O CNPq publicou uma portaria que institui a Política de Integridade na Atividade Cientifica, que tem como finalidade garantir a integridade em todas as atividades científicas apoiadas pelo Conselho e é valida para todos os usuários das bases do órgão, como servidores, proponentes, beneficiários e demais agentes vinculados ao fomento e usuários dos serviços digitais e plataformas do CNPq. A política foi elaborada com base em ações de educação, prevenção, apuração e sanção.
Os objetivos da Política de Integridade na Atividade Científica são promover a ética e a integridade na atividade científica; estabelecer regras de boa convivência acadêmica e coletiva, prevenindo conflitos éticos e de interesse nas ações do CNPq; promover a transparência e a idoneidade nas decisões institucionais e avaliações de mérito, evitando conflitos de interesses e ações e/ou omissões de cunho discriminatório; instituir código de conduta para promover ambiente mais plural, inclusivo e respeitoso na atividade científica e estimular a qualidade e a integridade das informações em todas as etapas dos projetos de pesquisa apoiados pelo CNPq, estabelecendo rígidos princípios éticos e morais, desde a concepção até a difusão dos resultados.
O Código de Conduta do CNPq - que estava em vigor desde 1º de agosto de 2024 e previa, entre outras recomendações, a extensão do prazo de avaliação da produtividade científica em 2 anos por evento de maternidade no período avaliado - , foi integrado à política e passa a ter nova redação, com base em dez princípios:
I – Honestidade intelectual, integridade, boa prática científica e responsabilidade em todas as fases da pesquisa, da concepção à publicação e divulgação dos resultados;
II – Veracidade na autoria e créditos científicos;
III – Respeito aos participantes das pesquisas, às pessoas pesquisadas e aos objetos de pesquisa;
IV – Atuação responsável na formação e supervisão na carreira científica em todas as etapas;
V – Observância às normas legais e éticas vigentes;
VI – Decoro, justiça social, racial, cognitiva e de gênero;
VII – Urbanidade e respeito nas relações interpessoais e institucionais;
VIII – Segurança e zelo pelos membros e participantes da pesquisa e pelo patrimônio e uso dos recursos materiais;
IX – Cumprimento das diretrizes de políticas científicas federais, estaduais, municipais e institucionais;
X – Respeito à diversidade e promoção da inclusão na ciência."
O texto estabelece deveres para os membros de comitês e comissões e para bolsistas. Os dois primeiros, por exemplo, devem conduzir avaliações com rigor, objetividade, imparcialidade e presteza; observando critérios de mérito científico, tecnológico e de inovação, e respeitando as definições da ação; não discriminar áreas do conhecimento, linhas de pesquisa, grupos, pessoas ou instituições e resguardar o sigilo das informações, dados e pareceres a que tiverem acesso.
Já bolsistas devem, entre outros deveres, ter conhecimento e respeitar as especificidades normativas do CNPq quanto à concessão de bolsas e auxílio, em especial sobre as vedações ao acúmulo de bolsas; à necessidade de informar ao CNPq sobre afastamentos e intercorrências durante o período de vigência do fomento concedido e a dificuldades encontradas para realizar a pesquisa e os devidos relatórios.
Inteligência artificial
Em relação às diretrizes de integridade na pesquisa, o texto traz abordagem específica sobre o uso de inteligência artificial gerativa (IAG), cujo uso não é proibido, mas é preciso que seja declarado, qualquer que seja o tipo de IAG e a fase do desenvolvimento da pesquisa, especificando a ferramenta utilizada e a finalidade. Também é vedada a submissão de conteúdo gerado por IAG como se fosse de autoria humana, sendo os/as autores/as integralmente responsáveis pelo conteúdo final, inclusive por eventuais plágios ou imprecisões geradas pela ferramenta utilizada. O uso da inteligência artificial na elaboração de pareceres científicos não é recomendado pela política publicada.
O texto traz uma preocupação em relação ao padrão ético de tratamento de produtos de pesquisa, com orientações como creditar de forma adequada todas as fontes que fundamentam o trabalho desenvolvido, de modo a assegurar veracidade à autoria e créditos científicos, bem como fidelidade ao significado das ideias ou fatos apresentados, ao resumir texto de terceiros, com a devida citação.
De acordo com a política, será competência da Comissão de Integridade na Atividade Científica (CIAC) decidir sobre casos de desvio da integridade na atividade científica submetidos a essa instância, bem como examinar suspeitas em relação à integridade de informações no Currículo Lattes, deliberar sobre a aplicação de sanções nos casos concretos de infrações graves e gravíssimas, entre outras.
