"Há uma rachadura em tudo. É assim que a luz entra" (no original "There is a crack in everything / That's how the light gets in") é uma frase célebre do cantor e poeta Leonard Cohen, da música "Anthem" (1992), que ilustra o Sextas de Poesia desta semana. A letra encoraja a aceitar a imperfeição ("Esqueça sua oferta perfeita") e a encontrar beleza e sentido mesmo em situações imperfeitas ou dolorosas. O sofrimento, as falhas e as "rachaduras" na vida não são apenas pontos de quebra, mas aberturas necessárias para a luz e a compreensão.
Nascido em 1934, em Westmount, Canadá, Leonard Cohen abordou a condição humana, o amor, a religião, a política e o compromisso com a arte em diferentes expressões, fossem melodias, poemas ou os romances profundos aos quais se dedicou. Ele ganhou projeção literária aos 27 anos de idade, quando publicou a coleção de poesias 'The Spice-Box of Earth', em 1961. A composição que o eternizou, 'Hallelujah', possui mais de trezentas versões e levou cinco anos para ser concluída tal como a conhecemos. Cohen teria cortado dezenas de versos até torná-la pública, em 1984.
Semanas antes de falecer, em 2016, aos 82 anos, o artista lançou uma música que versava sobre a morte. Música, poesia e literatura foram disciplinas interligadas e indissociáveis na obra do artista, que viveu em um mosteiro Zen, na Califórnia, entre 1994 a 1999. Durante quarenta anos, o poeta elaborou diários e desenhos, que eram como registros visuais de coisas, lugares ou pessoas que passavam por sua vida, ilustrados e guardados em seus cadernos. Seus desenhos chegaram às capas de seus álbuns e, em 2006, foram compilados nas páginas do 'Book of Longing' – publicação bastante influenciada por suas regulares visitas à Índia, no final dos anos 1990.
*Com informações da Bienal de São Paulo
Nosso autor do Sextas de Poesia é Guimarães Rosa, escritor da alma do sertão. Com seu lirismo regional, é um recriador da linguagem e inventor de mundos.
O poema escolhido para ilustrar o Sextas faz parte de "Ave, palavra”, livro póstumo de Guimarães Rosa, lançado em 1970, três anos após a morte do autor. A publicação mistura poesia, releitura de conto de fadas e uma declaração de amor a Minas Gerais.
Autor do clássico brasileiro “Grande Sertão: Veredas”, Guimarães Rosa foi um dos mais importantes escritores do movimento modernista de literatura. Sobre o amor, ele dizia "O amor tenteia de vereda em vereda, de serra em serra... o amor, mesmo, é a espécie rara de se achar...".
#ParaTodosVerem Ilustração do rosto de uma mulher com os olhos fechados, ela possui sobrancelhas e cabelos escuros, acima da sua cabeça e misturado com o seu cabelo, há flores e pássaros coloridos, no centro do banner um poema de Guimarães Rosa: "Ave, Palavra":
Amar é a gente querer se
abraçar com um pássaro
que voa.
O Sextas de hoje apresenta Talita Ávila, criadora do perfil @eladissenada, no qual ela compartilha momentos pessoais da sua vida e rotina. Ela própria se descreve como criadora de canções, letras e afins. Em sua página da rede social Instagram, Talita apresenta uma escrita criativa. Ela também é revisora e editora de textos. O poema apresentado hoje retrata a esperança e a luz de cada novo recomeço.
#ParaTodosVerem Fotografia de uma mulher com cabelos compridos, ela está de costas e com os braços abertos, está chovendo, há água no chão e uma luminosidade vem do canto esquerdo da imagem. No canto direito inferior um poema de Talita Ávila:
EU NÃO percorri
décadas de noite
pra me calar
quando o sol nasceu
a madrugada
que venci
sou eu
O Sextas de Poesia desta semana traz Rodolfo Hipólito, poeta, escritor e psicólogo, nascido em Campinas, São Paulo, em 1987.
