Lançado pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), o livro “Inseguridad Alimentaria y Emergencia Climática: sindemia global y um desafío de Salud Pública en América Latina”, organizado pelos pesquisadores Ana Laura Brandão, da Vice-Direção de Escola de Governo em Saúde (VDEGS), e Frederico Peres, do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh), juntamente com a professora Juliana Casemiro, do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (INU/Uerj), discute as relações entre as mudanças no clima do planeta e os impactos sobre os sistemas alimentares latino-americanos. O livro foi editado pela Editora Rede Unida e está disponível em acesso aberto em formato e-book.
As interfaces entre a insegurança alimentar e a crise climática são muitas e, cada vez mais, estão no centro dos debates e dos desafios para a Saúde Pública global, especialmente por produzirem impactos mais evidentes em países e regiões onde as desigualdades históricas e estruturais são mais evidentes, como no Brasil e na região da América Latina.
Motivados pela necessidade de gerar evidências dessa “crise de crises”, os organizadores do livro elaboraram um projeto de pesquisa, submetido e aprovado no Edital de Pesquisa 2021, no âmbito do Programa de Fomento ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico aplicado à Saúde Pública, coordenado pela Vice-Direção de Pesquisa e Inovação (VDPI/Ensp). A partir do projeto, os organizadores formaram um grupo de aproximadamente 80 pesquisadores, vinculados a 24 instituições acadêmicas com sede em 11 países da América Latina, intitulado Grupo de Estudos sobre Sistemas Alimentares Latino-americanos no marco da Mudança Global – SALA Global, cuja primeira iniciativa foi elaborar um panorama das crises alimentar e climática na região, resultando no presente livro.
Contando com experiências de 9 dos 11 países representados no Grupo SALA Global, e com participação de 43 autores, o livro traz ainda reflexões teórico-conjunturais sobre os impactos das crises alimentar e climática sobre a Saúde Pública na América Latina, bem como apresenta algumas estratégias de enfrentamento possíveis.
Entre as estratégias de enfrentamento, um capítulo, escrito pelo diretor da Ensp, Marco Menezes, em colaboração com o pesquisador do Cesteh/Ensp, Frederico Peres, aponta para o papel estratégico das Escolas de Saúde Pública da região na organização de capacidades para se antecipar aos impactos da “crise de crises” e mitigar seus efeitos negativos que, a cada ano, impactam de maneira crescente os serviços, programas e sistemas de saúde da região.
Entre os dias 20 e 22 de novembro, no marco das atividades do XII Congresso Brasileiro de Agroecologia, os organizadores farão o lançamento do livro impresso, cuja versão em português deverá estar pronta no início do ano acadêmico de 2024.
A Rede de Escolas e Centros Formadores em Saúde Pública da América Latina (Resp) vai realizar na próxima terça-feira (19/9), das 10 às 12h, o webinar 'Educação Permanente em Saúde na América Latina: Potências e Desafios nos Tempos Atuais'. O vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), Eduardo Melo, vai coordenar a atividade. Ao possibilitar uma discussão sobre a necessidade de se pensar a Educação Permanente como estratégia de gestão para fortalecer os sistemas de Saúde Pública na região da América Latina, no contexto pós-pandêmico, o Webinar aborda temas comuns e perspectivas para uma agenda estratégica de Saúde Pública regional. O evento será transmitido pelo canal da Rede de Escolas e Centros Formadores em Saúde Pública da América Latina (Resp), no Youtube.
Participam, como palestrantes, a Dra. Laura Feuerwerker (Brasil), Graduada em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) (1983), Especialização em Clínica Médica (1986), especialização em Administração de Serviços de Saúde (1991), Mestrado em Saúde Pública (1997) e Doutorado em Saúde Pública na Faculdade de Saúde Pública da USP (2002). Atualmente é professora associada do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP e o Dr. Mário Róvere (Argentina), médico Sanitarista com formação em Pediatria e Residência em Saúde Internacional. Atualmente é Diretor da Escola de Governo de Saúde “Floreal Ferrara”, Ministério da Saúde da Província de Buenos Aires e Diretor do Mestrado em Saúde Pública da Universidade Nacional de Rosário (UNR). Foi vice-diretor da região de saúde da Província de Salta, diretor de planejamento em saúde da cidade de Buenos Aires, consultor regional da Opas/OMS para a Região Andina, vice-diretor do mestrado em saúde pública da Universidade de Buenos Aires (UBA), professor de planejamento social em pós-graduação na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) e Vice-Ministro da Saúde da Nação.
