Na próxima segunda-feira, 16/3, a partir das 18h30, o Campus Virtual e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), no âmbito do Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS, vão promover a aula inaugural do curso de especialização em Dados e Sistemas de Informação para o Sistema Único de Saúde – Turma 2026. A palestra será proferida pela secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad. O debate sobre saúde digital e a transformação digital do SUS será aberto a todos os interessados, com transmissão ao vivo pelo canal do Campus Virtual no Youtube.
O objetivo da aula, além de promover a integração entre os 100 novos alunos da especialização, é reforçar a discussão deste eixo estratégico da política de saúde no Brasil, que é a saúde digital. De acordo com o Ministério da Saúde, essa agenda busca promover a transformação digital do sistema público de saúde, ampliando o acesso da população aos serviços, qualificando a gestão e fortalecendo a tomada de decisão baseada em dados.
Há alguns anos, os dados em saúde passaram a ser um elemento central para a organização dos sistemas contemporâneos. No caso do SUS, a qualificação da informação permite aprimorar a vigilância epidemiológica, orientar a alocação de recursos, apoiar a gestão das redes de atenção e fortalecer a capacidade de resposta a emergências sanitárias. Ao mesmo tempo, essa área traz desafios importantes, como garantir a segurança e a privacidade dos dados, promover a inclusão digital e assegurar que as tecnologias sejam utilizadas de forma equitativa em todo o território nacional.
O curso de especialização é promovido pelo Campus Virtual Fiocruz e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) no âmbito do Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS, que é desenvolvido pela Fiocruz — sob a coordenação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), através do Campus Virtual — e o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde (Seidigi/DataSUS/MS).
O curso, que está em sua primeira edição, tem como objetivo o desenvolvimento de competências e habilidades analíticas para uso da informação em saúde, com vistas ao aprimoramento das políticas públicas e da gestão em saúde. Ele aborda temas centrais como sistemas de informação em saúde, análise e interpretação de dados, indicadores, ciência de dados aplicada, saúde digital e gestão orientada por evidências, conectando teoria e prática para qualificar a tomada de decisão no SUS e ampliar sua capacidade de resposta às demandas da população.
O Sextas traz hoje o poema "Caminho", parte do livro 'Verão em Botafogo' do autor Thiago Camelo. A publicação apresenta versos curtos que resumem o que apreende um olhar, o universo contido num modo de dizer.
Thiago é um jovem poeta carioca, nascido em 1983 e formado em jornalismo e cinema pela PUC-Rio. Publicou dois livros de poesia: Verão em Botafogo, em 2010 (7Letras) e A ilha é ela mesma, em 2015) (Moça Editora). Ele também é autor de 'Descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas', em 2017 (Editora Nós) e 'Dia um', que foi seu primeiro romance.
Além de poeta, Thiago Camelo é letrista. Em 2015, a canção ‘Espelho d’água’, autoria sua em parceria com seu irmão Marcelo Camelo, foi gravada por Gal Costa no disco Estratosférica.
*com informações de Escamandro
No dia 19 de março, a Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz vai realizar sua tradicional aula inaugural. Em 2026, o tema abordado é 'Educação, cultura e diversidade' e terá a cantora e compositora Teresa Cristina como palestrante. Muito mais do que entretenimento e diversão, a música, especialmente o samba, ocupa um lugar importante na construção da identidade cultural, no fortalecimento de vínculos sociais e luta pela igualdade racial no Brasil. Na ocasião, ela falará sobre sua trajetória na valorização do samba tradicional, sua atuação artística e o compromisso com a preservação da memória cultural do país. A aula acontecerá na Tenda da Ciência Virginia Schall, a partir das 8h30 da manhã e também será transmitida ao vivo pelo canal da Fiocruz no Youtube.
