O racismo permeia práticas, instituições e estrutura a sociedade brasileira, influenciando ainda o modo como se produz, se ensina e se faz saúde. Romper com antigas convenções sociais exige mais do que reconhecer o problema: exige ação. Nesse sentido, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) e o Campus Virtual Fiocruz lançam a segunda edição do curso online e gratuito Letramento Racial para Trabalhadores do SUS. A primeira edição contou com quase 23 mil participantes. Vem construir essa mudança com a Fiocruz!
A formação propõe um mergulho crítico nas relações entre racismo e saúde, convidando profissionais e estudantes a repensarem suas práticas e a incorporarem uma postura antirracista no cotidiano do cuidado, da gestão e da formação em saúde. Ser antirracista é um compromisso ético e político, além de ser também um passo necessário para garantir o direito universal à saúde. Nesta segunda edição, o curso amplia e fortalece o debate sobre racismo institucional, equidade racial e práticas transformadoras no SUS, com conteúdos interativos, recursos abertos e acessíveis.
Este curso foi o primeiro produto publicado no âmbito do edital Inova Educação - Recursos Educacionais Abertos, promovido pela Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz (VPEIC).
Curso como introdutor e catalisador do debate
O curso é especialmente voltado a profissionais do SUS e estudantes, mas aberto a todas as pessoas interessadas no tema. Segundo a pesquisadora da Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Regimarina Soares Reis, que é coordenadora da formação, a iniciativa é pioneira com essa abordagem em nível nacional. Ela apontou que, em um debate historicamente invisibilizado, certamente, este curso também está abrindo caminhos e estimulando a realização de outras iniciativas locais.
"A primeira oferta constituiu uma etapa estratégica para fortalecer a capacidade de trabalhadores em fazer frente ao racismo estrutural que está entranhado nas instituições de saúde", comentou Regimarina, destacando ainda que o expressivo número de participantes da primeira edição, provenientes de todas as regiões do país, aponta o tamanho da dimensão da percepção da necessidade de transformação de práticas racistas naturalizadas. A ideia, disse ela, "é que o letramento racial seja um meio, tal como uma ferramenta pedagógica, que apoie a produção de conhecimentos e práticas de saúde orientadas pela equidade sociorracial no SUS. Entender como o racismo é produzido na estrutura da nossa sociedade, os mecanismos a partir dos quais ele opera, e as possibilidades antirracistas permitirá a construção de um posicionamento crítico frente às tensões raciais".
O jornalista da presidência da Fiocruz Leonardo Azevedo, que tem destacada atuação na luta antirracista na instituição — e será homenageado no encontro Trajetórias Negras Fiocruz 2025, dia 11 de novembro —, participou da primeira edição do nosso curso e ressaltou que, apesar de ser especialmente voltado para os trabalhadores do SUS, a formação "é uma oportunidade para que todas as pessoas possam observar e desconstruir práticas racistas no dia a dia, nas interações pessoais e no trabalho, construindo uma sociedade antirracista e comprometida com equidade racial". Ele comentou também sobre a riqueza dos materiais, além da facilidade de realizar o curso de forma flexível e autônoma.
Leonardo defendeu ainda que o letramento racial nos possibilita entender que o racismo é uma questão estrutural e atual e que todos, não apenas os negros, devem estar comprometidos com a luta antirracista. "É preciso enfrentar o racismo, adotar práticas antirracistas e promover a equidade racial em artes, textos, vídeos, imagens e todas as ferramentas e canais que nós, profissionais de comunicação, atuamos e temos responsabilidade. É fazer uma análise crítica das narrativas, promover a diversidade nas redações, assim como a formação e o diálogo contínuo. É adotar um vocabulário racial, para que a linguagem não perpetue o racismo em nossos materiais. É dar visibilidade a pessoas negras em áreas e assuntos distintos, não apenas em assuntos relacionados ao racismo", argumentou ele.
Com racismo não há saúde como direito!
Junto ao lançamento da edição 2025 do curso, acontece uma aula aberta “Racismo e Antirracismo no SUS”, neste dia 4/11, às 10h, pelo canal da Escola Politécnica no youtube e o lançamento do livro “Letramento racial para trabalhadores do SUS”, escrito por Marcos Araújo (UFBA), Daniel Campos (UFRJ), Letícia Batista (EPSJV/Fiocruz) e Regimarina Reis (EPSJV/Fiocruz), com prefácio de Emiliano David (Uerj) e Ingrid D'avilla (EPSJV/Fiocruz). A aula terá a mediação de Sandra Vaz (UFF). O livro, que é digital, gratuito e disponível em acesso aberto, pode ser acessado aqui: Letramento racial para trabalhadores do SUS
Acompanhe ao vivo a aula “Racismo e Antirracismo no SUS”:
Conheça a formação e inscreva-se:
Módulo 1 – Relações entre o racismo e a saúde como direito no Brasil - 15h
Módulo 2 - Prática antirracista como princípio do trabalho em saúde - 15h
Com quase 400 casos registrados somente em 2025 no Brasil, tais notificações evidenciam que, mesmo sem um surto explosivo, a vigilância e a educação em saúde permanecem essenciais para identificar suspeitas precocemente e conter possíveis avanços da doença no país e no mundo. A infecção causada pelo vírus MPXV caracteriza-se por febre, dor de cabeça, lesões cutâneas e potencial transmissão em situações de contato próximo. Nesse contexto, a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) e o Campus Virtual Fiocruz lançam o curso Mpox: Vigilância, Informação e Educação. Ele é voltado prioritariamente a profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde — agentes, auxiliares e técnicos —, mas aberto a todos interessados na temática. A formação é livre, autoinstrucional e tem carga horária de 48h.
O curso é estruturado em quatro módulos que abrangem desde conceitos básicos da doença, registros e notificação, vigilância territorial até educação em saúde em contexto de emergências sanitárias. Ele busca preparar os profissionais para atuarem de forma mais eficaz na vigilância, no registro de dados e na educação em saúde frente à Mpox.
