O Sextas de Poesia desta semana traz um poema de Marcelo Lopes, de seu primeiro livro "O voo dos dias no abismo do tempo", publicado de forma independente e lançado no final de 2023. Ele traz 114 poesias que falam sobre coisas do cotidiano, as reais e as imaginárias, distraídas entre o status e a essência. Mergulho ou decolagem tanto faz... O poema escolhido "Equinócio" convida a sentir o frescor e a luz da primavera.
#ParaTodosVerem Banner com fundo claro e figuras ilustrativas de flores em cada canto do banner, no centro está escrito um poema de Marcelo Lopes:
Equinócio
Por mais que
a noite tenha
sido fria e severa
todo o inverno sempre
acaba na primavera.
Escritas entre 1903 e 1908 sem outra intenção senão a de mostrar a um aprendiz de poesia – o jovem poeta Franz Xaver Kappus (1883-1966) – os caminhos do mundo interior do escritor. As 'Cartas a um jovem poeta' são hoje uma das obras mais conhecidas de Rainer Maria Rilke, quer pela intensidade da vivência que o autor transmite ao jovem e ao leitor, quer pela sinceridade e simplicidade com que o mestre se dirige ao desconhecido que o procurara com um grito de socorro. “Ninguém o pode aconselhar ou ajudar – ninguém”, responde-lhe Rilke, na tradução de Paulo Rónai. “Não há senão um caminho. Procure entrar em sim mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever, examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma, confesse a si mesmo: morreria se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite: "Sou forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar aquela pergunta severa por um forte e simples sou, então, construa sua vida de acordo com esta necessidade. Três anos depois da morte de Rilke, Kappus decidiu publicar as cartas que recebera do poeta em um momento decisivo de sua vida, na certeza de que as lições que recebeu de Rilke poderiam ser úteis a outros jovens, vivendo os naturais conflitos da idade. Principalmente, porque de Rainer Maria Rilke, Franz Kappus não recebeu lições de como escrever, mas sim lições de vida.
*com informações de rainer-maria-rilke-cartas-a-um-jovem-poeta.pdf
#ParaTodosVerem Banner com uma pintura de um homem sentado em uma mureta, há uma vara de pesca ao seu lado, vários potes e um balde branco no chão, ele usa uma blusa branca, calça jeans e chapéu preto, segura uma vara de pesca nas mãos e está sentando de frente para o rio. No horizonte da imagem há um farol e nuvens no céu, ao entardecer do dia. Por cima da imagem, um trecho de "Cartas a um jovem poeta", de Rainer Maria Rilke:
Não busque por enquanto respostas que não lhe
podem ser dadas, porque não as poderia viver.
Pois trata-se precisamente de viver tudo.
Viva por enquanto as perguntas. Talvez, depois,
aos poucos, sem que o perceba, num dia
longínquo, consiga viver a resposta...
O Sextas de Poesia desta semana traz Sérgio Gramático Júnior, poeta, jornalista, escritor e produtor cultural. Pesquisador colaborador do Instituto Cravo Albin de MPB, Gramático Junior é autor dos livros de poesia: “São só poesias”, “Palavras que se amam e formaram versos”, “Eu, a poesia e vício-versa”, “Carnaval de Poesias” e “Poeticidade Maravilhosa”. Pós-graduado em História Contemporânea do Brasil e mestre em Bens Culturais e Políticas Sociais com a dissertação ‘O samba contando a história republicana do Brasil’, ele também é vencedor de vários concursos literários. No poema escolhido, "Sem brevê", nos convida a "transversar o mundo, da brisa fazer ventania...e voar até nunca mais...".
#ParaTodosVerem Foto de uma paisagem, um rio com diversos barcos, na linha do horizonte o céu está amarelado entre nuvens, em primeiro plano, do lado direito da imagem, um coqueiro. Por cima da imagem, um trecho do poema de Sérgio Gramático Júnior:
… Vem logo
que o tempo assopra
a vida
de nossas mãos
Os erros
são quase certos
Os certos
São todos vãos
Se os barcos
só querem deriva
Poetas
não querem cais
Me enlace
em tuas asas
e voe…
até nunca mais.