O debate contará com a participação de especialistas, lideranças sociais e atores da prática, bem como o público poderá enviar perguntas pelo chat do YouTube. Contamos com a participação de todas e todos neste evento que discute um tema central para a saúde e o desenvolvimento social da América Latina.
Assista ao webinar:
Como os jovens da América Latina e o Caribe estão vivendo depois de quase dois anos de pandemia? Quais são suas preocupações presentes e futuras? Essas são as perguntas norteadoras da segunda pesquisa realizada pelas Nações Unidas sobre a Juventude da América Latina e do Caribe no Contexto da Pandemia de Covid-19. O inquérito é voltado a jovens entre 15 e 29 anos. A Juventude 2030 estabelece como uma de suas prioridades ampliar as vozes dos jovens para promover uma vida pacífica, justa e sustentável. Assim, as informações desta pesquisa permitirão conhecer melhor a situação, realidades e necessidades dos jovens da região com vista à implementação da Agenda 2030, que por sua vez servirá de guia para o trabalho futuro do Fundo da População das Nações Unidas (Unfpa). O questionário pode ser respondido até 31 de outubro.
Responda aqui ao questionário!
Segundo o Unfpa, é previsto que o impacto da pandemia aumente as desigualdades existentes, afetando majoritariamente os adolescentes e jovens, e que os mesmo terão diminuídas as suas possibilidades de desenvolvimento ao enfrentar um exercício limitado de seus direitos humanos. Nesse sentido, as Agências do Sistema das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe que integram o Grupo de Trabalho sobre Juventude da Plataforma de Colaboração Regional para a América Latina e o Caribe elaboraram essa pesquisa, pois acreditam que para traçar uma rota para a recuperação exitosa, é
necessário contar com a voz das pessoas jovens.
A participação é totalmente voluntária, e os organizadores do inquérito pedem que os participantes pensem cuidadosamente sobre suas respostas. Além disso, vale ressaltar que as informações individuais desta pesquisa são confidenciais e as respostas são anônimas.
A primeira pesquisa regional ocorreu em maio de 2020 e contou com a participação de 7.700 jovens. A partir das experiências relatadas na primeira rodada, foram realizados ajustes ao questionário, chegando neste segundo levantamento de informações, que estará disponível para preenchimento até o dia 31 de outubro de 2021.
A Revista Pan-Americana de Saúde Pública, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), abriu uma chamada de artigos para a edição especial Recursos humanos para uma saúde universal, a ser publicada em 2020. Os trabalhos – que serão aceitos em português, espanhol ou inglês – podem ser enviados até 15 de janeiro pelo site.
O processo de seleção seguirá os procedimentos de revisão da revista. Serão aceitos artigos originais de pesquisa, revisões sistemáticas, artigos de opinião e análise, artigos especiais ou comunicações breves. Dentro do tema proposto, serão considerados os manuscritos que abordem os tópicos:
• Fortalecimento e consolidação da governança e liderança dos recursos humanos em saúde;
• Desenvolvimento das condições e capacidades dos recursos humanos em saúde para ampliar o acesso à saúde e à cobertura de saúde com equidade e qualidade;
• Interação com o setor da educação para responder às necessidades dos sistemas de saúde na sua transformação rumo ao acesso universal à saúde e à cobertura universal de saúde.
Os trabalhos devem seguir as normas previstas nas Instruções aos Autores. É preciso indicar na carta de apresentação e na interface eletrônica de submissão que o artigo está sendo enviado para o número especial e informar em qual desses três tópicos o artigo se enquadra.