Teresa Cristina — que é nascida e criada no bairro da Penha, no Rio de Janeiro e começou a cantar aos 27 anos — é considerada uma das responsáveis por reavivar o interesse pelas obras de compositores clássicos e expoentes máximos da nobreza do samba, como Candeia, Cartola e Noel Rosa, contribuindo para manter viva uma parte fundamental do patrimônio cultural brasileiro. Nesse contexto, a atuação de Teresa Cristina dialoga diretamente com temas caros ao campo da saúde coletiva, como o bem-estar, a cultura como um importante determinante social da saúde e o direito à cidadania e à dignidade, conectando-se de maneira profunda com dimensões sociais e simbólicas da vida.
+Acompanhe aqui a aula inaugural
Nos dias 10 e 11 de março de 2026, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) recebe o Seminário "Gestão da Atenção Especializada no SUS: desafios e perspectivas", um espaço para pensar os rumos da atenção especializada no país. O evento é aberto ao público e marca o início dos Cursos de Especialização Lato Sensu e Especialização Técnica em Política, Planejamento e Gestão, bem como do Curso de Qualificação Profissional em Gestão Hospitalar.
A mesa de abertura acontece no dia 10, das 8h30 às 9h30. Ainda no dia 10, das 9h30 às 12h, a programação segue com a mesa Política Nacional de Atenção Especializada e o programa Agora Tem Especialistas: potências e desafios, dedicada a discutir diretrizes, disputas e caminhos possíveis para a consolidação da atenção especializada no SUS.
No Dia 11, a conversa continua em dois momentos: pela manhã, das 8h30 às 12h, com a mesa Modelos de organização da atenção especializada e dilemas contemporâneos da regionalização; e à tarde, das 13h30 às 16h30, com Financiamento e relações público-privadas na atenção especializada.
+Confira aqui a programação completa!
O Seminário será realizado na Poli, na Av. Brasil, 4.365, Manguinhos/RJ, com transmissão ao vivo pelo Youtube:
1º dia do Seminário "Gestão da Atenção Especializada no SUS: desafios e perspectivas"
2º dia do Seminário "Gestão da Atenção Especializada no SUS: desafios e perspectivas"
O Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) realiza, no próximo dia 10 de março, das 14h às 16h, a Aula Inaugural do Programa de Pós-graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS), com o tema “Desafios do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e da Soberania em Saúde”. A atividade ocorre no Auditório Sérgio Arouca, na sede do instituto. O evento terá transmissão através do canal do youtube do INCQS.
A aula será ministrada pelo Dr. Carlos Gadelha, coordenador da Rede Ceis e líder do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Sustentável, CT&I e Ceis (GPCeis/CEE-Ensp/Fiocruz). A proposta é promover uma reflexão estratégica sobre o papel do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) no fortalecimento da soberania sanitária nacional, especialmente diante dos desafios contemporâneos relacionados à inovação, à produção local e à redução de vulnerabilidades estruturais no setor.
A aula inaugural marca o início das atividades acadêmicas do PPGVS em 2026 e reafirma o compromisso do Programa e do INCQS/Fiocruz com a formação qualificada, a produção de conhecimento e o fortalecimento da Vigilância Sanitária no país.
+Acesse aqui a transmissão ao vivo:
A relação entre justiça ambiental e saúde pública será o eixo central da aula magna que marca a abertura do ano letivo da Escola de Governo Fiocruz-Brasília (EGF-Brasília). Com o tema “Diálogos Justiça ambiental e saúde: perspectivas para reinventar nosso futuro”, o evento contará com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e da produtora cultural e comunicadora Marcele Oliveira, ativista climática e campeã da juventude para a COP30. A mediação será conduzida pelo vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel.
A atividade será realizada no dia 9 de março, às 14h, no auditório externo da Fiocruz Brasília, em formato presencial e aberto ao público. Não haverá transmissão online.
A iniciativa integra a programação comemorativa dos 50 anos da Fiocruz Brasília e inaugura o Ciclo de Inspirações – O futuro é logo aqui, série de encontros que, ao longo de 2026, reunirá personalidades de destaque para debater estratégias e caminhos para um desenvolvimento sustentável, com foco na equidade social e na promoção da saúde.
