A Coordenação Geral de Educação (CGE/VPEIC), no âmbito do Programas de Excelência no Ensino e do Programa Institucional de Internacionalização da Fiocruz, anuncia a reabertura da chamada de apoio à realização de cursos de curta duração com abrangência internacional. A iniciativa visa atrair lideranças e professores internacionais e, assim, contribuir com a inovação dos nossos programas de pós-graduação, intensificando ainda o desenvolvimento da internacionalização e a excelência da educação na Fiocruz. O prazo para envio das propostas é até às 12h do dia 10 de setembro.
A chamada vai selecionar até 12 cursos de curta duração com abrangência internacional no âmbito dos programas de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz para receber o apoio financeiro de até 20 mil reais. Os cursos devem ser realizados entre 13 de outubro de 2025 e 28 de fevereiro de 2026.
O curso deverá ser destinado aos alunos matriculados nos PPGs stricto sensu da Fiocruz e estar registrados na Plataforma Sucupira. A previsão é que o resultado final seja divulgado até 22 de setembro.
O processo de transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS) tem gerado novas oportunidades e desafios para a gestão, o cuidado e a pesquisa em saúde no Brasil. Atenta a essa realidade, a Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, estruturou um programa de formação com foco na Saúde Digital, e lança o novo curso, online e gratuito, Informação para o SUS: Políticas e sistemas. A formação visa qualificar profissionais, técnicos do SUS, preceptores, estudantes da saúde de graduação, pós-graduação e residência, além de profissionais que utilizam informações como subsídio para a produção de análises e conteúdos.
O curso busca promover uma compreensão crítica sobre os sistemas de informação, desenvolvendo a capacidade de análise de dados para subsidiar a gestão e o cuidado em saúde. Ao articular políticas públicas, ferramentas tecnológicas e práticas de análise, o curso contribui para a construção de um sistema mais integrado, resolutivo e orientado por evidências.
A formação tem coordenação acadêmica de Mônica Magalhães e Mel Bonfim, respectivamente, pesquisadora do Laboratório de Informação em Saúde Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e a assessora da coordenação de Relações Institucionais da Presidência. "Considerando que a informação adquire valor à medida que orienta a tomada de decisões, promove um planejamento responsável e a execução de ações mais eficazes, esta formação estimula o desenvolvimento de práticas que contribuam para a melhoria do atendimento ao cidadão, o acompanhamento do paciente, a coordenação dos fluxos de assistência e a eficiência na gestão dos recursos públicos", detalhou Mônica, lembrando ainda que os materiais que compõem o curso permanecerão acessíveis durante todo o período de sua oferta, possibilitando consultas mesmo após a conclusão dos módulos.
A atual formação é uma realização do Campus Virtual Fiocruz com o Icict/Fiocruz e integra o Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS — iniciativa que trabalha em uma gama de ofertas de cursos que possibilitarão a continuidade do aprendizado de maneira complementar, aprofundando temas transversais à temática da informação em saúde. O primeiro curso lançado foi 'Introdução à Saúde Digital', que já soma mais de 10 mil inscritos. Saiba mais aqui!
Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS
O Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS é desenvolvido pela Fundação — sob a coordenação da VPEIC, através do Campus Virtual — e o Ministério da Saúde, por meio do DataSUS/Seidigi/MS, e conta com a participação da Cinco/VPEIC/Fiocruz, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, do Instituto Aggeu Magalhães (Cidacs/IAM/Fiocruz Bahia), a Fiocruz Ceará, o Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), o Icict, e ainda com outras unidades da Fundação e instituições de ensino e pesquisa.
Seu objetivo é qualificar profissionais de saúde para atuar na gestão e análise de dados para o SUS, bem como oferecer a estudantes de graduação e pós-graduação da saúde os temas da informação e ciência de dados, relacionando e aplicando o conhecimento profissional aos princípios da análise de dados e informações em saúde. A iniciativa prevê a elaboração e publicação outros cursos de qualificação profissional sobre a temática, uma especialização e ainda disciplinas transversais para programas de pós-graduação da Fiocruz.
Conheça a estrutura do curso Informação para o SUS: Políticas e sistemas e inscreva-se:
Módulo 1 - Políticas sociais e informação
Módulo 2 - Sistemas de informação de saúde e fonte de dados de interesse à saúde
Módulo 3 - Integração de dados, novas fontes e uso
A mortalidade materna é um enorme desafio de saúde pública no mundo. No Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, os indicadores mostram-se ainda mais desfavoráveis. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), aponta que 9 em cada 10 mortes entre gestantes e puérperas são evitáveis quando medidas eficazes são implementadas, reforçando a necessidade de equipes cada vez mais qualificadas. Nesse contexto, o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Campus Virtual Fiocruz, lança o curso, online e gratuito, Assistência ao parto: ênfase nas distocias e principais causas de morbimortalidade materna. A formação é aberta ao público em geral, mas especialmente voltada a profissionais de saúde que atuam com a temática.
O curso tem carga horária de 60h, dividas em 5 módulos e tem como objetivo sensibilizar e atualizar sobre temas críticos como distocias, hemorragias, infecções e síndromes hipertensivas, visando contribuir para a melhoria da qualidade do cuidado obstétrico e para a proteção da vida de mulheres e recém-nascidos, especialmente em contextos com indicadores de saúde desfavoráveis.
O Brasil tem avançado na redução da morbimortalidade materna, mas os índices permanecem elevados, especialmente em regiões mais vulneráveis e entre mulheres em situação de maior fragilidade social, apesar de muitas causas serem evitáveis com tecnologias já disponíveis, disse a coordenadora acadêmica do curso e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Maria do Carmo Leal, que há décadas estuda a temática e é considera uma das maiores especialistas do país no que se refere à saúde materno infantil. Ela aponta que a formação qualificada de profissionais que atuam na assistência ao parto e assistência à saúde da mulher é considerada uma estratégia essencial, "sendo essa uma das mais importantes para reduzir esses indicadores, contribuindo para seu enfrentamento e salvando vidas de mães e bebês".