A ideia é que, com o curso, os participantes entendam o que é a doença, tenham esclarecimento sobre as formas de transmissão, saibam identificar sinais e sintomas iniciais e sua evolução. Além de poderem combater a desinformação e o preconceito no enfrentamento à Mpox com base em informações atuais e de qualidade, protegendo vidas e fortalecendo o direito à saúde de todos.
Poli: Compromisso com o fortalecimento do SUS e a valorização dos trabalhadores da linha de frente
A formação tem a coordenação compartilhada dos pesquisadores e professores da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) Fernanda Bottino, Maurício Monken e Carlos Batistella, que são, respectivamente, do Laboratório de Educação Profissional em Técnicas Laboratoriais em Saúde (Latec/EPSJV), do Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde (Lavsa/EPSJV), e coordenador de Cooperação Internacional da Escola. Segundo Fernanda, o curso é resultado de um esforço coletivo dos laboratórios da EPSJV/Fiocruz, que uniram suas expertises para desenvolver, com recursos visuais inovadores, um processo pedagógico voltado à formação crítica de trabalhadores no enfrentamento de temáticas emergentes da saúde coletiva.
"A Escola Politécnica reafirma, com esta iniciativa, seu compromisso histórico na formação de profissionais técnicos em saúde, com foco na vigilância, informação e educação em saúde. Este curso foi pensado para fortalecer a formação continuada de profissionais de nível médio — especialmente os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) —, promovendo o desenvolvimento de multiplicadores capazes de identificar riscos ambientais e sociais durante as visitas domiciliares, contribuindo assim para a prevenção do adoecimento e o cuidado integral das famílias e combatendo estigmas associados a doenças como a Mpox", destacou Fernanda, apontando ainda que, mais do que uma atualização, o novo curso representa um compromisso essencial para o fortalecimento do SUS e a valorização dos trabalhadores que estão na linha de frente da proteção e promoção da saúde das comunidades”.
Conheça a estrutura da formação e inscreva-se:
Módulo 1: Conceitos básicos sobre a Mpox
Aula 1: Mpox: a doença, o vírus e a epidemiologia
Aula 2: Transmissão, sinais e sintomas e diagnóstico
Aula 3: Tratamento e prevenção
Módulo 2: O processo de notificação da Mpox e o papel do profissional de nível médio
Aula 1: O registro da Mpox no sistema de informação em saúde
Aula 2: Como realizar o processo de notificação da Mpox
Aula 3: Aspectos éticos no registro da Mpox com ênfase nos ambientes digitais
Aula 4: O protagonismo dos profissionais de Nível Médio no registro e informação sobre a Mpox
Módulo 3: Mpox no sistema de saúde: os desafios da prática educativa para a sua prevenção
Aula 1: Prevenção e o papel dos profissionais de saúde na suspeita, encaminhamento e acompanhamento de casos
Aula 2: Educação em saúde
Aula 3: Educação popular em saúde e o planejamento de atividades educativas
Módulo 4: Mpox: a importância das ações de vigilância em saúde
Aula 1: Vigilância em Saúde
Aula 2: Informações na gestão de risco da Mpox
Aula 3: A vigilância da Mpox no território
Aula 4: Ações educativas e comunicativas de vigilância em saúde
Para oferecer um serviço mais robusto, potente e eficaz no processamento de dados e informações geradas cotidianamente pelos cursos de qualificação da Fundação, o Campus Virtual Fiocruz lança hoje a nova plataforma Latíssimo. O Sistema de Gestão de Cursos de Qualificação da Fiocruz, já amplamente conhecido pela comunidade interna, foi revisto e ampliado, ganhando novas ferramentas, funcionalidades e performance. Com o Latíssimo, usuários fazem a gestão completa de cursos, desde a inscrição de alunos até a emissão dos certificados, tudo isso de maneira autônoma e descentralizada. A plataforma é utilizada por todas as unidades da Fiocruz e está disponível para ofertas presenciais e online.
A nova versão do sistema de gestão oferece certificados customizados, permitindo utilizar QR Code ou assinatura digital, incluir parcerias e emitir o certificado em diferentes idiomas (português, espanhol e inglês).
Há algum tempo, parte da equipe está empenhada nesse projeto — sob a responsabilidade minuciosa e olhar atento da coordenadora adjunta do CVF, Rosane Mendes —, que é disponibilizado agora para a nossa comunidade. "Além de trazer novas possibilidades, a ideia é também beneficiar nossos usuários, bem como a gestão da educação com informações cada vez mais qualificadas sobre o trabalho que realizam", detalhou Rosane, dizendo ainda que tais dados, "geram informações importantes que mostram necessidades e podem apontar caminhos a serem traçados", comentou ela.
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A primeira versão do Latíssimo foi lançada em 2018 para atender a demandas de várias unidades no que se refere ao fluxo e à gestão dos cursos livres oferecidos pela Fiocruz. Desde então, tanto a oferta quanto a procura por esse tipo de formação vem aumentando a cada dia, especialmente após os anos de isolamento social ocasionados pela pandemia de Covid-19, e, junto a isso, uma mudança sociocultural sobre a realização de tarefas de maneira remota.
O regimento dos cursos de qualificação e as mudanças propostas
"Com crescimento exponencial, vimos números serem batidos e ultrapassados ano a ano, e, para isso, precisávamos também investir em um sistema robusto que acompanhasse essa evolução e desse conta do volume de dados gerados", disse, entusiasmada, a coordenadora do Campus Virtual Fiocruz, Ana Furniel. Entre vários tipos de cursos, 2.818 formações foram disponibilizadas por meio da plataforma do CVF. Atualmente, ela contabiliza um total de mais de um milhão de inscritos — mais uma grande conquista de 2025. Em 2018, eram pouco mais de 14 mil estudantes e, em 2024, atingimos cerca de 257 mil inscritos. Ou seja, em 7 anos, houve crescimento de mais de 1500%.
