O aluno do Programa de Iniciação Científica (Pibic), vinculado à Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), Rafael Everton Assunção Ribeiro da Costa, ganhou o 19º Prêmio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área de Ciências da Vida.
Estudante Pibic na Fiocruz Piauí, Rafael, que cursa medicina na Universidade Estadual do Piauí (UESPI), teve o reconhecimento durante a segunda experiência dele como bolsista do Programa de Iniciação Científica (Pibic), que começou em 2020, ao ser selecionado para integrar a equipe da pesquisadora Beatriz Oliveira.
O trabalho premiado "Morbimortalidade por doenças diarreicas agudas em crianças menores de 5 anos nos municípios do Estado do Piauí: 2009 a 2019" foi desenvolvido por Rafael sob orientação de Beatriz, e compõe a pesquisa desenvolvida por ela, intitulada “Fortalecimento da Vigilância em Saúde na APS: a implantação de unidades sentinelas para vigilância da morbimortalidade por Doenças Diarreicas Agudas na Estratégia da Saúde da Família no Piauí”. O projeto faz parte da Rede de pesquisas sobre Atenção Primária em Saúde (Rede APS), do programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA). O programa está vinculado à VPPCB.
A questão da mortalidade infantil é um problema crônico no Piauí. De acordo com o estudante, em 2019, o estado ocupava o 4º lugar no ranking nacional de mortalidade infantil e os indicadores apresentavam uma piora nos últimos anos. Segundo o relatório produzido por ele, a diarreia, apesar de ser um quadro clínico evitável, é a segunda maior causa das mortes de crianças. Essa foi a motivação para Rafael se debruçar sobre o tema.
“Quando o Rafael fala que a Doença Diarreica Aguda [a DDA] é uma prioridade, para quem fica mais no eixo Sul-Sudeste, o desafio de superar mortes infantis por diarreia é coisa do passado”, afirmou Beatriz. Um dos exemplos que mostraram para eles essa diferença das realidades sanitárias no país foi a dificuldade de encontrar trabalhos publicados recentemente durante a revisão bibliográfica feita pelo bolsista. “Ninguém mais estuda esse assunto”, concluiu a pesquisadora.
A partir da extensa coleta de dados no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), no Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e no Sistema de Vigilância de Doença Diarreica Aguda (SIVEP-DDA), o trabalho aponta que as regiões do Cerrado e Semiárido apresentam as piores taxas dos indicadores de internação e mortalidade infantil por DDA. Analisar um grande volume de informação e conseguir mapear padrões clínicos ou epidemiológicos é uma das especialidades do estudante: “Eu tenho esse perfil mais prático dentro da pesquisa. Por exemplo, em projetos sobre biologia molecular, eu trabalho com protocolos laboratoriais e aplicação deles. Também costumo fazer um overview de relatos de casos de oncologia para enxergar o que é feito, quais são os guidelines utilizados pelos oncologistas. Faço muitas revisões sistemáticas de literatura”.
Esse levantamento é uma das etapas para visualizar e entender a vigilância em saúde feita nos atendimentos realizados pela APS. A partir dele, a outra frente da pesquisa voltada para a vigilância de rumor no território, por meio de inquéritos e mapeamento de casos de diarreia nas escolas, também está sendo desenvolvida. Juntas, essas informações poderão se complementar e apontar otimizações na coleta e tratamento de dados relacionados a DDA, o que pode gerar ações em saúde mais efetivas.
Para Rafael, o trabalho não vai se encerrar com a premiação ou composição teórica das informações encontradas na pesquisa coordenada por sua orientadora. Além de buscar publicar seu estudo em alguma revista científica, os próximos passos consistem em disseminar seu conhecimento, desenvolvendo ações de educação em saúde junto aos profissionais da área que trabalham nas regiões identificadas pelo trabalho dele, que mais precisam melhorar seus indicadores. Além disso, as informações também ajudarão na articulação com as Secretarias de Vigilância Epidemiológica Estadual e de Teresina.
