A campanha de 2026 do Dia Mundial da Doença de Chagas, 14 de abril, articula uma ampla agenda de ações que combina mobilização comunitária, educação em saúde e comunicação. Com presença em quatro países, o projeto reforça o compromisso com a ampliação do acesso ao diagnóstico, tratamento e cuidado integral das pessoas afetadas. O foco central da campanha, definido pela Federação Internacional de Associações de Pessoas Afetadas pela Doença de Chagas (Findechagas), é a transmissão vertical da doença, que pode ocorrer durante a gestação ou o parto, destacando a importância do diagnóstico precoce, especialmente entre mulheres em idade reprodutiva, como estratégia fundamental para interromper o ciclo de transmissão. No Brasil, a Fiocruz lidera a campanha do Dia Mundial.
A campanha vai lançar um vídeo inédito que está voltado à conscientização sobre a prevenção da transmissão vertical, incentivando a testagem de mulheres antes da gravidez. O vídeo será lançado pelo Canal Saúde em 14 de abril. Também será lançada a história em quadrinhos Berenice e a doença de Chagas, inspirada na primeira criança identificada com a enfermidade, com o objetivo de ampliar o acesso à informação e fortalecer o diálogo com diferentes públicos. O lançamento da publicação foi realizado em parceria com o Museu da Vida Fiocruz, no sábado, 11 de abril. Também nesse dia foi realizada a contação de histórias Trilhas da ciência, no Castelo Mourisco da Fiocruz, após a apresentação da história em quadrinhos ao público.
A campanha se destaca pelo fortalecimento do protagonismo comunitário. Nos quatro países, em mais de 30 municípios de atuação do CUIDA Chagas, as equipes locais e lideranças formadas pelo projeto vêm promovendo ações de testagem e ações educativas, como palestras em escolas, teatro, ações em unidades de saúde e atividades culturais, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a doença e enfrentar o estigma ainda associado a ela.
A mobilização tem gerado impactos concretos no campo das políticas públicas. Nos municípios de Janaúba (MG) e Paraúna (GO) será apresentada à votação, nesta segunda-feira (13/4), um projeto de lei voltado ao cuidado integral das pessoas com doença de Chagas. Isto é resultado da articulação entre as lideranças comunitárias e os poderes legislativos locais. A proposta estabelece diretrizes que incluem prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.
Outros municípios também avançam nesse processo. Em Igarapé-Miri (PA) está em curso uma proposta para instituir o Dia Municipal da Doença de Chagas, com foco na conscientização da população. As iniciativas foram articuladas para coincidir com o 14 de abril, ampliando a visibilidade do tema.
Mais do que resultados pontuais, o conjunto dessas ações evidencia o potencial transformador da organização comunitária na construção de respostas mais justas e efetivas para a doença de Chagas. Ao integrar diversos atores na comunicação, educação e incidência política, o CUIDA Chagas reafirma seu compromisso com a equidade em saúde e com a eliminação da doença como problema de saúde pública.
“É fundamental dar visibilidade à transmissão vertical e garantir que mais mulheres tenham acesso à informação e ao diagnóstico no momento oportuno. Essa é uma estratégia decisiva para interromper o ciclo da doença”, destaca a investigadora principal do projeto, Andréa Silvestre, que é pesquisadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). A campanha convida profissionais de saúde, gestores públicos, organizações e a sociedade em geral a se engajarem, fortalecendo ações que ampliem o acesso ao cuidado e promovam o direito à saúde nos territórios mais afetados.
O CUIDA Chagas é liderado pelo INI/Fiocruz. O projeto atua em parceria com o Instituto Nacional de Laboratorios de Salud (Inlasa) da Bolívia; o Instituto Nacional de Salud (INS) da Colômbia; o Servicio Nacional de Erradicación del Paludismo (Senepa) do Paraguai; e a FIND, a aliança global para diagnósticos. É financiado pela Unitaid e cofinanciado pelo Ministério da Saúde do Brasil.
