Apesar de um oceano de distância, há quase uma década Brasil e Moçambique atuam juntos na formação de uma geração de novos cientistas africanos, dedicados às questões de saúde locais. O Programa de Cooperação Internacional de Pós-graduação em Ciências da Saúde é resultado de uma parceria entre o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique (INS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A iniciativa, que oferece mestrado e doutorado nos Programas de Pós-graduação Stricto sensu do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), formou mais 14 estudantes em julho. Com isso, soma mais de 40 alunos ao longo dos nove anos de parceria. O coordenador do programa, Renato Porrozzi, destaca a importância da cooperação: "Levar nossos cursos de mestrado e doutorado para Moçambique é um ato de solidariedade a um país carente de formação em pós-graduação, além de ser muito gratificante. Isso se traduz em melhorias na qualidade da pesquisa realizada localmente, com impactos diretos na saúde do povo moçambicano”.
O perfil dos estudantes é variado, incluindo profissionais que atuam na saúde pública em diferentes províncias. Tendo em vista essa pluralidade de origens, os projetos de pesquisa dos alunos compõem um verdadeiro mosaico. “Os estudos desenvolvidos no contexto das dissertações e teses dos estudantes contribuem para preencher lacunas no conhecimento científico, com destaque para investigações acerca de doenças infecciosas como malária, Aids e parasitoses intestinais”, explica Renato. Vírus influenza e sincicial, enterovírus, hepatite B, malária, dengue, HIV, leptospirose e hantavírus foram alguns dos temas escolhidos pelos estudantes da quarta turma de mestrado da parceria Brasil-Moçambique.
As aulas são ministradas por pesquisadores das duas instituições, sendo a maior parte dos encontros realizada na sede do INS, em Maputo, capital de Moçambique. Já nos Laboratórios do IOC, no Rio de Janeiro, os estudantes desenvolvem aspectos práticos dos projetos, como a análise de amostras.
Contribuição para os esforços de eliminação da filariose linfática
Do trabalho de pesquisa nas bancadas dos laboratórios, nascem projetos como o de Henis Mior, um dos mais novos mestres da parceria, que apresentou resultados de um estudo sobre a filariose linfática. Considerada doença negligenciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a filariose linfática faz vítimas tanto em Moçambique quanto no Brasil. Henis investigou um tema com interface direta com a saúde pública: a eficácia do protocolo de tratamento em massa, que vem sendo preconizado nos esforços de eliminação da doença. Segundo esse protocolo, um conjunto de pessoas recebe a medicação mesmo sem diagnóstico individual tendo em conta o alto índice de transmissão na localidade.
O estudo foi baseado em um levantamento realizado na cidade de Murrupula, província de Nampula, em Moçambique, com a participação de mais de 670 pessoas. Os testes consideraram aspectos que indicam a persistência da infecção no paciente seis meses após a administração da primeira dose do tratamento. Os resultados sugerem que a dose única da medicação não proporciona redução significativa da presença de parasitos nas fezes dos pacientes tratados e nem do antígeno no organismo. O pesquisador do IOC Adeilton Brandão orientou a apresentação dos resultados do projeto, junto com Ricardo Thompson, pesquisador do INS e coordenador do projeto em Moçambique. Segundo Adeilton, os dados da pesquisa poderão ser utilizados para avaliar o alcance de metas da campanha, que é de grande importância para a saúde pública em Moçambique. "Há, ainda, a oportunidade de mensurar o impacto de grandes programas de tratamento em áreas carentes de recursos, que apresentam grandes dificuldades logísticas”, afirma.
Henis, por sua vez, celebra a inciativa e a conquista do título. “O mestrado é bem-vindo para os profissionais de saúde e pesquisadores em geral, por trazer melhorias no desempenho da pesquisa e docência na área de saúde. Pretendo continuar os estudos a partir do monitoramento da infecção pela filariose linfática, até a declaração da eliminação da doença no país”, conta.
