O Sextas de Poesia desta semana faz uma homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen, uma das mais relevantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prêmio Camões, em 1999. Esta semana faz 18 anos de sua morte.
No poema escolhido, a autora ressalta: "Eu me perdi na sordidez do mundo. Eu me salvei na limpidez da terra".
Um dos efeitos da crise da modernidade é a crítica à ciência disciplinar e especializada, que se torna distante da sociedade na sua construção. Desde 1980, o debate sobre a democratização da ciência e de seus espaços legitimadores se tornam significativos. Na contemporaneidade, os efeitos da crise da modernidade e da ciência emergem, novamente, nas questões relacionadas à saúde da população, envolvendo, principalmente nos ambientes comunicacionais, desconfianças e suspeitas à segurança de Estado e à verdade científica. Nesse sentido, a Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis), editada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), lança o dossiê Perspectivas multidisciplinares sobre desinformação em ciência e saúde, elegendo o fenômeno da desinformação como resultado de ações sociais e comunicacionais que envolvem a ciência, a saúde e a política na contemporaneidade.
+Acesse aqui o dossiê Perspectivas multidisciplinares sobre desinformação em ciência e saúde
Em editorial, as editoras e o editor convidado, Hully Falcão, Thaiane Oliveira e Ronaldo Araújo propõem que a perspectiva multidisciplinar sobre a desinformação científica contribui para as formas diversas e complexas de análise de um fenômeno relacionado a fatores tecnológicos, econômicos, socioculturais e políticos. Os temas discutidos nos artigos do dossiê tratam sobre fake news, abordadas no artigo de Fernanda Vasques Ferreira, Rafiza Varão, Marco Aurélio Boselli, Leandro Brito Santos e Marcelo Albano Moret; discursos sobre cuidado na pandemia, analisados por Diego Sila e Bianca Ferreira; construção sobre legitimidade e confiança nas instituições modernas, como no artigo de Tainá de Almeida Costa e Eunice Almeida da Silva; combate à desinformação em saúde e ciência abordado no artigo de Vilso Junior Chierentin Santi e Bryan Chrystian Araújo.
O dossiê abre com o artigo de Fabio Reis e Roberto Kant, que discutem as moralidades nas narrativas antivacina e anticientífica por uma abordagem etnográfica nas redes sociais. A coletânea se completa com o trabalho de Arthur Coelho Bezerra, Marco Schneider e Rafael Capurro, os quais se apropriam dos contos de Machado de Assis para debater as práticas desinformacionais, colocadas em comparação com os personagens charlatões dos contos machadianos e as ações de desinformação em saúde evidenciadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em 2021.
Pandemia, cinema e divulgação científica
Na seção Entrevista, o professor de Jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, João Figueira, discorre sobre sua trajetória e pesquisa acadêmica no jornalismo. O pesquisador analisa o fenômeno da desinformação no jornalismo, na saúde e na pesquisa científica, áreas que considera importante na promoção de uma vida democrática. Na seção Notas de Conjuntura, Leandro Lage desenvolve uma reflexão ao indagar: “quais regras morais a experiência pandêmica teria alterado no que diz respeito à vulnerabilidade, ao cuidado e à proteção à vida?”; Christovam Barcellos e Diego Ricardo Xavier fazem uma análise de fases, impactos e desafios da pandemia de Covid-19 no Brasil. Na seção Resenhas, Luiz Felipe Fernandes Neves analisa o filme Contágio (Contagion), longa-metragem norte-americano de 2011 (direção de Steven Soderbergh e roteiro de Scott Z. Burns), considerando o potencial do cinema para a divulgação científica ao abordar conceitos, processos e controvérsias da ciência e de que forma o filme, em específico, se configura como um potencial preditivo da ciência em relação a emergências sanitárias.