O bolsista disse que ainda não caiu a ficha quando pensa na premiação e outros desdobramentos que sua pesquisa vem apresentando. Desde que entrou na faculdade, Rafael busca um olhar ampliado da área e participa de estudos ligados a vários temas, como ecologia, humanização e saúde coletiva. Antes de ter contato com a Fiocruz Piauí, via PMA, ele ajudava outros alunos de medicina, da UESPI e de outras faculdades, no desenvolvimento de trabalhos científicos, e encarava sua produção acadêmica como algo paralelo à carreira de médico. “Agora eu vejo uma possibilidade de carreira dentro da ciência mesmo, né? Coisa que não era muito comum para mim”, afirma Rafael.
A orientadora do Rafael, Beatriz Oliveira, também falou sobre o efeito positivo que a presença da Fiocruz causa nesses territórios: “É importante ter escritórios nas regionais e fortalecer esses núcleos, porque é dali que nós vamos conseguir formar pessoas como o Rafael. Esse prêmio mostra que estamos no caminho certo como instituição”.
Anualmente, o CNPq tem o objetivo de reconhecer os bolsistas de iniciação científica e tecnológica que se destacaram durante o ano sob os aspectos de relevância e qualidade do seu relatório final, bem como as instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic).
A cerimônia de premiação acontecerá durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no dia 25 de julho, na da Universidade de Brasília (UnB).
Estão abertas as inscrições para o Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica 2022, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em sua 42ª edição, o Prêmio contempla profissionais e instituições que contribuem de forma significativa para a formação de uma cultura científica no país e para aproximar a ciência, a tecnologia e a inovação da sociedade. Nesta edição, a categoria é a de Pesquisador e Escritor.
Os interessados têm até o dia 6 de maio de 2022 para enviar sua inscrição, que deve ser feita por correspondência, com envio da documentação, portifólio e ficha de inscrição, disponível no site do Premio.
A premiação consiste em valor, em dinheiro, no total de R$ 20 mil e diploma, além de hospedagem e passagem aérea para o agraciado participar da 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que deve ocorrer em julho de 2022, em Brasília. Durante a programação da SBPC, o premiado com o Prêmio José Reis ministrará conferência sobre o conjunto dos seus trabalhos.
A divulgação do vencedor está prevista para 8 de junho deste ano.
Informações adicionais sobre o Prêmio e os documentos necessários à inscrição podem ser encontradas no Regulamento, no site do Prêmio.
O Prêmio
O Prêmio José Reis tem três categorias, que se alternam a cada edição. Além de Pesquisador e Escritor, o Prêmio contempla também as categorias Jornalista em Ciência e Tecnologia e Instituição ou Veículo de Comunicação. A última premiação para a categoria Pesquisador e Escritor ocorreu na 39ª edição do Prêmio, em 2019. O vencedor, Marcelo Knobel, é bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e professor titular do Departamento de Física da Matéria Condensada, do Instituto de Física, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Antes dele, a premiada na categoria foi a pesquisadora Luisa Massarani, também bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e coordenadora do Instituto Nacional de Comunicação Pública em Ciência e Tecnologia, sediado na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Ela foi a vencedora da 36ª edição do Prêmio, em 2016.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) abriu as inscrições para a 19ª edição do Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica. O objetivo é estimular bolsistas de Iniciação Científica (IC) e de Iniciação Tecnológica (IT) cujos relatórios finais se destacam pela relevância e qualidade, e as instituições que contribuíram para alcançar os objetivos do programa.
Para submeter as propostas, as coordenações dos Programas Institucionais de Iniciação Científica e Tecnológica - Pibic e do Pibiti das universidades e das instituições de pesquisa, devem encaminhar ao CNPq, por e-mail, até o dia 18 de março de 2022, os melhores relatórios, classificados ou premiados pelo comitê interno ou externo nas jornadas, salões ou seminários, realizados no 2º semestre de 2021.
Para cada uma das categorias - Bolsista de Iniciação Científica e Bolsista de Iniciação Tecnológica - serão premiados até três bolsistas, sendo um para cada grande área do conhecimento - Ciências da Vida; Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes.
As inscrições das instituições do Pibic para concorrer na categoria Mérito Institucional serão automáticas, desde que apresentem bolsistas do Pibic, Pibic AF ou oriundos de quota do pesquisador, inscritos na categoria Bolsista de Iniciação Científica.