O objetivo principal é colaborar com a eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas. O projeto está composto por um estudo de implementação que já testou mais de 60 mil pessoas, com foco em mulheres em idade fértil; um estudo de validação que estuda a melhor combinação de testes rápidos para o diagnóstico da doença de Chagas; e um ensaio clínico que avalia a eficácia do tratamento atual da doença.
No dia 15 de abril, às 14h, o Núcleo de Estudos Avançados do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) vai debater o tema ‘Ruptura jurídica, instabilidade internacional e fratura da soberania: desafios à ordem global no século XXI’.
Com transmissão pelo canal do IOC no Youtube, o evento online contará com cinco palestrantes, além da participação especial, em vídeo, do embaixador Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República.
Participam do painel:
Breno Altman, jornalista e escritor, fundador do portal de notícias Opera Mundi;
Carla Jimenez, jornalista, ex-editora-chefe e diretora de redação do jornal El País Brasil;
Christian Lynch, cientista político, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj);
Francilene Garcia, cientista da computação, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG);
Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente, ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) e ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e na Itália.
O Núcleo de Estudos Avançados do IOC faz parte do Fórum Brasileiro de Estudos Avançados (Fobreav). A atividade é coordenada por Renato Cordeiro, pesquisador emérito da Fiocruz.
Edição:
Vinicius Ferreira
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)
O Ministério da Educação (MEC) disponibilizou para download o aplicativo MEC Livros com quase oito mil obras literárias disponíveis para leitura de forma gratuita.

O aplicativo funciona como uma biblioteca pública online, com empréstimos de livros autorais, como lançamentos e os mais vendidos. Também serão disponibilizadas obras em domínio público para download no formato ePub.
Entre os autores estão obras de brasileiros como Clarice Lispector e Ariano Suassuna e estrangeiros como José Saramago e Gabriel García Márquez.
Além da leitura, o aplicativo também oferece experiências complementares ao usuário, como personalização, com opções de ajuste de fonte e contraste, uso de elementos de jogos na leitura e ainda notificações automatizadas. Duvidas também poderão ser consultadas a um agente de inteligência artificial (IA).
O aplicativo está disponível para Android, computadores e também tem integração com o portal gov.br.
Veja mais detalhes no Repórter Brasil, da TV Brasil:
Ao anunciar o lançamento do aplicativo, o presidente Lula antecipou que também será lançado em breve o aplicativo MEC Idiomas, com a oferta de 800 aulas de inglês e espanhol, para aprendizagem bilíngue em formato autoinstrutivo.
Com a nova ferramenta, o estudante poderá percorrer seis níveis de aprendizado nos idiomas, do básico ao avançado. Nesse caso, as experiências serão melhoradas com o apoio do agente de inteligência artificial para prática de conversação, teste de proficiência, notificações e aulas de reforço.
“O objetivo é ser o primeiro ponto de contato digital entre o estudante de línguas iniciante e o idioma de sua escolha, acompanhando seu aprendizado até níveis mais avançados”, informou o MEC, por meio de nota.
De acordo com o MEC, a iniciativa demandará investimentos de R$ 1,68 milhão ao ano e poderá alcançar 16 mil estudantes por semestre.
A Presidência da Fiocruz, por intermédio da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), divulga, nesta sexta-feira, 10 de abril, o resultado final da classificação da Chamada Interna Auxílio à Permanência - 2026.1. O resultado pode ser conferido no Campus Virtual Fiocruz. Ao todo, foram homologadas 391 candidaturas.
+Acesse aqui o resultado final da classificação da Chamada Interna Auxílio à Permanência - 2026.1
+Acesse aqui a chamada APE-PG 2026.1
A iniciativa é voltada a alunos de baixa renda da Fiocruz em situação de vulnerabilidade social ligados aos programas de pós-graduação de mestrado e doutorado acadêmicos da instituição, visa promover a permanência destes estudantes nos PPGs, favorecendo a continuidade de seus estudos e desempenho acadêmico, e, assim, contribuir para a redução das desigualdades na educação de pós-graduação e na ciência em nosso país.