Debate estratégico para o país
A escolha do tema reflete a crescente centralidade da justiça ambiental no debate público. O conceito parte do princípio de que os impactos ambientais — como poluição, desmatamento, mudanças climáticas e crises hídricas — afetam de maneira desproporcional populações vulnerabilizadas, ampliando desigualdades sociais e riscos à saúde. Nesse contexto, políticas públicas integradas entre meio ambiente e saúde se tornam fundamentais para enfrentar desafios contemporâneos, como eventos climáticos extremos, insegurança alimentar, doenças relacionadas ao clima e degradação de territórios tradicionais.
A presença da ministra Marina Silva reforça o caráter estratégico da discussão. Reconhecida internacionalmente por sua trajetória na defesa da Amazônia e das populações tradicionais, Marina tem defendido a articulação entre justiça climática, desenvolvimento sustentável e garantia de direitos. A produtora cultural e comunicadora Marcele Oliveira também contribui para o debate a partir da perspectiva dos movimentos socioambientais e da mobilização comunitária.
Abertura do ano letivo
Antes da aula magna, a programação prevê o acolhimento dos novos estudantes da EGF-Brasília, das turmas de Mestrado, Especialização e Residências. A atividade, intitulada “Chegar, Conhecer e Pertencer”, será realizada das 9h às 12h, também no auditório externo, marcando oficialmente o início do ano letivo.
O momento tem como objetivo integrar os discentes à comunidade acadêmica, apresentar a estrutura institucional e fortalecer o compromisso com uma formação voltada à gestão pública, à equidade e à transformação social.
Serviço
Acolhimento discente: Chegar, Conhecer e Pertencer
Horário: 9h às 12h
Local: auditório externo da Fiocruz Brasília
Público: alunos da EGF-Brasília
Diálogos Justiça ambiental e saúde: perspectiva para reinventar nosso futuro
Horário: 14h às 17h
Local: auditório externo da Fiocruz Brasília
Tranmissão: Youtube da Fiocruz Brasília
Aberto ao público
A Associação Brasileira de Saúde (Abrasco) e a Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps), informam que as inscrições para a Turma 6 do Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde), em Rede Nacional, foram prorrogadas. Interessados podem se inscrever até 16 de março de 2026.
O programa oferece 600 vagas distribuídas em 45 Instituições de Ensino Superior (IES) de todas as regiões do país, com atividades gratuitas, carga horária de 975 horas e duração prevista entre 18 e 24 meses.
a) 400 (quatrocentas) para profissionais médicos do PMMB;
b) 200 (duzentas) para multiprofissionais da saúde.
Fortaleça sua atuação na Atenção Primária à Saúde e faça parte da nova turma do ProfSaúde!
A seleção é destinada a profissionais com diploma de graduação reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) em áreas relacionadas diretamente à saúde, definidas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) pela Resolução n° 287/1998. São elas: bacharelado em educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, odontologia, psicologia, saúde coletiva, serviço social, terapia ocupacional e medicina.
A iniciativa possui foco na formação de profissionais, professores e preceptores para a área de Saúde da Família. Destinado especialmente àqueles profissionais ligados à Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS).
A seleção se dará em três etapas: prova de conhecimentos, análise do Currículo Lattes e entrevista.
+Confira aqui o edital, demais documentos e procedimentos para inscrição!
A nova etapa do Fórum Oswaldo Cruz começou com a realização do seminário Determinação social do processo saúde-doença numa perspectiva interseccional. O evento, realizado na última quarta-feira, 4/3, reuniu pesquisadores e especialistas das diferentes unidades da Fundação e marcou o ponto de partida para a troca de experiências entre os grupos responsáveis pela formulação do documento estratégico.
+Assista tudo que rolou no canal da Fiocruz no Youtube!