Além do envio de trabalhos em períodos específicos para os dossiês temáticos, as submissões de artigos originais à Reciis estão abertas ao longo de todo ano. Os trabalhos publicados por meio de submissão em fluxo contínuo neste número apresentam artigos sobre as relações entre comunicação, informação e saúde a partir de temas como: raça, gênero e classe, doenças negligenciadas, mídias sociais, análises bibliométricas e Covid-19.
Muito se sabe sobre as iniciativas de educação da Fundação, especialmente no que se refere à oferta de cursos sobre diversas áreas da saúde e em diferentes níveis de formação. O que pouca gente sabe são os caminhos que uma instituição como a Fiocruz — comprometida com a formação de recursos humanos em saúde — trilha para oferecer seus cursos, em permanente busca pela inovação e qualidade na pós-graduação lato sensu. Para refletir sobre o percurso avaliativo dos cursos de especialização nos últimos anos, e aprimorar o planejamento estratégico da instituição na área, a Fundação lança o e-book Avaliação institucional na perspectiva da educação: o modelo de autoavaliação da Escola de Governo Fiocruz. A publicação está disponível em acesso aberto.
+Acesse aqui o e-book: Avaliação institucional na perspectiva da educação: o modelo de autoavaliação da Escola de Governo Fiocruz
O lançamento institucional oficial aconteceu em 15/6, durante a oficina de compartilhamento “A experiência da Escola de Governo Fiocruz no processo de autoavaliação”, um encontro voltado a profissionais de diversos setores e perfis atuantes na gestão educacional da Fiocruz.
Esse projeto foi desenvolvido sob a responsabilidade da coordenadora-geral de Educação da Fiocruz (CGE/VPEIC), Cristina Guilam, e a coordenadora adjunta do Lato Sensu, Isabella Delgado, que também é organizadora da obra juntamente com a presidente da Comissão Própria de Avaliação (CPA-Fiocruz), Adriana Geisler.
O desenvolvimento de competências e o acúmulo de expertises durante a trajetória
Adriana enfatizou que a ideia do e-book é dar visibilidade a todo o percurso traçado durante o primeiro ciclo autoavaliativo das especializações da Fiocruz, desde a preparação da instituição para o seu credenciamento como Escola de Governo até o modelo de autoavaliação participativo, democrático e emancipatório construído no processo. A publicação, segundo ela, “volta-se não somente à comunidade acadêmica da Fiocruz, mas, considerando que esta é uma instituição incubadora e de inovação, volta-se também às escolas não universitárias de saúde interessadas em pôr em curso suas próprias autoavaliações”, detalhou
Como um ganho institucional, Adriana apontou que o livro registra um conhecimento sobre o fazer autoavaliativo, que pode servir de base para novos ciclos dentro na própria Fiocruz. Além disso, ela ressaltou que, dada a relação entre avaliação e planejamento, “os resultados encontrados e registrados na publicação podem - e devem - ser usados como insumos ao planejamento da Fiocruz, tendo como horizonte um modelo de ensino lato sensu tão criativo e coerente com a identidade institucional quanto afinado com os propósitos e as diretrizes do MEC”, instigou Adriana.
O credenciamento como Escola de Governo, a autoavaliação e seu plano estratégico
Segundo as organizadoras, o livro se divide em três capítulos. O primeiro resgata, de maneira muito breve, o processo de credenciamento da Fiocruz como escola de governo, bem como o papel da Comissão Própria de Avaliação (CPA) nesse processo. O capítulo reafirma a importância da Fiocruz para a Saúde Pública, ao longo de sua existência, ressaltando a gama de cursos oferecidos pela instituição e a capilaridade nacional das especializações, presenciais e à distância, como uma de suas atividades estratégicas na formação de trabalhadores em saúde. Ele também traz momentos do processo de credenciamento da Fiocruz como escola de governo, lembrando que essa mudança foi uma exigência da Resolução CNE/CES nº 07/2011, que extinguiu os credenciamentos especiais e exigiu das instituições não universitárias, que é o caso da Fundação, essa formalização para a continuidade da oferta de cursos de especialização.