A construção deste sistema foi necessária para se adequar ao novo Regimento de Qualificação da Fiocruz, instituído em 2021, que definiu as regras para os cursos EAD e presenciais nessa categoria; estabeleceu, entre outras questões, a carga horária mínima para os cursos em 15h; e estipulou os três tipos de cursos considerados qualificação: desenvolvimento, atualização e aperfeiçoamento.
O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) é uma das unidades que tradicionalmente mais utiliza o sistema Latíssimo, sendo responsável por cerca de 25% das inserções de cursos na plataforma, com quase 700 inserções, seguido pela Gerência Regional de Brasília (Gereb/Fiocruz Brasília), com cerca de 600 cadastros, e o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), com 429. Dentre os usuários do IOC, a pesquisadora Norma Cardoso Brandão, que é vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação, destaca-se como uma das principais colaboradoras da plataforma. Segundo ela, o IOC vem utilizando o Campus Virtual de maneira mais intensa desde 2018, com o cadastro de cursos nacionais, internacionais e eventos educacionais.
Norma contou que, com a pandemia, as disciplinas também passaram a utilizar os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) oferecidos pelo Campus, bem como os Recursos Educacionais Abertos (REA) disponíveis. “Tanto naquele período de pandemia como agora, a equipe do Campus segue nos auxiliando com a realização de diversos treinamentos e capacitações para docentes e a equipe da secretaria acadêmica do IOC. Acompanhamos a evolução da plataforma e o incremento constante de melhorias e suporte. Por isso a nossa intenção é ampliar ainda mais a utilização da ferramenta. Assim, aproveito também para agradecer a toda equipe do Campus e reforçar essa parceria já consolidada”, apontou ela.
É importante ressaltar a importância do Latíssimo, que, em conjunto com outros sistemas oficiais da instituição, é responsável também por enviar as informações sobre os cursos para a presidência da Fiocruz e o Ministério da Saúde, por meio dos diferentes relatórios solicitados à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), sendo, assim, fundamental que todas as unidades e escritórios utilizem o sistema para a gestão de seus cursos. Na agenda do CVF já há o planejamento para a realização de treinamentos com todas as equipes responsáveis pelo uso do Latíssimo.
A transformação digital vem se consolidando como um dos eixos estratégicos para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O avanço no uso de tecnologias, dados e soluções digitais representa não apenas uma oportunidade para ampliar o acesso e melhorar a gestão, mas também uma necessidade diante dos desafios contemporâneos da saúde pública. Nesse contexto, a saúde digital vem se afirmando como ferramenta essencial para garantir decisões baseadas em evidências, promover a equidade e qualificar a atenção em saúde em todo o território nacional. Com esse horizonte, o Programa de Formação em Ciência de Dados, Saúde Digital e Informações em Saúde para o SUS realizou sua 2ª oficina de planejamento, nos dias 2 e 3 de setembro de 2025, que resultou, entre outras coisas, na consolidação de oito novos cursos para 2026 e 2027.
O encontro reuniu diferentes unidades da Fiocruz para alinhar estratégias, avaliar resultados e definir os próximos passos do programa, que tem como foco a qualificação de profissionais de saúde em temas decisivos para a transformação digital do SUS. O Programa é desenvolvido pela Fiocruz — sob a coordenação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação, através do Campus Virtual — e o Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Inovação e Informática em Saúde da Secretaria de Informação e Saúde Digital (DataSUS/Seidigi/MS), em articulação com diferentes unidades da Fundação.
Formações para 2025, parceria estratégicas e próximos passos
Entre os destaques da oficina de planejamento, estão o desenvolvimento e lançamento, ainda neste ano de 2025, de dois novos cursos que abordarão as seguintes temáticas: análise de dados para pesquisa no SUS e modelos matemáticos e computacionais voltados à pesquisa em saúde. Além disso, também serão implementados novos mecanismos de monitoramento para aprimorar a avaliação das formações. O monitoramento é feito via xAPI (Experience API) — um protocolo que permite o rastreamento mais detalhado das interações educacionais, independentemente da plataforma utilizada, ou seja, o acompanhamento do processo de aprendizagem do estudante.
O xAPI torna possível uma visão mais completa da jornada de aprendizagem dos usuários, mostrando cenários e facilitando a tomada de decisões e o aprimoramento das estratégias educacionais. Esse protocolo foi implementado no primeiro curso da série que integra o programa, Introdução à Saúde Digital, e já oferece dados que permitem análises mais qualificadas e robustas sobre o perfil dos participantes, temas de maior interesse, bem como aspectos territoriais.
A oficina também consolidou o planejamento de oito novos cursos para 2026 e 2027 e o lançamento de um edital de especialização em saúde digital, com início previsto para o ano de 2026. A coordenadora-geral do Campus Virtual, Ana Furniel, destacou os resultados da oficina apontando que o encontro reforçou especialmente a importância do trabalho em rede. "Todo o processo de desenvolvimento do Programa e dos cursos tem sido discutidos em oficinas como essa, mas também em outros momentos com parceiros específicos e a equipe de elaboração para seu pleno desenvolvimento. Vale ressaltar ainda que os eixos que definem as prioridades do nosso Programa estão também de acordo com o Programa de Saúde Digital do Ministério da Saúde, com foco na formação de profissionais do SUS, e sempre reforçando o sentido de unidade neste trabalho que é coletivo", detalhou ela.
O Programa de Formação vem ainda incorporando parcerias estratégicas, como a estabelecida com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que incluirá os cursos de saúde digital do CVF em seu no plano de ação do Programa SUS Digital. A previsão é de que, em 2026, algumas dessas formações também passem a ser oferecidas como disciplinas transversais no âmbito dos programas de pós-graduação da Fiocruz, fortalecendo ainda mais a integração entre ciência, tecnologia e formação qualificada para o SUS.