"Pesquisa e educação andam juntas. Coordenar ações na área de pesquisa por meio do Plano de Desenvolvimento Institucional da Pesquisa da Fiocruz (2026-2030) resultará numa iniciativa inédita", afirmou a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz), Alda Maria da Cruz, apontando o horizonte de trabalho dos próximos meses. Além de Alda Cruz, participaram da abertura o presidente Mario Moreira e a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), Marly Cruz.
Marly destacou a experiência com o Plano de Desenvolvimento Institucional da Educação da Fiocruz, construído por um grupo técnico da Vpeic, com contribuições da Subcâmara Técnica de Ensino. A iniciativa foi concebida para fortalecer a formação necessária para atender às necessidades da saúde pública e ampliar as capacidades do SUS. Segundo ela, essa experiência ajuda a orientar o movimento que agora inicia na área de pesquisa da Fundação. “O Plano para a pesquisa busca fortalecer o SUS e mobilizar a comunidade científica”, destacou.
Ela também anunciou as novas iniciativas vinculadas ao Fórum. Entre elas está o lançamento de uma enquete na plataforma RedCap, já disponível para participação de trabalhadores e estudantes da Fiocruz e pensada para integrar as ações de construção coletiva do Plano. Também foram anunciados o Guia de orientação para os grupos de formulação do Plano; a constituição dos embaixadores do Fórum, especialistas responsáveis pelas atividades de pesquisas nas unidades e que atuarão na organização dos grupos de formulação; e a plataforma Quem somos na Fiocruz, voltada para mapear pesquisadores e suas produções científicas e tecnológicas.
Ao iniciar sua participação, Mario Moreira lembrou que cerca de 2 mil pessoas atuam direta ou indiretamente na área de pesquisa da Fundação. A instituição conta atualmente com 48 programas de pós-graduação, responsáveis por formar quadros estratégicos para o SUS. “Com os pés fincados na tradição e os olhos voltados para o futuro, nos tornamos uma instituição modelo no mundo, uma instituição pasteuriana”, afirmou ao evocar a tradição do Instituto Pasteur, na França, para destacar o caráter plural e diverso da Fiocruz.
Para o presidente, o Plano de Desenvolvimento Institucional da Pesquisa permitirá à Fundação enfrentar desafios sanitários nacionais e globais em um cenário internacional marcado pelo questionamento do multilateralismo, pela desqualificação de organismos como a OMS, além das pressões geradas pelas migrações e pelas mudanças climáticas. “São necessários novos mecanismos para que o mundo não fique vulnerável a pandemias, e a Fiocruz precisa se organizar para isso. O Fórum é o espaço para discutir os desafios atuais e futuros", sublinhou.
Ainda na parte da manhã, pelo canal de transmissão do seminário, também foi divulgada a página do Fórum Oswaldo Cruz, que reúne as informações sobre todo o processo e funciona como espaço de disponibilização dos novos documentos de trabalho e memória dos seminários promovidos.
A questão da determinação social e da interseccionalidade
A primeira mesa-redonda que atribui título ao seminário, Determinação social do processo saúde-doença numa perspectiva interseccional, reuniu especialistas para discutir os limites e as possibilidades de algumas abordagens na compreensão das desigualdades em saúde. O debate foi mediado pela coordenadora de Comunicação Social da Fiocruz, Raquel Aguiar, e contou com a participação de Paulo Sabroza, do Departamento de Endemias Samuel Pessoa da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz); Gulnar Azevedo, da Uerj; Paulo Buss, do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz); e Naomar de Almeida Filho, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA.
Ao refletir sobre a possibilidade de um método científico eficiente, Paulo Sabroza discutiu os conceitos de casualidade e determinação no campo da saúde. Segundo ele, a tradição científica consolidada no século XIX – que acompanhou o surgimento da epidemiologia moderna – privilegiou uma abordagem centrada na casualidade das doenças. Para o pesquisador, embora o método analítico tenha contribuições, ele se mostra insuficiente para compreender problemas de saúde. Sabroza defendeu uma abordagem mais ampla, capaz de articular diferentes formas de conhecimento e de superar visões reducionistas da saúde pública.