A segunda parte da publicação discorre sobre os princípios fundamentais que devem nortear — e nortearam — o processo de autoavaliação institucional da educação que é oferecida pela Fiocruz. Considerando o processo de credenciamento da Escola de Governo Fiocruz (EGF), o capítulo dois apresenta e analisa os pressupostos legais que ampararam os debates, a elaboração e a implementação da proposta de autoavaliação institucional, iniciando por evidenciar as relações entre o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e o Sistema de Avaliação de Escolas de Governo (Saeg). Os aspectos teóricos fundamentais que nortearam a construção da proposta de autoavaliação da EGF, seus modelos orientadores e aspectos técnicos incorporados também são analisados nessa seção do livro.
O terceiro e último capítulo traz o detalhamento metodológico do plano estratégico da autoavaliação, elaborado pela CPA, elucidando o tipo de pesquisa/intervenção proposta; a estratégia utilizada para operacionalizar os princípios teórico-metodológicos assumidos pela pesquisa-ação, bem como o desenho dos instrumentos e métodos escolhidos; as ações previstas no Plano; a explicitação de como foi feita a análise dos dados coletados utilizando-se o questionário aplicado aos segmentos docentes, discentes e aos técnicos administrativos, e, por fim, os resultados encontrados.
A CPA-Fiocruz
A Comissão Própria de Avaliação da Fiocruz (CPA-Fiocruz) foi instaurada em fevereiro de 2016, a partir da Portaria 200/2016. Entre as suas atribuições está a sistematização e análise das informações do processo de autoavaliação da Fiocruz, bem como a prestação de informações da Presidência da Instituição pela Secretaria de Regulação do Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A CPA foi criada dentro do contexto de credenciamento institucional da Fundação como Escola de Governo (EGF), uma das exigências desse processo; e é composta, originalmente, de 12 membros, representantes da comunidade interna, de instituições externas vinculadas à educação em saúde e de representantes da sociedade civil organizada.
As últimas semanas foram de luto, meninas e mulheres violentadas, espancadas e assassinadas. O Sextas de Poesia trás o trabalho de um coletivo de mulheres, o Papel Mulher (@papel.mulher), que através do lambe-lambe - pôster artístico de tamanho variado que é colado em espaços públicos -, distribui nas cidades do Brasil palavras de poesia e beleza que reforçam nossa resistência. A poesia trazida hoje é de Aline Miranda, que integra o coletivo e também desenvolve o projeto Correio do Amor de Outrora. Sigamos resistindo!
Segundo o Papel Mulher, "Aline Miranda é poeta, zineira, escritora, editora, oficineira, e revisora de texto. Nascida em Brasília, mas atualmente mora no meio do mato no Rio de Janeiro. Autora de muitas zines e livretos artesanais, tem textos, poemas e resenhas publicados em plataformas digitais e impressas. É uma das editoras da zine "Que o dedo atravesse a cidade, que o dedo perfure os matadouros" e da @filipaedicoes.
Há três anos, ela vem desenvolvendo o projeto “Correio do Amor de Outrora”, em que escreve, datilografa e entrega cartas de amor por encomenda. Desenvolve oficinas de experimentação poética na máquina de escrever em centros culturais, escolas e espaços públicos. Também faz parte da coletiva de performance poética, sonora e sensorial “Conjuração 44”, com artistas lésbicas e bissexuais. Defensora da sensibilidade como força. Não só espera, mas realiza acontecimentos.
Foram prorrogadas as inscrições para a sexta edição do Prêmio Oswaldo Cruz de Teses. A nova data para submissão de candidaturas é 7 de julho. Lembramos que também estão abertas as inscrições para a quinta edição da Medalha Virginia Schall de Mérito Educacional, até 19 de agosto. Ambas as iniciativas valorizam a produção do conhecimento acadêmico em saúde, pois, apesar do cenário desfavorável para a área, a Fiocruz trabalha cotidianamente para o fortalecimento do sistema brasileiro de ciência e tecnologia. Conheça as chamadas.