O APE-PG consistirá em ofertar aos estudantes que preencheram os requisitos de elegibilidade descritos no Artigo 4 da Chamada (baixa renda, sem atividade remunerada e em dedicação exclusiva ao curso) um auxílio financeiro mensal no valor R$ 800,00 (oitocentos reais). O recebimento do Auxílio acontecerá por até 12 (doze) meses consecutivos, enquanto o estudante estiver em situação de matrícula ativa e dentro dos prazos regimentais de conclusão do curso em questão, com duração máxima equivalente ao período do curso (até o 24º mês no mestrado e até o 48º mês no doutorado), e desde que mantidas ao longo de todo o período as condições de elegibilidade ao recebimento do auxílio. Além disso, a qualquer momento, caso o aluno supere a situação de vulnerabilidade que o levou ao recebimento do auxílio ou passe a exercer atividade remunerada, ele deverá solicitar à coordenação do Programa, em sua unidade, a suspensão do benefício.
+Acesse aqui a chamada interna APE-PG 2026.1
Em caso de dúvidas, solicitamos que o contato seja realizado exclusivamente por meio do endereço eletrônico: cad@fiocruz.br ou pelo telefone: (21) 3882-9066
O Sextas de Poesia de hoje traz a canção “Quem sabe isso quer dizer amor”, dos irmãos Lô Borges e Márcio Borges, integrantes fundamentais do grupo musical mineiro Clube da Esquina. A canção fala sobre sentimentos que surgem de forma sutil e, muitas vezes, são difíceis de nomear. Com melodia suave, a música tenta traduzir aquele instante em que o afeto começa a se insinuar, mas ainda não se revelou completamente.
A canção aborda o encantamento, a dúvida e a vulnerabilidade que acompanham o surgimento desse sentimento, falando sobre a experiência do amor como descoberta, especialmente em suas fases iniciais.
Ela foi escrita em 2002, gravada por diversos artistas, mas eternizada na voz de Milton Nascimento, também integrante do Clube da Esquina, mas reconhecido como um dos mais influentes artistas da história da música brasileira.
Que as flores de abril façam os sonhos acontecerem!
O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realiza, nesta sexta-feira, 10 de abril, dois centros de estudos.
Para debater o tema Regulação da inovação em saúde: biossegurança das terapias avançadas, o Instituo convida Ninive Colonello, do Ministério da Saúde, e Rubens Nascimento, coordenador da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), para palestrar sobre a CTNBio e a estruturação da regulação da pesquisa em biotecnologia no Brasil. O evento será no Auditório Maria Deane do Pavilhão Leonidas Deane, a partir das 9h30, com transmissão pelo Canal do IOC no Youtube.
A mediação fica a cargo da presidente da Comissão Interna de Biossegurança do IOC, Dalziza Almeida, e da chefe do Laboratório de Biologia Celular do IOC, Maria de Nazaré Soeiro.
Em sessão extraordinária integrada ao Ciclo Carlos Chagas de Palestras, o tema Trajetória e Legados de João Carlos Pinto Dias trará Lileia Diotaiuti, do Instituto René Rachou (Fiocruz/MG) como palestrante, a partir das 14h30, no Auditório Emmanuel Dias - Pavilhão Arthur Neiva, com transmissão pelo Canal do IOC no Youtube.
Estarão presentes como convidados a família do Dr. João Carlos Pinto Dias, e como debatedora, a diretora do IOC, Tania Araujo-Jorge.
O Fórum de Comitês de Ética em Pesquisa da Fiocruz (Fórum de CEP/Fiocruz), ligado à Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), promoverá no dia 16 de abril, das 14h às 16h30, a quarta edição do ConCEPções Éticas, espaço criado em 2025 para a discussão de temas relacionados à ética em pesquisa. O evento terá como tema Análise única do CEP: expectativa de proteção do participante e fluxos institucionais, que abordará aspectos relacionados à implementação da análise de projetos por um único comitê de ética em pesquisa, os desdobramentos nos fluxos institucionais e a garantia da proteção dos participantes de pesquisa.