Os bolsistas vencedores receberão R$7 mil em dinheiro (valor bruto), bolsas de mestrado ou de doutorado e diploma. A instituição agraciada na categoria Mérito institucional receberá cotas adicionais de bolsas Pibic/PIBITI e um troféu.
Todos os premiados e o representante da instituição agraciada com o Mérito Institucional recebem passagens aéreas e diárias para participar da próxima Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a ser realizada em julho de 2022, na Universidade de Brasília (UnB), em data a ser definida.
O resultado será divulgado pelo CNPq até 30 de junho de 2022.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), lançou chamada de concessão de bolsas no país em seis modalidades em cronograma único. A Chamada 25/2021 prevê R$ 40 milhões e beneficia, principalmente, jovens pesquisadores, com bolsas para recém-doutores, além de bolsas para atuação em empresas. Serão concedidas bolsas em todas as áreas do conhecimento nas modalidades Pós-Doutorado Junior (PDJ), Pós-Doutorado Sênior (PDS), Pós-Doutorado Empresarial (PDI), Pesquisador Visitante (PV), Doutorado Sanduíche Empresarial (SWI) e Doutorado Sanduíche no País (SWP). As bolsas devem ter início de junho de 2022 a maio de 2023.
O prazo de submissão vai até 7/02/22. Esse edital soma-se à chamada de bolsas no exterior que contempla as modalidades Doutorado-Sanduíche no Exterior (SWE) e Pós-Doutorado no Exterior (PDE).
As propostas serão avaliadas de acordo com os critérios de cada um dos 48 comitês assessores, descritos no anexo da Chamada, e devem ser submetidas pelo próprio candidato à bolsa, exceto para as modalidades a seguir:
Bolsa Pesquisador Visitante (PV): a proposta deverá ser submetida pelo supervisor vinculado à instituição executora;
Bolsa Doutorado-Sanduíche no País (SWP): a proposta deverá ser submetida pelo orientador da instituição de origem;
Bolsa Doutorado-Sanduíche Empresarial (SWI): a proposta deverá ser submetida pelo orientador da instituição de origem.
Leia as chamadas de cada uma das categorias:
Chamada CNPq 25/2021 - Pesquisador Visitante - PV 2021
Chamada CNPq 25/2021 - Pós-Doutorado Júnior - PDJ 2021
Chamada CNPq 25/2021 - Doutorado-Sanduíche Empresarial - SWI 2021
Chamada CNPq 25/2021 - Doutorado-Sanduíche no País - SWP 2021
Chamada CNPq 25/2021 - Pós-Doutorado Empresarial - PDI 2021
Chamada CNPq 25/2021 - Pós-Doutorado Sênior - PDS 2021
Cinco novas oportunidades de apoio a projetos de pesquisa em saúde foram abertas pela Fundação Bill e Melinda Gates no âmbito do Grand Challenges. As chamadas tratam de temas relacionados à ciência de dados, doenças tropicais e saúde materno-infantil e podem ser acessadas separadamente (em inglês).
A Fundação Bill e Melinda Gates (FBMG) é uma instituição sem fins lucrativos que financia pesquisas em diversas áreas do conhecimento. A FBMG atua tanto através de chamadas próprias, do financiamento direto a projetos, como em parceria com várias instituições ao redor do globo. No Brasil, é parceira do CNPq e do Ministério da Saúde em diversas ações de interesse mútuo ao longo dos anos.
Confira as chamadas:
Construindo Capacidade de Modelagem de Malária na África Subsaariana
Inovações na eliminação de doenças tropicais negligenciadas
Sequenciamento Metagenômico de Nova Geração para Detectar, Identificar e Caracterizar Patógenos
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) recebe, até 22 de março de 2021, inscrições para a 18ª edição do Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica. O objetivo é estimular as instituições e bolsistas de iniciação científica e de iniciação tecnológica cujos relatórios finais se destacaram pela relevância e qualidade, e que contribuíram para alcançar os objetivos do programa. Para cada uma das categorias, de bolsista de iniciação científica e bolsista de iniciação tecnológica, serão premiados até três bolsistas nas seguintes grandes áreas de conhecimento: Ciências da Vida; Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes.
Para submeter as propostas, as coordenações dos Programas Institucionais de Iniciação Científica e Tecnológica das universidades e das instituições de pesquisa devem encaminhar para o e-mail pict@cnpq.br os melhores relatórios, classificados ou premiados pelo comitê interno ou externo nas jornadas, salões ou seminários, realizados no segundo semestre de 2020.