Veterano elege a genética em estudos sobre tuberculose e hepatites
A trajetória do estudante Nédio Jonas Mabunda é um exemplo do estímulo à produção científica e acadêmica em Moçambique por meio da cooperação internacional. Pesquisador do Instituto Nacional de Saúde, Nédio é um veterano da iniciativa: concluiu o mestrado em 2013 e, agora, está no doutorado.
No projeto de mestrado, investigou a associação entre as características genéticas do hospedeiro e o desenvolvimento das manifestações da tuberculose. O estudo observou, em especial, o comportamento de algumas citocinas, moléculas responsáveis pela sinalização entre as células durante reações imunes. Os resultados apontaram que algumas características da citocina ‘fator de necrose tumoral’ estão relacionadas a um maior risco na evolução da doença.
No doutorado, o tema do projeto também é genética: as mutações que influenciam no desenvolvimento da infecção por hepatite B, doença endêmica em Moçambique, e uma das principais causas do câncer de fígado no país. “Iniciei minha atividade profissional no Laboratório de Virologia Molecular do INS e sempre tive paixão por genética. Olhei para o mestrado como uma oportunidade de aprendizado específico na área de pesquisa, aliado à minha área de trabalho e paixão. Hoje, o doutorado é um instrumento importante para a fortificação da minha carreira científica”, destaca Nédio.
Fonte: Lucas Rocha e Raquel Aguiar (IOC/Fiocruz) | Foto: INS-Moçambique
A Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS/Fiocruz/MS) está com matrículas abertas para a nova turma do curso online sobre Saúde da População Negra. Profissionais de saúde e demais interessados no tema podem se inscrever até o dia 8 de novembro, pelo link. A capacitação é uma ação do Ministério da Saúde, por meio das Secretarias de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP). Produzido pela Secretaria Executiva da UNA-SUS, o curso é pautado na Política Nacional da Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) e aborda temas que impactam no atendimento da população no SUS, como o racismo institucional.
O objetivo é fornecer subsídios aos profissionais de saúde para que possam atuar considerando o cuidado centrado na pessoa e na família, com base nas instruções da diretriz. Assim, o curso possibilita a ampliação dos conhecimentos para promover um atendimento integral e adequado às especificidades de saúde da população negra. De maneira mais abrangente, pretende-se alertar os profissionais de saúde para que, em sua rotina de trabalho, identifiquem as iniquidades étnico-raciais que impactam sobre a saúde da população negra, monitorem e avaliem os resultados das ações para prevenção e combate dessas iniquidades.
A secretária da SGEP, Gerlane Baccarin, conta que a iniciativa de criar do curso surgiu da necessidade de implementar ações de educação permanente específicas para atender às populações socialmente mais vulneráveis e em situação de iniquidade no acesso à saúde. “Este curso é uma possibilidade de democratizar o saber e o fazer para profissionais da área de saúde na formação. É uma estratégia que auxilia na tomada de consciência dos avanços promovidos na área de conhecimento, gerando processos continuados de acesso a informação”, afirma. Para a secretária, a educação a distância com essa temática impulsiona o crescimento, nos sentidos político-sociais, econômicos, pedagógicos e tecnológicos dos profissionais de saúde.
Aprendizado
A identificação com o tema foi a maior motivação da estudante de psicologia Alice Santos, que é negra e faz estágio em uma equipe de saúde da família no Rio Grande do Sul, para fazer o curso. Ela avalia que todos os conteúdos abordados são extremamente pertinentes e pouco divulgados, tanto para estudantes e profissionais, quanto para a população em geral. Alice destaca a agregação de conhecimento sobre a Política Nacional de Saúde da População Negra como um dos principais aprendizados. “Pude perceber como nossas matrizes podem ser preservadas no meio de saúde pública, respeitando nossa ancestralidade e religiosidade, especificidades que são muitas. Inclusive, causas de questões históricas que envolvem, muitas vezes, uma tríade de raça, classe, gênero e até outras questões, além de pensar em manejo e instrumentalização para lidar com racismo institucional”, comenta.