Fiocruz Amazônia e a agenda das mulheres
Este curso integra um projeto maior, intitulado 'Formação de Profissionais do SUS em Saúde da Mulher' — desenvolvido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Além do curso aberto e massivo, essa iniciativa envolve formações teórico-práticas voltadas a profissionais em diferentes maternidades, unidades básicas de saúde e de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) no Amazonas e em Roraima sobre urgências e emergências obstétricas, planejamento reprodutivo e prevenção de gravidez não planejada, e aconselhamento pré-natal de qualidade e prevenção da gravidez na adolescência.
Nesta grande iniciativa, o Campus Virtual Fiocruz é o responsável pelo desenvolvimento e acompanhamento da oferta nacional 100% autoinstrucional "Assistência ao parto: ênfase nas distocias e principais causas de morbimortalidade materna" e também pela parte teórica do curso "Urgências e emergências Obstétricas", que é oferecido de forma híbrida em Boa Vista (Roraima) e em Manaus (Amazonas) e, até o momento, já ofereceu duas turmas, uma em julho deste ano, e a segunda com início nesta quinta-feira, 21/8.
A coordenadora do projeto, Michele Rocha de Araújo El Kadri, que é diretora adjunta do ILMD/Fiocruz Amazonia, comentou que as aulas, o desenvolvimento do material e a disponibilização dos conteúdos dentro da plataforma do Campus Virtual Fiocruz têm sido um sucesso entre os profissionais participantes e discentes. "Professores, médicos, obstetras... todos comentam sobre a imensa qualidade do material apresentado", disse ela, apontando que isso faz valer todo os esforço empregados para fazer os cursos acontecerem e, assim, "salvar a vida de mais mulheres e famílias".
Conheça a nova formação e inscreva-se:
Módulo 1 – Evolução da obstetrícia e as etapas de assistência ao parto
Módulo 2 – Tipos de parto: o papel das distocias na morbimortalidade materna
Módulo 3 – Hemorragia obstétrica
Módulo 4 – Infecções no ciclo gravídico-puerperal
Módulo 5 – Síndromes hipertensivas na gestação
O aleitamento materno protege contra infecção, morte, e promove também a saúde materna, sendo considerado uma política imperativa de saúde pública mundial. Alinhados às metas globais de nutrição da Assembleia Mundial da Saúde que visa aumentar a taxa de aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de idade, a Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) da Fiocruz, passa a oferecer seus cursos na plataforma moodle do Campus Virtual Fiocruz. O primeiro deles é uma formação internacional sobre o processamento e o controle da qualidade do leite humano. A princípio, essa formação é fechada a profissionais elencados e lideranças da área. No entanto, sendo agora o CVF um parceiro institucional da estratégia, abrem-se perspectivas futuras para o lançamento de cursos abertos à população em geral sobre a segurança alimentar e nutricional dos recém-nascidos e lactentes.
Ao todo, três turmas vão se iniciar no segundo semestre de agosto, uma voltada aos profissionais que atuam nas agências de Vigilância Sanitária no Brasil e duas para profissionais que trabalham em bancos de leite em cidades da Colômbia. Atualmente, cerca de 150 pessoas estão envolvidas na formação.
Em 2021, o IFF foi designado Centro Colaborador da OMS para o Fortalecimento dos Bancos de Leite Humano, e em março de 2025 foi redesignado ao cargo (2025 – 2029), seguindo com a tarefa de apoiar a Organização Mundial da Saúde na expansão e compartilhamento de conhecimentos, tecnologias, documentos e evidências científicas para que seus Estados Membros possam implementar e gerir os bancos de leite humano como ação estratégica de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, tanto no nível intra-hospitalar como na articulação com a atenção primária. O IFF/Fiocruz, sob a coordenação de seu Banco de Leite Humano, é o único centro colaborador da Opas/OMS para banco de leite humano, tendo cooperação bilateral com todos os países da América Latina, Península Ibérica e Caribe.
Parceria com Campus Virtual Fiocruz potencializa ofertas
Entre os pilares estratégicos do Centro Colaborador está o fortalecimento da capacitação profissional em diferentes níveis de complexidade. Há décadas o IFF/Fiocruz oferece diferentes formações sobre a temática, no entanto, a parceria estabelecida com o Campus Virtual Fiocruz potencializa tais ofertas, ampliando a escala, a capacidade técnica e tecnológica de formação, segundo o coordenador da Rede Global de Bancos de Leite Humano, João Aprígio Guerra de Almeida, e promotor da iniciativa. "A parceria com o Campus Virtual vai além desse curso em particular, ela representa uma oportunidade de inaugurar uma nova fase no ensino a distância da rede de bancos de leite humano, quer seja no Brasil, quer seja com outros países cooperantes", disse ele.
O curso 'Aperfeiçoamento em processamento e controle de qualidade do leite humano', nas versões em português e espanhol (Perfeccionamiento en procesamiento y control de calidad de leche humana: Teoría y práctica en diálogo)', já integram a plataforma Moodle do Campus Virtual Fiocruz. “Temos o dever e a responsabilidade institucional de responder às demandas de países e estruturas governamentais para a qualificação de recursos humanos. No entanto, o desejo para um futuro breve é oferecer uma formação aberta à população em geral, especialmente profissionais de saúde que tenham interesse na temática, para ampliarmos esses conhecimentos, termos uma maior rede profissional qualificada sobre banco de leite humano e conseguirmos, assim, beneficiar um número cada vez maior de crianças. São compromissos éticos e sociais em processos formativos sinérgicos”, disse João entusiasmado.
Neste mês é celebrado o Agosto Dourado, campanha anual realizada no Brasil, cujo objetivo é promover e incentivar o aleitamento materno. A cor dourada é uma referência ao padrão ouro de qualidade do leite materno, considerado o alimento mais completo para os bebês.
A primeira atividade do Fórum Oswaldo Cruz, em celebração aos 125 da Fiocruz, aconteceu na manhã de terça-feira (5/8). O evento marca o início de um movimento coletivo voltado à pesquisa e se propõe a ser um espaço de diálogo e construção participativa para trabalhadores e estudantes das 16 unidades e quatro escritórios da Fundação, distribuídos em 10 estados brasileiros e no Distrito Federal.
