázara, que também é vice-diretora de Pesquisa, Inovação e Referência do IRR/Fiocruz Minas. Tatiana ratificou o esforço conjunto e muito próximo entre a SES/MG e a Fiocruz e disse que o processo de construção da formação foi intenso. "Unimos o rigor da ciência aos desafios que os profissionais enfrentam no dia a dia, especialmente após desastres, como o de Brumadinho, que mostram de forma muito dura que os profissionais da vigilância e atenção à saúde precisam estar preparados para lidar com emergências em saúde pública e seus efeitos, imediatos e a longo prazo", disse Tatiana, defendendo ainda que a expectativa é que o curso seja uma oportunidade para que os alunos compreendam como o histórico da vigilância, perpassando a instituição de sua Política Nacional, traduz-se em tomada de decisão baseada em evidências.
"É sobre dar sentido aos sistemas de informação e transformar notificações em ações que garantam a segurança do ambiente, da água e do que as pessoas comem. Esperamos que o profissional se sinta seguro para operar a linha de cuidado: saiba acolher, triar e monitorar quem chega com suspeita de intoxicação. Queremos que o egresso saia da formação com o olhar atento ao seu território para identificar sinais de exposição crônica e interpretar indicadores biológicos antes que o dano seja irreversível", detalhou Tatiana, demonstrando esperança frente ao fortalecimento da rede do SUS a partir da parceria estabelecida: "Que os profissionais possam transformar o aprendizado de tragédias passadas em ferramentas poderosas de prevenção. Nosso desejo é que essa iniciativa fortaleça a vigilância em Minas e inspire práticas em todo o território nacional, assegurando que a ciência e o cuidado cheguem de forma oportuna a quem necessita".
O curso oferece uma base sólida em conceitos de toxicologia, vigilância em saúde e análise de riscos, além de capacitar para o diagnóstico clínico, a notificação de casos e a investigação de fontes de exposição. A formação também orienta a atuação em ações educativas junto às comunidades, o monitoramento de populações expostas e a tomada de decisão baseada em evidências científicas, elementos essenciais para uma resposta integrada e eficaz. A literatura e os próprios estudos de campo indicam que muitos profissionais não possuem formação específica para reconhecer, diagnosticar e manejar casos de intoxicação por metais, o que pode resultar em subnotificação, diagnósticos tardios e intervenções inadequadas. Em municípios com intensa atividade mineradora — especialmente aqueles diretamente impactados por barragens — essa limitação compromete a adoção de medidas oportunas de prevenção, monitoramento e cuidado, ampliando os riscos à população. É nesse contexto que se insere a nova formação, voltada prioritariamente a profissionais do SUS que atuam em territórios mineradores.
Para Enrico, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), a formação representa uma oportunidade para que os alunos adquiram conhecimentos fundamentais sobre as bases da toxicologia, as vias de exposição e os principais agentes causadores de intoxicação — com destaque para os metais. O curso abrange desde os mecanismos de intoxicação até aspectos clínicos, incluindo sinais, sintomas, exames e a abordagem ao paciente exposto. “Essa formação surgiu a partir de uma demanda da Secretaria de Estado de Saúde de Minas, com o objetivo de capacitar profissionais da linha de frente e gestores para a identificação de exposições a metais, especialmente aquelas relacionadas à mineração e aos desastres ocorridos no estado. Esperamos que os participantes construam uma base sólida em toxicologia — que este curso seja apenas o início de uma trajetória na área — e que possam aprofundar seus conhecimentos, transferindo tabém conhecimentos à população atendida, ampliando sua capacidade de reconhecer sinais e sintomas de intoxicação em diferentes contextos de exposição, como na sua moradia ou trabalho”, destacou.
O rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019, é um marco trágico dessa realidade. Considerado o maior acidente de trabalho do país, o desastre resultou em centenas de mortes e liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, que se espalharam por cursos d’água, atingindo ecossistemas e comunidades ao longo de centenas de quilômetros. Além das perdas humanas irreparáveis, houve comprometimento da biodiversidade, contaminação do solo e da água e inviabilização de atividades essenciais, como agricultura, pesca e abastecimento. Os efeitos da exposição a metais pesados presentes nesses rejeitos são, muitas vezes, silenciosos e prolongados. Substâncias como chumbo, mercúrio, cádmio e arsênio possuem elevada toxicidade e podem provocar danos neurológicos, respiratórios, renais e até câncer. Dados de estudos produzidos pelo IRR/Fiocruz Minas apontam que entre os principais agravos relatados estão doenças respiratórias, alergias e problemas de pele, com maior incidência nas áreas mais próximas ao desastre. Esses dados evidenciam não apenas a extensão da contaminação, mas também a necessidade de vigilância contínua e qualificada.