Denúncias de supostas infrações à Política de Integridade Científica devem ser encaminhadas via Ouvidoria do CNPq.
Responsabilidades
A nova política define que o CNPq e as Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) apoiadas são responsáveis pela apuração adequada das denúncias de má conduta científica. As ICTs que se apresentem como sede de atividades apoiadas pelo CNPq compartilham com os pesquisadores a responsabilidade pela integridade da pesquisa, cabendo-lhes primariamente promover a cultura institucional de integridade científica, e também prevenir e tratar más condutas ocorridas sob sua governança.
Nos casos em que ocorram alegações e denúncias de má conduta em pesquisas apoiadas pelo CNPq, a ICT será solicitada a cooperar com auditorias e ações corretivas entre as instituições, informando sobre o resultado da apuração e as medidas implementadas.
Sanções
De acordo com o texto, as infrações, resultantes de ação ou omissão, que contrariem princípios, deveres e práticas previstas nos Art. 5º, 6º e 7º da política estão sujeitas a sanções, que variam dependendo do tipo de infração: leve, grave ou gravíssima.
Entre as sanções previstas estão advertência formal; suspensão, por período determinado, de bolsas, auxílios; interrupção de benefício, com possibilidade de ressarcimento ao erário; impedimento para participação em ações de fomento ou processos seletivos do CNPq, por prazo determinado; devolução de recursos concedidos pelo CNPq aos projetos relacionados à conduta irregular com ressarcimento proporcional ao pagamento realizado; revogação da outorga de fomento, aplicável quando obtida por meio de apresentação de requisitos infundados para seleção e classificação dos projetos de pesquisa, podendo ser adotadas medidas cautelares no decorrer da apuração das denúncias.
Para a dosimetria da sanção, serão considerados a natureza e a gravidade da infração; a extensão dos danos causados ao CNPq e à comunidade científica; a existência de dolo, fraude ou reincidência; circunstâncias agravantes ou atenuantes; os antecedentes do(a) infrator(a). Neste caso, não serão considerados grau acadêmico, premiações, cargos ou funções de relevo científico ou acadêmico, atuais ou passados, ou quaisquer reconhecimentos profissionais prévios.
Assista ao vídeo de apresentação:
Estão abertas, até 10 de maio, as inscrições da chamada interna que vai selecionar atividades da Fiocruz para a SBPC Jovem 2026. A iniciativa visa aproximar estudantes da ciência e da inovação por meio de uma programação diária e gratuita, com exposições, mostras interativas, museus itinerantes, oficinas e outras atividades educativas.
A SBPC Jovem ocupará uma tenda no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ). O evento integra a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, um dos maiores encontros científicos do país. A edição de 2026 acontecerá entre 26 de julho e 1º de agosto e terá como tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”.
A chamada interna foi divulgada em reunião ampliada do Fórum de Divulgação Científica, realizada em 9 de abril. Como parceira histórica, a Fiocruz tem espaço de exposição gratuito garantido na SBPC Jovem. A participação institucional é organizada pela Coordenação de Divulgação Científica (CDC), vinculada à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz (Vpeic).
Segundo Marly Cruz, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, o ideal é que, durante o planejamento, as unidades alinhem suas propostas internas e estratégias de divulgação científica. Marly observou que, a cada ano, a Fiocruz aperfeiçoa sua participação e exposição. “Até que a SBPC ocorra de fato, precisamos manter um canal de diálogo entre as unidades para que as dúvidas sejam esclarecidas e as atividades aconteçam da melhor maneira possível”, observou.
Cristina Araripe, coordenadora de Divulgação Científica da VPEIC, afirmou que as propostas devem ser dinâmicas e pensadas para atrair um público diverso num espaço de 100 metros quadrados. “Conseguimos bons resultados na participação institucional em anos anteriores”, garantiu. A coordenadora destacou que a diversidade e a pertinência das propostas enviadas pelas unidades serão fatores importante para a seleção das atividades do Espaço da Fiocruz. Ela revelou ainda que, como não há financiamento previsto, cada unidade deve buscar formas de garantir a sua presença no evento.
