Em um cenário em que a desinformação e a desconfiança colocam em risco conquistas históricas da saúde pública, a vacinação volta ao centro do debate. Para fortalecer a atuação dos profissionais diante desse desafio crescente, a Fiocruz lança o curso “Hesitação vacinal: uma ferramenta para auxiliar os profissionais de saúde”, uma formação estratégica que busca preparar trabalhadores para lidar com recusas, dúvidas e inseguranças da população. Mais do que um tema técnico, este curso trata de uma questão urgente de saúde pública! O curso é uma promoção do Núcleo Interdisciplinar sobre Emergências em Saúde Pública (Niesp), ligado à Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e ao Centro de Estudos Estratégicos Antônio Ivo de Carvalho (CEE), em parceria com o Campus Virtual Fiocruz. As inscrições já estão abertas!
Dados recentes do Ministério da Saúde indicam esforços para recuperar essas coberturas, mas o desafio permanece. A hesitação vacinal — fenômeno complexo que envolve fatores culturais, sociais, políticos e informacionais — é hoje reconhecida como uma das principais ameaças à saúde pública global. Nesse contexto, o preparo dos profissionais de saúde, especialmente na Atenção Primária, torna-se decisivo para reverter esse quadro. O curso foi estruturado para oferecer uma abordagem crítica e contextualizada sobre a hesitação vacinal, articulando conhecimento técnico-científico com a experiência cotidiana dos profissionais. Com carga horária de 30h e autoinstrucional, a formação é voltada a trabalhadores da saúde e demais interessados no tema.
Reconhecido internacionalmente por seu robusto Programa Nacional de Imunizações (PNI), o país construiu, ao longo de décadas, uma trajetória exemplar no controle de doenças imunopreveníveis. Até 2016, o Brasil alcançava altas coberturas vacinais de forma consistente, sendo referência global. No entanto, nos anos seguintes, esse cenário sofreu uma brusca mudança de rota: queda generalizada nas taxas de vacinação e aumento da desconfiança em relação à segurança e à eficácia das vacinas.
Com o curso, os participantes terão contato com conteúdos que abordam desde a história das vacinas e seu funcionamento até aspectos éticos, estratégias de comunicação e políticas públicas relacionadas à imunização. A proposta é ir além da informação. Busca-se desenvolver habilidades práticas para o manejo da hesitação no cotidiano dos serviços. Entre os principais aprendizados, destacam-se a compreensão do papel das vacinas na saúde global, o reconhecimento das características do PNI, a análise dos diferentes tipos de imunizantes e suas fases de desenvolvimento, além da construção de estratégias de diálogo que fortaleçam a confiança da população. Em um contexto em que a circulação de informações falsas impacta diretamente as decisões em saúde, saber alcançar o outro e se comunicar é tão importante quanto dominar o conteúdo técnico, estabelecendo diálogo e vínculo com a população. A vacinação, nesse sentido, não é apenas uma medida de proteção individual, mas um pacto coletivo que sustenta a proteção de comunidades inteiras.
A vacinação sempre foi o coração do SUS, mas, nos últimos anos, temos observado um fenômeno novo nas salas de vacina: a hesitação vacinal. Segundo o coordenador da formação e pesquisador da Ensp, Sergio Rego, o que antes era uma decisão quase automática para muitas pessoas, passou a ser atravessado por dúvidas, medos e, em alguns casos, recusa. Esse cenário é complexo e está diretamente relacionado a sentimentos de insegurança, receio de reações adversas e, sobretudo, à circulação intensa de desinformação e notícias falsas nas redes sociais”, afirmou ele.
Sergio, que divide a coordenação do curso com a pesquisadora Ester Paiva Souto e com a docente Lenir Nascimento da Silva, ambas da Ensp, apontou que enfrentar esse desafio passa, necessariamente, pelo fortalecimento do vínculo entre profissionais de saúde e a população em geral. “O trabalhador da saúde, especialmente aquele que atua na ponta, tem um papel central nesse processo, uma figura de confiança para as famílias e comunidades. Assim, sua fala e posicionamento podem transformar dúvidas em segurança. Por isso, iniciativas de formação como esta são tão estratégicas. Não se trata apenas de transmitir conteúdo teórico, mas de promover reflexão a partir da prática e integrar esse saber com o que há de mais atualizado na ciência”, defendeu.
O lançamento do curso representa, portanto, uma resposta concreta a um dos desafios mais urgentes da atualidade. Em tempos de incertezas e disputas informacionais, fortalecer a confiança nas vacinas é fortalecer a vida. Assim, preparar os profissionais de saúde é o primeiro passo para garantir que essa confiança seja reconstruída.
A atividade mineradora segue como um dos pilares da economia brasileira, com destaque para o estado de Minas Gerais, protagonista histórico na produção de minério de ferro. No entanto, junto à relevância econômica, cresce um passivo socioambiental de grande magnitude: a enorme quantidade de rejeitos gerados, frequentemente armazenados em barragens, representando uma ameaça constante à saúde humana e ao meio ambiente. Diante do crescente risco e exposição a metais em regiões de mineração — agravados por desastres como o de Brumadinho e a presença de mais de 900 barragens no país — o Campus Virtual Fiocruz apresenta um novo curso voltado ao enfrentamento de uma lacuna crítica no sistema de saúde, a Formação continuada em toxicologia aplicada a metais. A iniciativa visa preparar profissionais para identificar, diagnosticar e agir precocemente diante de agravos relacionados à exposição e à contaminação por metais. O curso é resultado de uma parceria entre o Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas), o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS).