Na abertura, ganharam destaque o chamado à defesa da democracia, à promoção da pluralidade e da diversidade, e à valorização da solidariedade na formulação de uma agenda científica. Também foram enfatizados o enfrentamento das desigualdades regionais, as demandas dos estudantes e o reconhecimento das contribuições de todos os trabalhadores — inclusive os que atuam em funções de apoio — como condição essencial para garantir que todas as vozes sejam ouvidas na definição dos rumos da pesquisa na instituição. A proposta está alinhada ao objetivo central do Fórum: construir, de forma colaborativa, um Plano de Desenvolvimento da Pesquisa para a Fiocruz.
A preparação do Fórum — organizado pela Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), em parceria com a Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic), o Centro de Estudos Estratégicos Antonio Ivo de Carvalho (CEE/Fiocruz) e a Fiocruz Brasília — mobilizou diferentes áreas da Fundação. Nas semanas que antecederam o encontro, foram realizadas duas reuniões da Câmara Técnica de Pesquisa da Fiocruz, com a presença de representantes das áreas de pesquisa da instituição. Também houve articulações entre as instâncias organizadoras e encontros com a Coordenação de Comunicação Social (CCS) e a Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência.
Nova agenda científica e de trabalho
"São muitos brasis dentro do Brasil e muitas Fiocruz dentro da própria Fiocruz", disse o presidente da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento da Secretaria-Geral da Presidência da República (CNPD), Richarlls Martins da Silva — que é egresso da Fundação —, lembrando que a defesa e a marca da democracia vão além de um padrão civilizatório, sendo um exercício das possibilidades de construção de qualquer estratégia institucional que defenda a pluralidade, a liberdade de pensamento, a promoção da igualdade racial e de gênero, a diversidade e a solidariedade. Ele apresentou pontos fundamentais de reflexão que, em sua opinião, devem guiar a construção dessa nova agenda de pesquisa e mostrou-se esperançoso com a possibilidade do Fórum potencializar as inúmeras vozes institucionais, apresentando-se, de fato, como uma construção democrática. "Eu adoraria que, ao longo desse processo, nossos auxiliares de serviços gerais, seguranças e outros, para além de nós, doutores e doutoras, também pudessem dizer o que pensam sobre um plano de desenvolvimento de ciência, tecnologia e pesquisa na nossa instituição". Para ele, também é fundamental para a agenda cientifica incluir e investir nas regiões Norte e Nordeste.
Seguindo as apresentações, a representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG), Fernanda Campelo Nogueira Ramos destacou que é uma pós-graduanda mãe e fala por um coletivo. Coletivo tal que, segundo ela, deseja e precisa estar envolvido nesse debate sobre o futuro da pesquisa científica da Fiocruz, pois "os pós-graduandos não apenas aqui se formam, mas especialmente porque formam esta casa com suas produções intelectuais, inquietações e força de trabalho". Colocando a APG à disposição para contribuir nesse processo, Fernanda apontou que o Fórum é um convite à escuta ativa, um lugar para repensar as políticas de ciência e tecnologia a partir de perspectivas mais inclusivas e interseccionais. "Hoje, projetamos a pesquisa da Fiocruz para o futuro. Portanto, que o futuro da pesquisa da Fundação seja também o futuro das mulheres cientistas, das pessoas negras e indígenas na ciência, da população LGBTQIAPN+, das mães pesquisadoras, dos territórios periféricos, das comunidades tradicionais e todos os outros que compõem esta nação".
Ao apresentar o sindicato dos trabalhadores da Fiocruz, o presidente da Asfoc-SN, Paulo Garrido, defendeu que o reconhecimento da Fundação como instituição estratégica de Estado depende do fortalecimento plano de carreiras, da valorização dos trabalhadores e trabalhadoras, da melhoria das condições de trabalho e da promoção da capacitação contínua. Também destacou a importância da luta contra o racismo, o capacitismo e a LGBTfobia no ambiente institucional. “Este fórum nasce em um momento crucial. A ciência precisa caminhar com a saúde e o desenvolvimento industrial para garantir soberania nacional, justiça social e a construção de um novo projeto de desenvolvimento para o país. Estamos prontos para contribuir com essa construção”, assegurou.
Conexões para o futuro da ciência
Disputas geopolíticas, de território, desigualdades sociais, problemas relacionados ao clima e assimetrias regionais são grandes questões contemporâneas que estão postas e precisam ser enfrentadas de maneira transversal. A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic), Marly Cruz, com entusiasmo, apontou que o Fórum está sendo construído com esse espírito, pensando as conexões para o futuro da ciência num processo participativo e colaborativo que busca debater essas questões tão caras e cruciais para o mundo. A ideia, de acordo com ela, é que a Fiocruz seja mais propositiva enquanto instituição estratégica de Estado. "Em uma data tão significativa, anunciamos esse projeto participativo, colaborativo e inclusivo, que lança mão de uma estratégia de integração interna e também de adesão e envolvimento de diferentes segmentos, organizações e o controle social, tendo o diálogo coletivo como base para a construção do plano de desenvolvimento da pesquisa da Fiocruz".
“Estamos resgatando uma proposta histórica, iniciada há mais de uma década, e agora a colocamos em prática com o olhar voltado para os próximos 125 anos da instituição. É uma tarefa que carrego com emoção e responsabilidade”, afirmou Alda Maria da Cruz, vice-presidente da VPPCB. Durante sua fala, Alda registrou reconhecimento aos trabalhos e trajetórias de Maria do Carmo Leal, professora e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, e de Nísia Trindade Lima — primeira mulher a presidir a Fiocruz e a assumir o Ministério da Saúde —, ambas presentes no Fórum. “Nísia é um orgulho para todas nós”, declarou. Ela também ressaltou o legado da Fiocruz na produção científica e reforçou a importância de retomar e aperfeiçoar iniciativas anteriores para projetar o futuro da pesquisa institucional. “A mesa de abertura representa a diversidade esperada para o Plano Nacional de Pesquisa da Fiocruz”, concluiu.
Representantes da Fiocruz presentes no evento.
