Nesta semana, o Sextas traz um poema de Ana Cristina Cesar, que fala sobre a dificuldade de transformar em linguagem aquilo que nos atravessa. Com “Angústia é fala entupida”, a autora não fala apenas de silêncios, mas sobre a tensão entre sentir e conseguir se expressar.
Ana Cristina Cesar nasceu no Rio de Janeiro, em 1952, e morreu em 1983, aos 31 anos. Poeta, tradutora, ensaísta e crítica literária, foi uma das principais representantes da chamada poesia marginal ou geração mimeógrafo dos anos 1970. Sua escrita combina coloquialidade, intimidade, fragmentação e elementos autobiográficos. Entre suas obras estão Cenas de abril, Correspondência completa, Luvas de pelica e A teus pés, publicado em 1982 e considerado seu livro mais conhecido. Mesmo com uma trajetória breve, Ana Cristina deixou uma obra marcante na literatura brasileira contemporânea.
Aline Olívia é uma escritora e poeta brasileira contemporânea, reconhecida pela autoria do livro Diálogos uterinos. Nesta semana, ela ilustra o Sextas com "Autobiografia". Sua escrita aborda temas viscerais e profundos do universo feminino, explorando a corporalidade, o desejo e as complexidades emocionais da mulher.
O Sextas de Poesia faz sua homenagem com a canção "Boas vindas", lançada no álbum Circuladô, de 1991, e escrita em comemoração ao nascimento de seu filho Zeca Veloso.
Há 84 anos, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, nascia um artista que ajudaria a transformar para sempre a música brasileira.
Caetano é voz, poesia, inquietação e delicadeza. Caetano é a Bahia, é o Rio, o mundo. Ao longo de mais de seis décadas, suas palavras, melodias e ideias atravessaram fronteiras, tempos e gerações fazendo da música um espaço de beleza, liberdade e reflexão. Celebrar Caetano é celebrar um pedaço da nossa própria história. De cada um que se encanta com seus versos.
Neste 7 de agosto, celebramos não apenas suas mais de oito décadas, mas tudo o que sua arte representa para a cultura brasileira. Celebramos e damos boas-vindas à vida: ela é bonita, é gostosa. Viva Caetano e obrigada por cada palavra ofertada!
O Sextas desta semana traz um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, uma das maiores e mais influentes escritoras portuguesas do século XX. Nascida no Porto, em 1919 , ela se consagrou como poeta, contista, ensaísta e autora de clássicos infantis. Em 1999, fez história ao tornar-se a primeira mulher a vencer o Prêmio Camões, a maior distinção literária da língua portuguesa. Para além da literatura, Sophia teve um papel cívico exemplar, sendo uma voz ativa e corajosa utilizando sua poesia como uma verdadeira ferramenta de resistência e defesa dos direitos humanos. Após a Revolução dos Cravos em 1974, envolveu-se na política, sendo eleita deputada na Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista. Sophia faleceu em Lisboa, em julho de 2004. Em reconhecimento ao seu impacto incomensurável na cultura do país, os seus restos mortais foram transferidos para o Panteão Nacional, em 2014.
Os versos escolhidos para esta edição do Sextas de Poesia falam sobre a grandeza e a centralidade do amor, e fazem parte do famoso "Poema de amor de António e de Cleópatra", publicado em obras, como "No Tempo Dividido" e em outras coletâneas.
O Sextas de Poesia desta semana apresenta o poema "Advinha", de Orides Fontela, a homenageada da 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre os dias 22 e 26 de julho de 2026. Uma das pioneiras nas vertentes contemporâneas da poesia brasileira, a paulista Orides Fontela é conhecida por seu rigor formal com a língua e pela atualização que faz do Modernismo.
A obra da poeta inclui os livros Transposição (1969), Helianto (1973), Rosácea (1986), além de Alba, vencedor do Prêmio Jabuti em 1983, e Teia, que lhe rendeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 1996.
