Há 110 anos, a ciência brasileira inaugurava um capítulo importante de sua história. Em 22 de abril de 1909, Oswaldo Cruz anunciava à Academia Nacional de Medicina a descoberta de uma nova doença: a doença de Chagas, à época chamada de tripanossomíase americana. O feito teve como protagonista Carlos Chagas, pesquisador do então Instituto de Manguinhos. Antes mesmo de completar 30 anos, ele foi capaz de desvendar o ciclo completo do agravo: descobriu o parasito Trypanosoma cruzi, identificou o inseto hospedeiro – o barbeiro, e diagnosticou a doença em uma paciente de Minas Gerais. Hoje, apesar de conhecida, a doença de Chagas permanece negligenciada. O desenvolvimento de novas drogas para o tratamento da doença, o controle do parasito e o aumento da qualidade de vida dos pacientes ainda são desafios pontuais.
Para discutir a amplitude do assunto que envolve pesquisadores, autoridades de saúde, gestores, pacientes e familiares, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realiza a sétima edição do Ciclo Carlos Chagas de Palestras. A edição especial, que contará com atividades mensais associadas ao Centro de Estudos do IOC, terá início no dia 12 de abril e término em 12 de julho. O evento será realizado no auditório Emmanuel Dias, do Pavilhão Arthur Neiva, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Estudantes, pós-doutorandos, pesquisadores e profissionais da área interessados em participar do primeiro encontro podem se inscrever até 12/04. O prazo para submissão de trabalhos, que abrangem todas as áreas de pesquisa da doença de Chagas, vai até o dia 15/03. Os quatro melhores estudos serão selecionados para apresentações orais durante as atividades. Inscreva-se aqui pelo Campus Virtual Fiocruz.
Participam da organização as pesquisadoras Joseli Lannes, do Laboratório de Biologia das Interações do IOC, e Marli Lima, do Laboratório de Ecoepidemiologia da Doença de Chagas do IOC. De acordo com a pesquisadora Joseli Lannes, o Ciclo chama a atenção para os avanços e desafios na busca de soluções para os problemas relacionados ao agravo. “No ano especial, em que lembramos os 110 anos da publicação da descoberta da doença de Chagas, vamos discutir questões ainda marcantes de uma doença negligenciada. Entre os destaques, estão a importância do diagnóstico na fase aguda, o tratamento adequado na fase crônica e o reforço na atenção total ao paciente, que envolve a garantia de direitos e do cuidado da saúde do corpo e da mente”, ressaltou Lannes.
O primeiro dia de atividades contará com as palestras ‘Projeto Selênio - avanços científicos e retorno ao portador da doença de Chagas’, ministrada pela pesquisadora Tania Araújo-Jorge, do Laboratório de Inovações em Terapias, Ensino e Bioprodutos do IOC, e ‘Impactos do Programa de Exercícios Físicos na capacidade cardiopulmonar do portador da doença de Chagas’, apresentada pela pesquisadora Fernanda Sardinha, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). A programação também inclui a apresentação de um dos melhores trabalhos submetidos e a participação de membros da Associação de Portadores da doença de Chagas do Rio de Janeiro. As demais edições serão divulgadas ao longo do ano.
Aconteceu o lançamento do Guia Prático de Direitos para Profissionais de Saúde e Famílias de Crianças com a Síndrome Congênita do Zika Vírus no Rio de Janeiro, no dia 19/12, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). O guia, fruto do Projeto de Pesquisa Caminhos do Enfrentamento às Implicações Sociais do Zika Vírus, coordenado por Alessandra Gomes Mendes, assistente social do IFF, é um instrumento prático que visa orientar o acesso a direitos e o fluxo das famílias na rede intersetorial. Ao realizar a recepção do evento, Daniel Campos, assistente de pesquisa que participa do projeto, explicou que o encontro teve o objetivo de promover um espaço de construção do diálogo com a rede intersetorial e pensar a construção de ações efetivas para essas famílias.