Voltado especialmente a profissionais de saúde que atuam em territórios impactados pela atividade mineradora, mas aberto a todos os interessados na temática, o curso busca qualificar trabalhadores do SUS para uma resposta mais rápida, segura e baseada em evidências frente a um problema que segue impactando silenciosamente a saúde da população.
O Brasil contabiliza mais de 900 barragens cadastradas, cerca de 37% em território mineiro, estado que também concentra a maior parte dos empreendimentos de grandes empresas do setor. O secretário de Vigilância em Saúde do Estado, Eduardo Campos Prosdocimi, falou sobre as expectativas com a nova formação e celebrou a parceria com a Fiocruz, apontando que essa iniciativa certamente contribuirá para fortalecer o sistema de saúde do estado. Segundo ele, após as enormes tragédias ligadas à mineração que acometeram Minas, o estado vem estruturando uma série de ações e atividades, a fim de entender melhor seus territórios e construir políticas públicas mais eficazes e aderentes às atividades minerárias.
Ao fortalecer competências técnicas e ampliar a capacidade de atuação dos profissionais, o curso contribui diretamente para a prevenção de agravos, a identificação precoce de doenças relacionadas à mineração e a promoção de ambientes mais seguros. Em um cenário em que os riscos persistem e novos eventos não podem ser descartados, investir na qualificação da força de trabalho do SUS é uma medida estratégica e urgente para proteger a saúde pública e reduzir os impactos de um problema que, embora muitas vezes invisível, continua presente no cotidiano de milhares de brasileiros.
Formação estratégica para resposta qualificada em territórios expostos
O curso tem a coordenação compartilhada pelos pesquisadores Enrico Mendes Saggioro, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Tatiana Ázara, que também é vice-diretora de Pesquisa, Inovação e Referência do IRR/Fiocruz Minas. Tatiana ratificou o esforço conjunto e muito próximo entre a SES/MG e a Fiocruz e disse que o processo de construção da formação foi intenso. "Unimos o rigor da ciência aos desafios que os profissionais enfrentam no dia a dia, especialmente após desastres, como o de Brumadinho, que mostram de forma muito dura que os profissionais da vigilância e atenção à saúde precisam estar preparados para lidar com emergências em saúde pública e seus efeitos, imediatos e a longo prazo", disse Tatiana, defendendo ainda que a expectativa é que o curso seja uma oportunidade para que os alunos compreendam como o histórico da vigilância, perpassando a instituição de sua Política Nacional, traduz-se em tomada de decisão baseada em evidências.
"É sobre dar sentido aos sistemas de informação e transformar notificações em ações que garantam a segurança do ambiente, da água e do que as pessoas comem. Esperamos que o profissional se sinta seguro para operar a linha de cuidado: saiba acolher, triar e monitorar quem chega com suspeita de intoxicação. Queremos que o egresso saia da formação com o olhar atento ao seu território para identificar sinais de exposição crônica e interpretar indicadores biológicos antes que o dano seja irreversível", detalhou Tatiana, demonstrando esperança frente ao fortalecimento da rede do SUS a partir da parceria estabelecida: "Que os profissionais possam transformar o aprendizado de tragédias passadas em ferramentas poderosas de prevenção. Nosso desejo é que essa iniciativa fortaleça a vigilância em Minas e inspire práticas em todo o território nacional, assegurando que a ciência e o cuidado cheguem de forma oportuna a quem necessita".
O curso oferece uma base sólida em conceitos de toxicologia, vigilância em saúde e análise de riscos, além de capacitar para o diagnóstico clínico, a notificação de casos e a investigação de fontes de exposição. A formação também orienta a atuação em ações educativas junto às comunidades, o monitoramento de populações expostas e a tomada de decisão baseada em evidências científicas, elementos essenciais para uma resposta integrada e eficaz. A literatura e os próprios estudos de campo indicam que muitos profissionais não possuem formação específica para reconhecer, diagnosticar e manejar casos de intoxicação por metais, o que pode resultar em subnotificação, diagnósticos tardios e intervenções inadequadas. Em municípios com intensa atividade mineradora — especialmente aqueles diretamente impactados por barragens — essa limitação compromete a adoção de medidas oportunas de prevenção, monitoramento e cuidado, ampliando os riscos à população. É nesse contexto que se insere a nova formação, voltada prioritariamente a profissionais do SUS que atuam em territórios mineradores.
Para Enrico, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), a formação representa uma oportunidade para que os alunos adquiram conhecimentos fundamentais sobre as bases da toxicologia, as vias de exposição e os principais agentes causadores de intoxicação — com destaque para os metais. O curso abrange desde os mecanismos de intoxicação até aspectos clínicos, incluindo sinais, sintomas, exames e a abordagem ao paciente exposto. “Essa formação surgiu a partir de uma demanda da Secretaria de Estado de Saúde de Minas, com o objetivo de capacitar profissionais da linha de frente e gestores para a identificação de exposições a metais, especialmente aquelas relacionadas à mineração e aos desastres ocorridos no estado. Esperamos que os participantes construam uma base sólida em toxicologia — que este curso seja apenas o início de uma trajetória na área — e que possam aprofundar seus conhecimentos, transferindo tabém conhecimentos à população atendida, ampliando sua capacidade de reconhecer sinais e sintomas de intoxicação em diferentes contextos de exposição, como na sua moradia ou trabalho”, destacou.
O rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019, é um marco trágico dessa realidade. Considerado o maior acidente de trabalho do país, o desastre resultou em centenas de mortes e liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, que se espalharam por cursos d’água, atingindo ecossistemas e comunidades ao longo de centenas de quilômetros. Além das perdas humanas irreparáveis, houve comprometimento da biodiversidade, contaminação do solo e da água e inviabilização de atividades essenciais, como agricultura, pesca e abastecimento. Os efeitos da exposição a metais pesados presentes nesses rejeitos são, muitas vezes, silenciosos e prolongados. Substâncias como chumbo, mercúrio, cádmio e arsênio possuem elevada toxicidade e podem provocar danos neurológicos, respiratórios, renais e até câncer. Dados de estudos produzidos pelo IRR/Fiocruz Minas apontam que entre os principais agravos relatados estão doenças respiratórias, alergias e problemas de pele, com maior incidência nas áreas mais próximas ao desastre. Esses dados evidenciam não apenas a extensão da contaminação, mas também a necessidade de vigilância contínua e qualificada.
Módulo 1: Bases conceituais e políticas da Vigilância em Saúde
Aula 1 - Vigilância em Saúde: trajetórias globais e o percurso brasileiro
Aula 2 - Política Nacional de Vigilância em Saúde e Planejamento
Aula 3 - Sistema Nacional de Vigilância em Saúde
Aula 4 - Emergências em Saúde Pública
Módulo 2: Conceitos básicos da Toxicologia: caracterização de exposição e qualificação da ação
Aula 1 - Introdução à Toxicologia e Contaminantes Químicos
Aula 2 - Fundamentos da Toxicocinética e toxicodinâmica dos agentes tóxicos e sua relação com a epidemiologia
Aula 3 - Toxicologia dos medicamentos e tabagismo
Aula 4 - Toxicologia dos alimentos e dos agrotóxicos
Aula 5 - Toxicologia Ocupacional
Módulo 3: Toxicologia Clínica aplicada aos Metais
Aula 1 - Toxicologia aplicados aos metais
Aula 2 - Abordagem inicial ao paciente potencialmente intoxicado e exames físicos para identificação de sinais e sintomas clínicos
Aula 3 - Interpretação de testes laboratoriais e de imagem para avaliação de intoxicação
Aula 4 - Vigilância epidemiológica e gestão da informação
Aula 5 - Exposição por metais e os determinantes sociais de saúde
Aula 6 - Comunicação de risco à saúde
A expansão da mineração no Brasil, especialmente em Minas Gerais, tem intensificado desafios à saúde pública. O cenário preocupante e também marcado por tragédias, como o rompimento da barragem em Brumadinho, que liberou milhões de metros cúbicos de rejeitos contaminados e resultou em centenas de mortes, acende um alerta diante dos riscos associados à exposição a metais, como chumbo, mercúrio, arsênio e cádmio — substâncias capazes de provocar danos silenciosos e duradouros ao meio ambiente a à saúde humana —, é urgente que profissionais de saúde estejam qualificados para identificar, diagnosticar e agir precocemente diante de agravos relacionados à exposição e à contaminação por metais.
A partir desse contexto, acontece nesta terça-feira, 31/3, às 9h, o lançamento presencial da Formação continuada em toxicologia aplicada a metais, com a realização da mesa-redonda 'Saúde, meio ambiente e desastres: A importância de discutir contaminação e intoxicação por metais no cenário atual'. O debate, fechado a convidados representantes de 90 secretarias municipais de saúde de regiões envolvidos com intensa atividade mineradora, gestores da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e pesquisadores da Fiocruz, será transmitido ao vivo pelo canal da SES-MG no youtube.
Acompanhe aqui o debate e o lançamento do curso:
As inscrições para o curso começam na terça-feira, 31/3!
Desenvolvido pelo Campus Virtual Fiocruz em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a SES-MG e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), o curso surge como resposta estratégica para fortalecer a capacidade do SUS na identificação, monitoramento e manejo de agravos relacionados à contaminação por metais.
A nova formação, que terá as inscrições liberadas durante o evento, em 31/3, oferece uma base sólida em conceitos de toxicologia, vigilância em saúde e análise de riscos, além de capacitar para o diagnóstico clínico, a notificação de casos e a investigação de fontes de exposição. O curso também orienta a atuação em ações educativas junto às comunidades, o monitoramento de populações expostas e a tomada de decisão baseada em evidências científicas — elementos essenciais para uma resposta integrada e eficaz. O curso tem a coordenação compartilhada pelos pesquisadores Enrico Mendes Saggioro, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Tatiana Ázara, que também é vice-diretoria de Pesquisa, Inovação e Referência do IRR/Fiocruz Minas.