Para a ex-aluna do curso e articuladora de rede intersetorial de/sobre álcool e outras drogas no Projeto Redes (Fiocruz/Senad), Edna Mendonça, a discussão sobre os determinantes sociais como fatores de exclusão e dificultadores do acesso à saúde da população negra favoreceu o seu entendimento sobre como o racismo se apresenta no campo da saúde e os prejuízos causados por ele aos usuários do SUS. “Esse aprendizado favoreceu a reflexão sobre as práticas de cuidado em saúde e a importância da participação social para a implementação das políticas públicas locais, regionais e/ou nacionais”, conta. “A possibilidade de ampliar o olhar sobre o racismo e as condições de vida da população negra no Brasil nos faz trabalhar para que a implementação dessa política pública se efetive e o acesso à saúde seja de fato igualitário. Os conteúdos vão muito além das questões técnicas e biomédicas, pois norteiam todo o cuidado em saúde”, afirma.
A nutricionista Deborah Albuquerque destaca a qualidade do material, que considera excelente. "O assunto foi abordado de maneira extremamente didática, o que facilitou a compreensão e contribuiu para aquisição de conhecimento permanente, com questões práticas e cotidianas”.
O curso em números
O curso Saúde da População Negra é uma das capacitações mais populares da UNA-SUS. Lançada em 2014, teve 31.630 matrículas e 3.099 profissionais certificados nas suas quatro turmas anteriores. Os estados com maior número de inscrições foram São Paulo (2.509), Bahia (2.265) e Minas Gerais (1.720).
Para saber mais sobre esse e outros cursos da UNA-SUS acesse: www.unasus.gov.br/cursos.
Fonte: UNA-SUS
Até o dia 23 de agosto ficam abertas as inscrições para o curso de atualização Análise de situação em saúde - Clima, Ambiente e Saúde, iniciativa do Ensino do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). Em sua primeira edição, o curso capacitará profissionais dos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente, e das secretarias estaduais e municipais de saúde que trabalhem, preferencialmente, nas áreas de vigilância em saúde. Serão abordados conhecimentos para que eles analisem situações de saúde da população brasileira, considerando as variáveis ambientais, climáticas, epidemiológicas e socioeconômicas como condicionantes de saúde.
Há 40 vagas para profissionais graduados atuantes, situação comprovada por meio de carta de indicação. É desejável conhecimento básico em análise de situação de saúde e das bases de dados do Datasus. O curso será ministrado através de aulas teóricas e práticas, e os alunos receberão material didático, organizado pelos professores e coordenadores do curso. Os pesquisadores do Núcleo de Geoprocessamento do Laboratório de Informação em Saúde (LIS/Icict), Renata Gracie e Diego Xavier, coordenam a iniciativa.
Serão abordados tópicos como Panorama geral de políticas envolvendo clima e saúde e Doenças relacionadas a problemas de saneamento ambiental (água), Vetores, contaminação do ar e a eventos extremos, dentre outras - todas com atividades teóricas e práticas. As aulas serão ministradas, entre os dias 23 e 27 de outubro, na Fiocruz Brasília (Av. L3 Norte S/N, Campus Universitário Darcy Ribeiro, Gleba A - Brasília -DF).
Acesse as informações sobre o curso aqui no Campus e leia o edital.
Mais informações:
Gestão Acadêmica do Icict/Fiocruz
Prédio da Expansão do Campus Fiocruz (Av. Brasil, 4.036, sala 210, em Manguinhos - Rio de Janeiro - RJ)
Telefone: (21) 3882-9063
E-mail: gestaoacademica@icict.fiocruz.br (assunto Inscrição no curso de Análise de situação em saúde - Clima, Ambiente e Saúde)
O horário de atendimento ao público é das 9h às 16h.
Fonte: Icict/Fiocruz
A VideoSaúde Distribuidora está com as inscrições abertas para a 9ª Oficina VideoSaúde - Da ideia ao argumento, coordenada por Daniela Muzi. Ao todo, estão sendo oferecidas 20 vagas para o curso que tem o objetivo de contribuir com conhecimentos para que sejam elaboradas propostas de produção de vídeos em saúde. As inscrições vão de 17 de julho a 17 de agosto. As vagas são para profissionais graduados que atuem nas áreas de saúde e comunicação.