Em sua fala, a coordenadora do projeto e responsável pelo guia sinalizou que o produto é um instrumento para divulgação, problematização dos direitos e acesso às políticas intersetoriais, mas que ele não substitui o trabalho dos profissionais da rede. Pelo contrário, seu papel é, justamente, fazer com que as famílias consigam chegar até esses profissionais. Alessandra avaliou que o guia só faz sentido se conseguir dar materialidade aos direitos que estão nele descritos, e o evento era uma forma de promovê-los. “O diagnóstico da síndrome congênita do vírus zika impõe uma nova realidade para as famílias, que são obrigadas a ingressar numa luta diária por acesso a direitos, peregrinando cotidianamente por serviços e instituições em busca de atendimentos. São famílias que, diferentemente dos profissionais e pesquisadores, não escolheram lidar com essa realidade. Portanto, cada família que ingressa nessa rede precisa ser muito bem acolhida, e o guia pretende oferecer um mapa sobre como a rede funciona. Num momento difícil como o do diagnóstico, é uma responsabilidade dos profissionais oferecerem o acesso a essas informações, e não do Google”, ressaltou ela.
Os fotógrafos Georges de Paula Racz e Leandro Pimentel mencionaram a alegria em participar da elaboração do Guia. “Foi uma honra participar desse projeto tão bacana, buscamos uma abordagem com simplicidade, mas sem faltar nada do que a nobreza do tema pedia”, disse Georges. “Fiquei muito emocionado com a força das mães. O resultado me surpreendeu e as imagens dão vida ao guia”, completou Leandro.
Vanessa Godoy, mãe do Dimitri, paciente do ambulatório de zika IFF/Fiocruz, realizou a maquiagem das mães que participaram da sessão de fotos do guia. “Como mãe de criança especial, a gente passa a viver a vida do filho. Então, eu encontrei na maquiagem uma terapia, uma forma de me distrair, de resgatar minha autoestima e ganhar uma renda extra”, contou ela. Raquel Valente dos Santos, avó do paciente Anderson Taylor, adorou a experiência. “Para mim foi maravilhoso, foi um momento muito agradável e são recordações que ficam marcadas. É muito gratificante quando a gente encontra pessoas para nos ajudar e nos dar um conforto”, disse ela. Já Tatiana de Souza Madeira, mãe da paciente Sara Vitória, emocionou-se ao contar a história da filha. “Quando ela nasceu, ela foi rejeitada pela família, eu a adotei e aqui no IFF/Fiocruz todos me acolheram e me ajudaram muito porque tudo para mim era novo. Adotar uma criança especial é um aprendizado diário, pois tudo mudou na minha vida. Participar do guia foi um momento muito especial e eu agradeço a toda equipe pelo belo trabalho e pela oportunidade de participar”, finalizou ela.
Representando a Associação Lotus, Amanda Mota iniciou a mesa de abertura de diálogos pontuando que a informação sobre a temática precisa ser transmitida, a união precisa acontecer e a luta precisa ser de todos. “A mensagem que eu deixo para as mães e cuidadores é que falem, lutem e questionem. A gente precisa se unir, não só as vítimas da Zika, mas toda a sociedade, para lutar pelos direitos de um todo”, esclareceu ela. O coordenador da Rede Zika e Ciências Sociais, Gustavo Matta, sugeriu a produção de uma agenda para o compartilhamento de experiências e ações, as vitórias conquistadas e as resistências enfrentadas. “Esse é um momento em que precisamos nos unir, ser mais organizados e criar mais sinergia entre os diversos projetos que estão em curso, no sentido de oportunizar a ação política”, alegou ele.
Com a palavra, a coordenadora de Pesquisa do IFF/Fiocruz, Maria Elisabeth Lopes Moreira, frisou que as mãos principais na produção do conhecimento são das mães e cuidadores que vivem o dia a dia com as crianças. “Quando tiverem uma dúvida, perguntem, pois essa dúvida pode virar uma dúvida de pesquisa e a pesquisa retornar para a sociedade como uma produção de conhecimento que possa facilitar a saúde de todos”, explicou ela. Representando a coordenação do Serviço Social, a assistente social do Instituto Mariana Setúbal avaliou que, apesar de toda a adversidade, o encontro era um dia de celebração. “Cada vez mais o IFF/Fiocruz consolida a conversa qualificada com a rede, damos lugar e voz para os usuários através das estratégias de capacitação, publicação de editais e conteúdos do Portal de Boas Práticas”, enfatizou ela.