Organização das atividades
De acordo com a chamada interna, a equipe da CDC ficará responsável pelo credenciamento dos participantes e por fornecer apoio técnico e informações sobre a logística do evento. As unidades, os escritórios regionais e os demais setores serão responsáveis pela compra de passagens aéreas ou terrestres; hospedagem dos participantes; produção, impressão e confecção de materiais de divulgação; despesas com o transporte dos participantes e materiais expostos; e, a guarda pela integridade do material ou peça exposta durante o evento.
A coordenadora informou que a organização das atividades de divulgação e popularização da ciência será baseada em critérios como a diversidade e a adequação das propostas. “Vamos ocupar o Espaço da Fiocruz em um sistema de rodízio, se necessário. Estaremos de segunda a sábado, de 8h às 17h, mostrando a força e a potência das atividades de divulgação e popularização da ciência da nossa instituição”, afirmou. “Precisamos garantir que as atividades sejam mais acessíveis. As propostas encaminhadas devem buscar assegurar esse direito", lembrou. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail forum.divulgacao@fiocruz.br.
Estão prorrogadas as inscrições para mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biodiversidade e Saúde 2026, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). São oferecidas até dez vagas para mestrado e dez vaga para doutorado. Com a prorrogação, candidatos podem se inscrever até 16 de abril pelo Campus Virtual Fiocruz.
Confira os editais e link de inscrição:
+Acesse aqui mais informações e a chamada de seleção
O Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Saúde (PPG-BS) tem por objetivo a formação de mestres e doutores qualificados atuar em pesquisa, docência e atividades técnicas sobre a parcela da biodiversidade relacionada à saúde. Esses profissionais poderão atuar no desenvolvimento de projetos de pesquisa que envolvam: a) taxonomia, sistemática e biogeografia; b) caracterização morfológica, bioquímica e molecular; c) relações ecológicas e etológicas dos organismos e suas relações com os seres humanos, animais e ambiente, no contexto da saúde global; d) pesquisa e curadoria em coleções biológicas.
A chamada visa selecionar e classificar candidatos(as) para ingresso nos cursos de mestrado e doutorado nas áreas de concentração abaixo:
O Curso de Doutorado do PPGBS é destinado a portadores de Diploma de Graduação e Diploma de Mestrado emitidos por instituições reconhecidas por órgãos responsáveis pelo credenciamento e regulação das instituições de educação. Alternativamente ao Diploma de Mestrado, será aceita Ata de Defesa de Dissertação de Mestrado.
A carga horária total mínima de dedicação ao curso de doutorado é de 2.880 horas, distribuída da seguinte forma: Disciplinas - 36 créditos (equivalente a 480 horas) e trabalho de tese - 160 créditos (equivalente a 2.400 horas) para o trabalho de tese. O curso é ministrado em tempo integral, em regime de 40 horas semanais para alunos contemplados com bolsa. Para alunos com atividade remunerada, a dedicação mínima é de 20 horas semanais, desde que apresentem documento comprovando autorização por sua chefia imediata para realização do curso.
O Curso de Mestrado do PPGBS é destinado a portadores de diploma de graduação (ou ata de colação de grau emitida há, no máximo, 12 meses) de instituições reconhecidas por órgãos de credenciamento e regulação educacional.
A carga horária total mínima do curso de mestrado é de 1.440 horas, distribuída da seguinte forma: Disciplinas - 20 créditos (equivalente a 240 horas) e trabalho de dissertação - 80 créditos (equivalente a 1.200 horas). O curso é ministrado em tempo integral, em regime de 40 horas semanais para alunos contemplados com bolsa. Para alunos com atividade remunerada, a dedicação mínima é de 20 horas semanais, desde que apresentem documento comprovando autorização por sua chefia imediata para realização do curso.
Confira os editais e link de inscrição:
Como o território influencia a saúde? Descubra no curso de Análise Espacial e Geoprocessamento em Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), que está com inscrições abertas até 8 de maio pelo Campus Virtual Fiocruz!
Com carga horária de 72 horas e formato presencial, a formação aborda desde conceitos de cartografia e geoprocessamento até o uso de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) e técnicas de análise espacial aplicadas à saúde pública
Voltado para profissionais da área de Saúde Pública, o curso pretende qualificar alunas e alunos para o uso de dados espaciais na análise, planejamento e tomada de decisão em saúde.
Inscrições pelo Campus Virtual Fiocruz.
Acesse o nosso site: icict.fiocruz.br
QUER MAIS INFORMAÇÕES?