Voltado para pesquisadores, pós-graduandos/as, membros dos CEP, participantes de pesquisas, instituições e demais pessoas interessadas em pesquisas com seres humanos, o webinário integra as ações do Fórum de CEP. Para participar é preciso fazer inscrição até 16/4.
A atividade é organizada pela VPPCB, através do Fórum de CEP, em parceria com a Gerência Ético-Regulatório da Plataforma de Pesquisa Clínica da Fiocruz e a Rede Fiocruz de Pesquisa Clínica.
Serviço:
ConCEPções Éticas: Análise única do CEP – expectativa de proteção do participante e fluxos institucionais
Data: 16/4/2026
Horário: 14h às 16h30
Transmissão: Teams, com acesso pela plataforma Even3
Inscrições e programação: Even3
Em março de 1986, enquanto o Brasil se despedia de 21 anos de ditadura militar e vivia um momento de expectativa por mudanças, representantes de diferentes regiões do país chegavam de ônibus a Brasília para a 8ª Conferência Nacional de Saúde. Em um ginásio esportivo, eles se juntariam aos delegados oficiais em um encontro marcado por um ambiente muito diferente das sete conferências anteriores.
Realizada entre 17 e 21 de março, a 8ª Conferência reuniu mais de 4 mil participantes, ajudando a lançar as bases do Sistema Único de Saúde (SUS). Presidida pelo sanitarista Sérgio Arouca, concentrou suas discussões em torno de três eixos: a saúde como responsabilidade do Estado e direito do cidadão, a reformulação do Sistema Nacional de Saúde e o financiamento do setor, em sintonia com as propostas da Reforma Sanitária.
Quarenta anos depois, quatro sanitaristas da Fiocruz que participaram da conferência — Arlindo Fabio Gomez de Sousa, Ary Carvalho de Miranda, Francisco Eduardo de Campos e Paulo Marchiori Buss — relembram o contexto político da época, a força da participação popular, as tensões e os bastidores de um dos momentos mais emblemáticos da história da democracia e da saúde pública no país.
A saúde como direito
O encontro de 1986 e a posterior criação do SUS só podem ser compreendidos à luz de um processo histórico mais amplo. Naquele momento, a redemocratização do país se articulava à crítica a um sistema de saúde excludente e à expectativa de mudança social, como lembra Ary Carvalho de Miranda, então chefe de gabinete de Sérgio Arouca, presidente da Fiocruz.
“Vivíamos um momento político de sepultar a ditadura, de criar uma nova Constituinte e novas leis que orientassem esse país pra outro caminho, e a saúde estava no bojo desse processo também”.
Para Francisco Eduardo de Campos, pesquisador da Fiocruz Brasília, aquele período era marcado pela convicção de que o país podia construir um sistema de saúde diferente, mais justo e mais humano. Buss, então professor da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), destaca o intenso trabalho de articulação que antecedeu o evento. Convocada ainda em 1985, a conferência mobilizou um grupo que percorreu o país. O sanitarista viajou do interior do Maranhão ao Rio Grande do Sul, apresentando a proposta da conferência, suas etapas e como se daria a escolha dos delegados.
“Na 8ª Conferência, assumiu-se a tarefa de levar à Constituinte as sugestões sobre a reforma do sistema de saúde. Os elementos constitutivos da área da saúde na Constituição de 1988 tiveram origem ali. Por isso, ela foi decisiva”.
A sociedade em cena
A grande novidade da 8ª Conferência foi a ampla participação da sociedade civil, com a presença de sindicatos, associações, universidades, movimentos sociais e entidades profissionais. Mesmo sem direito a voto, os participantes puderam acompanhar e participar das discussões.
Para Miranda, foi justamente o vigor dessa mobilização que deu sustentação real à conferência e, mais tarde, fortaleceu a defesa das propostas na Assembleia Constituinte. Na memória de Francisco, o que mais ficou daquele momento foi a energia coletiva e a sensação de que a conferência abria uma possibilidade concreta de intervir no rumo do país.
