Estão abertas as inscrições para o curso de especialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial, ofertado pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Ao todos, estão disponíveis 25 vagas, sendo 20 de ampla concorrência e 5 para ações afirmativas. As inscrição vão até 1° de julho, às 16h.
Confira os detalhes da chamada e inscreva-se!
Com a especialização, espera-se que o aluno possa identificar necessidades territoriais, planejar, organizar e executar ações terapêuticas e projetos de atenção psicossocial a partir dos paradigmas propostos pelo SUS e a Reforma Psiquiátrica.
O curso está sob a coordenação de Ana Paula Guljor e coordenação adjunta de Paulo Amarante e Leandra da Cruz, e é destinado a profissionais graduados que atuem direta, indiretamente ou que tenham interesse no campo da saúde, saúde mental e atenção psicossocial.
As inovações no campo da Saúde Mental trazem novas exigências para o profissional referentes ao cuidado dos usuários, aos serviços e à organização dos mesmos. Nesse sentido, é indispensável uma formação que traga um mínimo de recorte do campo da Saúde Pública/Saúde Coletiva, que possa formar profissionais dessa área, bem como uma formação teórica, prática e ética mais consistente e articulada no campo da Saúde Mental.
Dentro dessa perspectiva, a especialização visa proporcionar informações ao aluno que o possibilite a efetuar uma análise histórica e crítica da constituição dos saberes e práticas psiquiátricas; oferecer elementos para que possa analisar e contextualizar a Saúde Mental e a Saúde Coletiva no Brasil; possibilitar que o participante possa operar com os diferentes conceitos na reflexão e na análise de distintas instituições no contexto atual da sociedade brasileira; além de proporcionar ao aluno informações e elementos para que possa analisar e refletir a Saúde Mental; identificar necessidades territoriais, planejar, organizar e executar ações e projetos de Saúde Mental no âmbito da Saúde Coletiva; e identificar necessidades dos usuários, planejar, organizar e executar ações terapêuticas e projetos de reabilitação e ressocialização, sempre a partir dos paradigmas propostos pela Reforma Psiquiátrica.
A formação não utiliza-se apenas de aulas expositivas, mas também de discussões, seminários, debates sobre filmes e vídeos da área da saúde mental, entre outros que trazem para o campo importantes contribuições. O curso procura ainda oferecer um espaço mais dinâmico de trocas de experiências que favoreçam e estimulem um pensar crítico no âmbito da Saúde Pública e, sobretudo, da Saúde Mental.
Acesse aqui o edital do curso de especialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial.
Imagem: Freepik
Com o tema “Resistência, luta e sonhos juntos na construção de uma sociedade sem manicômios”, a Fiocruz Brasília realizará seminário online no próximo dia 18 de maio, das 8h30 às 21h. Promovido pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, o evento tem o objetivo de debater experiências e afetos para fortalecer o movimento por uma sociedade sem manicômios, além de discutir uma conexão entre as narrativas dos diferentes atores sociais, seus sonhos, lutas, identidades e sofrimentos. A data do evento, 18 de maio, foi escolhida em alusão ao Dia da Luta Antimanicomial. Com iniciativas no país inteiro, esse dia é protagonizado pelos movimentos sociais e usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em atos para chamar a atenção, sensibilizar e informar a comunidade de tal mudança de paradigma do cuidado, para o cuidado em liberdade.
Para o coordenador e pesquisador do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (Nusmad), da Fiocruz Brasília, André Guerrero, a prática antimanicomial coloca a liberdade e a pessoa em destaque, um ser protagonista através do exercício da sua cidadania. Assim, o dia da luta antimanicomial essencialmente traz à tona elementos para a (re)construção de uma sociedade mais democrática, inclusiva e menos desigual. “A luta Antimanicomial é a luta por uma sociedade mais justa e inclusiva, na qual os Direitos Humanos sejam garantidos”, ressaltou.
A programação do evento contará com atividades artístico-culturais, painel de debate e rodas de conversa que abordarão desde a questão indígena e sua produção de conhecimento; passando pela descolonialidade como o caminho para resistir e desconstruir padrões; até o racismo e as expressões sociais e culturais dos povos quilombolas e sua relação com a saúde mental e a construção da subjetividade e repercussões psíquicas a partir de um outro lugar social e o racismo estrutural.
O seminário online será transmitido pela Plataforma Zoom. Para participar, acesse bit.ly/seminarioantimanicolonial.
Confira a programação do Seminário Antimanicolonial: resistência, luta e sonhos juntos na construção de uma Sociedade sem manicômios
Data: 18/5 - terça-feira - 8h30 às 21h
8h30 – Apresentação Cultural
Babalorixá Adam de Odé – Ilê Axé Odé Inié: Cantos para os Orixás
Álvaro Tukano – Cantos do povo Yepá Mahsã
9h – Mesa de Abertura
Denise Oliveira e Silva, vice-diretora da Fiocruz Brasília;
André Guerrero, coordenador do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas da Fiocruz Brasília;
kleidson Oliveira, conselheiro de saúde do CAPS de Sobradinho/DF.
9h30 – Painel: Racionalidades ancestrais e saberes não colonizados
Os Povos originários e a Epistemologia Científica – Daiara Tukano;
O conhecimento científico em movimento: a África em foco – Tiago Rodrigues.
14h – Roda de Conversa: Povos originários cravam nossos pés aqui: sobre possibilidades de construir esperança, sonho e bem viver – Edinaldo Xukuru, Nita Tuxu e Geni Guarani.