A oficina tem duração de 40 horas e será ministrada de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h. O curso é dividido em módulos temáticos, com aulas expositivas, visitação técnica às instalações da VideoSaúde para conhecer os recursos para produção/distribuição de vídeos sobre saúde, exercícios técnicos (imagem); análise da produção de vídeos em saúde e elaboração de propostas de produção. Para um bom rendimento do curso, os interessados devem apresentar uma proposta inicial de produção de um vídeo em saúde.
As inscrições devem ser feitas no site da Plataforma Siga (o edital do curso informa o passo-a-passo). O candidato deve preencher o formulário eletrônico de inscrição, imprimir, assinar e encaminhar pelo Correio, via SEDEX, ou entregar pessoalmente na Gestão Acadêmica do Icict, até 18 de agosto, com a documentação solicitada na chamada pública.
Outras informações podem ser obtidas junto à Gestão Acadêmica do Icict, que fica no Prédio da Expansão do Campus Fiocruz (Av. Brasil, 4.036, sala 210, em Manguinhos - Rio de Janeiro - RJ), pelo telefone 3882-9063 ou através do e-mail gestaoacademica@icict.fiocruz.br, com o assunto "Inscrição na Oficina de VideoSaúde - 2017". O horário de atendimento ao público é das 9h às 16h.
Por: Graça Portela (Icict/Fiocruz)
Profissionais de nível médio têm a oportunidade de se atualizar no uso da Classificação Internacional de Doenças (CID), da Classificação Internacional em Atenção Primária (CIAP2) e da Tabela Unificada de Procedimentos do SUS. A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) está com inscrições abertas, até o dia 28 de julho, para o curso de Atualização Profissional no Uso de Classificações Utilizadas nos Sistemas de Informação do SUS.
Há 20 vagas para profissionais de saúde, que estejam desenvolvendo atividades relacionadas aos registros e informações em saúde.
As aulas acontecem entre os dias 17 de agosto e 23 de novembro, às quintas-feiras, das 8h às 17h.
Saiba mais sobre o processo seletivo, documentos e prazos, aqui.
Ficam abertas, até o dia 21 de julho, as inscrições para o curso de Atualização Profissional em Práticas Grupais em Saúde. O objetivo é proporcionar aos trabalhadores que atuam na área de saúde, saúde mental e assistência social os debates mais recentes sobre temas ligados às práticas em grupo, com uma abordagem que favoreça os alunos a conduzir atividades com a clientela da rede de serviços de saúde.
Com duração de 112 horas, o curso apresentará as características das intervenções grupais difundidas por diferentes vertentes teóricas do campo da saúde mental, tais como: psicanálise, psicodrama, grupo operativo, Gestalt-terapia e terapia Reichiana. Devido à metodologia do curso, além das aulas expositivas, os alunos aprenderão o conteúdo teórico por meio de vivências em dinâmicas de grupo e oficinas de música, artes plásticas, corpo, teatro e palavra.
Há 35 vagas disponíveis, voltadas, preferencialmente para profissionais de saúde e assistência social que atuam em instituições públicas.
Acesse as informações sobre o processo seletivo e o link para inscrições aqui.
O vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), Manoel Barral Netto participou da 46ª reunião do Fórum das Unidades Regionais da Fiocruz (FUR), em Teresina (PI), no dia 5/6. Ele defendeu uma série de medidas para uma proposta de doutorado profissional para o Complexo Econômico Industrial da Saúde na Fiocruz. Dentre essas medidas, estaria uma estrutura mais reduzida de disciplinas obrigatórias e uma carga horária que compreenda três anos de curso mais um ano de estágio numa instituição ligada à saúde (indústria, empresa etc.) na qual o problema de pesquisa foi gerado.
O vice-presidente aposta numa articulação com o Complexo para se compreender a necessidade de formação de pessoal. “A reflexão que devemos fazer é: de que profissional o complexo industrial da saúde necessita? A pergunta de pesquisa tem de vir da indústria, que tem um problema a ser resolvido”, sugeriu Barral. Nesta proposta em discussão, a indústria levaria o problema à Fiocruz, que buscaria um orientador para o estudante.