Módulo 1: Bases conceituais e políticas da Vigilância em Saúde
Aula 1 - Vigilância em Saúde: trajetórias globais e o percurso brasileiro
Aula 2 - Política Nacional de Vigilância em Saúde e Planejamento
Aula 3 - Sistema Nacional de Vigilância em Saúde
Aula 4 - Emergências em Saúde Pública
Módulo 2: Conceitos básicos da Toxicologia: caracterização de exposição e qualificação da ação
Aula 1 - Introdução à Toxicologia e Contaminantes Químicos
Aula 2 - Fundamentos da Toxicocinética e toxicodinâmica dos agentes tóxicos e sua relação com a epidemiologia
Aula 3 - Toxicologia dos medicamentos e tabagismo
Aula 4 - Toxicologia dos alimentos e dos agrotóxicos
Aula 5 - Toxicologia Ocupacional
Módulo 3: Toxicologia Clínica aplicada aos Metais
Aula 1 - Toxicologia aplicados aos metais
Aula 2 - Abordagem inicial ao paciente potencialmente intoxicado e exames físicos para identificação de sinais e sintomas clínicos
Aula 3 - Interpretação de testes laboratoriais e de imagem para avaliação de intoxicação
Aula 4 - Vigilância epidemiológica e gestão da informação
Aula 5 - Exposição por metais e os determinantes sociais de saúde
Aula 6 - Comunicação de risco à saúde
A expansão da mineração no Brasil, especialmente em Minas Gerais, tem intensificado desafios à saúde pública. O cenário preocupante e também marcado por tragédias, como o rompimento da barragem em Brumadinho, que liberou milhões de metros cúbicos de rejeitos contaminados e resultou em centenas de mortes, acende um alerta diante dos riscos associados à exposição a metais, como chumbo, mercúrio, arsênio e cádmio — substâncias capazes de provocar danos silenciosos e duradouros ao meio ambiente a à saúde humana —, é urgente que profissionais de saúde estejam qualificados para identificar, diagnosticar e agir precocemente diante de agravos relacionados à exposição e à contaminação por metais.
A partir desse contexto, acontece nesta terça-feira, 31/3, às 9h, o lançamento presencial da Formação continuada em toxicologia aplicada a metais, com a realização da mesa-redonda 'Saúde, meio ambiente e desastres: A importância de discutir contaminação e intoxicação por metais no cenário atual'. O debate, fechado a convidados representantes de 90 secretarias municipais de saúde de regiões envolvidos com intensa atividade mineradora, gestores da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e pesquisadores da Fiocruz, será transmitido ao vivo pelo canal da SES-MG no youtube.
Acompanhe aqui o debate e o lançamento do curso:
As inscrições para o curso começam na terça-feira, 31/3!
Desenvolvido pelo Campus Virtual Fiocruz em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a SES-MG e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), o curso surge como resposta estratégica para fortalecer a capacidade do SUS na identificação, monitoramento e manejo de agravos relacionados à contaminação por metais.
A nova formação, que terá as inscrições liberadas durante o evento, em 31/3, oferece uma base sólida em conceitos de toxicologia, vigilância em saúde e análise de riscos, além de capacitar para o diagnóstico clínico, a notificação de casos e a investigação de fontes de exposição. O curso também orienta a atuação em ações educativas junto às comunidades, o monitoramento de populações expostas e a tomada de decisão baseada em evidências científicas — elementos essenciais para uma resposta integrada e eficaz. O curso tem a coordenação compartilhada pelos pesquisadores Enrico Mendes Saggioro, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Tatiana Ázara, que também é vice-diretoria de Pesquisa, Inovação e Referência do IRR/Fiocruz Minas.
A programação conta com a mesa-redonda 'Saúde, meio ambiente e desastres: A importância de discutir contaminação e intoxicação por metais no cenário atual' e terá a participação de pesquisadores do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e ainda a presença do subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais, Eduardo Campos Prosdocimi.
A gestão do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realiza, no dia 31 de março, às 10h, uma palestra especial com Elias Jabbour, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em desenvolvimento econômico e geopolítica.