A seguir, a coordenadora de Ensino do Instituto, Martha Moreira, afirmou que o direito à saúde deve estar na pauta de todos e valorizou a participação das mães e cuidadores na elaboração do Guia. “De uma forma muito potente, preciosa e valorizada por nós, a gente deseja que vocês continuem sendo nossos parceiros na construção do conhecimento”, destacou. Finalizando a mesa-redonda, o diretor do IFF/Fiocruz, Fábio Russomano, frisou que o Guia é interessante porque ele transcende a saúde. “A gente tem um compromisso de retorno de informações que sejam úteis para melhorar a vida dessas famílias e esse trabalho é um exemplo concreto disso. Ninguém é dono do saber, todos aprendemos juntos, então gostaria de agradecer as famílias pela confiança que depositaram nesta instituição”, concluiu ele.
Estiveram presentes ao evento representantes da Cruz Vermelha, Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu, Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Assistência Social de Duque de Caxias, Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Secretaria Municipal de Assistência Social de Nova Iguaçu, Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e Coordenação de Saúde Escolar do Município do Rio de Janeiro.
Ao final do evento, Alessandra avaliou que o lançamento do guia superou os objetivos propostos, que eram: promover um retorno para as famílias e sociedade em geral, acerca do trabalho desenvolvido; promover um espaço público de fala e reconhecimento para as mulheres (mães) que protagonizam o cuidado cotidiano das crianças e a luta diária por direitos; fortalecer os laços já existentes com a rede intersetorial, promover a distribuição do guia e capilarizar a discussão sobre o acesso a direitos.
Deseja ter acesso ao Guia Prático? A versão digital está disponível no Repositório Institucional da Fiocruz (Arca). Para mais informações, entre em contato com Alessandra G. Mendes, no telefone 2554-1864 ou pelo email: alessandra.mendes@iff.fiocruz.br.
Já estão abertas as matrículas para o curso online Esquistossomose: manejo clínico e epidemiológico na Atenção Básica, oferecido pela Fiocruz Pernambuco (Instituto Aggeu Magalhães – IAM), em parceria com a UNA-SUS e o Ministério da Saúde.
Profissionais de saúde e demais interessados no tema podem se matricular até 1 de abril de 2019, pelo link. O início do curso é imediato e, como em todas as ofertas da UNA-SUS, a capacitação é totalmente gratuita.
Com carga horária de 45 horas, o objetivo é otimizar o manejo clínico e epidemiológico da doença, qualificando os profissionais que trabalham nas unidades de saúde da família. “Assim, o paciente poderá ser captado pela Atenção Básica, tratado e encaminhado para serviços de referência quando necessário, até o restabelecimento de sua saúde, evitando o agravamento das formas clínicas e a evolução para estágios crônicos e graves da esquistossomose”, explica a coordenadora acadêmica do curso, Drª Elainne Gomes, pesquisadora e vice-coordenadora do Laboratório e Serviço de Referência em Esquistossomose (IAM/Fiocruz/MS).
A esquistossomose mansônica é uma das doenças parasitárias mais graves no Brasil, ficando atrás apenas da malária pois, se não tratada, pode evoluir para formas graves e pode levar à óbito. Ela representa um importante problema de Saúde Pública no Brasil, acometendo milhares de pessoas, principalmente as mais pobres. Estudos demonstram que a doença apresenta um número elevado de casos da forma grave, o que mantém elevados os indicadores de mortalidade. O agravamento da doença se dá em muitos casos pelas falhas no acolhimento dos serviços de saúde, sendo a estratégia de saúde da família um dos pontos basilares nesse processo.
O curso possui seis unidades, sendo a primeira uma introdução sobre educação a distância e o funcionamento do curso. As demais tratam dos aspectos epidemiológicos e ciclo de transmissão, manifestações clínicas da esquistossomose, diagnóstico e terapêutica da doença, diagnóstico e manejo as formas ectópicas e o papel da unidade de saúde da família na vigilância em saúde.
Para dinamizar o estudo, a capacitação conta com casos clínicos baseados em estórias reais, apresentados no formato de história em quadrinhos, livro especialmente elaborado para abordar os conteúdos do curso, indicação de artigos científicos e sites e manuais do Ministério da Saúde. Também são expostos infográficos que detalham o ciclo da esquistossomose e vídeos com os maiores especialistas no Brasil abordando aspectos específicos da doença.
Para Gomes, por meio do sistema hierárquico e descentralizado do SUS, esses profissionais poderão atuar de forma sistemática e padronizada, proporcionando um atendimento qualificado às mais diversas populações, principalmente àquelas mais vulneráveis e que residentes em áreas remotas e de difícil acesso. “Além disso, espera-se que tais profissionais estejam aptos para trabalhar nos mais diversos cenários de disseminação da doença, ou seja, atendendo a populações em áreas endêmicas, visando sempre ao diagnóstico e tratamento precoce, à prevenção de complicações, à promoção a saúde e por fim ao controle da enfermidade”.