Pela Fiocruz, participam do Programa a Coordenação de Informação e Comunicação (Cinco/VPEIC/Fiocruz), o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, do Instituto Aggeu Magalhães (Cidacs/IAM/Fiocruz Bahia), a Fiocruz Ceará, o Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict). A partir desta segunda oficina, a Fiocruz Brasília e a Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco) também integraram-se ao grupo de desenvolvimento do Programa de Formação.
No âmbito do desenvolvimento do Programa de Formação, o Campus Virtual Fiocruz, desde outubro de 2024, integra o pool de instituições formadoras parceiras do Programa (Trans) Formação para o SUS Digital do Ministério da Saúde, que visa ao enfrentamento do desafio de preparar estudantes, trabalhadores e gestores do Sistema Único de Saúde para a transformação digital, promovendo a inclusão digital e uma visão crítica sobre o uso da tecnologia na saúde. O Programa também incentiva a produção científica e a análise dos impactos da saúde digital na sociedade.
O encontro contou com a participação de diversos integrantes da equipe do Campus Virtual e de representantes das unidades que fazem parte do Programa. Também participaram das atividades a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz, a diretora do DataSUS, Paula Xavier, a assessora da VPEIC, Cristina Guilam, representando a Rede de Saúde Digital da Fiocruz, e a coordenadora adjunta de Educação (Lato Sensu) da Coordenação-Geral de Educação (CGE/VPEIC), Mariana Souza.
Seguindo a linha da qualificação de profissionais de saúde para atuarem com saúde materna, assistência ao parto e promoção da saúde reprodutiva, a Fiocruz lança o curso Pré-natal de qualidade, aconselhamento e dispensação de contraceptivos e prevenção da gravidez na adolescência' - uma formação online, gratuita e autoinstrucional especialmente voltada a Agentes Comunitários de Saúde (ACS), mas aberta a todos interessados na temática. O curso foi desenvolvido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Campus Virtual Fiocruz, e integra o projeto 'Formação de Profissionais do SUS em Saúde da Mulher'.
O curso tem carga horária de 20h e seu objetivo é oferecer subsídios para que os profissionais atuem com base em conhecimentos técnicos, mas, sobretudo, de forma humanizada, com práticas que fortaleçam o vínculo entre o ACS, as gestantes e suas famílias. A ideia é aprimorar a qualidade da atenção básica, construindo um cuidado integral, mais justo e efetivo para todos.
Ao todo, são 4 módulos e 15 aulas que abordam conteúdos essenciais que envolvem a organização do pré-natal, desde a identificação precoce da gestação até o puerpério, incluindo aspectos de nutrição e suplementação, infecções comuns (sífilis, HIV e hepatites), condições clínicas relevantes (hipertensão, diabetes e anemia), além de orientações sobre aconselhamento contraceptivo, prevenção da gravidez na adolescência e preparo para o parto, com foco na saúde materno-infantil.
Acolhimento, práticas humanizadas e vínculo
O papel exercido pelos Agentes Comunitários de Saúde é um diferencial, sendo fundamental para a Atenção Primária à Saúde (APS), pois esses profissionais atuam na prevenção de doenças e promoção da saúde com base na construção de vínculos com as comunidades, tornando-se caros ao fortalecimento do SUS, sobretudo em áreas vulneráveis, como é a Amazônia, que apresenta inúmeras regiões de pouco ou difícil acesso e alta desigualdade socioeconômica. A expert na área da saúde da mulher, Maria do Carmo Leal, que é pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca e coordenadora acadêmica desta nova formação, comentou que o contato permanente do ACS com a população, as famílias atendidas, cria uma relação de confiança, auxiliando na adoção de melhores práticas de saúde.
É, segundo Maria do Carmo, extremamente relevante que esses profissionais "consigam mostrar, por exemplo, a uma mulher que ela, mesmo já tendo tido outros filhos e experiência nisso, faça corretamente seu pré-natal, pois toda gravidez é única e intercorrências podem surgir, complicando a gestação, parto ou o seu recém-nascido". Ela ressaltou que o curso foi feito com muito cuidado e traz também destaque para questões importantes sobre o planejamento familiar, contracepção e os diversos métodos possíveis a uma mulher, como o implante que passou recentemente a ser oferecido pelo SUS.
Sensibilidade e olhar atento
O consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e do Ministério da Saúde para ações de qualificação da atenção pré-natal na região Norte do país - Amazonas e Pará -, e um dos especialistas responsável pela elaboração dos conteúdos do curso, Edson Borges de Souza, falou sobre os desafios desse trabalho e salientou que o ACS é o profissional que mais conhece a comunidade, sendo ele quem mais visita as famílias e sabe das condições sanitárias e outras questões locais. Portanto, "quanto mais ele souber sobre o manejo do pre-natal, mesmo que não seja ele a tomar uma decisão - uma responsabilidade dos médicos e enfermeiros -, mais ele terá um olhar atento às pesssoas que cuida e mais forte ficará a nossa equipe. É isso que a gente precisa!", disse Edson, entusiasmado com o lançamento da formação.
O especialista detalhou ainda que o curso, apesar de ser voltado aos ACS, pode ser útil também a outros profissionais, inclusive médicos e enfermeiros, pois está totalmente embasado nas diretrizes nacionais do Ministério da Saúde, e tem como roteiro básico a Cadernete de Gestantes do SUS, que, segundo Edson, é uma das melhores do mundo. "Espero que essa formação chegue nos profissionais e eles usem no dia a dia o que aprenderem para o bem das gestantes, para que consigamos diminuir nossos eventos adversos, tanto maternos quando fetais e neonatais, bem como para aumentarmos a experiência positiva de gravidez e parto das famílias", completou.