A programação conta com a mesa-redonda 'Saúde, meio ambiente e desastres: A importância de discutir contaminação e intoxicação por metais no cenário atual' e terá a participação de pesquisadores do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e ainda a presença do subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais, Eduardo Campos Prosdocimi.
Disseminar modelos, estratégias e possibilidades de intervenções para a promoção do autocuidado voltados à qualificação de profissionais de nível médio e superior, especialmente os que atuam na Atenção Primária à Saúde. Esse é o objetivo do curso Autocuidado em Saúde e a Literacia para a promoção da saúde e a prevenção de doenças crônicas na Atenção Primária à Saúde, que acaba de abrir inscrições para uma nova edição. A formação, uma parceria entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde, é online e gratuita, e já conta com mais de 70 mil inscritos! Mais uma vez, este curso é oferecido em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS), iniciativa que amplia o alcance e a abrangência da formação.
Inscreva-se já!
A formação é dividida em cinco módulos, tem carga horária total de 60h, é autoinstrucional, e certifica os participantes mediante avaliação dos conhecimentos adquiridos!
O curso surgiu de uma demanda do Ministério da Saúde, e foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com o grupo de estudos e pesquisa Promoção em comunicação, educação e Literacia para a Saúde no Brasil (ProlisaBr), vinculado ao Instituto de Educação, Letras, Artes, Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). A formação está sob a coordenação-geral da médica sanitarista Ana Luiza Pavão, pesquisadora do Laboratório de Informações em Saúde (Lis/Icict/Fiocruz) e docente colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (Ppgics/Icict), além de contar com a coordenação adjunta de Rosane Aparecida de Sousa, da UFTM e coordenadora do ProLisaBR.
Segundo Ana Luiza, a temática abordada nesta formação estimula o profissional a se questionar, refletir durante a assistência cotidiana do trabalho sobre o que pode fazer para promover a saúde naquele indivíduo atendido. Com o curso, a ideia é fomentar uma visão focada na saúde e não na doença e suas complicações, buscando uma visão positiva sobre o cuidado e lançando mão de novas estratégias para melhorar a saúde, com foco na qualidade de vida, bem-estar, saúde mental, e outros aspectos que influenciam fortemente o dia a dia das pessoas.
A proposta do curso é trazer uma série de conceitos e reflexões a respeito do autocuidado em saúde e da literacia para a saúde, incluindo também a questão da comunicação em saúde, e a importância da literacia digital em saúde — que é a influência da internet e da capacidade das pessoas de obterem e manejarem informações de saúde provenientes da internet —, além dos fundamentos da promoção da saúde, e da Política Nacional de Promoção da Saúde do Ministério da Saúde. A formação conta também com o guia principal sobre Autocuidado e Literacia para a saúde, voltado aos profissionais de saúde, publicado pela editora do Ministério da Saúde.
Mais uma vez, esta edição é oferecida com a parceria da UNA-SUS, da Coordenação-Geral de Prevenção de Condições Crônicas na Atenção Primária à Saúde, que integra o Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (CGCOC/Deppros/SapsS/MS) e o Departamento de Gestão da Educação na Saúde da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (Deges/SGTES/MS). Segundo o Deppros/Saps/MS, a proposta do curso é estratégica no que diz respeito à operacionalização da gestão colaborativa do cuidado, possibilitando, especialmente aos profissionais de saúde que atuam na APS, o aprimoramento da abordagem sobre a promoção do autocuidado, com atenção à literacia para a saúde, considerando ainda os determinantes sociais da saúde e sua relação complexa com a produção de saúde e adoecimento.
O curso oferece instrumental técnico que dá ênfase nas habilidades individuais e comunitárias de fazer saúde, fomentando reflexões sobre a atuação na APS, e como os conceitos de território, orientação familiar e comunitária se interrelacionam com o reconhecimento da autonomia e trajetória das pessoas, suas comunidades e pertencimentos. Tal referencial qualifica a relação de cuidado baseada no compartilhamento de decisões, o que aumenta a probabilidade de adesão ao tratamento e a modos de viver mais saudáveis, fatores fundamentais à melhoria da qualidade de vida e à prevenção das condições crônicas não transmissíveis, com afirmação do direito à vida e à saúde.
Recursos Educacionais Abertos
O conceito de literacia para a saúde (LS) versa sobre o conhecimento, as motivações e as competências dos indivíduos para acessar, compreender, avaliar e aplicar informações sobre saúde, a fim de fazer julgamentos e tomar decisões na vida cotidiana relacionadas aos cuidados de saúde, à prevenção de doenças e à promoção da saúde para manter ou melhorar sua qualidade de vida ao longo dos anos. A LS vem do termo em inglês health literacy, mas existem outras traduções utilizadas para o conceito, como literacia em saúde, letramento em saúde e até mesmo alfabetização em saúde.
A partir da relevância da temática, foram desenvolvidos inúmeros materiais especialmente para este curso. No total, cinco guias estão disponíveis como material de apoio à formação: um sobre autocuidado e literacia e outros quatro voltados para o manejo de doenças específicas, como hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica e diabetes tipo 2. O curso disponibiliza ainda oito vídeos relativos às características das referidas doenças e suas formas de prevenção e controle, videoaulas e outros recursos educativos; além, é claro, do já citado guia principal sobre Autocuidado e Literacia para a saúde publicado pelo MS.