16h – Roda de Conversa: É tempo de se aquilombar: sobre as necessidades de reconexão com ancestralidade para construir saúde – Marlete Oliveira e Bárbara Gomes.
19h – Evento de Fechamento “Gira descolonial”
Risco de morte e prejuízos à saúde mental são dois significativos aspectos dos efeitos da pandemia entre as populações indígenas. Buscando implementar ações que ajudem a mitigar tais efeitos, o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) acaba de lançar o curso Bem-Viver: Saúde Mental Indígena, cujo objetivo é construir uma rede de apoio psicossocial voltada para essas populações vulnerabilizadas. Para tanto, busca formar diferentes profissionais ligados à saúde, educação, sistemas de proteção social (conselheiros tutelares, professores), assistência social e outros diretamente envolvidos na assistência das populações indígenas. O curso é online, gratuito e autoinstrucional. As inscrições podem ser feitas até 18 de fevereiro pelo Campus Virtual Fiocruz. O conteúdo ficará disponível aos inscritos a partir de 15 de janeiro.
A formação é composta de cinco módulos e trata de aspectos relacionados à saúde mental e fatores psicossociais que já eram enfrentados pelas populações, mas que se intensificaram no período da Covid-19. Segundo a pesquisadora da Fiocruz Amazônia e coordenadora do projeto na Fundação, Michele Kadri, um dos maiores desafios é conseguir produzir materiais de efetivamente alcancem um diálogo intercultural com todas as linguagens e diversidade, respeitando as suas especificidades.
Temas abordados na formação:
O curso integra o projeto “Juntos contra a Covid-19 e na proteção de crianças e adolescentes indígenas na Amazônia Brasileira”, do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), do qual participam a Fiocruz e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Além da formação, uma série de outras ações integra essa articulação maior que tem o objetivo de oferecer apoio aos Povos Indígenas da Amazônia brasileira na prevenção e mitigação dos impactos da Covid-19. Ele é financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e prevê que mais de 27 mil famílias indígenas sejam beneficiadas.
Diversidade cultural e étnica na construção da formação
Para a psicóloga e coordenadora do curso, Alessandra Pereira, a pandemia traz preocupações quanto à saúde indígena sob dois aspectos: o risco de morte e os prejuízos à saúde mental. “Culturalmente, os povos indígenas não fragmentam o conceito de saúde entre física e mental. Portanto, a linha de atuação proposta no curso centra-se no bem-viver e na saúde indígena”, disse ela.
Alessandra enfatizou ainda o fato de a formação ter sido elaborada em articulação com indígenas, que conferiram integração aos elementos e temas considerados necessários para o diálogo com tais povos – um grupo composto de 11 professores conteudistas e 8 revisores interculturais indígenas. A participação dos revisores, por toda sua vivência nas comunidades, disse Alessandra, foi um parâmetro importante que guiou a escolha da linguagem (visual e textual), do conteúdo, bem como das abordagens escolhidas para tratar os assuntos durante a formação.
“Preocupados em como iríamos lidar com tamanha diversidade étnica, buscamos pessoas que tivessem conhecimento e reconhecimento desses contextos sociais. Acionamos a Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos (Abipsi), já que a atuação do projeto se estende pelos estados do Amazonas, Acre, Pará, Roraima e Amapá, em oito áreas prioritárias, atingindo 90 diferentes etnias. Um trabalho que deve dialogar com nove famílias linguísticas: Tukano Oriental, Aruak, Maku, Tupi, Tikuna, Je, Karib, Pano e Katuquina”, explicou Alessandra.
* Grace Soares é jornalista e consultora da Fiocruz no projeto do curso Bem-Viver: Saúde Mental Indígena
Estão abertas as inscrições para o novo curso online Saúde das Populações de Fronteiras. A formação, cujo objetivo é capacitar profissionais de saúde para realizar o cuidado integral e resolutivo dessas populações, foi desenvolvida pela Fiocruz Mato Grosso do Sul e é oferecida por meio da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS).
Seu público-alvo são profissionais da saúde, acadêmicos em formação na área de saúde e demais interessados no tema. O curso é autoinstrucional, tem início imediato e é totalmente gratuito.
Com carga horária de 30h, divididas em quatro unidades, o curso aborda os aspectos políticos e sanitários das fronteiras; vigilância em saúde e organização da atenção à saúde na fronteira. A última unidade traz uma atividade interativa, baseada em dados de um município fictício para que o profissional possa correlacionar o conteúdo com situações do cotidiano.
Para a coordenadora do curso, Leika Geniole, trabalhar na Atenção Primária à Saúde guarda uma grande complexidade, pois “as equipes precisam lidar com demandas agudas, condições crônicas, ações de promoção e prevenção à saúde, cuidados paliativos, saúde mental etc. Profissionais de saúde precisam estar continuamente se capacitando para serem capazes de dar respostas às necessidades da população de seus territórios”, explicou ela.
No que se refere às equipes que trabalham em regiões de fronteiras, Leika ressaltou que o trabalho torna-se ainda mais complexo: “Os profissionais de saúde precisam lidar com culturas diferentes, diversos problemas de saúde que ocorrem em outros países e sobretudo com pessoas que não fazem parte do seu território. Para tanto, o curso busca instigar a reflexão sobre como planejar o trabalho considerando essas especificidades”, detalhou Leika.
Conheça a nova formação e inscreva-se: Saúde das Populações de Fronteiras
Conheça outros cursos oferecidos pela UNA-SUS.