#ParaTodosVerem Banner em tons de rosa, amarelo e marrom, com linhas que formam quadrados. No centro do banner o poema de Orides Fontela.
Adiv?nha:
O que é impalpável
mas
pesa
o que é sem rosto
mas
fere
o que é invisível
mas
dói
O Sextas de hoje faz sua homenagem a João Bosco, que acaba de completar 80 anos de idade e 54 anos de carreira. A música 'Amigos novos e antigos', uma parceria entre ele e Aldir Blanc, mostra a cumplicidade artística entre os dois e se traduz em uma celebração dos encontros que a vida proporciona e dos laços que resistem ao tempo. A canção reflete sobre a amizade como um patrimônio afetivo, capaz de atravessar gerações, renovar esperanças e manter vivas as memórias compartilhadas, com a delicadeza e a profundidade características da dupla.
A dupla João Bosco e Aldir Blanc produziu algumas das canções mais marcantes da música popular brasileira, sempre unindo sofisticação melódica, poesia e um olhar sensível sobre o cotidiano. Neste mês, em que João Bosco celebra seus 80 anos, a obra 'Amigos novos e antigos' ganha um significado ainda mais especial, pois dialoga com a trajetória do artista que construiu sua carreira sempre cercado por grandes parceiros.
Ao completar 80 anos, o cantor, violonista e compositor João Bosco lança o projeto 'Amigos novos e antigos'. A Parte 1 sai em 31 de julho, com 6 regravações e diversas participações. João Bosco de Freitas Mucci nasceu em 13 de julho de 1946, na cidade de Ponte Nova, em Minas Gerais.
O Sextas de Poesia desta semana traz Adília Lopes, pseudônimo de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira, uma portuguesa de Lisboa, nascida em 20 de abril de 1960. Ela estudou Ciências Documentais na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é poetisa, cronista e tradutora. Em seu processo criativo, é reconhecida por recorrer à ficcionalização com referência a contos tradicionais, autobiografias, citações, personagens reais ou não e a recursos rítmicos, evidenciando a complexidade de seu processo de construção.
Autora de prestígio, tem inúmeros livros publicados e apresenta uma riqueza formal e imagética. Ela concentra seu interesse no cotidiano e na sua sociedade, tratando os assuntos com humor e ironia, elevando-os a um alto grau de expressão estilística. Ao lado desses pormenores sutis e bem conduzidos, sua poesia tem marca de religiosidade e dicção bem próxima da linguagem coloquial.
O deserto aparece na obra da poetisa portuguesa como um espaço irônico e filosófico. O deserto apesar das incertezas está sempre perto...
Entre os livros já publicados estão: Um Jogo Bastante Perigoso (1985), A Pão e Água de Colônia (1987), O Marquês de Chamilly (1987), O Decote da Dama de Espadas (1988), Os 5 Livros de Versos Salvaram o Tio (1991), O Peixe na Água (1993), A Continuação do Fim do Mundo (1995), A Bela Acordada (1997), Clube da Poetisa Morta (1997), O Poeta de Pondichéry seguido de Maria Cristina Martins (1998), Sete Rios entre Campos (1999), Florbela Espanca Espanca (1999), O Regresso de Chamilly (2000), Irmã Barata, Irmã Batata (2000), A Obra (2000), A Mulher-a-Dias (2002), César a César (2003), Poemas Novos (2004), Caras Baratas (2004), Le Vrai la Nuit - A Árvore Cortada (2006), Caderno (2007), A Dobra (2009), Apanhar Ar (2010), Andar a Pé (2013), Manhã (2015) e Bandolim (2016).
#ParaTodosVerem Fotografia de uma paisagem com terra seca, no canto direito da imagem há um cacto com uma flor rosa, ao fundo a foto está desfocada, com um céu azul com nuvens. No canto esquerdo superior da imagem há uma poema de Adília Lopes:
O deserto está perto.
Sempre.
Mas o deserto
é fértil