Autoridades, docentes e pesquisadores especialmente envolvidos com a área da educação da Fiocruz participaram de uma grande agenda estratégica para desenvolvimento e implementação de escolas de saúde pública em Moçambique. Ancorada em uma cooperação estruturante, a visita de profissionais moçambicanos aconteceu entre os dias 23 e 27 de fevereiro e envolveu cerca de 30 participantes na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro. A programação contou com a equipe da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), da Coordenação-Geral de Educação (CGE/VPEIC), da Vice-presidente de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRI/Fiocruz), e de unidades de referência na formação em saúde, como a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), além de outros atores institucionais com potencial de contribuição nessa articulação. A missão promoveu debates sobre estrutura curricular, marcos regulatórios, desenho institucional, estratégias de internacionalização e mecanismos de avaliação da qualidade acadêmica para a plena implantação da Escola Nacional de Saúde Pública de Moçambique. A iniciativa dialogou ainda com uma iniciativa mais ampla: a futura constituição de uma escola de saúde pública voltada aos países africanos de língua portuguesa (CPLP).
A cooperação estruturante firmada com o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique é uma modalidade que visa apoiar o país parceiro na criação e consolidação de capacidades próprias, fortalecendo seu sistema nacional de saúde a partir da qualificação de sua força de trabalho. Para tanto, os profissionais da Fiocruz atuarão nesse acordo na construção das bases acadêmicas, pedagógicas e institucionais necessárias para desenhar, implementar e sustentar propostas formativas em quatro campos prioritários: Economia da Saúde; Clima, Ambiente e Saúde; Saúde Digital; e Planejamento e Gestão em Saúde.
“A cooperação com Moçambique é um dos exemplos mais bem-sucedidos de cooperação estruturante do Brasil no campo da saúde, sendo a Fiocruz como protagonista. baseada em uma parceria de longa data voltada ao fortalecimento do sistema de saúde do país, ampliando sua capacidade de resposta às emergências em saúde e a tantos outros desafios, como os efeitos das mudanças climáticas e o impacto das doenças crônicas”, destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “A Fiocruz fortalece essa cooperação com importantes cooperações no campo da educação, já materializada na estruturação da Escola de Saúde Publica de Moçambique, projeto inspirador para se pensar numa escola de saúde pública de língua portuguesa. É nosso compromisso trabalharmos juntos por um Sul Global fortalecido, caminhando numa relação de trocas e solidariedade para o maior acesso da população à promoção da saúde”.
O acordo de cooperação já conta com um memorando de entendimento firmado anteriormente, podendo ser complementado por termos aditivos conforme o desenrolar do projeto e o detalhamento das ações. A visita está diretamente relacionada a um projeto financiado pelo Banco Mundial — inicialmente concebido para apoiar a preparação e resposta a novas epidemias, mas que evoluiu também para um eixo estruturante de formação de recursos humanos em saúde. Paralelamente a essa construção, a agenda no Brasil incluiu também a implementação da Escola de Saúde Pública da CPLP, que será vinculada ao próprio INS e voltada aos países africanos de língua portuguesa, com sede em Moçambique. Essa discussão foi aprofundada entre o chefe de Gabinete da Presidência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, e o diretor-geral do INS, Eduardo Samo Gudo, em reunião que articulou a composição de um grupo de trabalho para estruturar tecnicamente a proposta junto aos parceiros.
Eduardo Samo Gudo afirmou que a missão ao Brasil foi bastante produtiva, rememorando ainda que esse trabalho conjunto é um compromisso firmado pelas instituições com todo apoio político dos ministros de Saúde e dos chefes de Estado de ambos os países durante a visita do presidente Lula, em novembro de 2025, a Moçambique. Segundo ele, a escola é uma prioridade para o sistema da saúde moçambicano, que tem uma demanda importante de especialistas num momento em que o país enfrenta crescente número e agravamento de emergências em saúde pública, surtos epidemiológicos, eventos climáticos, doenças crônicas, além de rápido crescimento demográfico "Esse contexto socioeconômico e demográfico demanda novas competências dos profissionais de saúde e, por isso, a escola é fundamental. A Fiocruz tem muita experiência, a partir da sua Escola de Saúde Pública (Ensp) e a Escola Politécnica de Saúde (EPSJV), e é esse conhecimento que aproveitamos nesta missão. Voltamos para Moçambique para a continuidade dessas discussões e certos do apoio e a dedicação que recebemos dos profissionais da Fiocruz. Foi uma demonstração do compromisso que a instituição tem com a formação de profissionais de saúde”.
Durante o período na Fiocruz, a comitiva compartilhou expectativas e necessidades locais e conheceu detalhadamente programas de pós-graduação, suas linhas de pesquisa e estruturas curriculares, debateram modelos pedagógicos, estratégias de implementação e analisaram experiências já consolidadas pela Fundação, incluindo sua interface histórica com o Ministério da Saúde brasileiro. Além da Ensp e a EPSJV, outras iniciativas e coordenações da Fundação foram apresentadas como potenciais parceiros para essa grande construção, como o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), a Coordenação de Informação e Comunicação (Cinco/VPEIC), o Campus Virtual Fiocruz e o Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco).