O Sextas desta semana traz o poeta e tradutor Rui Caeiro, natural de Vila Viçosa, no Alto Alentejo, em Portugal, onde nasceu em 27 de Junho de 1943. Rui Caeiro, ao longo de trinta anos de publicações, "fez do seu modo de ser, discreto e sóbrio, uma prática literária, apresentando grande parte de sua obra em edições próprias ou em editoras independentes.
Caeiro, mais do que da imaginação, é um poeta da atenção, da pedra de toque que inadvertidamente inverte o sentido que parecia previsto desde o princípio. O poema escolhido para hoje faz parte da obra "O quarto azul e outros poemas".
O Sextas de Poesia desta semana traz Arnaldo Antunes e Marisa Monte com a canção 'Sou só', que compõe seu último álbum "Novo mundo", lançado no primeiro semestre de 2025.
A canção escolhida traz, segundo o próprio autor, em entrevista ao site Rimas e Batidas, o sol como narrador. Assim, ela é cantada na primeira pessoa do sol: "Eu sou o fogo ancestral, o avesso da escuridão".
A música fala sobre a solidão e a busca por um sentido, abordando o sentimento de estar sozinho, mas também a reflexão sobre a própria existência, especialmente a capacidade de ser luz, mesmo na solidão.
Conhecido pela sua multiplicidade nas artes, que passeia entre performances, poesia e música, Arnaldo Antunes tem na palavra escrita seu lugar de existência. Ele é herdeiro do concretismo na MPB, e explora a linguagem “verbivocovisual”, ou seja, a dimensão verbal, vocal e visual da palavra, ocupando diferentes funções, incluindo a de cantor e compositor. Aos 64 anos, Antunes ainda mantem uma postura combativa para enfrentar os desafios do novo século.
O homenageado desta semana no Sextas de Poesia é Caetano Veloso. Nascido em 7 de agosto de 1942, em Santo Amaro da Purificação, o baiano completou, em 2025, 83 anos. Cantor, compositor e escritor, ele é poeta de pensamento múltiplo que se completa nas próprias canções, que encantam gerações.
A música escolhida "Trem das Cores", de Caetano Veloso, é uma viagem poética e sensorial que celebra a diversidade e a beleza do Brasil, utilizando cores e paisagens como metáforas para o afeto e vivências.
“A franja da encosta cor de laranja, capim rosa-chá. O mel desses olhos luz, mel de cor ímpar... O oliva da nuvem chumbo ficando pra trás da manhã. E a seda azul do papel que envolve a maçã”.
Caetano Veloso faz do som do seu estribilho, os traços e memórias de nossas vidas.
#ParaTodosVerem Foto de um trem entrando em um tunel, do lado direito da foto há diversas árvores em tons alaranjado, no canto inferior da foto um trecho da música Trem das Cores, de Caetano Veloso:
... os átomos todos dançam,
madruga, reluz neblina
Criança cor de româ
entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo
ficando pra trás da manhã
E a seda azul do papel
que envolve a maçã...
O Sextas de hoje traz Julio Cortázar, escritor, tradutor e intelectual argentino. Sem renunciar à nacionalidade argentina, ele optou por adquirir a nacionalidade francesa, em 1981, em protesto contra a ditadura militar argentina. Julio é considerado um dos autores mais inovadores e originais de sua época, mestre da história, prosa poética e conto em geral, além de criador de romances importantes que inauguraram uma nova maneira de fazer literatura no mundo hispânico, quebrando os moldes clássicos através de narrativas que escapam à linearidade temporal. Como o conteúdo de seu trabalho viaja na fronteira entre o real e o fantástico, ele geralmente é colocado em relação ao realismo mágico e até ao surrealismo.