Envie e-mail para: seca.icict@fiocruz.br
O Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS) do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) está com inscrições abertas para o curso de capacitação 'Ensaio de Migração de Plastificantes de Embalagens Plásticas para Alimentos'. Com carga horária de 24 horas, o curso será realizado de 1º a 3 de junho de 2026, das 8h às 17h, na modalidade presencial, no INCQS, em Manguinhos, no Rio de Janeiro. As inscrições estão abertas até o dia 27 de abril e devem ser realizadas por meio do Campus Virtual Fiocruz.
A iniciativa tem como objetivo qualificar profissionais que atuam na área de controle de qualidade, com foco na avaliação da segurança de materiais em contato com alimentos.
O curso abordará aspectos teóricos das legislações nacionais vigentes, além de especificações técnicas de equipamentos, padrões e reagentes utilizados nos ensaios. Também serão desenvolvidas atividades práticas relacionadas aos ensaios de migração específica e total, incluindo preparo de amostras, construção de curvas analíticas, análise de produtos, cálculos e avaliação de resultados.
A capacitação é voltada a profissionais de instituições públicas, preferencialmente dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen), que atuam no controle de qualidade de embalagens plásticas.
+Acesse o Campus Virtual Fiocruz para inscrição.
Dúvidas e informações: incqs.cursos@fiocruz.br
Na quarta-feira, 15de abril, às 12h30, acontece uma das Sessôes Colaborativas PROCC, uma parceria entre o Programa de Computação Científica da Fiocruz (PROCC), vinculado à Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) e The Global Health Network América Latina e Caribe (TGHN LAC). No evento, serão apresentados resultados de um mapeamento conhecido como Pathfinder dos projetos InfoDengue e InfoGripe, dois dos principais sistemas de vigilância epidemiológica do Brasil. A atividade será transmitida pela plataforma Zoom e é aberta ao público.
Participe da próxima Sessão Colaborativa do PROCC
O trabalho, conduzido pela equipe da TGHN LAC, usou a metodologia Pathfinder, que mapeia etapas, atores e fluxos de trabalho para identificar desafios e propor melhorias baseadas em dados da pesquisa anfitriã. Além dos estudos da Fiocruz, mais de 20 outras pesquisas em países da África, Ásia e América Latina utilizam o Pathfinder em seus processos.
Quer saber mais sobre o Pathfinder? Conheca as iniciativas do Pathfinder na TGHN LAC aqui.
O InfoDengue monitora a transmissão de arboviroses como dengue, Zika e chikungunya; o InfoGripe acompanha os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O mapeamento analisou desde a coleta e análise de dados epidemiológicos e climáticos até a produção de boletins e a comunicação com gestores públicos.
Serviço:
Título: Apresentação dos resultados Pathfinders InfoDengue e Infogripe
Data: 15 de abril de 2026
Horário: 12h30 (Horário de Brasília)
Formato: Online pelo Zoom
Link de acesso: https://tinyurl.com/bdemcaz7
Comunicadores indígenas e divulgadores científicos se reúnem para a roda de conversa “Como comunicar temas de saúde mental e povos indígenas?”, no Centro de Documentação e História da Saúde (CDHS), no campus da Fiocruz em Manguinhos. O encontro marca o lançamento do podcast ‘Matsia Peemaka’, uma iniciativa dedicada ao fortalecimento do “bem viver” e à promoção da saúde mental indígena. O evento acontece nesta segunda-feira, dia 13 de abril, às 14h, no Salão de Conferência Luiz Fernando Ferreira (CDHS).
Sobre o podcast Matsia Peemaka
Em Baniwa, Matsia Peemaka significa “bem viver”. A série é composta por quatro episódios que discutem como o conceito ocidental de saúde mental se conecta — ou diverge — das práticas tradicionais dos povos indígenas, nas quais o bem-estar está profundamente ligado ao território, à espiritualidade e à vida comunitária.
A produção aborda temas urgentes como:
• Prevenção ao suicídio
• Ansiedade
• Depressão
• Alcoolismo
O podcast é resultado de uma parceria entre o Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT), a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), a Organização Baniwa e Koripako NADZOERI e a Rádio Wayuri, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).
Participantes da roda de conversa
• Ray Baniwa – Comunicador indígena, doutorando em Comunicação e Cultura (UFRJ).
• Cláudia Ferraz (participação remota) – Comunicadora Wanano, representante da Rádio Wayuri (Rio Negro).
• Luisa Massarani – Pesquisadora e divulgadora científica (INCT-CPCT / COC).