Os bolsistas vencedores receberão R$ 7 mil, bolsas de mestrado ou de doutorado e diploma. A instituição vencedora na categoria Mérito Institucional receberá cotas adicionais de bolsas e um troféu.
Além disso, todos os premiados e o representante da instituição receberão passagens aéreas e diárias para participar da próxima Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que será realizada em julho de 2021, em data a ser definida.
Confira todos os detalhes na página do Prêmio: Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica CNPq
Mais de 80 mil pesquisadores em todo o Brasil vão ficar sem bolsa a partir do mês de setembro, caso o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) não consiga sanar, de imediato, um déficit de R$ 330 milhões no seu orçamento. O Conselho divulgou uma nota sobre a suspensão da indicação de bolsistas no dia 15 de agosto.
Diante da gravidade da situação, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) manifestou apoio ao órgão, dado seu papel primoridial no apoio à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. Em carta, a Fiocruz destaca que os recursos são destinados a diversos projetos e ao financiamento de bolsas para estudantes e pesquisadores, que contribuem para o SUS e para a promoção de melhorias nas condições de vida e saúde da população brasileira.
Nesta quarta-feira (21/8), o presidente do CNPq, João Luiz Filgueiras de Azevedo, estaria na Fiocruz**. No entanto, o evento foi cancelado: a coordenação do Núcleo de Estudos Avançados do IOC informou que, por motivo de agenda, a edição com o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), João Luiz Filgueiras de Azevedo foi cancelada. Filgueiras ministraria a palestra CNPq, ciência e inovação para o futuro do país.
No dia 16 de agosto, a Fiocruz publicou uma carta em apoio ao CNPq. Confira o texto completo, na íntegra:
"O Conselho Deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vem manifestar seu apoio ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) diante da grave crise orçamentária e financeira vivida pelo órgão. A Fiocruz defende a necessidade de dotação de recursos e infraestrutura adequados ao cumprimento da missão do CNPq de fomentar a ciência, tecnologia e inovação e atuar na formulação de suas políticas, contribuindo para o avanço das fronteiras do conhecimento, o desenvolvimento sustentável e a soberania nacional.
Conforme deliberação da 16ª Conferência Nacional de Saúde, a política nacional de saúde deve priorizar a ciência, tecnologia e inovação como base essencial para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e de um projeto nacional de desenvolvimento comprometido com a soberania nacional, autonomia tecnológica, com direitos sociais e sustentabilidade ambiental.
Como instituição científica e tecnológica voltada para a produção de conhecimentos e soluções em saúde pública, a Fiocruz é testemunha do papel primordial exercido pelo CNPq no apoio à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação. São inúmeros os projetos desenvolvidos pela Fundação com suporte do CNPq, seja por meio de transferência de recursos diretos ou pelo financiamento de bolsas para estudantes e pesquisadores, que contribuem para o SUS e para a promoção de melhorias nas condições de vida e saúde da população brasileira.
Dentre os exemplos estão as pesquisas realizadas no enfrentamento da emergência sanitária representada pela síndrome congênita associada ao vírus zika, o desenvolvimento tecnológico de kits para diagnóstico diferencial pra Zika, Dengue e Chikungunya, e estudos realizados no campo da biodiversidade e saúde que permitem o rastreamento de casos de febre amarela e outras arboviroses. Todos esses representam avanços recentes obtidos pela Fiocruz com alto impacto para a sociedade e que contaram com central apoio do Conselho, prova contundente de sua relevância para o país.
A Fundação conta também com diversos programas responsáveis pela formação de jovens talentos na ciência e pelo desenvolvimento de conhecimento e tecnologias em favor da saúde do povo brasileiro, garantidos por meio parcerias com o CNPq: o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibit) e o Programa de Pesquisador Visitante. Ainda no campo do ensino, 40 programas de pós-graduação stricto sensu desta instituição, voltados para a formação de mestres e doutores nas diversas áreas das ciências biomédicas, pesquisa clínica, saúde coletiva e desenvolvimento tecnológico, dependem, em boa medida, dos recursos transferidos pelo CNPq. Centenas de estudantes poderão, portanto, não ter mais condições de estudar, caso esta grave crise financeira do CNPq não for revertida.