Fiocruz identificou duas linhagens de Sars-CoV-2 em Corumbá, Mato Grosso do Sul
Duas linhagens do novo coronavírus foram identificadas em Corumbá, Mato Grosso do Sul, o que sugere ao menos duas introduções do Sars-CoV-2 na região de tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia. Os dados foram apintados pela pesquisadora da Fiocruz MS, Alexsandra Favacho. “Essas foram as primeiras sequencias do genoma das linhagens do Sars-CoV-2 circulando em Mato Grosso do Sul a serem identificadas e que estarão disponíveis a comunidade cientifica mundial por bancos de dados internacionais”, explicou ela.
O sequenciamento genético das amostras coletadas em Corumbá foi feito pelo pesquisador Felipe Naveca, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em ação colaborativa entre as duas unidades da Fiocruz. O pesquisador ressalta a importância do sequenciamento para tentar entender o comportamento do vírus ao longo do tempo, não só as mutações, que são naturais e que vão ocorrer, mas também suas consequências, que podem levar a uma alteração e afetar ensaios diagnósticos.
Desde maio, a Fiocruz Mato Grosso do Sul, em parceria com a Embrapa Gado de Corte, vem apoiando as ações de enfrentamento à pandemia pelo Sars-CoV-2 no estado. A unidade da Fundação tem realizado o diagnóstico molecular da Covid-19 em amostras coletadas no município de Corumbá pelo sistema Drive Thru coronavírus, implantado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MS).
“A partir dessa ação de apoio, surgiu o interesse de conhecer as características genéticas do vírus Sars-CoV-2 que está circulando no município de Corumbá, e nos municípios próximos, podendo fornecer informações importantes sobre a possível origem da transmissão, as diferentes linhagens encontradas na região e, suas mutações, contribuindo dessa forma para as tomadas de decisão nas ações de vigilância em saúde”, disse Zoraida Fernandez, pesquisadora da Fiocruz Mato Grosso do Sul.
Sequenciamento
Nesse primeiro momento, foram sequenciadas 6 amostras coletadas no mês de agosto, nas quais foram identificadas as linhagens de Sars-CoV-2 B.1.1.28 e B.1.1.33, sendo uma mais frequentemente encontrada na Europa e que se espalhou por todos os continentes e, a outra, encontrada no continente americano, principalmente no Brasil, USA e Argentina.
O estudo está sendo continuado para o mapeamento genético de uma maior quantidade de amostras coletadas desde o início das atividades do Drive Thru Coronavírus até o último mês de coleta, o que permitirá entender a dispersão do vírus nessa região e esclarecer a evolução viral ao longo do tempo, no Mato Grosso do Sul.
Parcerias
Os diretores das unidades Fiocruz Mato Grosso do Sul (Jislaine Guilhermino) e Fiocruz Amazônia (Sérgio Luz) ressaltam a importância das parcerias institucionais e entre unidades da Fiocruz para ampliar a capacidade de trabalho na área da genética, especialmente para os estados que fazem fronteiras internacionais, uma vez que essa relação permite além da trocas de experiências entre as equipes, a utilização de infraestruturas de pesquisa, para realizar a caracterização genética do novo coronavírus e testagem metagenômica. “O fortalecimento da vigilância das doenças emergentes e reemergentes nas regiões fronteiriças do Brasil, é um dos objetivos da Vigilância epidemiológica”, enfatiza Rivaldo Venâncio Cunha, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz.
Rede de apoio, acolhimento, suporte e cuidados com a saúde mental são conceitos cada vez mais buscados e valorizados durante o período de isolamento social imposto pela Covid-19. Na medida em que o tempo passa e a pandemia avança, mostrando números trágicos em nosso país, as instituições se organizam para responder novas demandas. Os alunos da Fiocruz contam com o Centro de Apoio ao Discente (CAD), ligado à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fundação, que oferece escuta qualificada e apoio na resolução de problemas. A coordenadora técnica da iniciativa, que existe há cerca de três anos, Márcia Silveira, falou sobre o expressivo aumento da busca dos alunos pelas iniciativas e a importância dessas ações em tempos de distanciamento social.
“A pandemia trouxe uma série de circunstâncias novas e potencialmente ameaçadoras, e trabalhamos para auxiliar a instrumentalização dos discentes no enfrentamento de dificuldades, oferecendo informações úteis, estimulando o autoconhecimento, o autocuidado e o respeito aos seus limites”, disse Márcia. Ela explicou ainda que, apesar da suspensão do atendimento presencial, o CAD permanece em funcionamento durante o horário habitual de expediente e segue atendendo aos alunos, desde o acolhimento com uma escuta qualificada, passando pela orientação para a resolução de problemas, até o encaminhamento a serviços especializados.
Os agendamentos podem ser feitos por WhatsApp, no número (21) 3882-9066 ou pelo e-mail cad@fiocruz.br.
A comunicação com os estudantes é bastante ativa por meio das redes sociais do Centro (@conexaodiscente), e-mail e WhatsApp. São disponibilizados materiais de conteúdos diversos, de cunho informativo e também recreativo. Além disso, o CAD recebe sugestões por todas essas mídias.
“Muitas pessoas nos procuram para conhecer iniciativas e ações sobre a saúde mental voltadas especialmente aos nossos alunos neste período de pandemia. Dada a natureza da Fiocruz, com forte autonomia das suas unidades, escritórios e serviços, estamos em processo de elaboração de um catálogo organizado das iniciativas existentes", disse ela lembrando que o CAD convidou toda a Fundação a participar desse levantamento, tão caro nesta situação que estamos vivendo atualmente.