Com o tema “Soberania e a construção de um projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil”, o encontro propõe uma reflexão sobre os caminhos para o desenvolvimento do país a partir de uma perspectiva estratégica e soberana.
A atividade acontece no Auditório Emmanuel Dias, no Pavilhão Arthur Neiva, no campus da Fiocruz em Manguinhos. A atividade é aberta ao público e não requer inscrição prévia.
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)
O Programa de Pós-graduação Stricto sensu em Biologia Celular e Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) torna pública as chamadas de seleção para os cursos presenciais de Mestrado e Doutorado 2026B, áreas de concentração em 'Biologia Celular e Molecular' e 'Farmacologia e Imunologia'. As inscrições estão abertas até 13 de abril de 2026.
Podem se candidatar profissionais graduados que possam atuar em pesquisa, ensino e produção com ênfase nas áreas de concentração do programa.
O Programa tem como principal objetivo a formação de recursos humanos com excelência acadêmico-científica para atuar em pesquisa, ensino, desenvolvimento tecnológico e inovação com ênfase nas áreas de Biologia Celular e Molecular, Farmacologia e Imunologia, visando o avanço do conhecimento obtido pelo método científico e a melhoria da condição de vida da população brasileira.
Serão oferecidas até 16 vagas para Mestrado e 11 vagas para Doutorado.
Acesse os links para edital e inscrição:
Clique aqui e confira.
O Curso de Capacitação em Biossegurança do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) celebra duas décadas de formação e de fortalecimento da cultura de biossegurança em ambientes de pesquisa, ensino e assistência. Ao longo desse período, o curso tem contribuído para a qualificação de profissionais e para a promoção de práticas seguras e responsáveis no trabalho com agentes biológicos. O IOC preparou uma agenda de atividades nos dias 6, 9 e 10 de abril para comemorar os 20 anos de capacitação. Acesse o Campus Virtual Fiocruz para se inscrever no evento!
Nesta edição comemorativa especial de 20 anos, as atividades têm início com uma aula inaugural aberta ao público, marcando o início do primeiro módulo do curso. Na sequência, os participantes poderão se inscrever nas demais atividades por meio do link do Módulo 1, coordenado pela Dra. Maria de Nazaré Correia Soeiro. Este módulo reúne especialistas, estudantes e profissionais para refletir sobre os avanços, desafios e perspectivas futuras da biossegurança.
A programação terá continuidade ao longo dos próximos módulos do curso, reafirmando o compromisso do Instituto Oswaldo Cruz com a formação continuada, a disseminação do conhecimento e o fortalecimento das boas práticas em biossegurança.
Público-alvo: Alunos e profissionais, de nível médio, graduação e pós-graduação, que atuam em atividades de pesquisa biomédica.
Processo Seletivo: As inscrições serão avaliadas pela Coordenação do Evento com base no público-alvo.
O evento será presencial no auditório Emmanuel Dias do Pavilhão Arthur Neiva - Fiocruz (Av. Brasil, 4365 - Manguinhos, Rio de Janeiro - RJ)
O poema “Guerra Civil”, de Miguel Torga, integra o livro Diário XII, publicado em 1983, e aborda, de forma simbólica, a experiência do conflito como uma fratura íntima e coletiva, sendo a guerra não apenas um confronto armado entre lados opostos, mas como uma questão que atravessa o próprio sujeito.
Ao trazer a guerra para o campo íntimo, o poema permanece profundamente atual em 2026, quando o mundo ainda convive com conflitos armados, crises humanitárias e polarizações intensas. A “guerra civil” evocada por Torga pode ser percebida também nas divisões internas que fragmentam sociedades e indivíduos, alimentadas por disputas ideológicas, desinformação e desigualdades persistentes. Nesse contexto, sua poesia traz ainda um alerta mostrando que, mais do que territórios, estão em disputa e em risco os próprios vínculos humanos, éticos, afetivos e políticos, exigindo uma reflexão urgente sobre as formas de reconstrução do comum em meio à violência.
Miguel Torga, um pseudônimo para Adolfo Correia Rocha, foi um dos maiores escritores portugueses do século XX. Médico de formação, destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios, integrando a segunda fase do Modernismo. Construiu uma obra marcada pela reflexão ética, pelo humanismo, pela observação crítica da condição humana e suas relações com a natureza, a solidão e a morte, e pela resistência à ditadura. Foi, por diversas vezes, candidato ao Prêmio Nobel da Literatura e recebeu o prestigiado Prêmio Camões em 1989.