Saúde da mulher
Este curso integra um projeto maior, intitulado 'Formação de Profissionais do SUS em Saúde da Mulher' — desenvolvido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Dentro desse projeto vem acontecendo uma série de ações e iniciativas de formação voltadas à saúde da mulher. Em agosto de 2025, foi publicado o curso "Assistência ao parto: ênfase nas distocias e principais causas de morbimortalidade materna", que já conta com mais de mil inscrições. Além das formações online e abertas, essa iniciativa envolve formações teórico-práticas voltadas a profissionais em diferentes maternidades, unidades básicas de saúde e ACS no Amazonas e em Roraima sobre urgências e emergências obstétricas, planejamento reprodutivo e prevenção de gravidez não planejada, e aconselhamento pré-natal de qualidade e prevenção da gravidez na adolescência.
Nesta grande frente, o Campus Virtual Fiocruz é o responsável pelo desenvolvimento e acompanhamento da oferta nacional 100% autoinstrucional Assistência ao parto: ênfase nas distocias e principais causas de morbimortalidade materna", 'Pré-natal de qualidade, aconselhamento e dispensação de contraceptivos e prevenção da gravidez na adolescência" e também pela parte teórica do curso "Urgências e emergências Obstétricas", que é oferecido de forma híbrida em Boa Vista (Roraima) e em Manaus (Amazonas) e, até o momento, já ofereceu duas turmas, uma em julho deste ano, e a segunda em agosto de 2025.
Conheça a nova formação e inscreva-se:
Módulo 1
Módulo 2
Módulo 3
Módulo 4
#ParaTodosVerem Banner com fundo rosa, nele está escrito: Curso Pré-natal de Qualidade, aconselhamento e dispensação de contraceptivos e prevenção da gravidez na adolescência - Curso para ACS. Inscrições abertas! Na parte inferior do banner há uma figura ilustrativa de uma mulher branca, com cabelo castanho, bochechas rosadas, usa uma blusa rosa e está grávida, apoia as duas mãos na barriga, ao redor dela há alguns ícones, um óvulo com espermatozoides em volta, um teste de gravidez, um coração com batimento cardíaco, um feto, pílulas, tubos de ensaio e um computador com a imagem de um ultrassom.
O processo de transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS) tem gerado novas oportunidades e desafios para a gestão, o cuidado e a pesquisa em saúde no Brasil. Atenta a essa realidade, a Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, estruturou um programa de formação com foco na Saúde Digital, e lança o novo curso, online e gratuito, Informação para o SUS: Políticas e sistemas. A formação visa qualificar profissionais, técnicos do SUS, preceptores, estudantes da saúde de graduação, pós-graduação e residência, além de profissionais que utilizam informações como subsídio para a produção de análises e conteúdos.
O curso busca promover uma compreensão crítica sobre os sistemas de informação, desenvolvendo a capacidade de análise de dados para subsidiar a gestão e o cuidado em saúde. Ao articular políticas públicas, ferramentas tecnológicas e práticas de análise, o curso contribui para a construção de um sistema mais integrado, resolutivo e orientado por evidências.
A formação tem coordenação acadêmica de Mônica Magalhães e Mel Bonfim, respectivamente, pesquisadora do Laboratório de Informação em Saúde Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e a assessora da coordenação de Relações Institucionais da Presidência. "Considerando que a informação adquire valor à medida que orienta a tomada de decisões, promove um planejamento responsável e a execução de ações mais eficazes, esta formação estimula o desenvolvimento de práticas que contribuam para a melhoria do atendimento ao cidadão, o acompanhamento do paciente, a coordenação dos fluxos de assistência e a eficiência na gestão dos recursos públicos", detalhou Mônica, lembrando ainda que os materiais que compõem o curso permanecerão acessíveis durante todo o período de sua oferta, possibilitando consultas mesmo após a conclusão dos módulos.
A atual formação é uma realização do Campus Virtual Fiocruz com o Icict/Fiocruz e integra o Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS — iniciativa que trabalha em uma gama de ofertas de cursos que possibilitarão a continuidade do aprendizado de maneira complementar, aprofundando temas transversais à temática da informação em saúde. O primeiro curso lançado foi 'Introdução à Saúde Digital', que já soma mais de 10 mil inscritos. Saiba mais aqui!
Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS
O Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS é desenvolvido pela Fundação — sob a coordenação da VPEIC, através do Campus Virtual — e o Ministério da Saúde, por meio do DataSUS/Seidigi/MS, e conta com a participação da Cinco/VPEIC/Fiocruz, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, do Instituto Aggeu Magalhães (Cidacs/IAM/Fiocruz Bahia), a Fiocruz Ceará, o Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), o Icict, e ainda com outras unidades da Fundação e instituições de ensino e pesquisa.
Seu objetivo é qualificar profissionais de saúde para atuar na gestão e análise de dados para o SUS, bem como oferecer a estudantes de graduação e pós-graduação da saúde os temas da informação e ciência de dados, relacionando e aplicando o conhecimento profissional aos princípios da análise de dados e informações em saúde. A iniciativa prevê a elaboração e publicação outros cursos de qualificação profissional sobre a temática, uma especialização e ainda disciplinas transversais para programas de pós-graduação da Fiocruz.
Conheça a estrutura do curso Informação para o SUS: Políticas e sistemas e inscreva-se:
Módulo 1 - Políticas sociais e informação
Módulo 2 - Sistemas de informação de saúde e fonte de dados de interesse à saúde
Módulo 3 - Integração de dados, novas fontes e uso
A mortalidade materna é um enorme desafio de saúde pública no mundo. No Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, os indicadores mostram-se ainda mais desfavoráveis. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), aponta que 9 em cada 10 mortes entre gestantes e puérperas são evitáveis quando medidas eficazes são implementadas, reforçando a necessidade de equipes cada vez mais qualificadas. Nesse contexto, o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Campus Virtual Fiocruz, lança o curso, online e gratuito, Assistência ao parto: ênfase nas distocias e principais causas de morbimortalidade materna. A formação é aberta ao público em geral, mas especialmente voltada a profissionais de saúde que atuam com a temática.
O curso tem carga horária de 60h, dividas em 5 módulos e tem como objetivo sensibilizar e atualizar sobre temas críticos como distocias, hemorragias, infecções e síndromes hipertensivas, visando contribuir para a melhoria da qualidade do cuidado obstétrico e para a proteção da vida de mulheres e recém-nascidos, especialmente em contextos com indicadores de saúde desfavoráveis.