O tamanho da mobilização surpreendeu a própria organização, como lembra Arlindo Fabio Gomez de Sousa, então vice-presidente de Desenvolvimento da Fiocruz: “Não parava de chegar ônibus em Brasília com milhares de pessoas que queriam participar da conferência. Aquilo não era nenhum movimento artificial. Era o fervor do momento”.
Segundo ele, essa presença transformou completamente o ambiente da conferência: “Havia pessoas vestidas com roupas regionais. Ali havia uma representação deste país. A atmosfera era diferente. Não era aquele comportamento burocrático tradicional das conferências”.
Sousa também recorda que, em busca de divulgar o encontro, ele e Theresa Christina de Aguiar Tavares, assessora de comunicação da conferência, foram à TV Globo, o que resultou em uma inserção na novela Roque Santeiro, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, uma das maiores audiências da televisão brasileira. O chamado à participação na conferência apareceu na novela na voz do padre progressista interpretado por Cláudio Cavalcanti.
O impasse sobre o papel do setor privado
A maior tensão do encontro foi decidir se o novo sistema de saúde deveria ser totalmente estatizado ou não, de forma imediata ou progressiva, como lembram os quatro pesquisadores. O relatório final registra que a proposta de estatização imediata foi rejeitada, embora houvesse consenso quanto à necessidade de fortalecer e expandir o setor público. A participação do setor privado permaneceu prevista em caráter complementar, sob as normas do Direito Público.
Representantes do setor privado de saúde chegaram a ser convidados para participar da conferência, mas recusaram, como conta Miranda. Ele lembra ainda que o confronto foi particularmente intenso na plenária final:
“Tinha um grupo grande que achava que não devia entrar no texto a participação da iniciativa privada, que o sistema tinha que ser eminentemente público. E tinha outro setor que entendia que, naquele momento, nós não tínhamos força política para excluí-lo”.
Campos recorda que a votação do tema foi dramática: “Eu estava na contagem dos votos para decidir se os serviços de saúde seriam exclusivamente públicos ou não. E foi muito acirrado.”
Segundo ele, uma solução intermediária se apresentava, naquele momento, como a alternativa politicamente mais viável.
Apesar das divergências, Buss enfatiza que a sensação maior era de unidade: “Todos queríamos construir uma proposta com o máximo de consenso possível, embora o dissenso fosse aceito e respeitado, para que pudéssemos alimentar a Constituição”.
Discursos que marcaram a conferência
O pronunciamento de Sérgio Arouca foi um dos pontos altos da 8ª Conferência. Miranda chama a atenção, especialmente, para a passagem em que o sanitarista apresenta um conceito ampliado de saúde, não mais restrito à ausência de doença, mas também entendido como bem-estar físico, mental e social.
“A fala trazia a discussão da determinação social da saúde como referência. O conceito não é apenas uma abstração. É um vetor que orienta a prática.”
Outro ponto forte, na memória de Buss, foi o discurso de Sônia Fleury, em sintonia com a formulação de Arouca sobre a estreita relação entre democracia e saúde. Então vice-presidente da Abrasco, Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Sônia representava, ali, a sociedade civil.
Sousa destaca a fala de abertura do presidente José Sarney, escrita por Eleutério Rodrigues Neto, um dos grandes defensores da Reforma Sanitária, já indicando que as discussões da conferência entrariam no debate da nova Constituição.
A Inteligência Artificial (IA) já faz parte do cotidiano da população não só do Brasil como do mundo, transformando áreas como saúde, educação, meio ambiente, mobilidade, gestão pública, entre outras. Ao mesmo tempo em que amplia oportunidades, impõe desafios éticos, sociais, educacionais e econômicos que exigem reflexão e responsabilidade. É nesse cenário que estão abertas, até 31 de julho, as inscrições para a 32ª edição do Prêmio Jovem Cientista (PJC).