Embora defenda a redução da estrutura das disciplinas, Barral ressalta a importância de disciplinas como Metodologia Científica, Ética e Bioética. O diferencial seria o aluno poder buscar no sistema Fiocruz, ou mesmo fora dele, outras disciplinas que fossem importantes para o problema que pretende resolver com o curso. Seria um formato de curso que, para o vice-presidente, não precisaria ser vinculado apenas a uma única unidade da Fundação, mas, sim, à instituição como um todo – cabendo a titulação à unidade que orientou o estudante. Ele ressaltou que essa é uma proposta em discussão a ser levada para a Câmara Técnica de Educação.
O tema avaliação dos cursos é uma de suas preocupações, uma vez que considera que o sistema de avaliação da pós-graduação no Brasil não pode engessar a criatividade dos cursos propostos na vertente de pós-graduação profissional.
O diretor da Fiocruz Brasília e também coordenador do FUR, Gerson Penna, lembrou os avanços para a pós-graduação com a criação do Sistema de Escolas de Governo da União (Segu), que reúne 20 instituições, e do qual a Fiocruz faz parte, credenciada como Escola de Governo. Penna chamou a atenção para a necessidade que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aponta de se fazer chegar o doutorado profissional para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Clique aqui para ler a reportagem completa e assistir às entrevistas.
Fonte: Assessoria de Comunicação/Fiocruz Brasília
A Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz) abriu uma chamada para apoiar a realização de cursos de curta duração com abrangência internacional. O objetivo é incentivar e consolidar a cooperação e o intercâmbio dos programas de pós-graduação entre si e também com instituições estrangeiras.
Serão selecionadas até dez propostas, com prioridade para as que forem apresentadas por parcerias entre programas de pós-graduação e/ou que contemplem alunos de diversos programas, podendo ser utilizados de recursos de web ou videoconferência. O valor do incentivo é de até R$ 12.500 por curso, e deve ser utilizado no período de julho de 2017 a março de 2018.
O prazo para se candidatar à concessão do incentivo termina no dia 23/6.
Para conhecer todos os critérios e prazos, acesse o edital na área de documentos do Campus Virtual Fiocruz.
Microcefalia, distúrbios neurológicos, auditivos e visuais, epilepsia e danos nos ossos e nas articulações são algumas das características da Síndrome Congênita do Zika (SCZ) descritas pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS). No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 2 mil bebês foram confirmados com deficiências graves, como resultado da zika, desde o início da epidemia em 2015. Diante desse cenário, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com Centro Internacional de Evidência em Deficiência da London School of Hygiene & Tropical Medicine (Iced/SHTM), criou o projeto Auxiliando profissionais da saúde a prover os cuidados necessários às famílias de crianças com síndrome congênita relacionada ao Zika vírus no Brasil.
Aprovado pelo Fundo Newton, por meio do edital institucional Links Zika Virus, o projeto busca desenvolver cursos educacionais on-line de acesso aberto para capacitar profissionais de saúde com intuito de ajudar a atender as necessidades de crianças com SCZ e outras síndromes, bem como apoiar seus familiares. O trabalho é conduzido pelo Iced, um centro de pesquisa com vasta experiência no desenvolvimento de ferramentas de treinamento on-line e que investiga as necessidades de saúde de pessoas com deficiência. Principal parceira do projeto no Brasil, a Fiocruz está atuando com o auxílio dos profissionais de saúde e famílias afetadas pela SCZ. Além disso, o projeto conta com a colaboração da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepesc), que irá auxiliar na difusão das ferramentas desenvolvidas e do Hospital Infantil de Brasília, que também vai colaborar com o desenvolvimento das ferramentas de formação e participar ativamente das oficinas que serão realizadas ao longo do projeto.