+Prêmio Oswaldo Cruz de Teses - confira a prorrogação das inscrições até 7/7
+Medalha Virginia Schall de Mérito Educacional - submissões até 19/8
Ambas as chamadas internas são coordenadas pela Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC). Para a coordenadora-geral adjunta de Educação da Fiocruz (CGE/VPEIC), Eduarda Cesse, essas honrarias enaltecerem a produção acadêmica brasileira, sobretudo para o avanço do campo da saúde. "Por mais um ano consecutivo, e ainda em cenário de pandemia, seguimos superando obstáculos para dar visibilidade e condecorar aqueles que em nenhum momento deixaram de se dedicar à pesquisa e à ciência do nosso país", destacou.
Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2022 - inscrições até 7/7/2022
O Prêmio Oswaldo Cruz de Teses (Poct) visa distinguir teses de elevado valor para o avanço do campo da saúde em diversas áreas temáticas de atuação da Fundação Oswaldo Cruz.
Poderão concorrer doutores e doutoras, cujas teses tenham sido defendidas entre os meses de maio de 2021 e abril de 2022 nos cursos da Fiocruz e de cursos nos quais a Fundação participa de forma compartilhada, e que sejam registrados na Coordenação-Geral de Educação (CGE).
As inscrições podem ser realizadas tanto por alunos egressos como pelas coordenações dos programas de pós-graduação (PPG) da Fiocruz, com a anuência do egresso. É importante destaca que não há restrição quanto ao número de egressos inscritos por curso.
Destaca-se ainda que a comissão julgadora do Poct será formada por membros externos à Fiocruz, considerando o número de inscritos em cada área.
Será selecionada uma tese de cada uma das áreas abaixo indicadas:
• Ciências Biológicas aplicadas e Biomedicina;
• Medicina;
• Saúde Coletiva;
• Ciências Humanas e Sociais
O PPG no qual foi realizado o curso não limita a escolha da área. O candidato ou o PPG que o indicou deve apontar no formulário de inscrição a área temática na qual melhor se enquadra o trabalho. As inscrições devem ser enviadas para o e-mail: premio.oct@fiocruz.br.
Cada premiado receberá um certificado e o apoio de até R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais), que poderá ser utilizado para deslocamento, inscrição e estadia em eventos presenciais; inscrição em evento remoto; publicações de artigos em revistas especializadas/traduções de artigos, que nesta edição traz como novidade a obrigatoriedade de ser em revista de acesso aberto e Qualis B2 ou superior na respectiva área de avaliação do PPg de origem na Capes; cursos presenciais ou à distância e compra de livros acadêmicos; cursos presenciais ou à distância e compra de livros acadêmicos.
As inscrições foram prorrogadas até 7/7/2022
Medalha Virginia Schall de Mérito Educacional 2022 - inscrições até 19/8/2022
A Medalha Virginia Schall de Mérito Educacional tem como objetivo reconhecer e valorizar os esforços educacionais de seus servidores e servidoras, distinguindo trajetórias acadêmicas de elevado mérito na educação no campo da saúde. A premiação é concedida para apenas um indivíduo, sem a possibilidade de concessão compartilhada nem a concessão de menção honrosa.
No ano de 2022, somente serão aceitas candidaturas de profissionais com destacada atuação nas áreas da Medicina e/ou Ciências Biológicas aplicadas e Biomedicina.
Busca-se dos candidatos indicados à Medalha uma trajetória meritória de contribuições para a educação por meio da formação de pessoal para o campo da saúde e reconhecida pelos pares; integridade profissional; contribuição duradoura para o campo de atuação, expressa, entre outros elementos, pela capacidade de seus ex-alunos; reconhecimento geral das características de liderança no campo da educação; e influência estadual, nacional e/ou internacional nas políticas educacionais.