• Julia Noia – Pesquisadora e divulgadora científica (INCT-CPCT).
Realização e fomento
A iniciativa conta com recursos do Inova Fiocruz (VPAAPS) e do CNPq, com foco no aprimoramento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) e no enfrentamento à desinformação científica.
O 2º Abril Indígena integra as ações do Museu da Vida Fiocruz/COC e da Cátedra Oswaldo Cruz de Ciência, Saúde e Cultura, cujo objetivo é fortalecer uma cultura científica e ampliar a compreensão da saúde como construção social e cultural.
Serviço
Evento: Lançamento do podcast Matsia Peemaka + Roda de conversa
Data: 13 de abril, às 14h
Local: Salão de Conferência Luiz Fernando Ferreira – CDHS
Endereço: Av. Brasil, 4365 – Manguinhos, Rio de Janeiro
Crise silenciosa: curso do CVF, online e gratuito, tem foco na saúde mental de jovens indígenas no Brasil
A Fiocruz Brasília e o Campus Virtual Fiocruz reforçam a iniciativa que visa qualificar profissionais da saúde, da educação e assistência social, especialmente aqueles que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) com povos indígenas para agirem com mais sensibilidade e preparo nas comunidades indígenas: o curso Promoção da saúde mental de jovens indígenas. A formação, online, gratuita e autoinstrucional, foi desenvolvida no âmbito do edital Inova Educação - Recursos Educacionais Abertos, com apoio do Ministério da Educação (MEC).
A proposta da formação parte de uma abordagem interseccional, fundamentada em evidências produzidas por pesquisas realizadas junto a jovens indígenas em comunidades tradicionais. Com o curso, a ideia é que profissionais estejam aptos a reconhecerem os principais agravos em saúde mental e possam propor ações educativas que valorizem os saberes populares e refletir sobre os impactos da violência estrutural na saúde desses jovens. Dividida em três módulos, a formação aborda desde conceitos como saúde mental, bem-viver e interseccionalidade até o funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e da saúde indígena no SUS. Um dos diferenciais da formação está no terceiro módulo, que trata diretamente dos saberes tradicionais dos povos indígenas como ferramentas de prevenção e cuidado em saúde mental.
O curso não é apenas uma forma de oferecer ferramentas de cuidado, mas, sim, de reconhecer os modos próprios de cuidado, fortalecer os laços comunitários e garantir políticas públicas culturalmente adequadas, apresentando estratégias concretas de transformação, com respeito às vozes e os saberes dos próprios jovens indígenas.
Conheça a estrutura da nova formação e inscreva-se:
Módulo 1: Saúde mental de jovens indígenas
Módulo 2: SUS e saúde mental de jovens indígenas
Módulo 3: Saberes indígenas para promoção da saúde mental
Nesta terça-feira, 14 de abril, às 10h, o Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz realiza o evento ‘Equidade em Movimento: o protagonismo das mulheres indígenas na defesa de direitos’.
O encontro online propõe uma reflexão sobre o papel das mulheres indígenas na luta por direitos, reunindo diferentes experiências, saberes e trajetórias de resistência e organização.
Participam:
• Jaqueline Kambiwá, integrante da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade.
• Raquel Jenipapo, integrante da Articulação de Juventude Indígena Jenipapo-Kanindé.
A mediação será de Luciana Lindenmeyer, da Coordenação Colegiada do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça.
O evento contará com transmissão ao vivo pelo canal da VideoSaúde no YouTube, com tradução em Libras.
Uma oportunidade de escuta, diálogo e fortalecimento de agendas fundamentais para a equidade e a justiça social.
A campanha de 2026 do Dia Mundial da Doença de Chagas, 14 de abril, articula uma ampla agenda de ações que combina mobilização comunitária, educação em saúde e comunicação. Com presença em quatro países, o projeto reforça o compromisso com a ampliação do acesso ao diagnóstico, tratamento e cuidado integral das pessoas afetadas. O foco central da campanha, definido pela Federação Internacional de Associações de Pessoas Afetadas pela Doença de Chagas (Findechagas), é a transmissão vertical da doença, que pode ocorrer durante a gestação ou o parto, destacando a importância do diagnóstico precoce, especialmente entre mulheres em idade reprodutiva, como estratégia fundamental para interromper o ciclo de transmissão. No Brasil, a Fiocruz lidera a campanha do Dia Mundial.