Fonte: SE/UNA-SUS, com informações do IAM/Fiocruz
Como aspectos sociais influenciam a saúde populacional? Essa pergunta central moverá a Oficina Determinantes Sociais do Processo Saúde-Doença-Cuidado, que será oferecida nos dias 7 e 8 de outubro, no período do pré-congresso do X Congresso Brasileiro de Epidemiologia. As inscrições para participação encerram no próximo dia 31/7.
A atividade será coordenada pelos professores Eduardo Faerstein (IMS/Uerj), Fernando Augusto Proietti (CPqRR/Fiocruz e Faseh/MG) e Aluísio D. Barros (UFPel) e tem como objetivo promover intercâmbio acadêmico entre doutorandos ou recém-doutores em Epidemiologia envolvidos com a análise de dados quantitativos sobre o tema.
Por ser uma oficina direcionada, a participação está condicionada à seleção. Os interessados devem, além de estarem regularmente inscritos no Congresso, enviar uma proposta de participação por e-mail. A carta deverá ter no máximo duas laudas (fonte 12, espaço 1,5) e conter resumo expandido da tese (concluída ou em andamento), link do Currículo Lattes atualizado e proposição de um desafio teórico ou metodológico para debate, dentro do escopo temático da oficina. As propostas serão recebidas até 31 de julho para avaliação dos docentes responsáveis. São 15 vagas disponíveis e a divulgação final é de responsabilidade dos organizadores da oficina.
Para envio das propostas e eventuais dúvidas, entre em contato: efaerstein@gmail.com. Ainda há vagas para outros cursos e oficinas. Confira a lista completa aqui.
Capacitar profissionais de nível superior com informações atualizadas sobre aspectos clínicos, epidemiológicos, laboratoriais e medidas de prevenção das Leishmanioses foi o objetivo do Curso de Atualização em Manejo e Controle das Leishmanioses do INI, que chegou em sua 15ª edição em 2017. Os quase 40 alunos matriculados, de dez estados brasileiros, tiveram uma intensa semana de aulas (5 a 9 de junho) e puderam aprender mais sobre essa grave doença negligenciada para reproduzir o conhecimento adquirido em seus ambientes de trabalho.
A coordenadora do curso, Aline Fagundes da Silva, lembrou que o curso foi criado em 2002 e ministrado anualmente. “Tivemos, ao todo, 15 turmas. Em 2015 não pudemos oferecer essa atualização por conta de uma greve na Fiocruz. Nesta edição de 2017, contamos com alunos do Pará, Amazonas, Amapá, Tocantins, São Paulo, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Rio de Janeiro, com quase 40 alunos matriculados e nossa expectativa é que eles se tornem multiplicadores de conhecimento em suas regiões”.
“O curso é um sucesso e começou voltado médicos e enfermeiros da rede de saúde e depois expandimos para outros profissionais, mas sempre direcionado para a atuação no manejo e controle de leishmanioses, principalmente para aqueles que trabalham na rede pública, hospitais, postos de saúde e laboratórios centrais de Saúde Pública (Lacens). A medida que o interesse aumentou, muito por conta da qualidade das aulas oferecidas aqui no INI, abrimos para alunos de pós-graduação. Então, a procura pelo curso passou a ser grande e nessa trajetória contamos com alunos de outras unidades da Fiocruz e de diversas instituições de pesquisa e ensino do país. Inclusive, já recebemos um aluno da Argentina”, destacou Aline.
Essa procura ocorre porque o tema é de extrema importância para a saúde pública brasileira. As leishmanioses são um conjunto de doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania e da família Trypanosomatidae. Essas enfermidades se dividem em leishmaniose tegumentar americana, que ataca a pele e as mucosas, e leishmaniose visceral, que afeta órgãos internos. “É uma doença presente em praticamente todos os estados da federação e, embora não tenha um número de casos comparável às arboviroses, por exemplo, ela tem uma gravidade importante. Os estudos e capacitações em leishmanioses humanas e animais no INI são realizados pelo Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses (LaPClinVigiLeish), chefiado pelo pesquisador Armando Schubach”, concluiu Aline.
