Risco de morte e prejuízos à saúde mental são dois significativos aspectos dos efeitos da pandemia entre as populações indígenas. Buscando implementar ações que ajudem a mitigar tais efeitos, o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) acaba de lançar o curso Bem-Viver: Saúde Mental Indígena, cujo objetivo é construir uma rede de apoio psicossocial voltada para essas populações vulnerabilizadas. Para tanto, busca formar diferentes profissionais ligados à saúde, educação, sistemas de proteção social (conselheiros tutelares, professores), assistência social e outros diretamente envolvidos na assistência das populações indígenas. O curso é online, gratuito e autoinstrucional. As inscrições podem ser feitas até 18 de fevereiro pelo Campus Virtual Fiocruz. O conteúdo ficará disponível aos inscritos a partir de 15 de janeiro.
A formação é composta de cinco módulos e trata de aspectos relacionados à saúde mental e fatores psicossociais que já eram enfrentados pelas populações, mas que se intensificaram no período da Covid-19. Segundo a pesquisadora da Fiocruz Amazônia e coordenadora do projeto na Fundação, Michele Kadri, um dos maiores desafios é conseguir produzir materiais de efetivamente alcancem um diálogo intercultural com todas as linguagens e diversidade, respeitando as suas especificidades.
Temas abordados na formação:
O curso integra o projeto “Juntos contra a Covid-19 e na proteção de crianças e adolescentes indígenas na Amazônia Brasileira”, do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), do qual participam a Fiocruz e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Além da formação, uma série de outras ações integra essa articulação maior que tem o objetivo de oferecer apoio aos Povos Indígenas da Amazônia brasileira na prevenção e mitigação dos impactos da Covid-19. Ele é financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e prevê que mais de 27 mil famílias indígenas sejam beneficiadas.
Diversidade cultural e étnica na construção da formação
Para a psicóloga e coordenadora do curso, Alessandra Pereira, a pandemia traz preocupações quanto à saúde indígena sob dois aspectos: o risco de morte e os prejuízos à saúde mental. “Culturalmente, os povos indígenas não fragmentam o conceito de saúde entre física e mental. Portanto, a linha de atuação proposta no curso centra-se no bem-viver e na saúde indígena”, disse ela.
Alessandra enfatizou ainda o fato de a formação ter sido elaborada em articulação com indígenas, que conferiram integração aos elementos e temas considerados necessários para o diálogo com tais povos – um grupo composto de 11 professores conteudistas e 8 revisores interculturais indígenas. A participação dos revisores, por toda sua vivência nas comunidades, disse Alessandra, foi um parâmetro importante que guiou a escolha da linguagem (visual e textual), do conteúdo, bem como das abordagens escolhidas para tratar os assuntos durante a formação.
“Preocupados em como iríamos lidar com tamanha diversidade étnica, buscamos pessoas que tivessem conhecimento e reconhecimento desses contextos sociais. Acionamos a Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos (Abipsi), já que a atuação do projeto se estende pelos estados do Amazonas, Acre, Pará, Roraima e Amapá, em oito áreas prioritárias, atingindo 90 diferentes etnias. Um trabalho que deve dialogar com nove famílias linguísticas: Tukano Oriental, Aruak, Maku, Tupi, Tikuna, Je, Karib, Pano e Katuquina”, explicou Alessandra.
* Grace Soares é jornalista e consultora da Fiocruz no projeto do curso Bem-Viver: Saúde Mental Indígena
Rodas de conversa e sessões científicas vão movimentar o evento científico anual, direcionado aos pesquisadores, alunos de pós-graduação e iniciação científica, que visa discutir avanços científicos em temáticas de relevância para a pesquisa dos pós-graduandos da Unidade, além de estimular a troca científica entre os alunos dos diferentes cursos, e divulgar a pesquisa desenvolvida pelos discentes dos Programas. Com o tema “Covid-19: Segunda onda e vacinas”, a palestra de abertura do evento será ministrada pelo pesquisador, Julio Croda, especialista em Saúde Pública da unidade Mato Grosso do Sul. O encontro acontece até 26 de novembro. Confira aqui a programação completa.
Inscrições ainda podem ser feitas, mas todos os interessados no tema podem acompanhar as discussões ao vivo pelo canal do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação/ILDM) no Youtube.
Além de Croda, a mesa de abertura conta com as presenças de Sérgio Luz (Direção do ILMD/Fiocruz Amazônia), Nísia Trindade Lima (Presidente da Fiocruz), Cristiani Vieira Machado (Vice-presidência de Educação da Fiocruz), Maria Cristina Guillam (CGE -Fiocruz), Rosana Parente (Vice de ensino do ILMD/Fiocruz Amazônia), Márcia Perales (FAPEAM), Richarlls Martins da Silva (APG-Fiocruz), Priscila Aquino (Coordenação do evento). O evento terá ainda a apresentação cultural do Coral da Fiocruz e da cantora amazonense Márcia Siqueira.
O encontro é realizado por uma comissão composta de pesquisadores da Fiocruz Amazônia e discentes do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) e do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação).
Pandemia como tema central do encontro
Este ano, o tema central do encontro será a pandemia de Covid-19 no Brasil e suas diferentes interfaces segundo a perspectiva da pesquisa, ciência, inovação e âmbito assistencial. Serão quatro dias de evento totalmente online, contando com sessões de palestras, mesas-redondas, práticas integrativas, atividades culturais e exposição dos alunos egressos através de vídeos.
Para a pesquisadora Priscila Aquino, presidente da comissão organizadora, o novo formato em que acontecerá o evento, trouxe boas expectativas de alcance. “Este ano o encontro de pós-graduação da Fiocruz Amazônia será em um formato diferente do ano passado, ele está sendo preparado para ocorrer totalmente de forma virtual, dado o contexto pandêmico em que nos encontramos. Estamos com uma expectativa positiva, de proporcionar a diferentes públicos um panorama segundo a perspectiva da pesquisa, ciência, inovação e âmbito assistencial, além de seus impactos sobre as atividades de discentes e docentes da pós-graduação”, explicou.
Além disso, frente a essa situação que a pandemia de Covid-19 impactou em diferentes segmentos, a organização selecionou temas para as sessões coordenadas e mesas-redondas, essenciais para o público em geral conhecer um pouco mais e ao mesmo tempo, interagir com especialistas da área.