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, observou que o Fórum representa um processo coletivo e democrático de construção do plano de pesquisa, envolvendo dimensões políticas, estratégicas e operacionais. “Este é o espaço para refletirmos sobre qual ciência está sendo feita, com quem e para quem”, frisou. Para ele, mais do que uma etapa de planejamento, o Fórum é um movimento democrático e estratégico. A sua expectativa é que seja um caminho de construção conjunta, com reflexões críticas sobre o futuro da pesquisa na Fiocruz, considerando os desafios sanitários, a transição demográfica, as mudanças climáticas e a desigualdade no Brasil. Ao relembrar a luta pela democracia, Mario reforçou o papel da instituição no enfrentamento das desigualdades no acesso à saúde, à ciência e à tecnologia.
Desafios da ciência e da Fiocruz
Na palestra principal, intitulada Desafios da ciência no mundo contemporâneo: o papel da pesquisa na Fiocruz, Manuel Heitor, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal e professor do Instituto Superior Técnico, de Lisboa, discutiu as transformações recentes, com ênfase no novo contexto geopolítico marcado pelo protagonismo científico e tecnológico da China e pelas reconfigurações em curso na Europa. Esses movimentos, para ele, têm impactos diretos e indiretos sobre instituições como a Fiocruz.
A pergunta que norteou sua exposição foi: quais as condições para promover o conhecimento e a ciência como fatores críticos para a competitividade e para enfrentar os desafios sociais emergentes globalmente no crescente “complexo de incerteza” que se observa internacionalmente? A partir dela, Manuel analisou um conjunto de desafios interconectados, como as mudanças climáticas, as guerras, as transformações demográficas, o aumento das desigualdades, as pandemias, a erosão da democracia e dos direitos fundamentais, a intensificação da competição estratégica global e o avanço de tecnologias emergentes que colocam novos dilemas éticos, de segurança e de soberania. A isso se somam as mudanças no mercado de trabalho, a proliferação de fake news (notícias falsas) e a negação da ciência.
Manuel também apontou as vulnerabilidades que exigem atenção imediata, como a crescente fragmentação do multilateralismo, a polarização política e social e os desafios sociais que surgiram pós-pandemia. Em sua avaliação, enfrentar esse cenário requer uma agenda científica voltada à prevenção, à prontidão e à preparação das sociedades diante de crises complexas. Também destacou a necessidade de garantir empregos de qualidade para os mais jovens, com reforço da carreira científica como campo de trabalho, além de defender uma abordagem mais ousada da ciência, com processos simplificados, maior disposição para assumir riscos e novos procedimentos de avaliação e financiamento da ciência e inovação.
Dois exemplos foram apresentados como iniciativas estruturantes para uma agenda transformadora: a mudança de paradigma na pesquisa sobre o câncer, com foco na redução efetiva na mortalidade ao longo da próxima década; e o mapeamento holístico da saúde ambiental e da biodiversidade, visando reduzir desigualdades sociais agravadas e mortes pelos efeitos das mudanças climáticas.
Vídeo comemorativo
Um vídeo em comemoração aos 125 anos da Fiocruz foi exibido durante a abertura do evento, relembrando momentos marcantes da história da instituição. A produção destacou desde a criação da Fundação e o papel de Oswaldo Cruz, passando pelas dificuldades no período da ditadura militar, o processo de redemocratização com a atuação de Sergio Arouca, a contribuição da Fiocruz para o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, até os trabalhos mais recentes. O vídeo foi produzido pela VídeoSaúde Distribuidora e pelo Canal Saúde, em parceria com a Coordenação de Comunicação Social da Presidência da Fiocruz.
Assista na íntegra a transmissão do evento:
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por intermédio da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) e a Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), divulga, nesta segunda-feira, 4 de agosto, a Chamada para a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), evento que aborda o desenvolvimento de pesquisas nos campos da ciência, tecnologia e inovação, sempre de forma lúdica e atrativa. O objetivo é estimular a participação das unidades técnico-científicas e escritórios regionais da Fiocruz com a apresentação de projetos oriundos, visando a organização de atividades abertas ao público geral. Nessa edição, que terá diversas atividades a serem realizadas entre os dias 20 a 26 de outubro de 2025, a SNCT traz o tema “Planeta Água: Cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”. O prazo para envio das propostas será de 4 a 18 de agosto de 2025!
+Confira aqui a Chamada e procedimentos para inscrição!
Em consonância com as principais finalidades da SNCT no país, a VPEIC e a VPPCB apoiarão projetos e atividades presenciais que tenham um ou mais dos seguintes objetivos:
Os projetos a serem submetidos devem, obrigatoriamente, ser coordenados por profissionais lotados nas unidades e escritórios localizados fora do Estado do Rio de Janeiro. A proposta deverá ser encaminhada pelo diretor da unidade ou coordenador do escritório e copiada aos responsáveis diretos pela execução dos recursos, em PDF, para o e-mail chamada.regionais.snct@fiocruz.br. Somente uma proposta deverá ser encaminhada por unidade técnico-científica e escritório regional.
Após avaliação da Comissão Avaliadora, as propostas selecionadas poderão receber o auxílio de até R$15 mil.
Desde 2004, a Fiocruz oferece diversas atividades educativas para a comunidade acadêmica e os diferentes públicos da sociedade, trazendo uma rica experiência de participação em feiras de ciência e tecnologia, bate-papos, oficinas, atividades culturais e outras atrações. As atividades ocorrem em diferentes Estados do Brasil, mas são unificadas em uma programação nacional.
+Confira aqui a Chamada e procedimentos para inscrição!
#ParaTodosVerem Banner com fundo rosa, nele está escrito: 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, envio das propostas de 4/8 a 18/8, apoio às unidades técnico- científicas e escritórios regionais da Fiocruz na 22º semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no banner há elementos visuais que remetem a ciência, como microscópio, uma molécula e no canto inferior direito há um homem negro, com cabelos escuros, blusa amarela, jaleco, óculos de proteção e luvas verdes, ele utiliza uma pipeta e um tubo de ensaio, na sua frente há um microscópio.