Ao final da visita, foram definidas linhas de trabalho concretas para apoio técnico e acadêmico da Fiocruz ao país africano, consolidando uma agenda de cooperação internacional orientada ao fortalecimento sustentável do sistema de saúde moçambicano por meio da implementação de uma escola nacional robusta, estratégica e alinhada à formação qualificada de recursos humanos e às prioridades sanitárias de Moçambique.
Fotos da imagem de capa: Peter Ilicciec (CCS/Fiocruz)
O número de casos de Mpox seguem aumentando em nosso país. Dados atualizados desta quinta-feira, 26/2, do Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica para Mpox do Ministério da Saúde apontam que o país já soma 88 casos confirmados, distribuídos em diferentes estados, o que evidencia a continuidade da circulação do vírus e a necessidade de vigilância epidemiológica permanente. Embora a maior parte das ocorrências apresente evolução clínica sem agravamentos significativos, especialistas ressaltam que a identificação precoce e a notificação oportuna são determinantes para interromper cadeias de transmissão e evitar novos surtos.
Da semana passada para esta, os dados quase dobraram: eram 47 casos confirmados em 20/2 . Nesse contexto, a capacitação das equipes do Sistema Único de Saúde (SUS) torna-se estratégica. Profissionais que atuam na atenção, na vigilância e na gestão precisam estar preparados para reconhecer sinais e sintomas, orientar a população e acionar fluxos adequados de cuidado e monitoramento. Educação permanente em saúde é componente essencial para fortalecer a resposta coordenada do sistema público frente a emergências sanitárias. O curso Mpox: Vigilância, Informação e Educação em Saúde foi desenvolvido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), e certifica os participantes. A formação é online, gratuita, possui carga horária de 48h e está estruturada em quatro módulos. Ao integrar conteúdos sobre vigilância epidemiológica, qualificação da informação e estratégias educativas, o curso se consolida como ferramenta relevante para ampliar a capacidade de resposta do SUS, contribuindo para uma atuação mais ágil, técnica e alinhada às diretrizes da saúde pública brasileira.
O curso é estruturado para fortalecer competências técnicas na Atenção Primária, e aborda aspectos clínicos, epidemiológicos, notificação, investigação de casos e estratégias de educação em saúde. Voltado especialmente para profissionais de nível técnico e trabalhadores do SUS, a formação capacita profissionais a reconhecer sinais e sintomas, compreender fluxos de notificação e atuar de forma integrada na resposta local.
Ainda não se sabe se a nova variante, detectada no Reino Unido e na Índia em fevereiro de 2026, tem maior transmissibilidade ou risco clínico, mas o fato é que ela reacende a importância da vigilância global e do fortalecimento das ações de saúde pública para monitorar e conter possíveis novos surtos.
Poli: Compromisso com o fortalecimento do SUS e a valorização dos trabalhadores da linha de frente
Esta formação foi lançada em outubro de 2025 em resposta a centenas de notificações de casos no Brasil, pois, mesmo sem um surto explosivo, a vigilância e a educação em saúde permanecem essenciais para identificar suspeitas precocemente e conter possíveis avanços da doença no país e no mundo. A formação tem a coordenação compartilhada dos pesquisadores e professores da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Fernanda Bottino, Maurício Monken e Carlos Batistella, que são, respectivamente, do Laboratório de Educação Profissional em Técnicas Laboratoriais em Saúde (Latec/EPSJV), do Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde (Lavsa/EPSJV), e coordenador de Cooperação Internacional da Escola. A iniciativa é resultado de um esforço coletivo dos referidos laboratórios da EPSJV/Fiocruz, que uniram suas expertises para desenvolver um curso com base na formação crítica de trabalhadores para o enfrentamento de temáticas emergentes da saúde coletiva, fortalecendo, assim, o compromisso histórico da Escola na formação de profissionais técnicos em saúde, com foco na vigilância, informação e educação em saúde.
Conheça a estrutura da formação e inscreva-se:
Módulo 1: Conceitos básicos sobre a Mpox
Aula 1: Mpox: a doença, o vírus e a epidemiologia
Aula 2: Transmissão, sinais e sintomas e diagnóstico
Aula 3: Tratamento e prevenção
Módulo 2: O processo de notificação da Mpox e o papel do profissional de nível médio
Aula 1: O registro da Mpox no sistema de informação em saúde
Aula 2: Como realizar o processo de notificação da Mpox
Aula 3: Aspectos éticos no registro da Mpox com ênfase nos ambientes digitais
Aula 4: O protagonismo dos profissionais de Nível Médio no registro e informação sobre a Mpox
Módulo 3: Mpox no sistema de saúde: os desafios da prática educativa para a sua prevenção
Aula 1: Prevenção e o papel dos profissionais de saúde na suspeita, encaminhamento e acompanhamento de casos
Aula 2: Educação em saúde
Aula 3: Educação popular em saúde e o planejamento de atividades educativas
Módulo 4: Mpox: a importância das ações de vigilância em saúde
Aula 1: Vigilância em Saúde
Aula 2: Informações na gestão de risco da Mpox
Aula 3: A vigilância da Mpox no território
Aula 4: Ações educativas e comunicativas de vigilância em saúde
O Campus Virtual Fiocruz acaba de disponibilizar a segunda oferta do curso Utilização dos testes rápidos no diagnóstico da infecção pelo HIV, da Sífilis e das Hepatites B e C, uma formação online, gratuita e autoinstrucional oferecida em parceria com o Ministério da Saúde. Este curso foi desenvolvido a partir de uma demanda do MS e é considerado uma estratégia de qualificação dos profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) para orientação e sensibilização dos profissionais de saúde que lidam diretamente com a realização de testes rápidos — procedimentos pré-teste, durante a testagem e pós-teste. A primeira edição formou quase 40 mil profissionais e a segunda já conta com mais de 50 mil inscritos. A testagem rápida é um instrumento fundamental para a detecção precoce de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e para a interrupção da cadeia de transmissão.