Alunas destacam qualidade do curso
Regina Silvia Chaves de Lima, médica de Votuporanga, município brasileiro situado na região noroeste do estado de São Paulo, informou que veio fazer o curso no INI por conta do aparecimento da leishmaniose tegumentar na região. “Desde 2010 nós tivemos casos de leishmaniose visceral, inclusive com dois óbitos em idosos e isso me assustou muito. O que chamou minha atenção esse ano foi que apareceram dois casos de leishmaniose tegumentar e me fez ver que precisava me aprofundar no tema, esclarecer dúvidas e aperfeiçoar meu conhecimento acerca da doença”. Regina, que trabalha na Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, é uma das profissionais que responde pelo programa de Leishmaniose na região noroeste e recebeu o edital do curso através de e-mail. “Achei o conteúdo muito interessante, importante e que combinava com o que eu estava precisando para continuar meu trabalho. Consegui conciliar minha agenda de trabalho com essa semana de atividades e valeu muito a pena. Foram tantas informações que a impressão que dá é que é que nem sei por onde começar. Só a certeza de que há muito trabalho a ser feito quando voltar para minha cidade”, disse.
Já Nayma da Silva Picaneo, veterinária do Laboratório Central de Saúde Pública do Amapá e também veterinária de zoonoses do município de Macapá, buscou a capacitação por conta de uma novidade, nem um pouco positiva, na sua cidade. “Faz um mês que liberamos o primeiro resultado de leishmaniose em um cão autóctone (natural da região ou do território em que habita). Então casou tudo. O convite chegou para nosso Lacen e eu aproveitei esse diagnóstico para vir ao INI. O curso supriu todas as minhas dúvidas, que eram inúmeras, porque eu tenho uma situação nova que é esse diagnóstico canino. Como não contei com apoio no meu município, busquei ajuda do Ministério da Saúde e foi através dele que consegui encaminhar minhas amostras para identificação do parasita aqui no Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses do INI”.
A veterinária revelou que iniciou um inquérito epidemiológico nos animais da região de onde esse cão reagente se encontrava e, por conta disso, viu a necessidade de fazer o curso para melhor se capacitar. “A parte teórica foi excelente e em outra oportunidade pretendo voltar para fazer a parte laboratorial executada aqui no Instituto e reproduzir o que aprendi aqui em uma área que está com carência nessa temática”, encerrou.
Aula sobre tratamento das Leishmanioses tegumentares encerra curso
Na tarde do dia 9 de junho, o médico dermatologista e pesquisador do INI, Marcelo Rosandiski Lyra, ministrou a aula Atualização no tratamento das Leishmanioses tegumentares, encerrando assim a edição 2017 do Curso de Atualização em Manejo e Controle das Leishmanioses para profissionais de nível superior. De imediato, destacou que as Leishmanioses trazem graves repercussões sociais e possuem baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos por conta de serem negligenciadas, e que as drogas injetáveis existentes para tratamento podem resultar em diversos eventos adversos, colocando em risco a vida dos pacientes, caso sejam mal ministradas.
Entre algumas das pesquisas apresentadas por Marcelo estavam as experiências bem-sucedidas de três décadas realizadas no INI com a doença, através de esquemas alternativos de baixa dose da medicação antimoniato de meglumina, que acabou se comprovando um método eficaz e seguro. O Ensaio clínico fase III para leishmaniose tegumentar americana forma cutânea - Equivalência entre o esquema padrão e alternativo com antimoniato de meglumina, conduzido pelo próprio médico, em parceria com Mauricio Saheki, foi um dos focos da aula.
O trabalho avaliou 72 pacientes, sendo que metade recebeu 20mg da medicação por dia, por 20 dias, e a outra parte a dosagem de 5mg por 30 dias. O tratamento em baixa dose foi eficaz em quase 80% dos casos, contra os cerca de 94% daqueles que receberam alta dosagem de antimoniato de meglumina. Entre as conclusões apresentadas por Marcelo, destaca-se o fato de que os esquemas alternativos de baixa dose da medicação se mostraram eficazes e menos tóxicos no tratamento da leishmaniose naqueles pacientes com contraindicações ao uso da terapia sistêmica e em pacientes idosos. Conheça mais sobre o trabalho do INI com Leishmanioses aqui.