Segundo Márcia, a comunicação é fundamental para a promoção e preservação da saúde: “acreditamos que saúde mental abrange não apenas intervenções diretamente voltadas para a psique, mas para tudo que, de uma forma ou de outra, interfere no bem-estar dos alunos, em suas relações e capacidade de responder aos desafios e enfrentamentos cotidianos. Não existe saúde mental desconectada do corpo, da natureza ou do contexto social”.
Ao longo da fase de distanciamento social, o CAD vem atuando de forma veemente na construção de uma rede de apoio mais arrojada para oferecer suporte aos seus estudantes. Para tanto, trabalha com parceiros internos e externos, além de ações em nível central – sob a responsabilidade do Centro e do serviço de psicologia da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST). Desde o ano passado, O CAD também está ampliando sua atuação junto aos residentes, o que envolve uma dinâmica de aproximação com tais programas da Fiocruz, buscando ações comuns em benefício a esses alunos.
Márcia lembrou que, a convite da coordenação das Residências em Saúde e do Fórum de Coordenadores de Residências em Saúde da Fiocruz, o Centro participou das discussões relativas à saúde mental, bem como da construção da Nota Técnica 01/2020 - Orientações sobre Saúde Mental e a Pandemia de Covid-19 para Residentes em Saúde da Fiocruz. Esteve presente ainda em aulas inaugurais, reuniões com discentes e no desenvolvimento da proposta de levantamento das ações de acolhimento específico para os programas de residência, que ainda está em elaboração.
Como já citado, algumas unidades, escritórios, serviços e até programas de pós-graduação da Fiocruz desenvolvem iniciativas voltadas especialmente a seus alunos. Confira algumas delas:
Fiocruz Brasília: atendimento aos residentes;
Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV): Projeto Escola Saudável, que realiza apoio psicossocial aos estudantes, responsáveis e trabalhadores da unidade; e o projeto “Respiro Poético”, atividade online durante o período de suspensão das aulas presenciais, além de podcasts e lives voltadas à saúde mental;
Instituto Oswaldo Cruz (IOC): Programa de Práticas Integrativas Complementares de Saúde (Pics), além de um canal de escuta e acolhimento por videochamada ou telefone durante a pandemia;
Fiocruz Bahia: atendimento psicológico aos estudantes, em convênio com a Universidade Federal da Bahia (Ufba);
Fiocruz Pernambuco: Serviço de Orientação Educacional, que apoia a solução de problemas e oferece escuta qualificada aos seus alunos. Rede social SOE/CPqAM.
Cuidar do outro é também cuidar de mim. Esta é a premissa do projeto de suporte psicológico e emocional aos residentes que trabalham no combate a Covid-19. A iniciativa é do Núcleo de Saúde Mental Álcool e outras Drogas da Fiocruz Brasília e se estende a residentes de toda a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O projeto vai, a princípio, até o mês de julho.
O projeto se alinha e amplia as questões debatidas pelo Fórum de Coordenadores de Residências em Saúde da instituição, que elaborou uma nota técnica com orientações gerais sobre prevenção e apoio aos residentes para enfrentarem a pandemia (leia a nota completa aqui). A coordenadora do Fórum, Adriana Coser, diz que a crise sanitária desperta apreensões e incertezas que podem gerar sofrimento e danos à saúde mental. "Diante de tantas mudanças no cotidiano, pressões e do senso de urgência, é importante estreitarmos relações de confiança mútua entre residentes, preceptores, supervisores, tutores e professores", afirma.
O projeto, que integra o Programa de Residência Multiprofissional em Álcool e outras Drogas, visa reduzir a ansiedade dos residentes. A proposta é contribuir para que lidem melhor com suas limitações e resolvam conflitos por meio de recursos internos. Para isso, o Programa organiza grupos de tutores no WhatsApp, que são formados por um residente responsável pela tutoria e outros 20 profissionais residentes em atividade. Além dos grupos, há a possibilidade de atendimento psicológico individual, sempre com supervisão.
Podem participar residentes de qualquer programa da Fiocruz, em todos os níveis e anos de formação. Para se inscrever, basta enviar uma planilha com os dados de quem deve ser incluído nos grupos para: rmsaumental@fiocruz.br. Baixe o arquivo do projeto, saiba mais e confira as informações necessárias para participar.
Trabalho intenso, exposição a riscos, falta de equipamentos, estresse, ansiedade. Tudo isso pode gerar sofrimento psíquico durante a pandemia para os trabalhadores da área. Pensando nisso, a Fiocruz Brasília estabeleceu uma parceria com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, o Conselho Regional de Psicologia do DF e a Universidade de Brasília, criando um projeto de acolhimento que conecta profissionais de saúde a psicólogos voluntários. Em meados de abril, eles participaram do curso online Saúde mental e atenção psicossocial em situação da pandemia de Covid-19, que está disponível no canal do youtube da Fiocruz Brasília para capacitação de outros voluntários.
Os cuidados neste sentido também são enfocados por pesquisadores colaboradores do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Cepedes/Fiocruz). Eles elaboraram cartilhas sob a coordenação da diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, e da pós-doutoranda em Saúde Mental e Desastres, Débora Noal. O material traz informações sobre diversos temas: recomendações gerais, orientações para gestores, para os psicólogos hospitalares, para trabalhadores e cuidadores de idosos, entre outras situações. Acesse!