O poema faz parte de "Um coração azul infinito", livro que tenta encontrar sentido e beleza nos mistérios todos. Segundo Rodolfo ele "escreveu para quem sente demais, pra quem acredita em mergulhos, desvios, e no ciclo infinito de amor e recomeços_ ou, mais importante para quem ainda precisa de encantamento".
Assim, o Campus Virtual Fiocruz deseja a todos vocês um Natal de encantamento e com as melhores companhias.
#ParaTodosVerem Banner com o topo em tons avermelhados, na parte inferior uma imagem de uma mesa repleta de comidas, como tortas, palitos com queijos e tomates, salames, há também guardanapos e por cima da mesa seis mãos seguram seus copos bem próximos para brindar. No topo do banner um poema de Rodolfo Hipólito, "Um coração azul infinito":
e o que me importa
é que nesse poema
tu encontre
o que de mais bonito
posso te oferecer:
companhia
Gioconda Belli é uma das mais interessantes vozes intelectuais da Nicarágua. Antes de se dedicar à literatura, integrou a Frente Sandinista de Libertação Nacional, que derrubou o ditador Anastasio Somoza. A obra de Gioconda Belli é prolífica. Publicou doze livros de poesia, além de prosa e romances.
Aniversariante de 7/12, sua voz poética radica na delicadeza e vitalidade com que trata dos assuntos do corpo feminino e sua sexualidade, do desejo, da alma e da força da mulher.
Esta semana, durante a cerimônia de outorga do título de Pesquisadora Emérita da Fundação Oswaldo Cruz para a ex-ministra da Saúde e ex-presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, a assessora e amiga, Maria Inês Rodrigues Fernandes dedicou a ela o poema "Conselhos para a mulher forte", que escolhi hoje para ilustrar o Sextas de Poesia desta semana. Ele mostra a força, potência criadora e resistência das mulheres. O poema tão bem retrata e nos chama a "se proteger com palavras e árvores...Ampara, mas te ampara primeiro.
Guarda as distâncias.
Te constrói. Te cuida."
E continuamos fazendo por todas nós, pelo direito de viver sem medo!
Esta semana o Sextas de Poesias traz Pedro Machado Abrunhosa, cantor, compositor e músico português. Nascido no Porto, em 20 de dezembro de 1960, iniciou sua carreira na década de 1980, com formação em jazz. Lançou o álbum de estreia, "Viagens", em 1994, que foi um sucesso de vendas, eleito pela revista Blitz como o "Melhor Disco Português dos Últimos 40 Anos". Além da carreira musical, Abrunhosa também é conhecido por sua atuação em cinema e outras artes, sendo um artista multifacetado. Ele já ganhou diversos prêmios, incluindo três Globos de Ouro ao longo de sua carreira.
O texto escolhido é "Quem me leva aos meus fantasmas", que foi interpretado por Maria Bethânia e muitos outros artistas. No texto, ele nos indaga "Quem me salva desta espada e me diz onde é a estrada? O caminho se faz entre o alvo e a seta!"
O Sextas de hoje homenageia Jards Macalé, artista da música brasileira que faleceu nesta semana, em 17 de novembro. Em "Mal Secreto", composição sua em parceria com Waly Salomão, falam sobre um personagem que demonstra frieza e autocontrole, mas que, na verdade, enfrenta uma intensa luta interna reprimindo suas emoções. Esse comportamento também refletia o contexto da ditadura militar vivida no país, quando expressar sentimentos ou opiniões podia ser perigoso. O "mal secreto" representa essa dor íntima e silenciosa, que só encontra saída na arte: “Jogo num verso, intitulado o mal secreto”.
Jards Anet da Silva ou Jards Macalé tem uma vasta obra, repleta de parcerias. Moderno, irreverente, inquieto e sedutor, o músico é um dos artistas mais genuínos que a música brasileira já produziu.