Organizado em seis módulos, com 20 horas de carga horária, a formação aborda desde os procedimentos pré-teste, o manuseio e execução dos kits, até a interpretação dos resultados e o encaminhamento adequado na rede de atenção à saúde. O conteúdo é baseado nas diretrizes oficiais do Ministério da Saúde e nos manuais técnicos que orientam a prática segura e padronizada da testagem rápida no SUS, oferecendo uma base sólida para o trabalho cotidiano dos profissionais de saúde.
A formação tem demonstrado impacto significativo no serviço, refletido na ampla adesão dos profissionais e na importância do tema para o cotidiano dos serviços de saúde no Brasil. A nova oferta amplia essa oportunidade de qualificação e é aberta a todos os interessados nas diretrizes de diagnóstico de HIV, sífilis e hepatites virais no âmbito do SUS, com foco na utilização dos testes rápidos.
Segundo especialistas da área, a qualificação continuada em diagnóstico é peça-chave para a efetividade das políticas públicas de saúde, sobretudo em serviços de atenção básica, onde a testagem rápida representa um dos primeiros pontos de contato com a população. O curso do Campus Virtual Fiocruz oferece uma resposta educacional alinhada a essa necessidade, fortalecendo competências técnicas e contribuindo diretamente para a ampliação da capacidade de vigilância, diagnóstico e cuidado no país.
Profissionais que concluírem o curso são certificados pela Fiocruz.
Conheça a estrutura do curso Utilização dos testes rápidos no diagnóstico da infecção pelo HIV, da Sífilis e das Hepatites B e C. Ele está estruturado em 6 módulos, com carga horária total de 20 horas
Atenção aos candidatos à especialização em Dados e Sistemas de Informação para o Sistema Único de Saúde. O Campus Virtual Fiocruz e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica da Fiocruz (Icict) comunicam que as entrevistas da Comissão de Avaliação Biopsicossocial e da Comissão de Heteroidentificação Racial acontecerão entre os dias 23 e 27 de fevereiro. Foram convocados para essa entrevista os candidatos que concorrem às vagas PcD e Pessoas Negras (pretas e pardas), respectivamente. Detalhes sobre data, horário e link foram enviados por e-mail aos convocados.
Confira o resultado das entrevistas e dos recursos:
Resultado das Entrevistas
Resultado dos Recursos
Fique atento(a)! A coordenação do curso informa que o período de matrícula acontece entre os dias 6 e 11 de março, no entanto, ressalta-se que os candidatos classificados dentro do número de vagas terão apenas 48 horas úteis para enviar a documentação e garantir sua vaga na especialização.
Candidatos que não enviarem a documentação no prazo serão desclassificados. De forma subsequente, serão convocados candidatos suplentes. É de inteira responsabilidade do candidato manter o e-mail de cadastro atualizado e verificar, incluindo a caixa Spam, as mensagens encaminhadas pela Secretaria Acadêmica (seca.icict@fiocruz.br).
Os selecionados receberão um e-mail de confirmação de matrícula, que deve ser respondido no prazo exigido. Para a efetivação da matrícula são exigidos os seguintes documentos:
A Mpox voltou ao centro das atenções da saúde pública brasileira em 2026. Neste ano, o país já registra 47 casos confirmados, distribuídos em diferentes estados, montrando que o vírus segue em circulação ativa e demanda vigilância constante. Embora o cenário atual não indique aumento da gravidade, especialistas da área alertam que a detecção precoce é determinante para conter a transmissão. Para sensibilizar profissionais à identificação rápida e eficiente, é imprescindível que as equipes de saúde, especialmente as que atuam na linha de frente de atendimento à população, estejam preparadas. Nesse sentido, o Campus Virtual Fiocruz apresenta o curso Mpox: Vigilância, Informação e Educação, uma formação online e gratuita que, neste momento, apresenta-se como uma ferramenta estratégica para o fortalecimento da resposta ao SUS. Ele foi desenvolvido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), é organizado em quatro módulos, tem 48h de carga horária e certifica os participantes.
O alerta sobre a infecção viral causada pelo Monkeypox virus (Mpox) se intensificou diante da confirmação, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da circulação internacional de uma nova variante recombinante do vírus. Ainda que os casos confirmados sejam considerados leves ou moderados, sem registro de óbitos, a dinâmica de infecção reforça a necessidade de vigilância contínua e a qualificação dos profissionais de saúde como determinantes para evitar novos surtos. A infecção caracteriza-se por febre, dor de cabeça, lesões cutâneas e potencial transmissão em situações de contato próximo.