Esses resultados foram suficientes para que o Ministério da Saúde reconhecesse o tratamento como uma alternativa viável ao já preconizado, e está adotando essa nova prática em todo o país com a publicação, agora em 2017, do novo Manual de Leishmaniose Tegumentar Americana.
Fonte: Antonio Fuchs (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas)
Lucas Rocha (IOC/Fiocruz)*
A vigilância e o controle de doenças transmitidas por vetores, como dengue, malária e leishmaniose, ganharão reforço com uma nova iniciativa do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) acaba de aprovar o curso de Mestrado Profissional Stricto sensu em Controle e Vigilância de Vetores de Doenças. O objetivo dessa capacitação é contribuir para ampliar o leque de conhecimento de gestores e profissionais de saúde que atuam no controle e vigilância de insetos, moluscos e carrapatos. O curso é voltado para graduados em veterinária, biologia, biomedicina e áreas afins. O início das atividades da primeira turma está previsto para o segundo semestre de 2017.
O diretor do IOC/Fiocruz diz que a estruturação do curso atende a uma necessidade nacional de formação de profissionais especializados na área de vetores, conforme uma demanda da Presidência. O objetivo é preencher lacunas na formação de profissionais que atuam na área da entomologia e malacologia médica, como explica o coordenador adjunto de Pós-graduação da Fiocruz, Milton Ozório: “Levantamentos da Vice-presidência de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz mostraram a necessidade de ampliar a capacitação de um público amplo de profissionais e gestores. A iniciativa deve priorizar a atualização em conhecimentos sobre a biologia de vetores e novas formas de diagnóstico”.
A proposta de criação do novo curso foi aprovada pelo Conselho Deliberativo do IOC em reunião no dia 20/4. Segundo a vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação do IOC, Elisa Cupolillo, a iniciativa amplia o quadro do Ensino do Instituto, que passará a contar com sete programas de Pós-graduação Stricto sensu. “O desenvolvimento do novo curso está alinhado à missão do IOC de formar e capacitar recursos humanos para a solução de problemas críticos de saúde do país. Estamos contribuindo para fortalecer a relação do Instituto com a sociedade”, avalia.
Formações variadas
A capacitação reunirá temas pertinentes à vigilância e ao controle vetorial. As ações de vigilância permitem recomendar medidas de prevenção e controle de doenças. Já as estratégias de controle vetorial (que pode ser biológico, mecânico ou ambiental e químico) visam controlar transmissores de patógenos causadores de doenças – caso do mosquito Aedes aegypti, que transmite os vírus da Dengue, Zika e Chikungunya.
De acordo com o coordenador do curso, Fernando Genta, as disciplinas serão ministradas por professores especializados em diferentes áreas da entomologia, incluindo temas sobre taxonomia, fisiologia e controle, além de tópicos sobre diagnóstico molecular e modelagem matemática. “Vamos discutir o funcionamento e a eficácia das mais modernas tecnologias disponíveis para o controle vetorial, como o uso da bactéria Wolbachia e dos mosquitos transgênicos no combate ao Aedes aegypti, por exemplo, além de abordar a importância do uso correto de ferramentas de controle químico, como inseticidas”, destaca Genta, pesquisador do Laboratório de Bioquímica e Fisiologia de Insetos do IOC.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pedro Lagerblad de Oliveira, será responsável por uma das disciplinas oferecidas. “A compreensão dos fenômenos da fisiologia e da biologia dos insetos, como o seu comportamento diante da necessidade de ingestão de sangue, por exemplo, é importante para formular armadilhas e repelentes. As disciplinas do curso, em geral, vão oferecer conhecimentos que baseiam métodos de controle, localização, análise e reconhecimento epidemiológico”.
Os alunos terão o prazo limite de dois anos para concluir a formação.
Sobre o processo de criação de um curso
A avaliação da Capes é um passo fundamental para a abertura de novos cursos de pós-graduação no Brasil. O resultado das avaliações das propostas enviadas por instituições de ensino e pesquisa de todo o país foi divulgado pela Capes após a 166ª Reunião do Conselho Técnico-Científico da Educação Superior (CTC-ES), realizada entre os dias 26 e 30/9, em Brasília. A partir deste parecer, cabe ao Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizar e reconhecer os novos cursos. O processo é finalizado com a homologação do Ministério da Educação, conforme o estabelecido pela legislação vigente.
* Edição: Raquel Aguiar (Comunicação, IOC/Fiocruz)