Em caso de dúvidas, enviar e-mail para: contacto_rpsp@paho.org (indicar no assunto “Recursos humanos para uma saúde universal”).
Intensificar a cooperação Sul-Sul por meio de promoção da saúde para crianças e jovens, assim como saúde materna, direito reprodutivo e combate à violência de gênero. Essas foram as prioridades identificadas para o início do trabalho em parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). As instituições assinaram um Memorando de Entendimento (MdE) em julho, paralelo ao Fórum Político de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável, na sede da UNFPA em Nova York.
Profissionais da Fundação e do UNFPA se reuniram na Fiocruz entre os dias 7 e 9 de agosto para definir as ações iniciais a serem tomadas e preparar um documento que será apresentado em novembro, em Nairóbi, no Quênia, na Cúpula sobre a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento. “Estamos aqui para traduzir o MdE em projetos. A ideia é que o acordo não beneficie somente as duas instituições, mas o mundo todo”, explicou Jaime Nadal, representante do Fundo no Brasil.
A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, destacou que a cooperação se justifica pelas agendas que as instituições têm em comum. “Precisamos reforçar três pontos: educação, pesquisa, e, principalmente, advocacy, uma tradição na Fundação e no UNFPA”. A presidente lembrou, ainda, a preocupação em realizar pesquisas quantitativas e qualitativas, a fim de gerar dados que permitam analisar desigualdades entre as regiões que serão beneficiadas pelo MdE.
Na ocasião, foram apresentados dados de países da África, América Latina e Caribe para que os participantes da reunião pudessem avaliar onde os esforços devem ser priorizados. Profissionais da Fundação também apresentaram a experiência institucional em algumas áreas, como saúde materna, e no desenvolvimento da plataforma de educação Campus Virtual Fiocruz. “Trata-se de um acordo técnico, mas também de desenvolvimento, pois será voltado aos locais mais pobres, considerando que o que justifica a cooperação Sul-Sul é a interseção entre esses países”, afirmou Paulo Buss, diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz.
Estas convergências entre as nações envolvidas foram destacadas por todos os participantes, principalmente alguns pontos de origem mais recente, como a transição demográfica dos países e o ressurgimento e fortalecimento das posições mais conservadoras, que acabam por refletir na promoção da saúde de jovens e mulheres, especialmente. “O trabalho relacionado aos países envolvidos na cooperação Sul-Sul é realizado há 40 anos, mas precisamos acelerar e pensar em soluções inovadoras”, disse Bobby Olarte, assessor sênior para cooperação entre países do UNFPA.
A principal solução encontrada pelos participantes da reunião foi a criação de um Centro de Referência, que atenda a países da África, América Latina e Caribe, no qual seriam desenvolvidas ações voltadas às prioridades definidas. Os próximos passos desta primeira fase da cooperação são: identificar como o Centro será financiado e que projetos específicos serão desenvolvidos. “A Fiocruz e o UNFPA trabalham pelos mais vulneráveis e compartilham uma visão de mundo, a parceria vai levar uma agenda de saúde universal onde é mais necessária”, finalizou Jaime Nadal.
O Museu da Vida, departamento da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), foi premiado no 16° Congresso da RedPOP (Red de Popularización de la Ciencia y la Tecnología en América Latina y el Caribe), realizado de 22 a 25 de abril no Panamá, com o tema Viva a ciência!. Esse é o mais importante prêmio oferecido a pessoas e instituições que se dedicam à popularização da ciência na América Latina e Caribe. Na cerimônia de premiação, o Museu da Vida foi representado por Marina Ramalho, coordenadora do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica (NEDC), e Diego Bevilaqua, ex-chefe do Museu e atual assessor em divulgação científica da COC.
A cada dois anos, em seus congressos, a RedPOP premia aqueles que se destacam por suas contribuições à divulgação científica na região. Em 2019, além do Museu da Vida (na categoria Centros e Programas), também foi premiada Elaine Reynoso, da Universidad Nacional Autónoma de México (na categoria Especialistas).
A RedPOP tem como objetivo contribuir para o fortalecimento, o intercâmbio e a cooperação entre grupos, programas e centros de divulgação científica na América Latina e Caribe, bem como estimular novas iniciativas de popularização da ciência e tecnologia na região. Ao oferecer o prêmio, a RedPOP busca reconhecer iniciativas que se sobressaem por sua criatividade, originalidade, rigor e impacto.
Os candidatos inscritos para concorrer à premiação são avaliados por um júri independente, formado por três especialistas de renome no campo, indicados pela direção executiva da RedPOP.
A candidatura do Museu da Vida ao prêmio aconteceu em um momento bastante significativo de sua trajetória. Ao mesmo tempo em que celebrava as conquistas alcançadas em 2018, o Museu se preparava para desafios ainda mais expressivos em 2019, ano em que comemora seu 20º aniversário. Essas conquistas e desafios exemplificam como, ao longo de duas décadas, o Museu da Vida não só se consolidou como um equipamento científico-cultural de referência na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, como também expandiu seu alcance e impacto para outros bairros e municípios, com uma atuação marcada pela promoção da inclusão social e da participação cidadã.
Em 2018, o Museu da Vida recebeu mais de 65 mil visitantes no campus Manguinhos, um recorde de público desde sua criação, em 1999. Se somarmos os visitantes das exposições itinerantes e do Ciência Móvel, esse número ultrapassa 300 mil. Mais do que um destaque em termos quantitativos, esse recorde adquire outro significado se considerarmos a desigualdade em todas as escalas que temos no Brasil: ele representa o resultado de um compromisso com a acessibilidade plena, visando à inclusão social de públicos historicamente excluídos e sem acesso a equipamentos de cultura.
O compromisso com a acessibilidade plena se torna ainda mais expressivo à luz da iminente ampliação das atividades do Museu da Vida, em razão do Plano de Requalificação do Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos (NAHM), em curso desde 2014 e, atualmente, já em fase de implantação – em acordo assinado em dezembro do ano passado, recebeu apoio financeiro de R$ 10 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Plano propõe novos usos e ocupações para a área histórica da Fiocruz, que remonta ao início do século 20, à atuação de Oswaldo Cruz e a capítulos importantes da história da saúde no Brasil. Essa área compreende não só o Castelo Mourisco, mas também outras edificações centenárias, como a Cavalariça, o Pavilhão do Relógio e o Pombal, além de outros espaços, como a Praça Pasteur e o Caminho Oswaldo Cruz.
O Plano do NAHM não só amplia o acesso do público ao patrimônio arquitetônico e aos acervos culturais da saúde pública brasileira, como também representa uma nova dinâmica de visitação ao Museu da Vida, expandindo suas áreas de exposição de longa duração e intensificando sua relação com o território. O Plano transforma o campus Manguinhos da Fiocruz em um "campus parque", a ser apropriado pelas comunidades interna e externa, agregando as dimensões institucionais, da divulgação científica e cultural, do patrimônio cultural e do lazer.
Essa visão ampliada está refletida no primeiro Plano Museológico do Museu da Vida (2017-2021), fruto de um trabalho coletivo de planejamento e gestão com o objetivo de dar a dimensão e o sentido do papel deste Museu: servir à sociedade e agir como elemento do Estado para a melhoria da qualidade de vida da população e a transformação da realidade social. Hoje, às vésperas de completar seu 20º aniversário - foi fundado em 25 de maio de 1999 -, o Museu da Vida comemora sua maturidade institucional, reconhecida pelo prêmio recebido nesta edição 2019 do Congresso da RedPOP.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI) — especializada em educação, ciência e cultura que reúne países ibéricos e latino-americanos — assinaram um protocolo de intenções de cooperação técnica na segunda-feira (7/8) no Castelo Mourisco, sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro. O acordo visa o desenvolvimento de programas conjuntos e o intercâmbio científico, incentivando ações nos campos da saúde, ciência, tecnologia e desenvolvimento social. A cooperação prevê a realização de projetos, cursos, conferências, encontros, palestras, seminários, intercâmbios de profissionais e serviços de consultoria, entre outras atividades que reúnam especialistas de diversas áreas do conhecimento. De acordo com o documento, serão estimuladas parcerias com ministérios, órgãos governamentais e outros organismos para apoiar e disseminar as iniciativas.
A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, observou que a cooperação foi propiciada, em grande parte, devido aos esforços do vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Manoel Barral-Netto. “Esse acordo nos põe no sentido de caminharmos juntos, sendo extremamente positivo para a Fiocruz, e que imediatamente pensemos em ações de intercâmbio de pesquisa e mobilidade”, disse Nísia.
Ela também destacou que a OEI tem expandido sua atuação para países da África de língua portuguesa como Cabo Verde e Moçambique, que atualmente participam da organização como observadores, Nísia afirmou que esse direcionamento está em conformidade com a atuação da própria Fiocruz no continente. “No caso de nossa cooperação com a África, acabamos de formar a quinta turma de mestrado em ciências da saúde em Moçambique. A cooperação com o país tem vertido toda área da ciência da saúde aplicada, e pensamos em estender e aprofundar laços com outros países da África de língua portuguesa e da América Latina. Recentemente recebemos a presença do diretor da Administração Nacional de Laboratórios e Institutos de Saúde da Argentina, e caminhamos para uma parceria muito importante no que se refere à produção e disseminação de vacinas contra febre amarela”, acrescentou a presidente.
Por sua vez, o secretário geral da OEI, Paulo Speller, destacou a importância do acordo para a sua própria instituição. “O Brasil é um parceiro imprescindível para a OEI, e a primeira referência que temos [aqui] é sempre a Fiocruz. É a instituição brasileira de maior tradição, com presença nos campos de ciência e tecnologia, com presença internacional inclusive”, afirmou. Ele enfatizou que o acordo se deu de modo ágil – a negociação começou em abril deste ano.
Speller também ressaltou a esperança de uma atuação significativa no continente africano. “Há uma expectativa muito grande fora do Brasil, tanto na América Latina quanto na Espanha e em Portugal, de que a Fiocruz esteja presente na OEI, além de órgãos brasileiros de incentivo à pesquisa e do Ministério de Ciência e Tecnologia. A participação de Cabo Verde e de Moçambique como observadores na OEI complementam ações que a Fiocruz historicamente já vem fazendo na América Latina. O mundo ibero-americano vai além do que pensamos”, disse o secretário.
Segundo o vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Manoel Barral-Netto, dada a longa história de atividade da OEI em países ibero-americanos, o acordo permitirá que a Fiocruz amplie sua integração com instituições dessa região. "Isto poderá ocorrer em vários campos, a começar com ações na área educacional e de pesquisa". Ele disse que a OEI demonstrou interesse em cooperar com o Campus Virtual Fiocruz para utilizar seu conteúdo nos esforços educacionais dos países da região. "Além da tradução do conteúdo para o castelhano, vislumbramos a possibilidade de enriquecer o conteúdo do Campus com o material de outras instituições", afirmou o vice-presidente.
Fonte: André Costa (Agência Fiocruz de Notícias) | Foto: Peter Ilicciev
Desde 2014, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) desenvolve diferentes tipos de cooperações com instituições formadoras em saúde pública de Cuba, para fortalecer a capacidade de governança dos sistemas de saúde de ambos os países. Como fruto dessa relação, a Ensp realizou, em 2015, o 1º Colóquio Brasil-Cuba de Formação em Saúde Pública. No ano seguinte, foi a vez de Cuba sediar a segunda edição do evento.
Para 2017, a Escola prepara um encontro mais abrangente, intitulado 1º Colóquio Latino-Americano de Formação em Saúde Pública, cujo principal objetivo é possibilitar o intercâmbio de experiências exitosas de formação em saúde pública. A ideia é estreitar o diálogo e o crescimento conjunto de instituições-chave do Brasil e de Cuba, que cotidianamente enfrentam o desafio de qualificar recursos humanos para seus sistemas de saúde. O evento acontecerá de 8/5 a 10/5 na Ensp.