O Brasil tem avançado na redução da morbimortalidade materna, mas os índices permanecem elevados, especialmente em regiões mais vulneráveis e entre mulheres em situação de maior fragilidade social, apesar de muitas causas serem evitáveis com tecnologias já disponíveis, disse a coordenadora acadêmica do curso e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Maria do Carmo Leal, que há décadas estuda a temática e é considera uma das maiores especialistas do país no que se refere à saúde materno infantil. Ela aponta que a formação qualificada de profissionais que atuam na assistência ao parto e assistência à saúde da mulher é considerada uma estratégia essencial, "sendo essa uma das mais importantes para reduzir esses indicadores, contribuindo para seu enfrentamento e salvando vidas de mães e bebês".
Fiocruz Amazônia e a agenda das mulheres
Este curso integra um projeto maior, intitulado 'Formação de Profissionais do SUS em Saúde da Mulher' — desenvolvido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Além do curso aberto e massivo, essa iniciativa envolve formações teórico-práticas voltadas a profissionais em diferentes maternidades, unidades básicas de saúde e de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) no Amazonas e em Roraima sobre urgências e emergências obstétricas, planejamento reprodutivo e prevenção de gravidez não planejada, e aconselhamento pré-natal de qualidade e prevenção da gravidez na adolescência.
Nesta grande iniciativa, o Campus Virtual Fiocruz é o responsável pelo desenvolvimento e acompanhamento da oferta nacional 100% autoinstrucional "Assistência ao parto: ênfase nas distocias e principais causas de morbimortalidade materna" e também pela parte teórica do curso "Urgências e emergências Obstétricas", que é oferecido de forma híbrida em Boa Vista (Roraima) e em Manaus (Amazonas) e, até o momento, já ofereceu duas turmas, uma em julho deste ano, e a segunda com início nesta quinta-feira, 21/8.
A coordenadora do projeto, Michele Rocha de Araújo El Kadri, que é diretora adjunta do ILMD/Fiocruz Amazonia, comentou que as aulas, o desenvolvimento do material e a disponibilização dos conteúdos dentro da plataforma do Campus Virtual Fiocruz têm sido um sucesso entre os profissionais participantes e discentes. "Professores, médicos, obstetras... todos comentam sobre a imensa qualidade do material apresentado", disse ela, apontando que isso faz valer todo os esforço empregados para fazer os cursos acontecerem e, assim, "salvar a vida de mais mulheres e famílias".
Conheça a nova formação e inscreva-se:
Módulo 1 – Evolução da obstetrícia e as etapas de assistência ao parto
Módulo 2 – Tipos de parto: o papel das distocias na morbimortalidade materna
Módulo 3 – Hemorragia obstétrica
Módulo 4 – Infecções no ciclo gravídico-puerperal
Módulo 5 – Síndromes hipertensivas na gestação
O aleitamento materno protege contra infecção, morte, e promove também a saúde materna, sendo considerado uma política imperativa de saúde pública mundial. Alinhados às metas globais de nutrição da Assembleia Mundial da Saúde que visa aumentar a taxa de aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de idade, a Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) da Fiocruz, passa a oferecer seus cursos na plataforma moodle do Campus Virtual Fiocruz. O primeiro deles é uma formação internacional sobre o processamento e o controle da qualidade do leite humano. A princípio, essa formação é fechada a profissionais elencados e lideranças da área. No entanto, sendo agora o CVF um parceiro institucional da estratégia, abrem-se perspectivas futuras para o lançamento de cursos abertos à população em geral sobre a segurança alimentar e nutricional dos recém-nascidos e lactentes.
Ao todo, três turmas vão se iniciar no segundo semestre de agosto, uma voltada aos profissionais que atuam nas agências de Vigilância Sanitária no Brasil e duas para profissionais que trabalham em bancos de leite em cidades da Colômbia. Atualmente, cerca de 150 pessoas estão envolvidas na formação.
Em 2021, o IFF foi designado Centro Colaborador da OMS para o Fortalecimento dos Bancos de Leite Humano, e em março de 2025 foi redesignado ao cargo (2025 – 2029), seguindo com a tarefa de apoiar a Organização Mundial da Saúde na expansão e compartilhamento de conhecimentos, tecnologias, documentos e evidências científicas para que seus Estados Membros possam implementar e gerir os bancos de leite humano como ação estratégica de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, tanto no nível intra-hospitalar como na articulação com a atenção primária. O IFF/Fiocruz, sob a coordenação de seu Banco de Leite Humano, é o único centro colaborador da Opas/OMS para banco de leite humano, tendo cooperação bilateral com todos os países da América Latina, Península Ibérica e Caribe.
Parceria com Campus Virtual Fiocruz potencializa ofertas
Entre os pilares estratégicos do Centro Colaborador está o fortalecimento da capacitação profissional em diferentes níveis de complexidade. Há décadas o IFF/Fiocruz oferece diferentes formações sobre a temática, no entanto, a parceria estabelecida com o Campus Virtual Fiocruz potencializa tais ofertas, ampliando a escala, a capacidade técnica e tecnológica de formação, segundo o coordenador da Rede Global de Bancos de Leite Humano, João Aprígio Guerra de Almeida, e promotor da iniciativa. "A parceria com o Campus Virtual vai além desse curso em particular, ela representa uma oportunidade de inaugurar uma nova fase no ensino a distância da rede de bancos de leite humano, quer seja no Brasil, quer seja com outros países cooperantes", disse ele.