A campanha vai lançar um vídeo inédito que está voltado à conscientização sobre a prevenção da transmissão vertical, incentivando a testagem de mulheres antes da gravidez. O vídeo será lançado pelo Canal Saúde em 14 de abril. Também será lançada a história em quadrinhos Berenice e a doença de Chagas, inspirada na primeira criança identificada com a enfermidade, com o objetivo de ampliar o acesso à informação e fortalecer o diálogo com diferentes públicos. O lançamento da publicação foi realizado em parceria com o Museu da Vida Fiocruz, no sábado, 11 de abril. Também nesse dia foi realizada a contação de histórias Trilhas da ciência, no Castelo Mourisco da Fiocruz, após a apresentação da história em quadrinhos ao público.
A campanha se destaca pelo fortalecimento do protagonismo comunitário. Nos quatro países, em mais de 30 municípios de atuação do CUIDA Chagas, as equipes locais e lideranças formadas pelo projeto vêm promovendo ações de testagem e ações educativas, como palestras em escolas, teatro, ações em unidades de saúde e atividades culturais, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a doença e enfrentar o estigma ainda associado a ela.
A mobilização tem gerado impactos concretos no campo das políticas públicas. Nos municípios de Janaúba (MG) e Paraúna (GO) será apresentada à votação, nesta segunda-feira (13/4), um projeto de lei voltado ao cuidado integral das pessoas com doença de Chagas. Isto é resultado da articulação entre as lideranças comunitárias e os poderes legislativos locais. A proposta estabelece diretrizes que incluem prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.
Outros municípios também avançam nesse processo. Em Igarapé-Miri (PA) está em curso uma proposta para instituir o Dia Municipal da Doença de Chagas, com foco na conscientização da população. As iniciativas foram articuladas para coincidir com o 14 de abril, ampliando a visibilidade do tema.
Mais do que resultados pontuais, o conjunto dessas ações evidencia o potencial transformador da organização comunitária na construção de respostas mais justas e efetivas para a doença de Chagas. Ao integrar diversos atores na comunicação, educação e incidência política, o CUIDA Chagas reafirma seu compromisso com a equidade em saúde e com a eliminação da doença como problema de saúde pública.
“É fundamental dar visibilidade à transmissão vertical e garantir que mais mulheres tenham acesso à informação e ao diagnóstico no momento oportuno. Essa é uma estratégia decisiva para interromper o ciclo da doença”, destaca a investigadora principal do projeto, Andréa Silvestre, que é pesquisadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). A campanha convida profissionais de saúde, gestores públicos, organizações e a sociedade em geral a se engajarem, fortalecendo ações que ampliem o acesso ao cuidado e promovam o direito à saúde nos territórios mais afetados.
O CUIDA Chagas é liderado pelo INI/Fiocruz. O projeto atua em parceria com o Instituto Nacional de Laboratorios de Salud (Inlasa) da Bolívia; o Instituto Nacional de Salud (INS) da Colômbia; o Servicio Nacional de Erradicación del Paludismo (Senepa) do Paraguai; e a FIND, a aliança global para diagnósticos. É financiado pela Unitaid e cofinanciado pelo Ministério da Saúde do Brasil.
O objetivo principal é colaborar com a eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas. O projeto está composto por um estudo de implementação que já testou mais de 60 mil pessoas, com foco em mulheres em idade fértil; um estudo de validação que estuda a melhor combinação de testes rápidos para o diagnóstico da doença de Chagas; e um ensaio clínico que avalia a eficácia do tratamento atual da doença.
No dia 15 de abril, às 14h, o Núcleo de Estudos Avançados do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) vai debater o tema ‘Ruptura jurídica, instabilidade internacional e fratura da soberania: desafios à ordem global no século XXI’.
Com transmissão pelo canal do IOC no Youtube, o evento online contará com cinco palestrantes, além da participação especial, em vídeo, do embaixador Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República.
Participam do painel:
Breno Altman, jornalista e escritor, fundador do portal de notícias Opera Mundi;
Carla Jimenez, jornalista, ex-editora-chefe e diretora de redação do jornal El País Brasil;
Christian Lynch, cientista político, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj);
Francilene Garcia, cientista da computação, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG);
Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente, ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) e ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos e na Itália.
O Núcleo de Estudos Avançados do IOC faz parte do Fórum Brasileiro de Estudos Avançados (Fobreav). A atividade é coordenada por Renato Cordeiro, pesquisador emérito da Fiocruz.
Edição:
Vinicius Ferreira
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)