A vida de músico profissional não era suficiente para seus múltiplos talentos, para sua inquietude artística. Por conta disso sempre teve um canal aberto para as diferentes formas de arte. Do amigo Helio Oiticica, ganhou o penetrável “Macaléia”; Nelson Pereira dos Santos o transformou em ator em “Amuleto de Ogum”, e Jards ainda fez a esmerada trilha sonora do filme; já o poeta Waly Salomão tornou-se seu grande parceiro em obras-primas como “Vapor barato”, “Mal secreto” e “Anjo Exterminado”. Outros parceiros como Capinam (“Movimento dos barcos”), Torquato Neto (“Let’s play that”) e Duda Machado (“Hotel das estrelas”) reforçam a versatilidade do compositor.
A obra de Jards Macalé, além das suas originalíssimas interpretações, ganhou cores nas vozes de uma infinidade de artistas como Nara Leão, Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Gal Costa, Adriana Calcanhoto, Frejat, Luiz Melodia e outros.
Jards também teve sua vida e obra retratadas nos filmes “Jards Macalé - Um morcego na porta principal”, de João Pimentel e Marco Abujamra, de 2008, e “Jards”, de Eryk Rocha, de 2012, ambos premiados no Festival do Rio, além do curta “Tira os óculos e recolhe o homem”, de André Sampaio.
*Com informações de jardsmacale.com.br
Abel Silva é hoje um dos grandes poetas e letristas da canção brasileira. E isso pode ser confirmado por um cancioneiro construído ao longo de cinco décadas de carreira. Esse marco foi celebrado à altura esta semana, com uma ocupação artística com música e poesia.
O Sextas de Poesia desta semana faz sua homenagem ao poeta e letrista Abel Silva, autor de "Jura secreta", música que virou um grande sucesso na voz de Simone e Fagner.
O texto escolhido foi "Louça fina", na qual o poeta lembra o medo de amar, que faz de quem ama um gesto incompleto... por isso melhor deixar o amor correr dentro de nós como se fosse um rio, em paz.
O Sextas de Poesia faz sua homenagem ao compositor e cantor Lô Borges. Ele foi um dos fundadores do Clube da Esquina, um grupo de artistas mineiros que marcou presença na música popular brasileira nas décadas de 1970 e 1980.
Lô Borges é coautor, junto de Milton Nascimento, do disco Clube da Esquina, de 1972, um dos álbuns mais aclamados de todos os tempos. Compositor de grandes músicas do cenário musical brasileiro, a canção escolhida para esta edição do Sextas foi "O Girassol da cor do seu cabelo", uma das mais incríveis letras da MPB.
Regravada por artistas dos mais diversos estilos musicais, "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" mostra a sensibilidade de um homem apaixonado, que observa todos os detalhes de seu grande amor. Lô Borges a gravou no disco de estreia do supergrupo que formou com Milton Nascimento, seu irmão Márcio Borges, Fernando Brant, Wagner Tiso, Beto Guedes, Toninho Horta, entre outros. A autoria da letra é dos irmãos Borges, e foi, sem dúvida, um dos maiores sucessos do movimento mineiro.
Salomão Borges Filho, natural de Belo Horizonte, nasceu em 10 de janeiro de 1952 e faleceu no último domingo, 2 de novembro de 2025.
"Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia..." um dos chamados mais lindos do ser apaixonado. Lô Borges ficará pra sempre na poesia de cada canção.
O Sextas de Poesia desta semana homenageia o aniversário de Carlos Drummond de Andrade, celebrado em 31 de outubro. Drummond, é considerado um dos poetas brasileiros mais influentes do século XX, e um dos principais artistas da segunda geração do modernismo brasileiro, embora sua obra não se restrinja a formas e temáticas de movimentos específicos.
Carlos Drummond de Andrade, que também foi contista e cronista, nasceu em Itabira do Mato Dentro - hoje apenas Itabira -, em Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902.
No poema escolhido, Drummond viu o mundo tão grande que cabia na janela sobre o mar, e o amor num simples gesto de beijar.
Drummond merece todas as homenagens! Ele fazia da poesia seus braços pra alcançar: "tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo".