Concedido pela Presidência da Fiocruz, sob a coordenação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), o Prêmio Oswaldo Cruz de Teses reconhece o mérito de trabalhos de elevado valor para o avanço do campo da saúde em diferentes áreas de atuação institucional: saúde coletiva, ciências biológicas aplicadas à saúde, biomedicina, medicina, ciências humanas e sociais. A cerimônia de premiação ocorrerá em 15 de outubro, das 14h às 17h, na Tenda da Ciência Virgínia Schall, no Campus de Manguinhos.
Confira as teses premiadas e menções honrosas
Na área de Medicina, Veronica Elizabeth Mata foi a vencedora com a tese Comparação da acurácia diagnóstica de testes diagnósticos comerciais imunocromatográficos com NS1 para detecção de dengue, orientada por Sonia Regina Lambert Passos e Carlos Augusto Ferreira Andrade, do Programa de Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro chagas (INI). A menção honrosa foi para Thaís Faggioni, com a tese O ensino de imunologia em algumas escolas médicas brasileiras: proposição de novas estratégias utilizando tecnologias da comunicação e informação, orientada por Luis Anastácio Alves, do Programa de Ensino de Biociências e Saúde, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
Em Saúde Coletiva, Aderita Ricarda Martins de Sena teve a tese premiada. Com o tema Seca, vulnerabilidade socioambiental e saúde: impactos no Semiárido Brasileiro, o trabalho foi orientado por Christovam Barcellos e Carlos Machado de Freitas, do Programa de Informação e Comunicação em Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação científica e Tecnológica em Saúde (Icict). A menção honrosa foi para Ana Paula Azevedo Hemmi, com a tese Participação em construção de políticas de saúde: o caso da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, orientada por Tatiana Wargas, do Programa de Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp).
Já na área de Ciências Biológicas aplicadas à Saúde e Biomedicina, Carolina Araújo Moraes, autora da tese Investigação do Papel da Microglia na Disfunção Sináptica na Sepse foi a escolhida. O trabalho foi orientado por Fernando Bozza, do Programa de Biologia Celular e Molecular do IOC. Gabriela de Azambuja Garcia receberá a menção honrosa pelo trabalho O papel da resistência a Inseticidas e da densidade de Aedes Aegypti na disseminação da Wolbachia em populações nativas do Rio de Janeiro, Brasil, sob orientação de Rafael Maciel de Freitas e Daniel Vilella, do Programa de Biologia Parasitária do IOC.
Finalizando a lista dos agraciados pelo Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2018, na área de Ciências Humanas e Sociais, Viviane Santos de Oliveira Veiga teve a tese A percepção dos pesquisadores portugueses e brasileiros da área de Neurociências quanto ao compartilhamento de artigos científicos e dados de pesquisa no acesso aberto verde: custos, benefícios e fatores contextuais premiada, sob orientação de Cícera Henrique da Silva e Paulo Roberto Borges, do Programa de Informação e Comunicação em Saúde, do Icict. A menção honrosa foi para Bianca Della Líbera da Silva, com a tese Um mundo sem barreiras: estudantes com deficiência visual discutindo saúde nas mídias sociais, orientada por Claudia Jurberg, do Programa de Ensino em Biociências e Saúde, do IOC.
Por CCS/Fiocruz | Foto: Arquivo Fiocruz
Em reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) realizada em Brasília, em agosto, foi divulgada a lista de novos membros da Ordem Nacional do Mérito Científico e a dos que foram promovidos de classe. A Ordem Nacional do Mérito Científico é uma ordem honorífica concedida a personalidades brasileiras e estrangeiras como forma de reconhecimento das suas contribuições científicas e técnicas para o desenvolvimento da ciência no país. Entre os homenageados estão três pesquisadores da Fiocruz que figuravam na classe Comendador e foram promovidos para a Grã-Cruz: Antoniana Krettl, Manoel Barral Netto e Samuel Goldenberg (os três na categoria Ciências Biomédicas). A pesquisadora Celina Turchi, também da Fiocruz, foi admitida na classe Comendador (Ciências da Saúde). A entrega das insígnias e do diploma ocorrerá amanhã, dia 17 de outubro.
O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) abriu prazo para indicações de candidatos no último mês de fevereiro. Durante 30 dias, diversas instituições ligadas à ciência puderam indicar nomes de candidatos. Em abril, uma comissão técnica, formada pelo MCTIC, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) reuniu-se no Rio de Janeiro para avaliar o mérito de todas as indicações e emitir um parecer para o Conselho da Ordem.
Manoel Barral Netto, atual vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, é consultor do CNPq e da Finep e membro do Comitê Assessor da Capes para as áreas de Imunologia, Parasitologia e Microbiologia. Entre 1993 e 1997, foi membro do Comitê Assessor de Imunologia de Micobactérias da OMS. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFBA (1992-1993). É atualmente membro titular do Comitê Assessor de Ciências Biológicas do CNPq, representando a área de Imunologia, tendo coordenado o Comitê Assessor do CNPq em 1996 e 1997. Manoel Barral Netto tem 9 capítulos publicados em livros especializados, e cerca de 80 trabalhos completos, publicados em revistas científicas internacionais, de alto índice de impacto, de 1982 a 1997. É membro da Sociedade Brasileira de Imunologia, sendo seu atual presidente, e membro da American Society of Tropical Medicine and Hygiene.
Formou-se em 1976 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Teve o seu interesse pela pesquisa científica na área da Imunologia Humana originado pela sua formação inicial em Patologia Humana e depois em Imunopatologia, ligado ao grupo de patologia baiano liderado por Zilton Andrade. Logo após a residência médica em Patologia, Manoel Barral Netto passou o período de 1979-1981 obtendo treinamento avançado em imunoparasitologia no Laboratory of Parasitic Diseases dos NIH, onde produziu trabalhos científicos na área de imunologia da esquistossomose humana. No seu retorno, reuniu-se a pesquisadores da UFBA (Edgar Carvalho e Roberto Badaró) interessados no estudo imunológico e epidemiológico das leishmanioses humanas, endêmicas no estado da Bahia. Manoel Barral Netto ingressou no quadro docente da UFBA em 1984, permanecendo até hoje ligado à Faculdade de Medicina. Paralelamente, seguiu carreira de pesquisador no Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz, da Fiocruz Bahia, chegando em 1996 ao cargo de pesquisador-titular da instituição. Uma colaboração entre o seu grupo de pesquisa e a Universidade Cornell deu origem a uma série de trabalhos fundamentais em imunologia das leishmanioses humanas. Estes estudos transformaram o grupo de imunologia de leishmanioses da UFBA num dos principais centros de pesquisa mundial no tema. Em 1991, Manoel Barral Netto realizou um estágio “senior” no Seattle Biomedical Research Institute, em Washington. Neste período, e colaborando com Steven G. Reed, descreveu o papel da citocina TGF-b como mecanismo de escape de parasitas do gênero Leishmania da resposta imune do hospedeiro, em publicações que se tornaram citações mandatórias na sua área de atuação.
Graduada pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica da UFMG em 1965, Antoniana Krettl cedo se interessou pela pesquisa participando do Departamento de Parasitologia. Seus trabalhos iniciais foram em malária, biologia, epidemiologia e quimioterapia experimental. A partir do seu estágio no exterior, em 1972-74 (New York University Medical School), interessou-se pela imunologia e ao retornar prosseguiu estudando a resposta imune na malária e iniciou, em paralelo, estudos sobre a resposta imune na doença de Chagas. Foi pioneira no cultivo contínuo do Plasmodium falciparum, agente da terçã maligna humana, usado em testes de antimaláricos a partir de plantas da Amazônia, estimulando vários grupos de químicos a fracionar extratos de plantas ativas em busca de um novo antimalárico. Seus estudos incluem ainda pacientes expostos à transmissão da malária na área endêmica ou em novos focos de transmissão, definindo o perfil imunológico da resposta anti-esporozoíta nestes pacientes, visando futuros projetos de vacinação.