A candidatura à Medalha poderá ser apresentada de três formas:
(a) Autoindicação – o servidor apresenta a sua própria candidatura;
(b) Indicação pelo Conselho Deliberativo (CD) de unidade da Fiocruz;
(c) Indicação pela Comissão de Pós-Graduação (CPG) de programa de pós-graduação Stricto sensu da Fiocruz.
Os documentos para candidatura devem ser enviados, com clara indicação do nome do candidato(a), para o endereço medalhavs@fiocruz.br.
As inscrições vão até 19/8/2022
A Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação, por meio da Coordenação-Geral de Educação (CGE/VPEIC), torna pública a chamada interna destinada à seleção de candidatos a bolsas para realização de capacitação no exterior para fins de atividades de curta duração no âmbito do Programa Institucional de Internacionalização – Programa CAPES-PrInt/Fiocruz. A submissão de propostas à Chamada PrInt nº04/2022 vai até 31 de julho.
A iniciativa tem foco em cursos de curta duração ou summer/winter schools e é voltada a servidores ativos da Fiocruz, funcionário do corpo técnico/tecnologista ou administrativo que desenvolvam atividades pertinentes à internacionalização dos Programas de Pós-Graduação da Fiocruz vinculados ao Capes-PrInt/Fiocruz.
Essa modalidade de bolsa oferecida nesta chamada tem como principais objetivos o aperfeiçoamento individual e, sobretudo, o fortalecimento institucional, por meio da qualificação de recursos humanos em treinamentos e capacitações técnicas, científicas ou pedagógicas nas áreas de ciência, tecnologia, inovação.
É importante ressaltar que a candidatura deve ser realizada exclusivamente por meio do formulário eletrônico com o uso do e-mail institucional. Além disso, é fundamental a apresentação do comprovante de proficiência, conforme item 4.7 da Chamada, pois esta é uma exigência da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O comprovante pode ser apresentado no momento da inscrição ou até o dia 12/9, caso seja selecionado.
Confira a Chamada PrInt nº04/2022 – Seleção de bolsistas para realizar Capacitação no Exterior
Imagem: Freepik
A construção do território independente será o tema da segunda edição do seminário internacional Ciência, saúde e ambiente: independências do Brasil?, promovido pela Casa de Oswaldo Cruz. As atividades do dia 1º de julho começam com a aula inaugural de Júnia Furtado (UFMG), intitulada Da conquista à colônia-metrópole: uma cartografia dos vocábulos políticos no contexto da Independência. Veja abaixo a programação completa. Os encontros acontecerão de modo híbrido, com público presente no Salão de Conferências do Centro de Documentação e História da Saúde (CDHS), em Manguinhos (RJ), e transmissão pelo Youtube da COC. As conferências também contarão com intérpretes de libras.
Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS) e pelo Departamento de Pesquisa em História das Ciências e da Saúde (Depes), o seminário será composto de quatro eventos ao longo do ano, com debates reunindo pesquisadores brasileiros e estrangeiros em torno do tema.
A primeira edição do seminário foi realizada em 27 de maio com o tema Instituições científicas, comunidades imaginadas e construção da nação e conferência de abertura apresentada por Lilia Moritz Schwarcz (USP). No segundo semestre, serão realizados outros dois eventos: Povos, diversidade, hierarquias (30/09) e Descolonizações: local, atlântica, global (25/11). A organização geral do seminário é de Lorelai Kury, Dominichi Miranda de Sá, Maria Rachel Fróes da Fonseca e Kaori Kodama (COC/Fiocruz).
Além da conferência de abertura de Júnia Furtado (UFMG), a programação do dia 1º de julho, contará com as mesas-redondas Demarcações, fronteiras e identidades do Brasil e Saberes sobre o território: perspectivas ambientais, sanitárias e sociais. A organização desta edição é de Lorelai Kury, Dominichi Miranda de Sá, Kaori Kodama, Stella Penido, Ingrid Fonseca Casazza e Ricardo Cabral de Freitas (COC/Fiocruz)
Confira a programação:
01/07 - A construção do território independente
8h30 - Café de recepção aos participantes.