O prêmio traz como tema deste ano “Inteligência artificial para o bem comum” e as inscrições podem ser feitas pelo site: https://jovemcientista.cnpq.br/. A ideia é propor um olhar voltado ao uso da tecnologia como ferramenta para redução de desigualdades e promoção do desenvolvimento sustentável. O Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação Roberto Marinho.
O PJC convida estudantes e pesquisadores de todo o país a apresentarem projetos que explorem o potencial da IA na formulação de soluções inovadoras para problemas reais da sociedade brasileira — da melhoria de serviços públicos à ampliação do acesso à educação e à saúde, passando pelo fortalecimento da democracia, da inclusão digital e da sustentabilidade ambiental. A proposta é incentivar aplicações éticas, transparentes e socialmente responsáveis, capazes de gerar impacto positivo e ampliar oportunidades.
O Prêmio Jovem Cientista conta com patrocínio master da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura. Reconhecido como um dos mais importantes prêmios científicos do país, o PJC incentiva jovens talentos do Ensino Médio, Ensino Superior, além de mestres e doutores, a contribuírem com soluções inovadoras para os grandes desafios contemporâneos.
Prêmios e categorias específicas
Os vencedores do PJC receberão laptops, bolsas do CNPq e prêmios em dinheiro que variam entre R$ 5 mil e R$ 40 mil. As cinco categorias contempladas são: Mestre e Doutor; Estudante do Ensino Superior; Estudante do Ensino Médio e Mérito Institucional, que premia uma universidade e uma escola pelo desempenho na edição.
Cada categoria atende a critérios específicos. Na categoria “Mestre e Doutor”, podem concorrer estudantes de mestrado ou doutorado, mestres e doutores com até 39 anos. Em “Estudante do Ensino Superior”, podem participar alunos regularmente matriculados em cursos de graduação ou que tenham concluído a graduação a partir de 1º de janeiro de 2025, com menos de 30 anos. Já na categoria “Estudante do Ensino Médio”, são elegíveis estudantes regularmente matriculados no Ensino Médio ou na Educação Profissional e Tecnológica, com até 24 anos.
Criado em 1981 pelo CNPq, em parceria com empresas da iniciativa privada, o Prêmio Jovem Cientista tem o objetivo de revelar talentos, impulsionar a pesquisa no país e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram soluções inovadoras para os desafios da sociedade. Considerado um dos mais importantes reconhecimentos aos jovens cientistas brasileiros, o prêmio apresenta, a cada edição, um tema importante para o desenvolvimento científico e tecnológico, que atenda às políticas públicas da área e seja de relevância para a sociedade brasileira.
Em quatro décadas, o PJC já recebeu mais de 24 mil projetos e agraciou 212 jovens em todas as regiões do Brasil.
#ParaTodosVerem Banner com fundo em tons de rosa, laranja, verde e lilás. No centro da imagem está escrito: PRÊMIO JOVEM CIENTISTA 2026, seguindo pela pergunta embaixo: QUEM PODE SE INSCREVER? Na parte inferior aparecem duas representações estilizadas de cérebros humanos em tom rosado.
Começa hoje, 9 de abril, a 14ª edição do Ciclo Carlos Chagas de Palestras (CCCP-26).
A programação reúne pesquisadores, estudantes e profissionais interessados nos avanços científicos sobre a doença de Chagas.
Com o tema ‘100+17 anos da descoberta da doença de Chagas: o tempo não para’, o CCCP-26 homenageia o pesquisador João Carlos Pinto Dias, referência internacional na área.
As atividades desta quinta-feira acontecem em formato virtual, com transmissão pelo Canal IOC no YouTube.
Na sexta, 10 de abril, o evento será presencial no auditório Emmanuel Dias, no campus da Fiocruz, em Manguinhos (RJ), incluindo apresentações de trabalhos científicos e sessão conjunta ao Centro de Estudos do Instituto.
A programação contempla palestras e mesas de discussão sobre legado científico, descobertas contemporâneas e desafios futuros da pesquisa sobre o agravo.
Confira a programação e participe!
Edição:
Vinicius Ferreira
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)