O 1º Colóquio Latino-Americano e o 3º Colóquio Brasil-Cuba de Formação em Saúde Pública tiveram suas bases definidas no encontro de 2016. Decidiu-se, então, que a perspectiva do evento deveria ser mais abrangente: além de facilitar o diálogo entre instituições brasileiras e cubanas, é importante também incorporar experiências de outras instituições latino-americanas, responsáveis pela formação e qualificação de quadros estratégicos para os sistemas de saúde da região. Para isso, estarão presentes professores, dirigentes e alunos de instituições formadoras de diversos países latino-americanos discutindo oportunidades e desafios para aprimorar a governança e a gestão dos serviços, programas e sistemas de saúde regionais.
As inscrições são gratuitas, porém limitadas. Para se inscrever, basta acessar o link, disponível abaixo, e preencher o formulário on-line.
Histórico: saiba mais sobre o Colóquio Brasil-Cuba de Formação em Saúde Pública
A primeira edição do Colóquio Brasil-Cuba aconteceu em dezembro de 2015 na Ensp e reuniu, além de alunos, dirigentes e integrantes das três instituições participantes: a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), a Escola Nacional de Saúde Pública de Cuba e o Instituto Nacional de Higiene Epidemiologia e Microbiologia. O encontro uniu centros formadores de saúde pública dos dois países como uma estratégia fundamental para reforçar a formação dos profissionais e dar passos concretos para elaboração de acordos que perpassam todas as áreas da saúde pública. As ações de cooperação entre os países, tanto no campo da formação como na área de serviços ou no intercâmbio de profissionais, também ficaram mais fortalecidas.
Já a segunda edição do encontro foi realizada em Havana, Cuba, em setembro de 2016, e reuniu escolas e institutos de saúde pública dos dois países para discutir os desafios e estratégias tendo em vista o aperfeiçoamento da formação em saúde. No segundo ano, a novidade foi a associação do colóquio ao Programa de Estágio Internacional dos alunos de Residência da Ensp, o que resultou na participação ativa dos alunos durante o evento. Eles apresentaram seus respectivos programas de formação no Brasil; discutiram os desafios da internacionalização com alunos e professores de instituições cubanas, assim como abordaram as peculiaridades da formação em serviços nos dois países.
Fonte: Ensp/Fiocruz
“É preciso calcular o custo de não fazermos o que temos que fazer”, disse recentemente a ex-presidente chilena Michelle Bachelet – que é médica, foi a primeira ministra da Saúde, primeira ministra da Defesa e primeira presidente da história do Chile. Bachelet estará na manhã da quinta-feira, 26 de julho, na abertura do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva da Abrasco, com a conferência Direitos e democracia: sistemas universais e públicos de saúde.
A imprensa chilena divulgou a participação de Bachelet: “Ya está confirmado que en fin de julio Bachelet partirá a Brasil. Llegará a Río de Janeiro en compañía de la ex ministra de Salud, Helia Molina. Ahí participará de la conferencia inaugural del Congresso de Brasil de Salud colectiva, en el que están inscritas 10 mil personas. Derechos, libertad, democracia, universidad Pública y el Sistema Único de Salud están sometidos a ataques cerrados. El principal recurso a nuestra disposición para organizar la resistencia e impedir retrocesos a la libertad y a los derechos sociales somos nosotros mismos. El Abrascón 2018 es uno de los medios por los que podemos resonar nuestra voz, dice la convocatoria de la conferencia en Brasil que abrirá la ex presidenta”, publicou o jornal chileno La Tercera.
A ex-presidente do Chile preside atualmente uma comissão de alto nível convocada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para propor soluções que ampliem o acesso e a cobertura de saúde na região das Américas até 2030, sem deixar ninguém para trás. Para que exista saúde universal, para todos e em todos os lugares, “temos que construir consensos nacionais, pois os desafios são de tal magnitude que requerem o compromisso e o esforço de todos”, alertou Bachelet durante a conferência organizada pela Opas em Washington, nos Estados Unidos, em abril passado.