Nessa direção, a epidemiologista e reitora da Uerj, Gulnar Azevedo, reforçou a necessidade de pensar a ciência para além da cura de doenças, incorporando fatores sociais, econômicos e territoriais que interferem no processo saúde-doença. Com base em dados estatísticos nacionais, ela mostrou como diferenças regionais, de classe social e de raça influenciam o acesso ao tratamento, as chances de cura e até mesmo as estratégias de prevenção de doenças crônicas – como o câncer, uma das principais causas de morte neste do século. Para Gulnar, considerar categorias como interseccionalidade e determinantes sociais é fundamental para garantir que todas as pessoas tenham acesso aos recursos de prevenção e tratamento.
Naomar de Almeida Filho trouxe ao debate a pergunta: determinantes sociais das doenças ou determinação social da saúde? O professor chamou atenção para a importância da linguagem e da semântica na construção das análises e defendeu a necessidade de ir além das formulações tradicionais. Como alternativa, propôs uma abordagem baseada na categoria determinação eco-etno-social (DEES), que articula dimensões ecológicas, étnico-culturais e sociais para compreender as iniquidades em saúde.
Na avaliação de Naomar, as categorias "determinação social" e "interseccionalidade", embora importantes, apresentam limites analíticos. Por isso, sugeriu ampliar o debate com a noção de "sobredeterminação", entendida como uma categoria mais abrangente para analisar os processos que produzem desigualdades em saúde. Essa perspectiva considera trajetórias múltiplas de determinação social. “A discussão conceitual precisa avançar e incorporar também a colonialidade epistêmica", observou.
Na sequência, o ex-presidente da Fiocruz Paulo Buss apresentou um panorama do debate global sobre os determinantes sociais da saúde. Ele enfatizou o papel histórico dos sistemas de saúde pública e da própria Fundação, criada com uma vocação para doenças infecciosas e para enfrentar problemas sanitários. “Por isso, precisou fazer pesquisa e formar recursos humanos”, lembrou. Segundo Buss, as condições de saúde das populações resultam de um conjunto amplo de fatores interligados – entre eles desigualdades sociais, decisões político-econômicas e mudanças ambientais. Diante desse cenário complexo, afirmou, cabe à comunidade científica repensar as estratégias de pesquisa e de formulação de políticas públicas. Ele também ressaltou o caráter inevitavelmente político das agendas de saúde.
“Tudo tem natureza política – das decisões de governo à vida acadêmica, passando por questões sociais, ambientais e econômicas”, afirmou. Nesse sentido, acrescentou, a agenda da Fiocruz – incluindo o debate sobre determinação social – é também uma agenda política e social. “Saúde é o resultado de um conjunto de políticas sociais e econômicas”, frisou. Ao comentar os desafios globais contemporâneos — como crises ambientais, desigualdades e conflitos geopolíticos — que impactam diretamente as condições de saúde, Buss defendeu que a produção científica contribua de forma mais ativa para orientar políticas públicas e agendas de pesquisa.
Agenda de pesquisa
A programação da tarde contou com a mesa-redonda Experiências de Elaboração de Plano de Desenvolvimento da Pesquisa na Fiocruz, composta pelas pesquisadoras Luzia Carvalho, do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas); Luciana Dias, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz); e Flávia Elias, da Fiocruz Brasília. A moderação foi conduzida por Tania Fonseca, da Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência, instância que integra o grupo da Presidência nos trabalhos do Fórum Oswaldo Cruz.
Ao abrir a sessão, a vice-presidente Alda Cruz destacou a importância de o processo institucional se apoiar nas experiências acumuladas pelas unidades. “Estamos neste encontro bebendo da experiência que as unidades já estão construindo com relação às suas agendas de pesquisa. São elas que vão nos auxiliar na formação dessa matriz densa que é necessária para a elaboração da agenda de pesquisa da Fiocruz”, afirmou.