O curso é estruturado para fortalecer competências técnicas na Atenção Primária, e aborda aspectos clínicos, epidemiológicos, notificação, investigação de casos e estratégias de educação em saúde. Voltado especialmente para profissionais de nível técnico e trabalhadores do SUS, a formação capacita profissionais a reconhecer sinais e sintomas, compreender fluxos de notificação e atuar de forma integrada na resposta local.
Ainda não se sabe se a nova variante, detectada no Reino Unido e na Índia em fevereiro de 2026, tem maior transmissibilidade ou risco clínico, mas o fato é que ela reacende a importância da vigilância global e do fortalecimento das ações de saúde pública para monitorar e conter possíveis novos surtos.
Poli: Compromisso com o fortalecimento do SUS e a valorização dos trabalhadores da linha de frente
Esta formação foi lançada em outubro de 2025 em resposta a centenas de notificações de casos no Brasil, pois, mesmo sem um surto explosivo, a vigilância e a educação em saúde permanecem essenciais para identificar suspeitas precocemente e conter possíveis avanços da doença no país e no mundo. A formação tem a coordenação compartilhada dos pesquisadores e professores da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Fernanda Bottino, Maurício Monken e Carlos Batistella, que são, respectivamente, do Laboratório de Educação Profissional em Técnicas Laboratoriais em Saúde (Latec/EPSJV), do Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde (Lavsa/EPSJV), e coordenador de Cooperação Internacional da Escola. A iniciativa é resultado de um esforço coletivo dos referidos laboratórios da EPSJV/Fiocruz, que uniram suas expertises para desenvolver um curso com base na formação crítica de trabalhadores para o enfrentamento de temáticas emergentes da saúde coletiva, fortalecendo, assim, o compromisso histórico da Escola na formação de profissionais técnicos em saúde, com foco na vigilância, informação e educação em saúde.
Conheça a estrutura da formação e inscreva-se:
Módulo 1: Conceitos básicos sobre a Mpox
Aula 1: Mpox: a doença, o vírus e a epidemiologia
Aula 2: Transmissão, sinais e sintomas e diagnóstico
Aula 3: Tratamento e prevenção
Módulo 2: O processo de notificação da Mpox e o papel do profissional de nível médio
Aula 1: O registro da Mpox no sistema de informação em saúde
Aula 2: Como realizar o processo de notificação da Mpox
Aula 3: Aspectos éticos no registro da Mpox com ênfase nos ambientes digitais
Aula 4: O protagonismo dos profissionais de Nível Médio no registro e informação sobre a Mpox
Módulo 3: Mpox no sistema de saúde: os desafios da prática educativa para a sua prevenção
Aula 1: Prevenção e o papel dos profissionais de saúde na suspeita, encaminhamento e acompanhamento de casos
Aula 2: Educação em saúde
Aula 3: Educação popular em saúde e o planejamento de atividades educativas
Módulo 4: Mpox: a importância das ações de vigilância em saúde
Aula 1: Vigilância em Saúde
Aula 2: Informações na gestão de risco da Mpox
Aula 3: A vigilância da Mpox no território
Aula 4: Ações educativas e comunicativas de vigilância em saúde
O Campus Virtual Fiocruz e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica da Fiocruz (Icict) divulgam o resultado das entrevistas de seleção para o curso de especialização em Dados e Sistemas de Informação para o Sistema Único de Saúde. Recursos podem ser impetrados até o dia 13/2. O resultado do recurso será divulgado em 20/2. Os links para as entrevistas com a Comissão de Avaliação Biopsicossocial e a Comissão de Heteroidentificação Racial também serão divulgadas em 20/2. A divulgação do resultado final com o nome dos aprovados na especialização está prevista para o dia 6 de março.
Fique atento(a)! A coordenação do curso alerta que, a partir da divulgação do resultado final, em 6/3, os selecionados terão 48h para enviar a documentação e garantir a sua vaga na especialização.
Acesse:
+Lista com o resultado das entrevistas
A especialização é oferecida no âmbito do Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS, que é desenvolvido pela Fiocruz — sob a coordenação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), através do Campus Virtual — e o Ministério da Saúde, por meio do DataSUS/Seidigi/MS.
Ao todo, estão disponíveis 100 vagas, distribuídas regionalmente, considerando políticas de ações afirmativas. A especialização, realizada na modalidade a distância, tem 400 horas de carga horária, com início previsto para março de 2026 e certificação de pós-graduação lato sensu pela Fiocruz.
O curso tem como objetivo o desenvolvimento de competências e habilidades analíticas para uso da informação em saúde, com vistas ao aprimoramento das políticas públicas e da gestão em saúde. Ele aborda temas centrais como sistemas de informação em saúde, análise e interpretação de dados, indicadores, ciência de dados aplicada, saúde digital e gestão orientada por evidências, conectando teoria e prática para qualificar a tomada de decisão no SUS e ampliar sua capacidade de resposta às demandas da população.
Acesse aqui a lista de documentos que compõem essa chamada
*última atualização: 4/2, às 10h, com publicação da lista de selecionados com horário de inscrição