O curso 'Aperfeiçoamento em processamento e controle de qualidade do leite humano', nas versões em português e espanhol (Perfeccionamiento en procesamiento y control de calidad de leche humana: Teoría y práctica en diálogo)', já integram a plataforma Moodle do Campus Virtual Fiocruz. “Temos o dever e a responsabilidade institucional de responder às demandas de países e estruturas governamentais para a qualificação de recursos humanos. No entanto, o desejo para um futuro breve é oferecer uma formação aberta à população em geral, especialmente profissionais de saúde que tenham interesse na temática, para ampliarmos esses conhecimentos, termos uma maior rede profissional qualificada sobre banco de leite humano e conseguirmos, assim, beneficiar um número cada vez maior de crianças. São compromissos éticos e sociais em processos formativos sinérgicos”, disse João entusiasmado.
Neste mês é celebrado o Agosto Dourado, campanha anual realizada no Brasil, cujo objetivo é promover e incentivar o aleitamento materno. A cor dourada é uma referência ao padrão ouro de qualidade do leite materno, considerado o alimento mais completo para os bebês.
O aumento preocupante de casos de sofrimento psíquico, depressão, uso abusivo de substâncias e suicídio entre jovens indígenas vem preocupando lideranças, especialistas e instituições em todo o país. Fatores como racismo estrutural, perdas e conflitos territoriais, violência e apagamento históricos e precariedade no acesso a cuidados de saúde estão entre as principais causas levantadas. Diante dessa crise silenciosa, a Fiocruz Brasília e o Campus Virtual Fiocruz lançam uma iniciativa inédita que visa qualificar profissionais da saúde, da educação e assistência social, especialmente aqueles que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) com povos indígenas para agirem com mais sensibilidade e preparo nas comunidades indígenas: o curso Promoção da saúde mental de jovens indígenas. A formação, online, gratuita e autoinstrucional, foi desenvolvida no âmbito do edital Inova Educação - Recursos Educacionais Abertos, com apoio do Ministério da Educação (MEC).
A proposta da formação parte de uma abordagem interseccional, fundamentada em evidências produzidas por pesquisas realizadas junto a jovens indígenas em comunidades tradicionais. Com o curso, a ideia é que profissionais estejam aptos a reconhecerem os principais agravos em saúde mental e possam propor ações educativas que valorizem os saberes populares e refletir sobre os impactos da violência estrutural na saúde desses jovens. Dividida em três módulos, a formação aborda desde conceitos como saúde mental, bem-viver e interseccionalidade até o funcionamento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e da saúde indígena no SUS. Um dos diferenciais da formação está no terceiro módulo, que trata diretamente dos saberes tradicionais dos povos indígenas como ferramentas de prevenção e cuidado em saúde mental.
A coordenadora-geral na nova formação, Kellen Gasque, responsável pelo Núcleo de Pesquisas da Rede UNA-SUS e pesquisadora da Fiocruz Brasília — e que divide a responsabilidade da formação com o pesquisador da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), James Moura Junior, como coordenador acadêmico —, detalhou que esteve envolvida em pesquisas sobre a saúde mental dos jovens indígenas e quilombolas, por meio da qual fazia visitas em aldeias, quilombos e tribos, e também nas unidades de saúde que acompanham esses povos. E, a partir dessa experiência, do acompanhamento in loco, percebeu que os trabalhadores que atuam em tais territórios necessitavam de estratégias adequadas para lidar com esse adoecimento. "Assim, surgiu a vontade de desenvolver esse curso, pensando em estratégias para potencializar o cuidado dos profissionais no lidar com as questões de saúde mental, principalmente com os jovens que passam por ideação suicida", comentou ela, dizendo ainda que o edital de REA foi a oportunidade que ela e o parceiro de pesquisa, James, viram para desenvolver esta formação, que tem base territorial e considerou as necessidades de jovens indígenas na elaboração do conteúdo.
O curso não é apenas uma forma de oferecer ferramentas de cuidado, mas, sim, de reconhecer os modos próprios de cuidado, fortalecer os laços comunitários e garantir políticas públicas culturalmente adequadas, apresentando estratégias concretas de transformação, com respeito às vozes e os saberes dos próprios jovens indígenas.
Conheça a estrutura da nova formação e inscreva-se:
Módulo 1: Saúde mental de jovens indígenas
Módulo 2: SUS e saúde mental de jovens indígenas
Módulo 3: Saberes indígenas para promoção da saúde mental
#ParaTodosVerem Fotografia de um homem indígena, cabelos pretos, está com o rosto pintado de vermelho e com linhas pretas abaixo dos seus olhos e queixo, na sua cabeça um cocar colorido, no pescoço há colares de contas, ele sorri para a foto, no canto inferior da imagem está escrito: Inscrições abertas para o curso Promoção da saúde mental de jovens indígenas.
Vivemos na era da informação, e essa realidade não apenas faz parte do nosso cotidiano, como também molda a forma como interagimos, trabalhamos e nos relacionamos. Igualmente, o avanço das tecnologias digitais vem impactando de forma profunda a área da saúde, com a ampliação do uso de ferramentas de inteligência artificial, telemedicina e saúde móvel. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a transformação digital representa uma oportunidade para reduzir desigualdades no acesso aos serviços de saúde e promover maior equidade. Como desvantagem, essa revolução tecnológica traz desafios importantes relacionados à ética, à segurança e à privacidade dos dados. Diante disso, o Campus Virtual Fiocruz lança hoje o curso Introdução à Saúde Digital. A formação, online e gratuita, tem como objetivo capacitar profissionais com conhecimentos e habilidades fundamentais para compreender os princípios da saúde digital e utilizar tecnologias de forma ética e eficiente.
O curso é uma parceria do CVF com o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), e integra o Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS — que trabalha em uma gama de ofertas de cursos que possibilitarão a continuidade do aprendizado com outras ofertas complementares que aprofundam temas transversais à temática da informação em saúde.