Você não está sozinho: para ajudar os estudantes, o Centro de Apoio ao Discente (CAD) tem compartilhado dicas sobre acolhimento psicológico em suas redes sociais. Para saber mais, siga Conexão Discente no Facebook e no Instagram ou entre em contato com o CAD: cad@fiocruz.br.
Bora frear o contágio do coronavírus?! Até o dia 17 de abril estão abertas as inscrições para Covid-19: Chamada Pública para Apoio a Ações Emergenciais junto a Populações Vulneráveis. A iniciativa é da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e visa conter a contaminação de quem está mais exposto ao novo vírus. Além do apoio financeiro, a Fiocruz promove também a campanha de informação e comunicação Se Liga no Corona!, voltada a favelas e periferias.
Serão concedidos R$ 600 mil para apoiar projetos em todo o país
A chamada pública irá financiar projetos em todo território nacional que contribuam para prevenir o contágio entre esses grupos sociais ou garantir condições mínimas de sobrevivência a famílias impactadas economicamente pelas medidas de isolamento social em vigência. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no Portal Fiocruz até o dia 17 de abril e o resultado final será divulgado no dia 1º de maio.
As propostas poderão se encaixar em três faixas de orçamento: até R$ 10 mil; até R$ 25 mil ou até R$ 50 mil. E serem vinculados a uma (ou mais) das cinco áreas de interesse: segurança alimentar; comunicação; saúde mental; assistência específica a grupos de risco; e ações que facilitem o cumprimento das medidas de afastamento social e higiene pessoal e coletiva anunciadas pelas autoridades públicas. Ao todo, estão disponíveis R$ 600 mil, recebidos de doadores e destinados à Fiocruz para que invista em ações emergenciais de enfrentamento à pandemia de Covid-19. Podem se candidatar organizações da sociedade civil sem fins lucrativos com histórico comprovado de atuação junto a populações vulneráveis, assim como coletivos sem personalidade jurídica atuantes em territórios socialmente vulneráveis — desde que os projetos sejam apresentados por instituição parceira legalmente constituída.
“Em um país com enormes desigualdades como o Brasil, precisamos olhar para as realidades sociais de cada território. A epidemia não chega da mesma forma para todos e as estratégias de contenção precisam ser diferentes. A chamada pública vai destinar os recursos recebidos por doações para organizar uma resposta emergencial para populações mais vulneráveis. Com isto, a Fiocruz espera cumprir o papel que vem desempenhando há 120 anos de promover saúde pública para toda população”, afirmou Nísia Trindade Lima, presidente da instituição.
Junto com a chamada, a Fiocruz, Redes da Maré e as organizações de Manguinhos lançaram, no dia 9 de abril, a campanha multimídia de prevenção ao Covid-19 nas favelas. A iniciativa vai difundir informações confiáveis adaptadas ao contexto das periferias em diversos formatos, como radionovelas, spots para carros de som, peças e vídeos para mídias sociais e cartazes. O conteúdo produzido pela campanha ficará disponível para download no Portal Fiocruz e no Maré Online para uso e livre distribuição por parte de coletivos, organizações e indivíduos. Nas comunidades de Maré e Manguinhos, os materiais serão difundidos em rádios comunitárias, estabelecimentos comerciais, pontos de ônibus e moto-táxi, nas associações de moradores e em outras áreas de grande circulação.
"Até o momento as orientações de prevenção têm se dirigido ao público de classe média: medidas de isolamento em quartos individuais, evitar aglomerações, álcool em gel e outros exemplos. Mas nós sabemos que não é essa realidade da maioria da população. A campanha surge como um dos esforços da instituição, conjugado aos de nossos parceiros nas comunidades, para enfrentarmos juntos esse desafio”, pontuou Nísia. Entre os materiais, constam protocolos de higiene para entrega e recepção de cestas básicas; cartazes com orientações sobre distância mínima entre pessoas em locais públicos; vídeos de perguntas e respostas com especialistas; além de tema para foto de perfil no Facebook, peças adaptadas para stories e feed do Instagram, capa para Facebook e Twitter, entre outros.
A campanha Se Liga no Corona! lança também um selo de validação de materiais de comunicação produzidos por organizações comunitárias parceiras. As peças enviadas pelas organizações à equipe da campanha terão seu conteúdo submetido a especialistas da Fundação Oswaldo Cruz e, se procedentes, receberão o selo Fiocruz Tá Junto, oferecendo ao material uma chancela científica. A campanha é fruto da articulação entre a Fiocruz, a Redes da Maré, o Conselho Comunitário de Manguinhos, o Conselho Gestor Intersetorial (CGI-Teias Manguinhos), a Comissão de Agentes Comunitários de Saúde de Manguinhos (Comacs), o Coletivo Favelas Contra o Coronavírus, o Jornal Fala Manguinhos! e o sindicato dos trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN).
Chamada Pública para Apoio a Ações Emergenciais junto a Populações Vulneráveis
Inscrições: de 9 a 17 de abril. Mais informações aqui.
Campanha Se liga no Corona!
Mais informações aqui.