Profissionais brasileiros e estrangeiros que trabalham na gestão, na assistência e na avaliação da qualidade dos serviços de vigilância em saúde de todo o país, em especial em doenças transmissíveis e nas fronteiras dos estados do Brasil com a América do Sul, têm mais uma oportunidade de ampliar os conhecimentos nesse campo de atuação cada vez mais estratégico para a Saúde Pública nacional e internacional. A Fiocruz abriu as incrições do processo seletivo para a segunda turma do Programa Educacional em Vigilância em Saúde nas Fronteiras, o Programa VigiFronteiras-Brasil, iniciativa da instituição em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério das Saúde (SVSA/MS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
O objetivo é formar mestres e doutores para contribuir com o fortalecimento das ações e serviços de vigilância em saúde nas regiões da faixa de fronteira do Brasil e nos países vizinhos (Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela, e uma Região Ultramarina da França, a Guiana Francesa). Os editais estão disponíveis para download no site Formação VigiSaúde. As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas de 1° de agosto a 19 de setembro no Acesso Fiocruz.
São oferecidas 40 vagas para mestrado acadêmico/profissional e 35 para doutorado acadêmico/profissional. Deste total, 55% estão destinadas para ações afirmativas e 50% são destinadas preferencialmente a profissionais atuantes em regiões de fronteira nos países sul-americanos. Nos editais estão listados todos os requisitos para participar do processo seletivo, os documentos necessários para inscrição, o cronograma e todos os detalhes sobre as três etapas da seleção: prova de inglês, análise curricular/documental e entrevista. Todas serão feitas online, em plataformas digitais.
Ao liderar essa nova iniciativa no campo da vigilância em saúde, a Fiocruz reafirma seu compromisso com a formação de recursos humanos qualificados e com a promoção da equidade em saúde, fortalecendo redes de cooperação entre países da América Latina. “Ao longo do curso, os participantes recebem uma formação multidisciplinar que os capacita a lidar com os desafios complexos da vigilância em saúde em regiões fronteiriças, como em casos de emergências de saúde pública de interesse nacional e internacional, articulando pesquisa, prática e políticas públicas, já que a maioria deve preferencialmente estar atuando nos serviços”, explica Eduarda Cesse, coordenadora geral do Programa e vice-presidente adjunta de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz.
Para a secretária da SVSA/MS, Mariângela Simão, a qualificação profissional impacta diretamente na saúde da população. “Gestores e profissionais de saúde atualizados e preparados, conseguem planejar e executar uma vigilância mais sensível e responder rapidamente a situações de ameaça à saúde. Por isso, investimos na constante preparação dos nossos gestores e profissionais de saúde”, afirma a secretária.
“A Fiocruz, em parceria com a SVSA/MS e Opas, lança a segunda turma do Programa VigiFronteiras-Brasil, com editais abertos para mestrado e doutorado acadêmico/profissional com objetivo e dar continuidade à formação de especialistas capazes de fortalecer ações de vigilância na faixa de fronteira brasileira e nos países vizinhos, priorizando quem atua nesses territórios. Aos serem aprovados no processo seletivo, terão uma oportunidade única de ampliar sua expertise neste campo estratégico para a saúde pública global”, complementou Andréa Sobral, coordenadora acadêmica do Programa e vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Ensp/Fiocruz.
É de exclusiva responsabilidade da pessoa candidata acompanhar a divulgação das inscrições homologadas, o resultado das três etapas do processo seletivo e dos recursos solicitados além de possíveis aditivos e erratas, na mesma página em que se inscreveu (site Acesso Fiocruz). Também é de responsabilidade dos participantes garantirem acesso à internet com boa velocidade e um dispositivo que permita acessar áudio e vídeo, ao mesmo tempo, em tempo real. Para pessoas de países cuja língua oficial não seja o português ou o espanhol, será exigida fluência em pelo menos uma dessas duas línguas como condição para participar do processo seletivo.
As aulas estão previstas para começar em janeiro de 2026. Elas ocorrerão na modalidade híbrida, com encontros presenciais obrigatórios e encontros on-line síncronos (em tempo real). O doutorado tem duração mínima de 24 meses e máxima de 48 meses. Já para o mestrado, o tempo mínimo para conclusão é de 12 meses e máximo de 24 meses.
NOVIDADES - A segunda edição do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz tem algumas novidades. Além de passar a contar com a opção de mestrado e doutorado profissional, o número de locais para oferta das aulas presenciais foi ampliado, passando de três para sete polos. Os alunos que participarem do mestrado da turma dois do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz poderão ter encontros marcados em Porto Velho-RO, além de Manaus-AM, Tabatinga-AM e Campo Grande-MS, polos da primeira turma.
Já os do doutorado, poderão ter aulas em Porto Velho-RO, Recife-PE, Belo Horizonte-MG e Rio de Janeiro-RJ, além de Manaus-AM e Campo Grande-MS. Não haverá oferta de bolsas. Os estudantes brasileiros deverão arcar com os custos com deslocamento para participar das aulas presenciais. Já os estrangeiros receberão uma ajuda de custo com este fim.
Outra mudança que beneficiará os futuros mestrandos e doutorandos é a integração de novos programas de pós-graduação da Fiocruz ao consórcio, com mais linhas de pesquisas relacionadas à vigilância em saúde e docentes envolvidos. O Programa de Pós-Graduação em Saúde Única (PPGSU) da Fiocruz Mato Grosso do Sul, e o Programa de Pós-Graduação em Vigilância e Controle de Vetores (PPGVCV) do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) passaram a integrar o consórcio para oferta do mestrado acadêmico/profissional. O Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública na Amazônia (DASPAM) da Fiocruz Amazônia, o Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública (PPGSP) da Fiocruz Pernambuco e o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Fiocruz Minas Gerais passam a fazer parte do doutorado que também será oferecido na modalidade profissional exclusivamente pelo PPGSP da Fiocruz PE.
Continuam na formação o Programa de Pós-graduação em Epidemiologia em Saúde Pública (PPGEPI), o Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente (PPGSPMA) e o Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública (PPGSP) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz); e o Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) da Fiocruz Amazônia.
No momento da inscrição, os candidatos deverão optar por apenas um dos cursos. Porém, a Comissão de Seleção poderá alocar a pessoa candidata selecionada em programa diferente do indicado inicialmente por ela se considerar que o projeto preliminar de pesquisa pode ser mais bem desenvolvida em outro programa.