9h às 10h - Conferência de abertura
Da conquista à colônia-metrópole: uma cartografia dos vocábulos políticos no contexto da Independência
Júnia Furtado (UFMG)
Mediação: Kaori Kodama (Fiocruz)
10h30 às 12h30 - Mesa-redonda: Demarcações, fronteiras e identidades do Brasil
Maria Fátima da Costa (UFMT)
Francismar Alex Lopes de Carvalho (UERJ)
Iris Kantor (USP)
Mediação: Heloisa Gesteira (Mast)
14h às 16h - Mesa-redonda: Saberes sobre o território: perspectivas ambientais, sanitárias e sociais
Lea Velho (Unicamp)
Jaime Benchimol (Fiocruz)
Diogo Cabral (Trinity College Dublin, Irlanda)
Maria Verônica Secreto (UFF)
Mediação: Robert Wegner (Fiocruz)
Assista aos vídeos da primeira sessão do Seminário, realizado em 27 de maio com o tema Instituições científicas, comunidades imaginadas e construção da nação e conferência de abertura apresentada por Lilia Moritz Schwarcz (USP).
A Fiocruz divulgou nova nota técnica sobre a manutenção das atividades presenciais nas escolas diante de um contexto que ainda é de pandemia. O grupo de trabalho (GT) formado por pesquisadores da Fundação que elaborou o texto reitera a importância da manutenção de aulas presenciais, resguardado o afastamento de casos positivos e de sintomáticos respiratórios, enfatiza que é necessário ter disponibilidade de testes para Covid-19 na comunidade escolar e recomenda que seja dada prioridade à vacinação (doses de reforço) aos trabalhadores da educação. Ainda de acordo com o documento, situações identificadas como agravos associados à Covid-19 devem ser referenciadas para as equipes de atenção primária à saúde, vinculadas a unidades básicas de saúde. Os pesquisadores ressaltam que as escolas são equipamentos seguros e essenciais, por serem promotoras e protetoras da saúde.
“Decorrido todo este tempo de convivência com períodos de maior ou menor transmissão do Sars-CoV-2, pode-se afirmar que as atividades presenciais nas escolas não têm sido associadas a eventos de maior transmissão do vírus”, afirmam os pesquisadores. Segundo o GT, “a detecção de casos nas escolas não significa necessariamente que a transmissão ocorreu nas escolas. Em sua maioria os casos são adquiridos nos territórios e levados para o ambiente escolar. Nesse sentido, a experiência atual, comprovada por estudos científicos de relevância, revela disseminação limitada da Covid-19 nas escolas”.
De acordo com a nota, pelas características da doença, padrão de disseminação nas diferentes faixas etárias e efeitos da vacinação, é possível afirmar que a transmissão de trabalhadores para trabalhadores é mais frequente do que a transmissão de alunos para trabalhadores, trabalhadores para alunos ou alunos para alunos. Portanto, aconselham os pesquisadores, medidas de proteção devem ser adotadas em todos os ambientes escolares, com priorização das estratégias direcionadas à redução da transmissão entre trabalhadores (por exemplo: espaços de convívio e ênfase no rastreio de casos e contatos).
A nota destaca que foi identificado um maior uso de autotestes após a liberação no Brasil. No entanto, chama a atenção para o difícil controle de sua execução correta, bem como as dificuldades de notificação, embora reconheça que os autotestes têm sido importantes para o isolamento precoce dos casos.
O documento lembra que o controle da pandemia resultou, em 2022, na retomada plena das atividades presenciais nas escolas, constatando as consequências e prejuízos pedagógicos e psicossociais da pandemia Covid-19. Assim, é imperativo buscar reconstruir as rotinas escolares e seus projetos pedagógicos. A nota afirma que, no atual momento epidemiológico, não são recomendadas novas interrupções das atividades escolares.