#ParaTodosVerem Banner com uma imagem ilustrativa, no fundo há diversas cores em tons claros, como rosa, azul, verde e lilás, no centro há silhuetas de dois rostos de perfil, eles se sobrepõem, um está virado para a esquerda e o outro para a direita, por cima da ilustração está o poema de Julio Cortázar:
Não
pode ser
que
estejamos
aqui para
não poder
ser.
Hoje, o Sextas de Poesia faz uma homenagem a Pablo Neruda, um dos maiores poetas contemporâneos, que emprestou sua sensibilidade e amor à América Latina.
No poema desta semana, Soneto LXVI, Neruda mostra a força e a dor do amor.
"Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo".
Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, nascido na pequena cidade de Parral, em 12 de julho de 1904, no Chile, ficou conhecido pelo seu pseudônimo: Pablo Neruda. O poeta ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1971. Além disso, foi diplomata, representando seu país como cônsul na Espanha e no México, e abandonou a carreira para se tornar senador em 1945. Neruda morreu em Santiago, no dia 23 de setembro de 1973. Apoiador do presidente chileno Salvador Allende, o escritor faleceu poucos dias após o golpe militar comandando pelo general Augusto Pinochet, que colocaria o Chile em uma ditadura de 17 anos.
#ParaTodosVerem Banner com uma ilustração, nela há duas pessoas de perfil, apenas as suas sombras, há coraçoes ao redor e no rosto de cada um há um coração rachado, no centro do banner um trecho do poema de Pablo Neruda, Soneto LXVI:
Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo
Quero-te apenas porque a ti eu quero,
a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,
e a medida do meu amor viajante
é não ver-te e amar-te como um cego...
O Sextas de Poesia desta semana traz o "Beijo", de Mia Couto. O poema integra o livro "Tradutor de Chuvas", e aborda a intensidade do momento que antecede o beijo, buscando a essência do desejo e da expectativa antes do contato físico de fato. O autor fala sobre o "instante antes", e explora a tensão e o tremor que precedem o beijo, mais do que no ato em si.
Nascido em 7 de julho de 1955, o poeta africano Mia Couto recebeu inúmeros prêmios literários ao longo de sua carreira. Entre eles o Prêmio Neustadt, em 2014, tido como o Nobel Americano, e o Prêmio Camões, em 2013. O poeta também foi homenageado com a criação do Prêmio Literário Mia Couto, pela Cornelder de Moçambique e a Associação Kulemba. A iniciativa pretende estimular a produção literária de qualidade em Moçambique, distinguindo as melhores obras publicadas anualmente no país.
#ParaTodosVerem Foto de dois lábios muito próximos, quase se beijando, há um contorno de luz no queixo das duas pessoas. No lado direito da foto um poema de Mia Couto, "Tradutor de chuvas":
Beijo
Não quero o
primeiro beijo:
basta-me
o instante antes do beijo.
Quero-me
corpo ante o abismo,
terra no rasgão
do sismo.
O lábio ardendo
entre tremor e temor,
o escurecer da luz
no desaguar dos corpos:
o amor
não tem depois.
Quero o vulcão
que na terra não toca:
o beijo antes de ser na boca.
O Sextas de Poesia apresenta a escritora Ana Martins Marques, mineira de Belo Horizonte, que nasceu em 1977. Graduada em letras, tem doutorado em literatura comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Entre outros livros, publicou, pela Companhia das Letras, 'Da arte das armadilhas', em 2011, livro vencedor do prêmio da Biblioteca Nacional; e o 'Livro das semelhanças', em 2015, terceiro lugar no prêmio Oceanos; além da reedição de 'A vida submarina', em 2021, lançado originalmente em 2009 pela editora Scriptum.
O poema de hoje, Caçada, faz parte do livro 'Da arte das armadilhas', mostrando as contradições e sentimentos do amor.
#ParaTodosVerem Foto de uma mulher de costas, há portais à sua frente, ela possui cabelos cacheados escuros, uma blusa preta e branca de manga comprida e segura na mão de outra pessoa, no canto direito da imagem um poema de Ana Martins Marques, Caçada:
E o que é o amor
senão a pressa
da presa
em prender-se?
A pressa
da presa
em
perder-se