Orientou dezenas de estagiários, bolsistas de iniciação científica, de aperfeiçoamento e técnicos, sendo o convênio entre a UFMG e a Fiocruz (Laboratório de Malária do Instituto Oswaldo Cruz) facilitador desse fluxo de pesquisadores. É consultora da Organização Mundial de Saúde no comitê Research and Strengthening Group desde 1992 e membro do Corpo Editorial da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz e ad hoc de várias outras revistas científicas, no país e exterior. Decidida a se aprofundar no estudo de duas patologias humanas importantes no Brasil, cursou Medicina pela UFMG depois de estar aposentada como professora-titular. Foi ainda a primeira mulher no Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UFMG) nesse nível, tendo concorrido com outros quatro candidatos e se classificando em primeiro lugar, com nota máxima.
Samuel Goldenberg, atualmente pesquisador do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná), teve sua formação em Biologia Molecular na Universidade de Brasília onde se graduou em 1973 e concluiu o mestrado em 1975, tendo sido sua tese a primeira do Programa de Biologia Molecular da UnB. Concluiu seu doutoramento (Doctorat dÉtat ès Sciences) em 1981 na Universidade de Paris VII, sob orientação de Klaus Scherrer. De regresso ao Brasil em 1982, passou a integrar o Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz), tendo exercido a chefia do mesmo de 1985 a 1989. Na Fiocruz iniciou o estudo dos mecanismos de regulação da expressão gênica durante a diferenciação do Trypanosoma cruzi. Como parte desses estudos, foi desenvolvido um meio quimicamente definido (meio TAU) que permite o estudo in vitro do processo de diferenciação que ocorre no interior do inseto vetor da doença de Chagas. Outra importante contribuição foi o estudo de genes de T. cruzi clonados em seu laboratório e que apresentam uma estrutura contendo epítopos repetidos; as pesquisas levaram ao desenvolvimento de um kit de diagnóstico para doença de Chagas utilizando antígenos recombinantes. Este kit foi considerado como de excelência pela Organização Mundial da Saúde e o desenvolvimento do mesmo resultou na primeira patente internacional da Fiocruz e na outorga do Prêmio Governador do Estado Invento Brasileiro em 1993. Goldenberg participou do desenvolvimento do primeiro micro-array (biochip) contendo genes do T. cruzi, abrindo um importante caminho para os estudos de genômica funcional deste parasita.
Celina Turhci, pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, graduou-se em Medicina (1981) pela Universidade Federal de Goiás (UFG), tem mestrado em Epidemiologia pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, e doutorado em Saúde Pública (1995) pela Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência na área de epidemiologia das doenças infecciosas. Dentre os prêmios e títulos recebidos, destacam-se Honra ao Mérito (1994) concedida pela Academia Goiana de Medicina; Destaque na área de Saúde (2003) concedido pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia; Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera (2007), concedida pelo Governo de Goiás; Eleita entre as dez personalidades mais influentes no ciência pela revista Nature (2016); Medalha do Mérito Heroínas do Tejucupapo (2017), concedida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Foi eleita entre as 100 pessoas mais influentes pela revista Time (2017) pelo fundamental papel que teve na descoberta da relação entre a microcefalia e o vírus da zika. Para realizar os estudos que colaboraram com a descoberta da relação entre o virus da zika e a microcefalia, a pesquisadora organizou uma força-tarefa de cientistas do mundo todo, entre epidemiologistas, especialistas em doenças infecciosas, pediatras, neurologistas e biólogos especializados em reprodução.
Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias)
Acaba de sair a relação final de teses premiadas e menções honrosas do Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2018.
A premiação, concedida pela Presidência da Fiocruz, reconhece o mérito de teses de elevado valor para o avanço do campo da saúde em diferentes áreas de atuação institucional: saúde coletiva, ciências biológicas aplicadas à saúde, biomedicina, medicina, ciências humanas e sociais.
Parabéns a todos!
Campus Virtual Fiocruz | Foto: Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz
Saiu a lista de candidatos com inscrições homologadas no Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2018.
Concedida pela Presidência da Fiocruz, a premiação reconhece o mérito de teses de elevado valor para o avanço do campo da saúde em diferentes áreas de atuação institucional: saúde coletiva, ciências biológicas aplicadas à saúde, biomedicina, medicina, ciências humanas e sociais.
Para ler o regulamento do processo seletivo e acompanhar o cronograma do prêmio, acesse o edital.