Os pesquisadores sublinham, porém, que “com o inverno, as viroses respiratórias têm sua incidência aumentada. É necessário rever os protocolos para melhor gerenciar os riscos. Assim, atenção especial à ventilação dos ambientes, higiene das mãos e uso de máscara nos sintomáticos leves devem ser incentivados. Essas medidas são importantes para todas as viroses respiratórias”.
O documento informa que em 21 de junho o Brasil apresentava 77,8% com ciclo completo de vacinação da população total e 85,5% para a população elegível acima de 5 anos. No entanto, somente 46% com ciclo completo (todas as doses de reforço) da população total e 55% da população vacinável com reforço acima de 12 anos. Na faixa etária entre 5 e 11 anos há 13.056.571 (63,69%) de crianças com a primeira dose e somente 7.967.345 (38,86%) com a segunda dose, números aquém do necessário para uma imunização coletiva completa. Segundo os pesquisadores, essas informações revelam um maior risco para internação, gravidade e morte relacionadas aos não vacinados completamente.
“É necessário um avanço nas taxas de vacinação, para que possamos proteger toda população e tentar reduzir a taxa de transmissão. Alguns países iniciaram a vacinação para crianças a partir do sexto mês de idade e, com isso, aumentam a cobertura vacinal, principalmente em bebês e crianças como população fortemente carreadora do vírus Sars-CoV-2. Apesar de a vacina não ser esterilizante, no sentido de eliminar o vírus completamente, além de proteger o vacinado contra as formas graves da doença ela reduz a carga viral do contaminado. O Brasil precisa avançar na vacinação para as doses de reforço para as populações mais vulnerabilizadas e definir a vacinação para a faixa etária acima dos seis meses, como forma de reduzir a carga viral circulantes nas escolas e em outros ambientes”, reforça a nota técnica.
O GT da Fiocruz é um grupo constituído em setembro de 2020 com o objetivo de orientar o retorno, o mais seguro possível, às atividades escolares presenciais na condição da pandemia de Covid-19, sempre avaliando o contexto epidemiológico, o avanço da cobertura vacinal e priorizando a vigilância em saúde como tripé fundamental nessa orientação. Os diversos documentos publicados pelo grupo desde então refletem os diferentes momentos e contextos epidemiológicos enfrentados, desde a condição de não retorno presencial até o retorno integral proporcionado pela ampla cobertura vacinal, queda na mortalidade e redução no número de casos.
Acesse aqui a nota técnica.
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O Sextas desta semana apresenta Cântico Negro, de José Régio, pseudônimo de José Maria dos Reis Pereira. Nele o autor reforça que a individualidade reside nas escolhas: não seguir o caminho de todos, procurar um caminho diferente, mesmo que seja mais difícil e obscuro.
Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
Cântico Negro é considerado um poema-manifesto, pois dentro dele há elementos comuns da poética de José Régio. Esta poesia, cujo tema central é a religiosidade, foi publicada em seu primeiro livro, chamado Poemas de Deus e do Diabo, publicado em 1926.
Com informações de https://www.culturagenial.com/poema-cantico-negro-de-jose-regio/
Você desenvolve estudos sobre o quanto a dinâmica do trabalho em plataformas digitais afeta a garantia de direitos e saúde do trabalhador? Essa é uma das questões que a Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis) pretende abordar no dossiê 'Trabalho por plataformas digitais e saúde', que está com chamada pública aberta para submissão de artigos - em português, inglês e espanhol - até o dia 30 de junho. A publicação está prevista para outubro/dezembro de 2022. A Reciis é editada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz).