AÇÕES AFIRMATIVAS – Cerca de 55% das vagas ofertadas no processo seletivo do Programa VigiFronteiras-Braisil/Fiocruz são destinadas para ações afirmativas, sendo 30% para pessoas negras (pretas ou pardas), 10% para pessoas com deficiência (PcD), 5% para pessoas indígenas, 5% para pessoas quilombolas e 5% para pessoas trans (travestis ou transexuais). As demais vagas (45%) serão para ampla concorrência (AC). Apenas quem optar pelas ações afirmativas, sinalizando essa opção no momento da inscrição, concorrerá às vagas reservadas.
O critério de reserva de vagas será aplicado apenas ao final da seleção, para fins de classificação e preenchimento de vagas. Estas serão ocupadas de acordo com a classificação final geral do conjunto de optantes dessa categoria. Se a vaga reservada para ações afirmativas não for preenchida por algum motivo (a exemplo de inscrição anulada, não atendimento às regras dos editais, reprovação ou demais motivos administrativos ou legais), ela será oferecida a outras pessoas candidatas das ações afirmativas. Só depois de esgotar todas as opções desse grupo, a vaga será aberta para ampla concorrência.
PRIMEIRA TURMA - A primeira turma do mestrado acadêmico do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz foi concluída em 2024 com 32 trabalhos de conclusão sobre temas relacionados à vigilância em saúde nas fronteiras brasileiras com os países sul-americanos apresentados. O doutorado acadêmico está em andamento e a previsão é que os 34 alunos ativos defendam suas teses até o fim do ano. Aproximadamente 90% dos alunos integram o Sistema Único de Saúde.
A expectativa é que o Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz contribua para o fortalecimento, aprimoramento e qualificação dos profissionais e das ações e serviços de vigilância em saúde, a formação e/ou fortalecimento de redes de colaboração para atuar nas respostas às ações de vigilância em saúde e nas emergências de saúde pública de importância nacional e internacional.
Informações e dúvidas sobre os editais e o processo seletivo serão fornecidas apenas por e-mail (selecao.vigifronteiras@fiocruz.br). Outras informações sobre programa no site formacaovigisaude.fiocruz.br e no seu perfil nas mídias sociais @formacaovigisaudefiocruz.
Serviço:
O quê: Seleção pública para a segunda turma do Programa Educacional Vigilância em Saúde nas Fronteiras (VigiFronteiras – Brasil) da Fiocruz
Edital disponível em:
- formacaovigisaude.fiocruz.br > Editais
Inscrições: de 1° de agosto a 19 de setembro, no site Acesso Fiocruz (https://acesso.fiocruz.br)
Para quem: profissionais e gestores brasileiros e estrangeiros que atuem na área de vigilância em saúde, em especial em doenças transmissíveis, nas regiões da faixa de fronteira do Brasil e nos países sul-americanos vizinhos.
Cursos/duração: mestrado acadêmico e profissional (2 anos); doutorado acadêmico e profissional (4 anos)
Modalidade: híbrida, com encontros on-line síncronos (em tempo real), e presenciais obrigatórios nos polos definidos para a oferta
Vagas: 75 vagas, 40 para mestrado acadêmico e profissional e 35 para doutorado acadêmico e profissional
Dúvidas sobre o edital: selecao.vigifronteiras@fiocruz.br
Com a presença da vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz, e de representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS) e do Ministério da Saúde, o 3º Seminário Internacional do Programa Educacional em Vigilância em Saúde nas Fronteiras (VigiFronteiras-Brasil) reuniu especialistas de destaque para debater os desafios e avanços na vigilância em saúde nas regiões de fronteira.
O evento foi realizado na sede da Fiocruz Amazônia, em Manaus (AM), dia 28 de julho, com transmissão ao vivo pelo canal da VideoSaúde no YouTube, e tradução simultânea para espanhol e Libras.
O evento abriu a disciplina Seminários Avançados de Tese IV, última etapa do curso de doutorado, dedicada à apresentação dos resultados das pesquisas desenvolvidas pelos doutorandos como parte de suas teses de conclusão. Conduzida pela coordenadora-geral do programa, Eduarda Cesse - que é tambem vice-presidente adjunta de Educação da Fiocruz -, a mesa de abertura contou ainda com a presença da coordenadora acadêmica do programa, Andréa Sobral; e a diretora do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Stefanie Lopes.
Eduarda Cesse abriu o evento agradecendo a presença de todos e destacou que o desenvolvimento da vigilância em saúde na região de fronteiras depende da cooperação, da construção coletiva e do fortalecimento de redes colaborativas nacionais e internacionais. Andréa Sobral destacou que muitos dos alunos já estão com suas teses em estágio avançado, prestes a serem defendidas, e falou sobre as perspectivas promissoras para os alunos. A diretora do ILMD/Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, anfitriã das atividades, ressaltou a importância do fortalecimento das unidades regionais da Fiocruz. “Ações como esta são muito ricas para as unidades regionais. Formar pessoas que pensem fora da caixa para a vigilância em fronteiras é essencial. Sucesso e vida longa ao programa”. Ela também reforçou a relevância da atuação na região amazônica. “A Amazônia é a maior fronteira do Brasil e precisa de um olhar diferenciado. O VigiFronteiras vislumbra isso. É importante formar e nucleá-los aqui, para que possamos olhar com mais atenção para nossas fronteiras”.
“Nesse cenário em que a gente tem falado muito sobre a internacionalização e sobre a formação em saúde, é importante destacar o fortalecimento da cooperação Sul-Sul”, comentou Marly Cruz, ao fazer uma reflexão sobre o papel do programa no contexto da cooperação internacional. “O VigiFronteiras-Brasil é um exemplo concreto de integração. Podemos destacá-lo como uma iniciativa que já traz muitas lições aprendidas”, ressaltou. Marly também enfatizou o valor das alianças institucionais para a continuidade da iniciativa. “Esse programa não seria possível se não fosse também um trabalho bem estabelecido nessa parceria. Agradecemos a todos os docentes e parceiros que estão sempre conosco, bem como aos programas envolvidos neste consórcio”, comentou.
Palestras sobre vigilância em saúde
A vice-presidente Marly Cruz abriu as palestras do seminário falando sobre “O papel da formação para o monitoramento, avaliação e vigilância em saúde nas fronteiras”, ressaltando os compromissos da Fiocruz na formação de profissionais para atuação em cenários complexos e em territórios estratégicos como a Amazônia. Marly propôs uma reflexão sobre o papel da instituição no campo da formação, indo além da vigilância e saúde para incluir também o monitoramento e a avaliação em uma perspectiva integrada.