O Centro de Apoio ao Discente (CAD), da Vice-Presidência de Educação e Informação (VPEIC/Fiocruz), promoveu na segunda-feira (25/11), na sala de treinamento da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST), o encontro Caminhando juntos: uma conversa sobre a relação orientador-orientando. O evento contou com a participação das orientadoras Cristina Pessolani (IOC/Fiocruz) e Simone Oliveira (Ensp/Fiocruz), do aluno Rodrigo Ramos Lima (COC/Fiocruz) e da egressa Helena D’Anunciação (IOC/Fiocruz). O objetivo foi conversar sobre essa relação que é tão importante para a elaboração de uma dissertação ou tese e também abrir um espaço para compartilhar experiências, expectativas e desafios.
A roda de conversa foi aberta pela coordenadora-geral de Educação, Cristina Guilam. Ela afirmou que o tema do encontro é “sensível e tenso” e que necessita de muita solidariedade e companheirismo de ambas as partes (aluno e orientador). A coordenadora do CAD, Márcia Silveira, disse que a ideia de promover um evento como esse foi a de pensar formas de tornar essa relação favorável e frutífera. Comentou também que a intenção é repetir o encontro.
Segundo a pesquisadora Cristina Pessolani, que está na Fiocruz há 30 anos e orientou numerosas teses e dissertações, cerca de 80% delas ocorreram em uma relação harmoniosa. As restantes 20% se deram em um ambiente tumultuado. “Esse encontro é de fundamental importância, já que o tema é pouco explorado. Um aspecto importante é que os envolvidos saibam exatamente quais seus direitos e deveres, o que não está claro para alguns, sejam professores ou alunos”. De acordo com Cristina, citando Antonio Joaquim Severino, o “orientador deve ser um educador, dentro de um projeto conjunto de construção do conhecimento. Ele não é pai, analista ou advogado. Mas também não é feitor ou tutor. Esta relação precisa ser educativa e ambos precisam conhecer muito bem as regras e os prazos”.
Cristina disse que não existe formação para orientador, por isso muitos não conseguem desempenhar bem a função. Ela sugeriu a criação de uma disciplina específica para que futuros orientadores possam ter resultados melhores. “Nem todo doutor tem vocação para orientador. É necessário respeito, empatia, saber colocar-se no lugar do outro. No mestrado, por exemplo, em que o prazo é mais curto, é muito importante estabelecer cronograma e ter envolvimento e comprometimento”.
'Espaços de fala fundamentais'
Para a pesquisadora Simone Oliveira, da Ensp/Fiocruz, “espaços de fala como este são fundamentais para que possamos enfrentar, de forma potente, as situações difíceis que surgem na relação entre aluno e orientador”. Ela lembrou que “trabalho acadêmico é trabalho. O processo de orientação traz consequências que o trabalho requer. E temos que estar atentos à saúde mental dos envolvidos. Porque, além de estarmos em uma sociedade adoecida, essas relações acadêmicas são, muitas vezes, atravessadas por problemas maiores advindos das relações de poder, hierárquicas e abusivas que existem”.
Simone enfatizou que, para os orientandos, a vida continua. “A pessoa não é apenas aluno. Tem relações profissionais, afetivas, de família, amizades, questões existenciais. Tudo isso, somado a um relacionamento ruim com o orientador, muitas vezes desemboca em adoecimento. O contexto neoliberal em que vivemos, com relações individualizadas, solidariedade rompida e lógica produtivista, também entra na academia, com consequências nefastas”.
De acordo com Simone, os alunos têm acesso a tudo, mas são bastante desinformados quanto a regras acadêmicas. “Há uma dispersão grande e um limite menor para a frustração. No nosso mundo medicalizado, que não enfrenta os sofrimentos, a desinformação se dá em todos os níveis”. Ela também criticou o que chamou de “uberização” da sociedade. “Não existe mais separação entre as horas de trabalho e aquelas que não de trabalho. Estamos disponíveis o tempo todo e as consequências disso nós vemos nas relações sociais. É fundamental recuperar Paulo Freire, porque a tecnologia não resolve tudo”.
A egressa Helena D’Anunciação, que defendeu sua tese de doutorado em agosto, iniciou sua intervenção questionando o contexto político, econômico e acadêmico em que se vive hoje. Segundo ela, os critérios da Capes também interferem na relação aluno-orientador. “Estamos inseridos em uma lógica produtivista e tecnicista, na qual exige-se que o pesquisador tenha um número determinado de publicações e trabalhos para ser competitivo. Mas não se observa se o trabalho acadêmico atingiu e beneficiou a sociedade, que é um dos pilares do que a Fiocruz faz nas comunidades do seu entorno”.
Helena recordou que houve uma mudança positiva no perfil dos alunos de graduação e pós-graduação, com um grande número de alunos vindos da classe trabalhadora entrando no terceiro grau, devido às políticas sociais e de cotas. “No entanto, o atual contexto neoliberal enfraquece essa realidade. Vemos, por causa das pressões e problemas do país em que vivemos, um grande número de adoecimentos entre os orientandos”. Helena também sugeriu que haja investimento no processo de formação de novos orientadores e que os atuais passem por uma reciclagem. Ela pediu que encontros como o promovido pelo CAD sejam frequentes.
O último debatedor a intervir foi o aluno de doutorado Rodrigo Lima, da COC. Ele disse que muitas das questões que emperram a relação aluno-orientador têm a ver com a (falta de) comunicação. “São longos silêncios, uma demora incompreensível até que sejam respondidos, lacunas inexplicáveis. É um trabalho que requer uma responsabilidade afetiva, que, muitas vezes, inexiste”. Ele recomendou a leitura do artigo Orientação de mestrandos e doutorandos como atividade profissional, escrito pela pesquisadora Cecília Minayo e publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, que detalha de maneira bem acurada como deve ser a orientação de mestrandos e doutorandos. O artigo aborda o que é orientar e sobre o que esperar de um orientador e de um orientando. “Este artigo de Cecília Minayo deveria se tornar uma cartilha e circular maciçamente entre alunos e orientadores”. Rodrigo, que espera um dia se tornar ele próprio um orientador, sublinhou que pretende usar de muita sinceridade e objetividade com seus futuros orientandos.
O Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês de setembro foi escolhido porque o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
No contexto da campanha, a mensagem do Centro de Apoio ao Discente (CAD), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é: "Não sofra sozinho! Peça ajuda". Confira algumas orientações para estudantes sobre o tema, que foram organizadas pelo CAD:
Na Fiocruz tivemos várias ações relacionadas à prevenção do suicídio, com atividades em diferentes unidades. Como se insere a atuação do CAD nesse movimento?
O suicídio é um tema complexo, multifacetado, com causas e formas variáveis. Especialistas indicam uma maior prevalência de transtornos mentais, tais como a depressão, por exemplo, em pessoas que tentam o suicídio. Entretanto, nem todas apresentam esses quadros. O que se tem em comum é um intenso sofrimento psíquico, que pode resultante de perdas, de contextos de assédio ou discriminação, de situações nas quais a pessoa se sente fracassada e sem visualizar uma solução possível. Na vivência dos discentes as incertezas quanto ao futuro profissional, a pressão por produções, a competitividade desenfreada também podem ser fatores contribuintes para o desenvolvimento da depressão e de ideações suicidas.
A atuação do CAD tem como base o acolhimento e a escuta qualificada dos estudantes, abrindo espaço para que as pessoas falem sobre suas dores e dificuldades sem qualquer crítica ou julgamento. Uma escuta empática, que reconhece cada pessoa como única e não tenta qualificar ou desqualificar o sofrimento vivido e nem compará-lo com o de outros. Nesse sentido trabalhamos rotineiramente com a prevenção ao suicídio, pois saber ouvir e acolher é essencial para identificar o risco de uma violência autoinflingida e possibilitar outras formas de expressão do sofrimento.
Isto não significa, entretanto, a negação dos fatores sociais no aparecimento, na manutenção e no aumento do sofrimento. O suicídio e outras formas de violência expressam-se no indivíduo, mas enraizam-se na coletividade, na cultura e na sociedade. Então, ao mesmo tempo que é preciso amparar a pessoa em sofrimento, é preciso apontar sua inserção em uma sociedade cada vez mais competitiva e menos solidária, uma sociedade onde tristeza e dor não são suportadas. Para essa conscientização e também visando o estímulo à formação de laços, têm papel central no trabalho do CAD as rodas de conversa e outras ações coletivas. Em nosso trabalho costumamos usar quatro palavras- chave: escutar, orientar, integrar e apoiar.
A escuta qualificada, o acolhimento e as atividades coletivas são as principais formas de prevenção ao suicídio?
São fundamentais, porém não são exclusivas nem suficientes. Falar sobre o suicídio, conhecer mais sobre o tema e identificar os sinais, são algumas das principais formas de prevenção. O assunto, que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação. É importante disseminar as informações e sob esse aspecto a comunicação tem um papel central na prevenção. A campanha do Setembro Amarelo se destaca sobretudo ao dar visibilidade para um fato social tão grave.
Quais sinais podem servir de alerta?
A desistência da vida se expressa frequentemente pelo desânimo ou apatia, pela diminuição do autocuidado, pelo desinteresse por pessoas e/ou atividades anteriormente motivadoras, pela desesperança, pelo isolamento e pelas falas mais frequentes sobre morte ou desejo de morrer. Esses são alguns dos sinais que precisam ser percebidos na prevenção do suicídio e com os quais trabalhamos. É importante ressaltar que os sinais não devem ser considerados isoladamente e nem interpretados como ameaças ou chantagens emocionais, e sim como aviso de alerta para um risco real.
Como é feito o atendimento e encaminhamento para o tratamento?
Durante o atendimento, quando identificada a necessidade, é realizado encaminhamento para tratamento com profissionais especializados em instituições parceiras ou, em casos emergenciais, a pessoa é acompanhada ao NUST ou pronto-socorro. Uma pessoa com risco iminente não pode ser deixada sozinha. É importante também contactar uma pessoa de confiança. É importante abordar a questão do suicídio sem a fantasia de que a pessoa será induzida pela pergunta, porque uma ação rápida poderá evitar a continuidade de um processo ainda em andamento. Vale ressaltar que, conforme preconiza a cartilha do Ministério da Saúde sobre como prevenir o suicídio, não há “receita” para detectar seguramente uma crise suicida em uma pessoa próxima, mas é preciso estar atento a possíveis sinais.
Onde buscar ajuda?
• Centro de valorização da vida: 24 horas por dia, 7 dias por semana. Contato por telefone 188, e-mail ou chat. Visite também o website: www.cvv.org.br;
• CAPS do território e unidades básicas de saúde da região;
• Emergência: SAMU 192, UPA e hospitais.
Quer saber mais?
1. Informação e prevenção:
http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio
https://www.cvv.org.br/wp-content/uploads/2017/05/suicidio_informado_para_prevenir_abp_2014.pdf
2. Para profissionais de imprensa:
https://portal.cfm.org.br/images/PDF/manualimprensacomportamentosuicida.pdf
https://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/en/suicideprev_media_port.pdf
*Flávia Neves de Oliveira é assistente social e Márcia Silveira é coordenadora do Centro de Apoio ao Discente (CAD), da Fiocruz.