Na mediação, Tania Fonseca ressaltou a diversidade institucional e o papel articulador da coordenação. “A Coordenação de Vigilância tem uma característica muito singular, porque trabalha em rede com todas as unidades da Fiocruz. Isso nos dá uma oportunidade enorme de interação, seja com grupos de pesquisa, seja com as referências propriamente ditas. Com isso, temos um panorama do país, uma vez que a Fiocruz está presente — como costumamos dizer — em todas as regiões, em todos os biomas e em diferentes organizações”, observou.
Citando a fala do professor Paulo Sabroza na mesa-redonda da manhã, Tania reforçou que a Fiocruz nasceu com uma visão estratégica de Estado. “É uma instituição do Estado brasileiro, voltada para resolver problemas desse Estado. Em nossas andanças, percebemos que os projetos de pesquisa refletem isso: os territórios, as interações, as intervenções e as possibilidades de cada área. Formar uma mesa com essa diversidade remete à metáfora utilizada mais cedo, a do aquário e do lugar que ocupamos nele. O Fórum Oswaldo Cruz pretende ser esse aquário, onde diferentes áreas, regiões e grupos possam se ver refletidos e, ao mesmo tempo, reconhecidos como parte desse grande aquário multicolorido e diverso que é a Fiocruz”, destacou.
Experiências das unidades
Ao iniciar sua apresentação, Luzia Carvalho relatou a experiência da Fiocruz Minas na construção de sua agenda estratégica de pesquisa, destacando o papel das câmaras técnicas abertas como espaço permanente de debate institucional. “Neste processo de construção coletiva, fomos levados a definir os principais temas estratégicos de pesquisa da unidade. Isso foi possível por meio de câmaras técnicas abertas e encontros institucionais, que culminaram na definição de quatro grandes temas e de temas transversais. Não criamos uma agenda de pesquisa de uma hora para a outra — foi um processo longo, com muitas etapas”, explicou.
Segundo a pesquisadora, a agenda foi construída a partir do mapeamento das competências institucionais e do fortalecimento de um “ecossistema da pesquisa”, envolvendo gestão, ensino, laboratórios e comunicação. Os temas estratégicos definidos incluíram respostas a emergências e desastres, redução de doenças socialmente determinadas, desafios do perfil demográfico e epidemiológico da população brasileira e questões relacionadas à saúde, ambiente e vulnerabilidade social. Entre os temas transversais estão clima e saúde, vigilância, ciência de base e comunicação ativa.
Luciana Dias apresentou a experiência da Ensp/Fiocruz no fortalecimento da gestão estratégica da pesquisa entre 2021 e 2025. Segundo ela, o planejamento foi adotado como instrumento participativo de definição de prioridades e organização institucional. Isso foi crucial para definir a direção e as prioridades com construção coletiva, apoiar a tomada de decisão, com transformação de diretrizes em ações concretas, fortalecer a governança institucional e permitir monitoramento contínuo, avaliação e aprendizado institucional. A Escola reúne atualmente 262 servidores dedicados à pesquisa e conta com 66 grupos certificados pelo CNPq. A diversidade também marca a formação do corpo técnico, composto por profissionais de cerca de 40 áreas acadêmicas. Inserida no campo da saúde coletiva — que articula epidemiologia, ciências sociais e humanas em saúde e política e gestão em saúde —, a Ensp/Fiocruz mantém forte compromisso com a produção científica voltada saúde pública e à justiça social.
Durante a gestão, o planejamento da pesquisa foi estruturado a partir de um Programa Vivo, que definiu eixos estratégicos orientados pelas diretrizes aprovadas no Congresso Interno da Fiocruz. O primeiro eixo foi o fortalecimento da articulação interna e externa, ampliando o diálogo com outras unidades da instituição e com parceiros governamentais e movimentos sociais. O segundo concentrou-se no fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico aplicado à saúde pública e à saúde coletiva, incluindo um programa específico de financiamento à pesquisa com apoio da Presidência da Fiocruz. O terceiro eixo priorizou o fortalecimento da comunicação institucional e da divulgação científica.