Ela abordou, ainda, questões estruturais e sociais que afetam a atuação nas regiões de fronteira, como o avanço das desigualdades sociais, a violência armada e a ameaça crescente da desinformação. “Sobretudo na questão da migração e da educação, nos voltamos para a nossa realidade, considerando que temos enfrentado grandes problemas nas nossas fronteiras, que são bastante complexos devido à mobilidade populacional, à falta de infraestrutura e à ocorrência de doenças transmissíveis”, comentou. Na palestra, ela também destacou a relevância dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) como referência para a atuação estratégica da Fiocruz nas fronteiras, com base em quatro dimensões: social, ambiental, econômica e institucional. Marly chamou atenção para o Objetivo 18, da equidade étnico-racial, fundamental para o desenvolvimento de projetos e ações no âmbito das fronteiras.
Em seguida, foi a vez de Rodrigo Frutuoso, integrante da Coordenação de Emergências, Evidência e Inteligência em Saúde da Opas/OMS, ministrar a palestra “A importância da cooperação internacional na vigilância em saúde e no fortalecimento da segurança sanitária nas fronteiras”. Ao abordar o tema, ele ressaltou que vivemos em um mundo interconectado, onde doenças infecciosas não respeitam fronteiras geográficas ou políticas. Por isso, as regiões de fronteira, marcadas por intenso intercâmbio social, econômico e cultural, tornam-se também zonas de circulação de riscos sanitários.
Como exemplo, Frutuoso destacou o fortalecimento da rede de Vigilância Genômica das Américas, lançada em 2021, para ampliar a capacidade de sequenciamento genético frente a doenças infecciosas emergentes. “Algo que a pandemia nos ensinou é que ninguém está seguro até que todos estejamos seguros”, reforçou Frutuoso, defendendo que a cooperação internacional se tornou indispensável. Ao final da apresentação, ele reforçou o compromisso da Opas/OMS com o programa. “A cooperação não é um gesto de caridade, ela é uma estratégia inteligente de sobrevivência coletiva em tempos de risco compartilhado. A cooperação internacional não é um favor entre os países, é um pacto ético pelo bem comum”. Ele concluiu reconhecendo o VigiFronteiras como um verdadeiro laboratório de inovação em saúde pública, e um investimento que deve ser valorizado, ampliado e replicado.
A terceira palestra teve como tema “Nova estratégia de inteligência epidêmica para fortalecer o alerta precoce para emergências de saúde 2024–2029”, e foi conduzida pela chefe da Unidade de Informação em Emergências em Saúde e Avaliação de Risco da Opas/OMS, Maria Almiron, parceira do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz, desde a época da sua concepção. Ela destacou a importância de oferecer formação acessível como o VigiFronteiras, aos profissionais que atuam diretamente nas regiões de fronteira e que, muitas vezes, não têm tempo ou oportunidade de realizar mestrado ou doutorado.
Segundo Almiron, o objetivo é qualificar esses profissionais para que possam desenhar estudos, atuar em cooperação internacional e beneficiar diretamente as populações atendidas. “Essa iniciativa liderada pelo Brasil é única nas Américas”, destacou. Na apresentação, ela relembrou uma das principais lições da pandemia: “a informação, por si só, é insuficiente se não for transformada em inteligência útil para a ação”. Destacou que, para isso, é essencial a capacidade de coletar dados de diferentes fontes, triangular e interpretar essas informações, além de promover o compartilhamento efetivo entre setores.
Almiron também chamou atenção para a urgência de capacitação contínua em todos os componentes da inteligência epidêmica, incluindo comunicação e compartilhamento das informações geradas. Ressaltou ainda a importância de garantir recursos financeiros para a implementação dessa estratégia, tanto em nível nacional quanto regional.
Vivian Gonçalves, coordenadora-geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços do Ministério da Saúde, representou Guilherme Werneck, diretor do Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente, da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde (Daevs/SVSA/MS) no evento. Em sua apresentação, que encerrou o seminário, ela abordou os “Desafios e reflexões sobre a implementação da Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS)”, traçando um breve histórico da PNVS, e apresentou um vídeo da primeira Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, destacando o caráter participativo da política, que não nasce de uma iniciativa governamental, mas sim de uma deliberação do Conselho Nacional de Saúde.
A coordenadora-geral reforçou que a PNVS busca integrar diferentes áreas da vigilância, como ambiental, sanitária, epidemiológica e saúde do trabalhador, superando a lógica da fragmentação. Defendeu a articulação entre essas frentes como essencial para a efetividade das ações em saúde pública e chamou atenção para a necessidade de incorporar estratégias que possam permitir avançar sobre os desafios da implementação. “Para isso, precisamos de estudos, pesquisas e ações que qualifiquem a produção de conhecimento”, afirmou. Ao encerrar a palestra, enfatizou o papel dos trabalhadores e militantes do SUS como agentes ativos na consolidação das estruturas organizacionais: “O sucesso da Política Nacional de Vigilância em Saúde está atrelado ao fortalecimento do SUS.”
As palestras completas do seminário podem ser conferidas, na íntegra, no canal da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz:
#ParaTodosVerem Colagem com seis fotos de mulheres, na primeira foto estão quatro mulheres com roupas estampadas posando para a foto, três mulheres brancas e uma negra, nas outras três fotos, a vice-presidente de Educação, Informação e Comnunicação da Fiocruz, Marly Cruz, uma mulher negra, com cabelos curtos escuros, óculos, blusa estampada e calça escura segura um microfone e aponta para uma tela no projetor, em outra foto estão as quatro mulheres da primeira imagem sentadas, de frente para uma mesa com garrafas de água e na última foto há pessoas sentadas assistindo a palestra de Marly Cruz, no canto direito inferior da imagem está escrito: Vigilância em saúde nas fronteiras: Integrando formação, cooperação e dados para enfrentar desafios em políticas públicas.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou Edição Especial COP30 do Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica durante a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que aconteceu em julho na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
“É um prêmio que se localiza dentro da nossa agenda para a COP, esse evento tão importante que vai acontecer em Belém do Pará este ano e que também põe o Brasil no destaque na defesa do clima, da biodiversidade, do meio ambiente, em defesa da vida”, comenta a Diretora de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação do CNPq, Dalila Andrade, referindo-se à 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, marcada para novembro próximo.