Diante dos riscos decorrentes para os projetos de pesquisa e ensino da Fiocruz, e entendendo que ciência, tecnologia e inovação devem ser considerados componentes estruturantes e estratégicos para a retomada de crescimento de um país justo, soberano, sustentável e voltado para as necessidades da sociedade, o Conselho Deliberativo se soma às diversas entidades científicas pela defesa da manutenção do CNPq e pela reversão de sua atual crise financeira."
*Com informações de Jornal da USP e Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)
**Atualizado em 20/8/2019.
O auditório da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) ficou lotado, na última terça-feira (15 de agosto): alunos, professores, pesquisadores e servidores da Fiocruz estiveram reunidos em assembleia para discutir a ameaça de corte nas bolsas concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – agência de fomento à pesquisa científica e tecnológica, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O evento foi transmitido ao vivo, online, por uma rede social, permitindo que alunos e profissionais das unidades regionais interagissem com os participantes que estavam no Rio de Janeiro.
A assembleia teve início às 12h e contou com a participação da coordenadora geral de Pós-graduação da Fiocruz, Cristina Guilam, representando a Presidência; do diretor de Legislação e Assuntos e Assuntos Jurídicos da Associação dos Servidores da Fundação Oswaldo Cruz (Asfoc-SN), e Washington Mourão, e da representante da Associação de Pós-Graduandos Fiocruz (APG-Fiocruz), Barbara Cunha.
A reunião começou com a apresentação de dados oficiais relativos às bolsas pagas pelo CNPq por ano em cada modalidade. Em 2014, a concedeu 219.383 bolsas, no total. Já em 2017, foram 80.551 bolsistas. Durante sua exposição, Barbara Cunha, representante da APG-Fiocruz, alertou para as consequências de um possível corte no financiamento: “A bolsa é muito importante para a permanência dos estudantes nos programas. Um eventual corte tem diversas consequências. Tem impacto desde o atendimento a necessidades básicas destes bolsistas (como pagar o transporte até o trabalho e suas próprias contas) até o cronograma das pesquisas. Sem falar nas questões de saúde, como a angústia e a saúde mental desses bolsistas diante de tantas responsabilidades”, afirmou.
A tônica geral, entre os participantes, era de “descaso do atual governo”. Na assembleia, a comunidade acadêmica e científica manifestou a indignação e a importância da bolsa. O medo de acumular dívidas e a situação em que já se encontram os servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foi lembrado em vários momentos.
Diante deste cenário ameaçador, a APG-Fiocruz lembrou que a presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima, enviou ofício ao presidente do CNPq, Mario Neto Borges, manifestando preocupação com o anúncio de suspensão das bolsas, e, também cobrando um posicionamento concreto do CNPq e do MCTI, ao qual o Conselho está vinculado.
Entre as ações encaminhadas pela comunidade, destaca-se a paralisação dos estudantes da Fiocruz, em nível nacional, no dia 22 de agosto. Os participantes ressaltaram a importância de fortalecer ações integradas, mobilizando todo o sistema de APGs, por meio da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). Para fortalecer a pauta, os membros da assembleia sugeriram que os bolsistas que participam de eventos científicos escrevam e leiam cartas de repúdio ao corte do financiamento, tornando público o posicionamento da Fiocruz.
Outra iniciativa que visa dar mais visibilidade ao movimento é a produção de um vídeo colaborativo. A ideia é mostrar a atuação de diversos bolsistas e a importância de suas atividades para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico e social do Brasil – dada a relevância dos projetos liderados pela Fiocruz. Para participar da iniciativa, os interessados devem enviar fotos e vídeos no seu ambiente de trabalho para o e-mail: videocnpq@gmail.com.
Ao final do encontro, a coordenadora geral de Pós-graduação na Fiocruz, Cristina Guilam, pontuou a importância da assembleia e destacou o avanço na mobilização: “Este momento é um salto em relação à última reunião que tivemos. Quero lembrar também que esse é um movimento único, todos nós já fomos e seremos alunos. Todo mundo vai sofrer com os cortes do CNPq. Há muito o que fazer e nós não estamos de mãos atadas”.
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