A experiência também trouxe aprendizados para a gestão. Entre eles, a compreensão de que o planejamento deve funcionar como um guia de alinhamento de propósitos, e não como instrumento de controle. A participação institucional foi apontada como elemento central para garantir legitimidade às decisões e reduzir resistências internas, ainda que processos participativos também revelem conflitos que exigem mediação institucional. Luciana destacou ainda desafios importantes, como a dificuldade de priorização em ambientes de grande diversidade temática, a fragmentação entre pesquisa, ensino e gestão e a dependência crescente de financiamento externo. Nesse cenário, a liberação de recursos institucionais para editais internos foi considerada fundamental para estimular a colaboração e reduzir a competição entre pesquisadores.
Planejamento e redes de colaboração
Na apresentação final da mesa, Flávia Elias compartilhou a experiência da Fiocruz Brasília na elaboração de seu plano de ação para a área de pesquisa. O trabalho vem sendo desenvolvido por um grupo responsável por estruturar o planejamento de forma participativa, com reuniões regulares envolvendo pesquisadores, profissionais que atuam em atividades de pesquisa e bolsistas vinculados a projetos.
Atualmente, a unidade conta com 11 grupos de pesquisa formalizados, muitos deles fortemente vinculados à formulação e avaliação de políticas públicas em áreas como soberania alimentar, saúde do trabalhador, saúde mental e avaliação de tecnologias em saúde. Parte dessa atuação ocorre por meio de assessorias técnicas a órgãos governamentais e participação em comitês e conselhos ligados à formulação de políticas públicas. Como estratégia de integração entre os grupos, foram criados coletivos temáticos voltados a pautas transversais, como equidade étnico-racial e de gênero, acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência e envelhecimento e longevidade. Também está em desenvolvimento um coletivo dedicado à saúde da mulher.
A Ensp/Fiocruz mantém ainda parcerias com diferentes instituições, incluindo outras unidades da Fiocruz, órgãos do governo federal e universidades brasileiras e internacionais. Essas colaborações se concretizam por meio de instrumentos como Termos de Execução Descentralizada (TED), convênios, acordos de cooperação técnica e projetos financiados por emendas parlamentares. Entre as iniciativas recentes está uma chamada pública para projetos de pesquisa qualitativa que financiou 18 propostas, das quais 15 foram concluídas, apesar dos impactos da pandemia. Os projetos geraram produtos técnicos, metodologias, modelos de gestão e artigos científicos, além de iniciativas de formação acadêmica associadas à pesquisa.
Com base nessa trajetória, a unidade trabalha agora na consolidação de um plano estruturado de gestão e fomento à pesquisa. “O objetivo é organizar iniciativas já existentes em uma estratégia mais integrada e sustentável, voltada ao fortalecimento da pesquisa aplicada às necessidades do SUS, às demandas das políticas públicas e às realidades dos territórios. A proposta busca ampliar o impacto social da produção científica e consolidar a instituição como um polo robusto de desenvolvimento de soluções para desafios de saúde pública”, afirmou Flavia.
Entre os objetivos do plano estão o fortalecimento da governança da pesquisa, a integração entre grupos por meio de linhas temáticas transversais, a ampliação de mecanismos de financiamento e o fortalecimento da relação com os territórios. Também fazem parte das metas a democratização do acesso ao conhecimento científico e o aprimoramento da gestão do conhecimento institucional.