A edição especial do Prêmio José Reis será na categoria Mídias Digitais e contemplará dois produtores de conteúdo digital de divulgação e popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação ao grande público. Os trabalhos apresentados devem ser relacionados ao tema “Caminhos Científicos nas Mudanças Climáticas” e mostrar soluções criativas que utilizem meios digitais para promover a conscientização sobre a mudança do clima e seus impactos.
A iniciativa da edição especial do Prêmio José Reis relacionada às mudanças climáticas partiu do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que decidiu aproveitar a oportunidade da COP30 para fazer uma exposição mais positiva de o que a ciência brasileira está fazendo. “Nós pensamos em uma diferente estrutura de programação, envolvendo diferentes atores científicos no Brasil. É nesse sentido que entra o Prêmio, que nós consideramos que deveríamos proporcionar, para que os jovens cientistas se engajassem nessa tarefa de divulgação da ciência, mas com o foco das mudanças climáticas”, diz o secretário adjunto de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe) do MCTI, Osvaldo Moraes.
Segundo Moraes, quem trabalha com ciência sabe que existe uma grande lacuna de diálogo entre quem produz a ciência e quem usa a ciência para tomada de decisão. “Nós precisamos, de alguma maneira, fazer um esforço para transpor essa barreira, precisamos construir uma ponte entre a ciência e tomadores de decisão e nada mais útil do que nos envolvermos os jovens pesquisadores nessa tarefa. Foi com esse sentido que procuramos o CNPq e propusemos que esse prêmio deste ano fosse dedicado ao tema da COP”, lembra.
Inscrições
As inscrições são de caráter individual e se encontram abertas até as 18 horas do dia 29 de agosto de 2025, horário de Brasília. Conforme o edital, as iniciativas de difusão devem estar vinculadas de modo formal à geração de conhecimento nacional e de evidências científicas robustas. A divulgação do resultado está prevista para o final de outubro deste ano.
Diferente da premiação anual, que só tem um premiado, esta edição especial terá dois agraciados e pode premiar também um concorrente com Menção Honrosa. Os escolhidos em primeiro e segundo lugar receberão como premiação, respectivamente, R$ 20 mil e R$ 10 mil, além de certificados e passagens aéreas e diárias para permitir que participem da cerimônia de entrega do Prêmio, que deve ocorrer em Brasília, durante a realização do Seminário Comemorativo dos 45 Anos do Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, em data a ser definida. O agraciado com Menção Honrosa receberá comente certificado.
As candidaturas apresentadas serão julgadas por Comissão Julgadora designada pela Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Diretoria de Cooperação Institucional, Internacional e Inovação (DCOI) do CNPq. Os critérios de julgamento incluem relevância do conteúdo digital para a divulgação e popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação e sua aderência ao tema do prêmio; efetividade na transmissão do conteúdo digital com clareza, objetividade e rigor científico; originalidade, inovação e criatividade na produção de conteúdo digital; além de estratégia de engajamento e mobilização do público por meio de mídia digital.
#ParaTodosVerem Banner com fundo branco e traços vermelhos, nele está escrito: Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, edição especial para a COP30 Brasil Amazônia, Belém 2025, categoria mídias digitais, tema Caminhos Científicos nas Mudanças Climáticas, iniciativas digitais criativas, fortalecendo a divulgação científica sobre as mudanças climáticas, inscrições até 29 de agosto, no canto inferior direito, ao fundo da imagem, uma folha tocando a água.
É hoje a aula aberta 'Racismo estrutural/institucional nos serviços de saúde', do mestrado profissional em Saúde da Família (Profsaúde/MPSF), às 18h30, no canal do ProfSaúde no Youtube. O programa é uma estratégia de formação que visa atender à expansão da graduação e pós-graduação no país, bem como à educação permanente de profissionais de saúde com base na consolidação de conhecimentos relacionados à Atenção Primária em Saúde, à Gestão em Saúde e à Educação. O Campus Virtual Fiocruz é parceiro nessa empreitada de formação brasileira, sendo o responsável por criar o modelo personalizado do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) no qual os estudantes realizaram as atividades de maneira remota, além de disponibilizar diferentes tipos de recursos educacionais abertos (REA) e cooperar com a implementação e configuração do sistema educacional Moodle em diferentes instituições (IES) que oferecem o Profsaúde.
Atualmente, o Campus Virtual gerencia a oferta - pelo terceiro semestre consecutivo - feita pela Fiocruz-RJ, e também para a Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de prestar suporte geral para matrícula, liberação de acesso de docentes, geração de relatórios, entre outros.
O Profsaúde é um programa de pós-graduação oferecido por uma rede nacional constituída de 46 instituições públicas de ensino superior (IES) lideradas pela Fiocruz, sob coordenação nacional de Carla Pacheco e Cristina Guilam como sua adjunta.
A aula desta terça-feira, que inaugura o terceiro semestre dessa oferta acontece no âmbito da disciplina Saúde da Família nos Territórios.
Palestrantes:
Doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), Referência em Políticas Públicas de Saúde para População Negra e Mulheres.
Coordenadora Acadêmica Nacional do ProfSaúde.
Acompanhe ao vivo no canal do Pofsaúde no youtube:
#ParaTodosVerem Banner com fundo cinza, nele está escrito: Aula inaugural da disciplina, saúde da família nos territórios, racismo estrutural/institucional nos serviços de saúde, do lado esquerdo há uma foto de Maria Inês Barbosa, uma mulher negra, possui cabelos escuros com linhas brancas que estão presos, está de óculos, brincos compridos e blusa amarela estampada, ela é referência em Políticas Públicas de Saúde para População Negra e Mulheres e doutora em saúde pública pela USP, no canto direito do banner uma foto de Carla Pacheco Teixeira, coordenadora acadêmica Nacional do ProfSaúde, uma mulher negra com cabelos escuros compridos, sorri para a foto. O evento será no dia 5 de agosto de 2025, às 18h30, e será transmitido pelo youtube.