*Lista atualizada no dia 8 de agosto de 2018 com a inclusão de mais uma candidata.
Campus Virtual Fiocruz | Foto: Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz |
Estão abertas as inscrições para o Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2018, concedido pela Presidência da Fiocruz. Com o objetivo de distinguir teses de elevado valor para o avanço do campo da saúde em diferentes áreas de atuação da Fiocruz, a premiação contemplará uma tese para cada uma das seguintes áreas: saúde coletiva, ciências biológicas aplicadas à saúde, biomedicina, medicina, ciências humanas e sociais.
Podem se inscrever, até o dia 18 de junho, autores de teses defendidas entre os meses de maio de 2017 e abril de 2018 nos cursos da Fiocruz, e cursos em que a Fiocruz participa de forma compartilhada, desde que sejam registrados na Coordenação Geral de Educação (CGEd). Não há restrição ao número de concluintes de cada curso para inscrição.
Para mais informações, acesse o edital.
A pesquisadora chefe do Laboratório de Doenças Febris Agudas do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Patrícia Brasil, se tornou a primeira cientista do Brasil a vencer o Prêmio Científico Christophe Mérieux 2018, promovido pela Fondation Christophe et Rodolphe Mérieux e pelo Institut de France para apoiar a pesquisa de doenças infecciosas em países em desenvolvimento. A premiação que reconhece a trajetória acadêmica da cientista e a relevância de seu projeto: A história natural da infecção por zika durante a gestação é exclusivamente para pesquisadores na área de doenças infecciosas em países em desenvolvimento. A cerimônia acontecerá no dia 30 de maio, no Coupole do Palais de L’Institut de France, em Paris. Patrícia também é a segunda sul-americana e a quarta mulher a conseguir tal honraria.
Para concorrer ao prêmio, todos os candidatos enviaram um dossiê para comissão julgadora. Ele deve conter seu currículo como pesquisador líder do grupo, suas realizações anteriores,o projeto de pesquisas, a lista das dez publicações científicas mais relevantes, razões que justificassem a candidatura e duas cartas de recomendação de instituições externas.
Trajetória de sucesso
Patrícia Brasil estudou medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em seguida, fez residência médica em doenças infecciosas e parasitárias no Hospital do Servidores do Estado de Minas Gerais e doutorado em Biologia Parasitária no Instituto Oswaldo Cruz. Em 1992 foi para Paris, através do Programa de Cooperação em AIDS entre Brasil e França, para ser treinada no diagnóstico de doenças oportunistas e micológicas em HIV, e trabalhou durante um ano no Laboratório de Parasitologia et Micologia do Hospital Saint Louis. Em Paris seguiu também Curso de Patologia e Imunologia Parasitária, correspondente ao mestrado, na Université Paris VI. De volta ao Rio de Janeiro, retomou sua carreira como infectologista do Instituto Estadual de Infectologia de São Sebastião, Rio de Janeiro (1993-2004). Em 2006 ingressou na Fiocruz como Pesquisadora em Saúde Pública no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, onde desenvolveu o Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas (DFA), e coordena uma equipe de especialistas, em projetos financiados por agências internacionais e brasileiras, com foco em medicina tropical, na vigilância de doenças febris agudas emergentes e re-emergentes e no desenvolvimento de protocolos clínicos e treinamento de profissionais da saúde.
Nos últimos nove anos, sua principal área de pesquisa tem sido doenças febris agudas (DFA), com grande parte dos estudos centrados em dengue e malária até 2015, quando foi identificada uma epidemia de uma nova doença exantemática, posteriormente identificada como a infecção pelo vírus Zika. Ao mesmo tempo, uma coorte prospectiva para a vigilância da dengue em pares de mães e bebês, estabelecida desde 2012 em Manguinhos, no Rio de Janeiro. Seu estudo foi adaptado para possibilitar também o rastreamento da infecção pelo vírus zika, devido à hipótese de associação entre o surto de zika e o surto de microcefalia no nordeste, no final de 2015. Esta coorte permitiu iniciar um estudo prospectivo de arboviroses, cuidadosamente conduzido nessa população, dando origem à principal linha de pesquisa à que se dedica na atualidade.
Fonte: Portal Fiocruz