A pós-graduação é um período tão estimulante e produtivo quanto desafiador para os estudantes. No dia a dia, é preciso lidar com diversos tipos de pressão: dificuldades para cumprir prazos, objetivos e entregar trabalhos; relações difíceis ou competitivas com os orientadores e pares, assédio; falta de compreensão da família e amigos, entre outras. Estes fatores podem desencadear ansiedade, depressão, provocar isolamento social — enfim, podem desencadear uma série de efeitos na saúde dos pós-graduandos. Para discutir Assistência estudantil e saúde mental na pós-graduação, o Centro de Apoio ao Discente (CAD) e a Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG/Fiocruz) promoveram um um debate na última segunda-feira, dia 6 de maio.
Na abertura do evento, a Vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Cristiani Machado enfatizou a preocupação em criar, cada vez mais, estratégias para que a instituição não seja um ambiente potencializador de problemas de saúde mental. "Estamos bastante atentos e mobilizados neste sentido. O contexto da pós-graduação define bastante a vida profissional e pessoal, principalmente de jovens pesquisadores", pontuou. Cristiani destacou a importância de iniciativas de assistência estudantil, não só em quesitos práticos como infraestrutura, mas também a níveis de acolhimento psicológico e afetivo.
Representando a APG-Fiocruz, Mayara de Mattos chamou a atenção para condições como ansiedade e depressão, muito comuns entre os estudantes. "Uma pesquisa recente sobre o perfil dos discentes da Fiocruz detectou uma grande quantidade de pós-graduandos ansiosos. A relação com o orientador, as demandas de trabalho, situções de assédio: tudo isso colabora para esse cenário".
E como facilitar o caminho dos alunos neste momento? Este foi o ponto destacado pela coordenadora do CAD, Márcia Silveira. Para ela, é fundamental dialogar com os alunos e construir, coletivamente, uma Fiocruz que acolha sempre mais. Ela cumprimentou a coordenadora geral de Educação da Fiocruz, Cristina Guilam, e a coordenadora adjunta, Eduarda Cesse, que participaram do evento.
Depois da abertura, foi a vez de receber convidados para debater o tema. O primeiro a trazer questões foi o psicólogo e pesquisador Robson Cruz, que concluiu seu pós-doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo Robson, seu interesse pelo assunto da assistência estudantil e saúde mental na pós-graduação teve origem em sua própria vivência.
Entre as situações relacionadas à vida acadêmica, ele destacou as dificuldades com a escrita. “Conforme você avança na vida acadêmica, o sofrimento com a escrita não diminui, na verdade, pode até aumentar. O pesquisador é cobrado para que produza e apresente conteúdo escrito quase diariamente. Quando isso não acontece, ele se autossabota. Pensa: 'Eu não sou bom o suficiente' e coisas do gênero".
Robson lembrou que o sofrimento na vida acadêmica é um fenômeno mundial. "É preocupante observar que o pesquisador não é reconhecido como trabalhador. Se você faz pesquisa no Brasil, isso não é levado tão a sério como deveria... O ambiente acadêmico também é, de certa forma, laboral", disse.
O segundo debatedor foi o doutorando em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Diego Nicolás Ferrari. Ele contextualizou o tema, inciando pela exposição de marcos históricos da América Latina na área da educação, como a Reforma de Córdoba. Depois, comentou a atual situação política do Brasil. "O cenário que vivemos contribui negativamente para a saúde mental dos pós-graduandos. Com os cortes orçamentários, a redução de direitos, a precarização do ensino, o esvaziamento das instituições, estamos perdendo muito do que foi conquistado nas lutas estudantis".
Segundo ele, para transformar esta realidade de forma concreta, é preciso encarar o diagnóstico. "Estamos inseridos num contexto em que o nosso trabalho, como pesquisadores, é programado para nos adoecer. Temos que identificar nossas necessidades para podermos agir”, afirmou.
Os alunos e demais participantes enriqueceram o debate, relatando experiências pessoais e dificuldades. Samuel Horita, aluno de doutorado do Insituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), falou sobre casos de assédio moral que sofreu na instituição. "Precisamos nos proteger e enaltecer nosso papel. Penso que nenhum pós-graduando deve deixar que o orientador ou qualquer outra pessoa diminua seu trabalho. Pelo contrário, somos profissionais capazes, por isso merecemos respeito e reconhecimento", comentou.
A pesquisadora Ângela Escher, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), fez um apelo: "Aqui na Fiocruz reunimos os maiores pensadores do país (e muitos do mundo). Mesmo assim, ainda não conseguimos solucionar questões ligadas à saúde mental e às necessidades dos alunos", afirmou. Ela compartilhou a história de seu filho, que foi diagnosticado com TDAH, e precisou de cuidados durante a prova do Enem.
Sobre o Centro de Apoio ao Discente (CAD)
O CAD-Fiocruz acompanha os alunos durante sua estada na instituição, favorecendo a integração e buscando equacionar situações individuais e coletivas que influenciem possam influenciar o bem-estar, o desempenho acadêmico e o desenvolvimento profissional dos estudantes. É um espaço de escuta psicossocial, que oferece atendimento inicial e encaminha as demandas dos discentes, sejam de cunho institucional ou particular.
Se precisar de apoio, escreva para cad@fiocruz.br ou ligue para (21) 3882-9066.
*Estagiária supervisionada.