Encerramento
Ao encerrar o debate, a mediadora Tania Fonseca destacou que as apresentações refletiram a diversidade de trajetórias das unidades da Fiocruz, mas também revelaram pontos de convergência importantes. “A necessidade de agendas transversais, o trabalho em equipe, o estímulo aos grupos de pesquisa e aos jovens pesquisadores apareceram em todas as falas”, observou. Ela também ressaltou a importância de ampliar os espaços de diálogo institucional, retomando um ponto levantado anteriormente pelo professor Paulo Sabroza sobre a necessidade de fortalecer as conversas internas. "Cada uma das exposições trouxe novas questões e possibilidades que devem alimentar as discussões do Fórum nos próximos meses, contribuindo para aprofundar o debate até a consolidação das propostas previstas para agosto", concluiu Tania.
O Campus Virtual Fiocruz e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica da Fiocruz (Icict) divulgam, nesta sexta-feira, 6 de março, o resultado final da seleção para o curso de Especialização em Dados e Sistemas de Informação para o SUS - Turma 2026.
+Clique aqui e confira o resultado final da seleção
Fique atento(a)! A coordenação do curso informa que o período de matrícula acontece entre os dias 6 e 11 de março, no entanto, ressalta-se que os candidatos classificados dentro do número de vagas terão apenas 48 horas úteis para enviar a documentação e garantir sua vaga na especialização.
Candidatos que não enviarem a documentação no prazo serão desclassificados. De forma subsequente, serão convocados candidatos suplentes. É de inteira responsabilidade do candidato manter o e-mail de cadastro atualizado e verificar, incluindo a caixa Spam, as mensagens encaminhadas pela Secretaria Acadêmica (seca.icict@fiocruz.br).
Os selecionados receberão um e-mail de confirmação de matrícula, que deve ser respondido no prazo exigido. Para a efetivação da matrícula são exigidos os seguintes documentos:
O ano é 2026, mas a visão sexista e misógina se perpetua através do tempo. Todos os dias o noticiário traz novos e estarrecedores casos de abuso sexual, estupro, feminicídio, discriminação, opressão e uma série de violências sistemáticas contra as mulheres na sociedade.
Este 8 de março, dia em que se celebra a mulher, precisa, mais do que nunca, reafirmar o enfrentamento histórico ao machismo estrutural e à misoginia que seguem marcando a vida de meninas e mulheres em diferentes espaços — no trabalho, na política, nas instituições, nas escolas e dentro de casa. O Dia Internacional da Mulher precisa ser um dia de visibilizar desigualdades persistentes e de renovar o compromisso coletivo com a equidade de gênero.
Neste ano, o Sextas de Poesia marca a data com a frase "A vergonha precisa mudar de lado", de Gisèle Pelicot, no livro 'Um hino à vida', uma autobiografia sobre sua impressionante e comovente história de violências sexuais e abusos cometidos pelo próprio marido e mais de cinquenta outros abusadores na França. O livro tem a parceria da Judith Perrignon e foi traduzido para o português por Julia da Rosa Simões. Em 2024, Gisèle tornou-se símbolo de coragem ao renunciar ao anonimato e enfrentar publicamente o ex-marido. Ela rompeu o silêncio e inspirou milhares de vítimas de abuso a fazerem o mesmo.
Quando falamos sobre essas violências, queremos juntar vozes para fortalecer a busca por mudanças sociais. O enfrentamento ao feminicídio, à violência sexual e todas as outras formas de opressão de gênero requer não somente políticas públicas efetivas, educação para a igualdade, responsabilização rigorosa dos agressores, mas também o apoio real dos homens nesta luta. A vida de todas importa!
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a violência de gênero vitima quatro mulheres por feminicídio a cada 24 horas no país. A violência contra a mulher pode ser denunciada pelo serviço 190 da Polícia Militar; pela Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180; pelo Disque Direitos Humanos, Disque 100; e pelas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
#ParaTodosVerem Banner, no lado esquerdo está com a cor preta e do lado direito com a cor branca, do lado esquerdo está escrito: "a vergonha precisa" e do lado direito está escrito: "mudar de lado", um trecho do livro "Um hino à vida", de Gisèle Pelicot, com tradução de Julia da Rosa Simões.