Para a médica chilena, “a desigualdade é um grande inimigo na América Latina e no Caribe”. Bachelet sustenta ainda que o melhor caminho inclui uma ênfase maior para a promoção de saúde e prevenção de doenças, reduzir a segmentação e a fragmentação dos serviços de saúde, resguardar as condições de trabalho dos profissionais, incluir novas tecnologias e inovação e melhorar a regulação do Estado para a construção de sistemas de financiamento que promovam a solidariedade. “Para isso, não há milagres nem atalhos, o que há é um longo caminho de trabalho coletivo que leva a mais justiça para todas e todos”, concluiu Bachelet.
Quatro décadas depois da Declaração de Alma-Ata, que defendia a saúde para todos até o ano 2000, 30% da população da região das Américas não tem acesso ao atendimento de saúde por motivos econômicos e 21% não recebe atendimento devido a barreiras geográficas. Nos últimos anos, os países da região conseguiram avanços e implementaram diversas transformações em seus sistemas de saúde para que sejam mais inclusivos e cheguem às pessoas que precisam deles. O trabalho da comissão visa a acelerar essas transformações, incluindo a sociedade civil no desenho, implementação e supervisão das políticas e planos de saúde criados para ela. A expectativa é de que isso contribua para alcançar a saúde universal até 2030, como estabelecido pelos países na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
“Devemos dar resposta com urgência aos principais desafios atuais em saúde”, como o envelhecimento acelerado da população e as doenças não transmissíveis, tem dito Bachelet, chamando a atuar com maior decisão e impulsionar políticas que permitam enfrentar as desigualdades em matéria de saúde e incluir os grupos mais vulneráveis, porque, segundo ela, não abordar esse tema significa renunciar como região à possibilidade de alcançar um desenvolvimento sustentável. A comissão produzirá um relatório com recomendações para melhorar o desempenho dos sistemas de saúde, incluir aqueles que ainda estão excluídos, empoderar as comunidades e melhorar a participação social nas decisões que afetam a saúde, com o objetivo de avançar para a saúde universal na região.
Fonte: Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)
A Fiocruz e a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) assinaram, na última quinta-feira (19/4), um acordo de cooperação internacional voltado ao cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Firmado pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, e pela Secretária Executiva da Cepal, Alicia Bárcena, em Santiago do Chile, onde acontece o Fórum de Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável do órgão internacional, o documento prevê a colaboração entre as instituições em iniciativas que articulem desenvolvimento socioeconômico e saúde.
As atividades previstas incluem a elaboração e a execução conjunta de projetos de pesquisa e prospecção, o intercâmbio acadêmico de pesquisadores e estudantes, o intercâmbio de informações e documentação técnica sobre as relações entre desenvolvimento e saúde, a organização conjunta de seminários e a publicação em comum de artigos e trabalhos científicos.
O termo também estabelece a criação de plataformas e outros dispositivos para produzir e difundir conhecimento sobre relações entre desenvolvimento e saúde, a elaboração de tecnologias sociais que contribuam com melhorias de qualidade de vida e que as partes cooperem para o desenvolvimento de territórios sustentáveis, entre outros.
Segundo a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, o acordo “trabalha de maneira articulada as dimensões econômica, social e ambiental, o que é essencial para nossa visão da Agenda 2030. Ele também entende os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) a partir de uma visão de direitos e de participação social, algo muito caro para nós. Este documento possibilita a implantação de uma agenda muito ampla, possível a partir da convergência entre como a Fiocruz e a Cepal entendem a Agenda 2030”.
O diretor da Cepal em Brasília, Carlos Mussi, afirmou que o acordo “levará a experiência da área de desenvolvimento econômico e social da Comissão à Fiocruz. Esperamos contribuir com uma melhor capacitação sobre estilos e estratégias de desenvolvimento econômico. Também oferecemos reflexões sobre as estratégias do complexo econômico e industrial de saúde, que implica em ganhos de inovação e competitividade. Pensaremos como esse complexo pode atender ao SUS, se servirá exclusivamente ao setor público ou também ao privado e se pode possibilitar exportações, entre outros”.
Fonte: André Costa (Agência Fiocruz de Notícias)
Foto: Cepal