Segundo a coordenadora do Programa de Educação, Cultura e Saúde (Pecs) da Fiocruz Brasília e coordenadora projeto no Brasil, Luciana Sepúlveda, trata-se de um projeto agregador que pretende buscar soluções e respostas para uma situação muito complexa. “O projeto é ambicioso, na medida em que busca integrar no currículo da formação permanente questões basilares da prática cotidiana vivenciadas pelos profissionais. Estas questões vão além da divulgação das normativas e protocolos do Ministério da Saúde, embora seja importante garantir que tais informações sejam compreendidas pelos profissionais. Além disso, esta é uma oportunidade de abertura de diálogo, compartilhamento e aprendizagem com a Dra. Hanna Kupper e sua equipe, da London School of Hygiene and Tropical Medicine”, avalia.
A pesquisa terá três etapas: análise situacional; desenvolvimento do programa de treinamento; e avaliação da viabilidade e aceitabilidade e finalização do programa. Durante a análise situacional, serão realizadas entrevistas qualitativas em profundidade e criação de grupos focais com famílias de bebês com SCZ, em Brasília. Também serão feitas entrevistas com especialistas-chave do Brasil e de outros países para identificar possíveis métodos de como os profissionais de saúde podem apoiar ainda mais as necessidades de crianças com SCZ. Já no desenvolvimento do programa de treinamento, os parceiros do Iced e do Brasil realizarão workshops sobre os planos para o programa de treinamento e definição de conteúdo e métodos de ensino. Na última etapa, o curso de formação será liberado e divulgado amplamente e um questionário será distribuído para todos os participantes do treinamento, a fim de avaliar o impacto da formação.
No momento, o plano de trabalho do projeto encontra-se em fase de detalhamento e no final de maio está prevista a primeira oficina local que contará com a participação da Fiocruz, do Hospital da Criança de Brasília, da Fepecs, do Fundo de População das Nações das Nações Unidas (UNFPA) e da Secretaria de Estado de Saúde do GDF, que irão discutir sobre a etapa de análise situacional do projeto.
Luciana ressalta que, embora a SCZ não represente, até o momento, uma emergência de saúde pública no DF, o serviço de saúde precisa estar preparado para acolher e cuidar destes casos quando ocorrerem. “Estamos acostumados a apagar incêndio, no entanto, precisamos mudar esta cultura e nos prepararmos antes da emergência em saúde pública acontecer. Assim, acredito que o curso vai contribuir para a melhoria do atendimento das necessidades de famílias com crianças com problemas sensoriais, motores e cognitivos, causados ou não pelo vírus Zika”, afirma.
Fonte: Fernanda Miranda (Fiocruz Brasília)
Estão abertas até 15/5 as inscrições para o Curso de Especialização em Gestão de Redes de Atenção à Saúde, na modalidade à distância. Há 600 vagas para profissionais de nível superior que atuem como gestores ou técnicos, nas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), além de profissionais e professores das áreas de planejamento e gestão em saúde de todo o Brasil. A especialização é oferecida pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) e coordenada pela pesquisadora Rosana Kuschnir.
Em sua última edição, o curso recebeu 25 mil inscrições online. Rosana diz que a procura mostra a importância da área: “Este curso é fruto de parceria da Ensp/Fiocruz com o Ministério da Saúde. O objetivo é dar suporte à constituição de redes de atenção, estratégia central para o alcance dos objetivos do SUS, buscando garantir atenção integral e de qualidade, além de maior eficiência na produção do cuidado. O foco é em planejamento e gestão, especialmente nas dimensões de diagnóstico e desenho de estratégias de intervenção, organização da atenção e sua gestão, com ênfase na utilização de mecanismos de coordenação".
O curso visa apoiar a política de constituição de redes e de (re)instituição do espaço regional, por meio de formação de concepção sistêmica, propiciando a compreensão do processo de construção das redes em suas diferentes dimensões, e da provisão de base conceitual e instrumental que habilite ao planejamento e gestão de redes de atenção à saúde.
De acordo com a coordenadora, a avaliação dos ex-alunos e a qualidade dos trabalhos de conclusão de curso apresentados têm demonstrado o alcance dos objetivos. "Estamos imensamente orgulhosos de nossos alunos e da nossa equipe de tutores e orientadores de aprendizagem", diz.
Confira o edital e o link de inscrição.
Fonte: Ensp/Fiocruz