De acordo com os editores convidados, um dos principais objetivos do dossiê é compilar estudos sobre a intersecção entre saúde e trabalho em plataformas digitais, entendendo a urgência em analisar a saúde e bem-estar dos trabalhadores nesta dinâmica laboral a fim de prefigurar possibilidades futuras relacionadas à saúde nessas dinâmicas digitais de trabalho. Por isso, há interesse em propostas que enfatizem os seguintes eixos temáticos:
• Saúde de trabalhadores por plataformas em diferentes setores;
• Segurança e saúde no trabalho por plataformas nas ruas: motoristas, entregadores, shoppers;
• Trabalhando de casa: trabalho remoto, microtrabalho e trabalho reprodutivo;
• Trabalho doméstico e setor de beleza;
• Intersecções de gênero, raça, casta, classe, idade, sexualidade e outras dinâmicas no impacto de condições de saúde dos trabalhadores por plataformas;
• Perspectivas decoloniais sobre trabalho por plataformas e saúde;
• Além de perspectivas da "invisibilidade" e do "oculto" para compreensão do trabalho por plataformas e saúde;
• Doenças crônicas, deficiência e capitalismo de plataforma;
• Saúde mental, direito à desconexão e trabalho por plataformas;
• Saúde mental e capitalismo de plataforma;
• Plataformização dos trabalhadores da saúde e trabalhadores de cuidados médicos;
• Tecnologias e métricas de vigilância na saúde e monitoramento por plataformas durante a pandemia de covid-19;
• Biopolítica e capitalismo de plataforma antes e durante a pandemia;
• Assédios organizacionais, morais e sexuais no trabalho por plataformas digitais;
• Trabalho decente em plataformas digitais e o papel da saúde;
• Saúde de trabalhadores por plataformas e políticas públicas.
Rafael Grohmann Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
Doutor e Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP); Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS); Coordenador do Laboratório de Pesquisa DigiLabour. Coordenador no Brasil do projeto Fairwork, vinculado à University of Oxford; Diretor Científico da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (COMPÓS); Diretor da Labor Tech Research Network e Membro do Conselho Científico do Center for Critical Internet Inquiry (C2i2), University of California, Los Angeles (UCLA). Tem experiência, principalmente, nos seguintes temas: trabalho em plataformas; plataformização do trabalho; cooperativismo de plataforma; dataficação; comunicação e trabalho; trabalho de comunicadores; teorias da comunicação; circulação de sentidos.
Noopur Raval - New York University (NYU)
Doutora em Filosofia pela University of California, Irvine. É pesquisadora de pós-doutorado no AI Now Institute da New York University Suas pesquisas são interdisciplinares na interseção da Ciência da Informação, Antropologia e Estudos Científicos. Suas experiências de pesquisa estão voltadas à análise do trabalho e as transformações urbanas por meio de plataformas de trabalho e tecnologias de IA.
Kruskaya Hidalgo Cordero - Central European University (CEU)
Pesquisadora e ativista feminista com mestrado em Estudos de Gênero pela Central European University (CEU). Atualmente é coordenadora de projetos da Friedrich-Ebert-Stiftung (FES-ILDIS)- Equador na área de sindicalismo e feminismo. Suas experiências de pesquisa são: trabalho remunerado em casa, estudos decoloniais e economias de plataforma/trabalho digital.
Normas e preparação de artigo
A Reciis é um periódico interdisciplinar trimestral de acesso aberto, revisado por pares e sem ônus para o autor. Recebe textos em fluxo contínuo e também em chamadas públicas para dossiês temáticos. Publica textos inéditos de interesse para as áreas de comunicação, informação e saúde; em português, inglês ou espanhol.
Ao submeter o trabalho, é necessário preencher a categoria Dossiê ‘Trabalho por plataformas digitais e saúde’
Outras informações na seção Notícia no site: www.reciis.icict.fiocruz.br. As normas do periódico podem ser consultadas na seção Preparação do artigo.
No caso de dúvidas, escreva para o e-mail: reciis@icict.fiocruz.br
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