O Programa tem a participação de diversas unidades da Fiocruz e o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Informação e Informática do SUS, da Coordenação-Geral de Inovação e Informática em Saúde da Secretaria de Informação e Saúde Digital (DataSUS/Seidigi/MS). Este primeiro curso lançado no âmbito do Programa, além do Icict/Fiocruz, contou com a participação de profissionais da Diretoria Executiva da Fiocruz, da Fiocruz Ceará, do Ministério da Saúde e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O curso Introdução à Saúde Digital tem carga horária de 45h, e abordará conteúdos essenciais da área, como os fundamentos da saúde digital e da tecnologia da informação em saúde, os sistemas de informação e a gestão de dados eletrônicos, além da segurança da informação e da proteção de dados pessoais. Também serão exploradas inovações em saúde digital, considerando os desafios e as possibilidades desse campo.
A diretora do DataSUS, Paula Xavier, falou sobre o orgulho que sente ao ver a Fiocruz lançar o curso de Saúde Digital. Segundo ela, uma área transdisciplinar que tem como base a informação em saúde, a informática médica, as tecnologias digitais aplicadas na saúde, dentre outros temas. Para Paula, “sendo este um campo em construção, ter ofertas de formação de instituições como a Fiocruz, que entendem a Saúde Digital nessa perspectiva integrada aos princípios do SUS, só nos traz alegria e segurança de estamos formando massa crítica com alto nível de qualidade para ocupar os espaços teóricos e práticos da saúde Digital”.
Já a coordenadora acadêmica do curso, Carolina de Campos Carvalho, que é analista de políticas sociais do Laboratório de Informação em Saúde (LIS/Icict/Fiocruz), ressaltou que esta oferta está alinhada ao cenário de transformação digital do SUS e à crescente necessidade de qualificar os(as) profissionais para o uso ético, crítico e estratégico das tecnologias digitais. Carolina explicou que as aulas foram elaboradas por pesquisadores da Fiocruz e especialistas convidados, e abordam temas como sistemas de informação em saúde, gestão de dados eletrônicos, segurança da informação, proteção de dados pessoais e inovação em saúde digital. "A proposta é oferecer uma formação introdutória, atualizada e acessível sobre os fundamentos da saúde digital, e, assim, contribuir para o fortalecimento das capacidades técnicas e institucionais do SUS".
Ampliação de análise para o aprimoramento da oferta e maior eficácia da estratégia educacional
Para esta oferta, o Campus Virtual Fiocruz inova implementando um método de monitoramento do processo de aprendizagem do aluno. Segundo a coordenadora adjunta do Campus Virtual, Rosane Mendes, o xAPI (Experience API) é um protocolo que permite o rastreamento mais detalhado das interações educacionais, independentemente da plataforma utilizada. Ele avalia a percepção e a jornada do usuário ao interagir com um sistema ou produto, buscando tornar a experiência mais eficiente e positiva. "O xAPI é uma evolução das tecnologias educacionais usadas para registrar o aprendizado digital. Vai além de padrões antigos, como o Scorm, e amplia a capacidade de monitorar e entender como as pessoas aprendem em diferentes contextos — dentro e fora das plataformas tradicionais de ensino. Tornando possível uma visão mais completa da jornada de aprendizagem dos usuários, o que mostra cenários e facilita a tomada de decisões e o aprimoramento das estratégias educacionais.", comentou.
Rosane explicou que com essa implementação passa a ser possível registrar uma ampla variedade de atividades, como a leitura de artigos, a interação com vídeos e outros conteúdos digitais, a resposta a quiz ou ainda a conclusão de tarefas e outros. Todos os dados são armazenados em um sistema chamado LRS (Learning Record Store, na sigla em inglês), que os organiza e permite sua análise. Outro grande diferencial do software apontado por ela é ser um padrão aberto. Ou seja, "qualquer desenvolvedor ou instituição pode implementá-lo e adaptá-lo às suas necessidades, promovendo mais liberdade e interoperabilidade entre sistemas. Em resumo, o xAPI oferece uma nova forma de olhar para o aprendizado — mais flexível, conectada e alinhada com as realidades do mundo digital".
A Saúde digital no SUS
A transformação digital no SUS é uma política que visa modernizar e aprimorar o sistema de saúde, ampliando o acesso da população a serviços e informações, promovendo a integralidade e a resolubilidade do atendimento. Com o Programa SUS Digital a população brasileira também tem acesso ampliado aos serviços de saúde, promovendo o cuidado integral e eficiente em todas as etapas do atendimento e em todo território brasileiro. Com foco na transformação digital, o SUS Digital conecta os cidadãos ao SUS, com equidade, inovação e eficiência.
Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS
O Programa de Formação em Ciência de Dados e Informações em Saúde para o SUS tem como objetivo qualificar profissionais de saúde para atuar na gestão e análise de dados para o SUS, bem como oferecer a estudantes de graduação e pós-graduação da saúde os temas da informação e ciência de dados, relacionando e aplicando o conhecimento profissional aos princípios da análise de dados e informações em saúde.
A iniciativa prevê a elaboração e publicação de uma série de cursos de qualificação profissional sobre a temática, uma especialização e ainda disciplinas transversais para programas de pós-graduação da Fiocruz. Ele é desenvolvido pela Fundação — sob a coordenação da VPEIC, através do Campus Virtual — e o Ministério da Saúde, por meio do DataSUS/Seidigi/MS, e conta com a participação da Cinco/VPEIC/Fiocruz, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, do Instituto Aggeu Magalhães (Cidacs/IAM/Fiocruz Bahia), a Fiocruz Ceará, o Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), o Icict, e ainda com outras unidades da Fundação e instituições de ensino e pesquisa. Atualmente, três cursos estão em desenvolvimento no âmbito do Programa.
Confira a organização do curso Introdução à Saúde Digital
Módulo 1 - Fundamentos de Saúde Digital e Tecnologia da Informação em Saúde
Módulo 2 - Sistemas de informação em saúde e gestão de dados eletrônicos
Módulo 3: Segurança da informação e proteção de dados pessoais
Módulo 4 - Inovação em Saúde Digital
#ParaTodosVerem Banner com fundo azul, linhas brancas e pequnenos quadrados nas cores azul e cinza, na parte inferior do banner, no centro está escrito: Curso Introdução à Saúde Digital.